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Carros | testes
Chrysler Town & Country Limited
Março 2008

Chrysler Town & Country Limited

Sinta-se em casa: Filha da Chrysler, a mãe das minivans, ela é prendada e só pensa em agradar a família

Por MARCELO MOURA | FOTOS MARCO DE BARI
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Town & Country era a grife de artigos de surfe que a juventude dos anos 80 rabiscava com caneta nas capas de fichário, mochilas, calças e tênis. Ao lado a gente desenhava o logotipo da loja, um diagrama do tai-chi - aquele círculo com preto e branco se encaixando, que representa a perfeita harmonia entre os opostos Yin e Yang. Mas agora o nome (que em português significa "cidade e campo") é usado para mostrar que não há mais casamento entre os opostos Daimler e Chrysler. As concessionárias continuam vendendo carros dos dois grupos, mas as diretorias foram separadas e, em breve, irão morar em escritórios diferentes. E a minivan Grand Caravan passa a usar, na linha 2008, o nome de sua outra versão americana. Um nome de solteira.

A turma do escritório conhece essa regra: quem se separa geralmente aproveita para entrar em forma e dar um trato no visual. Ralph Gilles, designer responsável pelos Chrysler 300 e Dodge Magnum, enxugou as formas gordinhas que a minivan exibia desde a época do casamento, em 1996. Depois da plástica, ela moderou o apetite e ficou mais atlética, ao trocar o câmbio automático de quatro marchas por uma caixa de seis. Moderou o apetite, mas o motor V6 3.8 continua batendo um pratão: 7,4 km/l no ciclo urbano e 8,2 km/l no rodoviário. Isso para andar com calma. Existe opção de trocas manuais, mas esqueça, o carro de 2 042 quilos não aceita nenhuma manifestação de criatividade do motorista.

Vai de 0 a 100 km/h em 12 segundos, três décimos atrás de um Honda Civic automático, mas isso é tempo de aceleração em linha reta. A direção tem respostas lentas e a suspensão é firme apenas o suficiente para ninguém enjoar na viagem. A Town & Country está mais enxuta e animadinha, mas manda avisar aos garotões ousados que é moça de família. Tanto que nem virá nas opções curta e longa, como nos tempos da dupla Caravan e Grand Caravan. Tem apenas essa versão Limited, por 180 000 reais.

Preço de apartamento, espaço interno digno de certos ambientes compactos (a cabine tem quase 4 metros quadrados) e consumo energético de uma casa modesta. Conte comigo: a eletricidade movimenta as duas portas corrediças laterais e a tampa do porta-malas, os vidros (inclusive as janelas basculantes da terceira fileira), os retrovisores (ajuste e rebatimento), a pedaleira (que tem ajuste de distância), os bancos dianteiros (que têm ajuste de altura e distância e, assim como os centrais, aquecimento) e o lavador dos faróis. Além, claro, do que seria trivial - sendo que, na Town & Country, também não é tão trivial assim. O ar-condicionado digital tem três zonas de temperatura: motorista, carona e bancos de trás. A iluminação interna tem seis focos de leitura, luzes nos espelhos de pára-sol, leds nas portas e dois filetes ilu minados verdes que acompanham o console no teto, como num ônibus de turismo. Temos quatro tomadas de 12 volts e, na parede do porta-malas, uma lanterna recarregável. Santa bateria de 120 ampères...

Harley-Davidson
O rádio é um sistema de DVD com tela no painel sensível ao toque, mas sem visores para os passageiros de trás. Há um sistema Bluetooth de viva-voz para o celular que, num toque de botão, dá uma palestra sobre suas funções e modo de usar. Tudo em voz feminina, nas línguas que o carro sabe falar - inglês, francês, espanhol, alemão, italiano e mais duas que eu não tive coragem de experimentar por medo de não encontrar nelas o comando "mudar idioma" e, assim, nunca mais voltar para a segurança relativa de espanhol e inglês. Português, que é bom, a Town & Country não entende.

Ainda não falamos do sistema Stow & Go, lançado na linha 2005/2006. Pode-se guardar no chão os bancos da segunda e da terceira fileiras, livrando o espaço onde caberia uma pequena moto Harley- Davidson, se você tivesse coragem de sujar o carpete cinza-claro. Não achei o manual do proprietário (difícil dizer se realmente não veio, num carro com mais de 50 porta-objetos), mas consegui resolver O painel de instrumentos tem um detalhe à direita: alavanca de câmbio seqüencial tudo. Os bancos da terceira fila são um primor de simplicidade: três tiras de tecido numeradas. Puxe 1, 2 e 3, nessa ordem. A fila do meio é mais complicada. A alavanca de deitar o encosto o faz fechar como canivete, e a tira atrás do banco libera a cambalhota rumo ao subsolo. Para abrir o alçapão, precisa mover para a frente os bancos dianteiros e o console central. É mais leve que guardar na garagem os bancos individuais da Citroën C8, com 20 quilos cada.

Mas a Chrysler cobra um preço pela conveniência de desaparecer com os bancos. Não em dinheiro - a Town & Country não tem opcionais. É em outras conveniências. Os bancos da segunda fileira são baixos e têm assento e encosto curtos. Quatro adultos viajariam melhor numa Zafira. E, para conseguir lugar no assoalho do carro para os alçapões das duas fileiras e para o tanque de combustível, o estepe foi parar na região abaixo dos bancos da frente. Se o pneu (toc, toc, toc) furar, gire um parafuso que fica no chão, diante do console do painel, e a roda (pesada: aro 17, com pneu 225) descerá embaixo do carro. Como a carroceria é larga, será difícil arrastar para fora. E você terá que fazer isso pelo lado esquerdo, o lado da estrada - porque o cano de escapamento passa pela direita e, próximo do catalisador, está fumegando. A idéia do Stow & Go é ótima. Mas não está em harmonia com o resto do carro.


T&C LIMITED - R$ 180 000
Preço antigo, cara nova e uma única versão: Limited de sete lugares, sem opcionais.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
É tediosa. Isso é elogio num carro que, pelo porte, poderia trazer reações desagradáveis.
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MOTOR E CÂMBIO
As seis marchas trazem suavidade, mas o câmbio é tão careta ao aceitar os pedidos do motorista que o modo seqüencial quase nem faz sentido.
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CARROCERIA
É espaçosa porque é grande - não chega a ser um projeto brilhante, como a Zafira. O estilo quadrado que agrada no 300C parece excessivo numa minivan que, pelo próprio tamanho, já é pesada.
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VIDA A BORDO
Assim você acaba engordando: mais de um porta-copos por passageiro e comando elétrico até para abrir as portas.
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SEGURANÇA
Airbag de cortina e controles de tração e estabilidade. Mas o antiesmagamento da porta lateral elétrica ignorou os dedos do repórter.
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SEU BOLSO
Ninguém procura custobenefício num carro com lotação de Zafira e o triplo do preço. Mas, com 3 120 clientes desde 1996, a van da Chrysler é a compra tradicional desse nicho de mercado.
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A RIVAL


- Kia Carnival 3.8 V6
Vinda da Coréia, custa 20% menos que a Town & Country, tem 25% mais potência e rede concessionária 88% maior. Tem oito lugares mas, para mudar isso, você precisa remover os bancos à moda antiga.

VEREDICTO
A Town & Country não é carro para qualquer um: há um equilíbrio delicado entre trazer requinte e ser resistente a crianças, entre ter conforto e praticidade. Vale pelos equipamentos. O sistema Stow & Go traz com ele sérios sacrifícios.





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