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Jaguar XK 4.2 V8
Março 2008

Jaguar XK 4.2 V8

Questão de valores: O XK honra a tradição reunindo elegância clássica e tecnologia de vanguarda

Por PAULO CAMPO GRANDE | FOTOS MARCO DE BARI
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Para os nostálgicos, a visão do Jaguar XK nestas páginas é suficiente para fazer o coração bater mais rápido. A grade dianteira oval remete ao Jaguar E-Type, um dos carros mais bonitos de todos os tempos, produzido entre os anos de 1961 e 1974. O contorno do vidro traseiro reproduz a forma da tampa do E-Type cupê. Para os mais jovens, ainda que não tenham a referência do modelo clássico, a modernidade dos faróis e as linhas de teto e de cintura falam por si. Agora, quando o assunto é prazer de dirigir, a questão merece algumas palavras.

Assim que entrei na cabine, me senti em um autêntico GT (Gran Turismo) - por definição, um esportivo de alto desempenho e ao mesmo tempo confortável para ser usado em longos deslocamentos. A posição ao volante me lembrou a de carros como o Mercedes SL e o Porsche 911, nos quais o motorista viaja sentado próximo ao assoalho, com as pernas quase paralelas ao piso e com o volante e o painel perfeitamente alinhados à sua frente. A mão direita fica no meio do caminho entre o volante e a alavanca do câmbio - se bem que, nessa moderna interpretação de GT, a tecnologia permite que as marchas sejam trocadas com a mão no volante. Ainda que a transmissão seqüencial de seis marchas ofereça essa opção, o trilho da alavanca no console não perdeu a forma clássica em J.

O acabamento é de primeira qualidade, com couro nos bancos e alumínio no painel. Os bancos elétricos têm uma regulagem extra. Além do ajuste de distância, em que o banco corre inteiro no trilho, o XK permite escolher a distância do assento em relação ao encosto. Assim, ninguém pode reclamar que o assento é curto ou longo demais. O volante também O design reúne faróis e lanternas modernos com elementos clássicos como a grade oval e o contorno do vidro traseiro herdados do antigo E-Type é regulável em altura e profundidade. E a tela de cris tal líquido no console, do tipo touch-screen, centraliza os comandos do ar-condiciondo, do sistema de som, do computador de bordo e do navegador por satélite, por enquanto ainda não disponível no Brasil. Alguns desses sistemas também podem ser acionados por meio de teclas no volante, onde ficam ainda os comandos do piloto automático. No console, próximo à alavanca do câmbio há uma tecla do limitador de velocidade, igual ao Tempomat da Mercedes, que ajuda o motorista a evitar multas por distração.

Em movimento, o XK parece um caso de dupla personalidade. Se por um lado ele lembra seus parentes mais velhos, os sedãs, com muito luxo, conforto e silêncio a bordo - em ponto-morto, o nível de ruído na cabine é praticamente inexistente -, ao volante o XK se mostra um esportivo puro-sangue, às vezes rústico na interação com o piso. A suspensão, do tipo duplo A nas quatro rodas, não poupa o motorista dos estímulos que o asfalto proporciona. Essa interatividade também se deve aos pneus de perfil baixo, que têm a carcaça mais dura que os pneus mais altos. Eles são na medida 245/40 R19, na dianteira, e 275/35 R19, na traseira. Os amortecedores eletronicamente controlados reduzem as oscilações da carroceria nas arrancadas, nas frenagens e nas curvas.

No fim da reta a 210 km/h
A direção é outro exemplo de duplo comportamento. O sistema Servotronic 2, fornecido pela Bosch, é assistido hidraulicamente, mas conta com controle eletrônico que varia a assistência de acordo com a situação. A assistência é reforçada nas velocidades baixas e menor, quase nula, nas elevadas. Dentro desse regime, o XK se revela um carro obediente. A carroceria faz sua parte oferecendo uma estrutura firme. Segundo a fábrica, a carroceria, de alumínio, ficou 20% mais leve e 50% mais rígida que a do XK8, GT aposentado em 2005.

O motor V8 de 300 cv tem um ronco encorpado como um cabernet sauvignon argentino, o que o torna vigoroso mesmo com o bom isolamento da cabine. Na pista de testes, o tempo que o XK conseguiu na prova de aceleração de 0 a 100 km/h não chega a tirar o fôlego, mas está de acordo com suas características. Ele ficou com a média de 7,6 segundos (a fábrica informa 6,2 segundos, baseada em testes feitos na Inglaterra). Sua velocidade máxima, limitada eletronicamente, é de 250 km/h. O mais impressionante, porém, é ver o ponteiro do velocímetro chegar aos 210 km/h, na marca de 1500 metros da reta de nossa pista. Desde a arrancada, a velocidade cresce rápida e vigorosamente até o fim da reta, que tem 1800 metros. Mas aí já era hora de reduzir, para poder contornar uma curva de 180 graus que não permite velocidades acima de 100 km/h.

Por falar em freios, em todas as passagens que fizemos, o XK parou de forma exemplar. Vindo a 80 km/h, ele parou em 25,4 metros. O XK conta com ABS, EBD e também ESP com uma função chamada TRAC, que permite ao motorista optar por maior tolerância de escorregamento nas curvas, para uma condução mais esportiva. Isso ocorre porque o sistema atrasa sua intervenção, proporcionando a chance de controlar o carro sem o auxílio da eletrônica.

Entre os itens de segurança, o esportivo oferece faróis bi-xenônio, protetor de pescoço para colisões traseiras e airbags que ajustam seu modo de enchimento, levando em conta a proximidade do ocupante pela posição do assento no trilho e se ele está ou não de cinto afivelado. Mas a principal novidade é o sistema de segurança para pedestres, que inclui o pára-choque dianteiro de plástico e espuma deformável e o capô que se eleva para minimizar o impacto do corpo da pessoa contra o carro, em caso de atropelamento. Esse sistema conta com sensores localizados nos pára-choques capazes de distinguir um atropelamento de outros tipos de choque. O capô é projetado em até 9 centímetros de altura, em cerca de 30 milissegundos.

A combinação de beleza e prazer ao dirigir têm seu preço, geralmente alto. Com o XK não seria diferente. Ele custa 450 000 reais, na mesma faixa de rivais mais bem equipados, como o BMW 650 Ci e o Mercedes SL 500. O campeão nesse quesito é o Maserati Coupe, vendido por 590 000 reais.


E-TYPE


O Jaguar mais famoso da história é o E-Type, um GT 2+2 da mesma linhagem do atual XK. Ele teve três séries produzidas, entre 1961 e 1974. A primeira tinha motores de seis cilindros 3.8 e 4.2 e a terceira contou com um V12 5.3.


JAGUAR XK - R$ 450 000
O XK tem preço na mesma faixa de esportivos alemães como Mercedes SL e BMW Série 6.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção é progressiva e a suspensão é firme, porém, macia. E os freios param de modo exemplar.
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MOTOR E CÂMBIO
O motor não é dos V8 mais potentes. Mas, ajudado pelo câmbio, consegue desempenho compatível com o peso do carro.
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CARROCERIA
O design do XK tem carisma, o ruído aerodinâmico é baixo e a estrutura da carroceria é firme.
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VIDA A BORDO
A posição de dirigir é esportiva e, ao mesmo tempo, confortável. A ergonomia é bem resolvida.
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SEGURANÇA
Airbags, ABS, ASR e ESP são itens de série.
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SEU BOLSO
A garantia de três anos é boa, mas só há três concessionárias no Brasil: duas em São Paulo, uma no Rio.
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OS RIVAIS


- Mercedes-Benz SL 500
Ele acabou de ganhar uma nova frente, mas, além de 2+2 e V8, ele é conversível e custa 451000 reais.


- BMW 650Ci
Os cupês grandes são clássicos na BMW. Este é equipado com motor V8 de 367 cv de potência e custa 475000 reais.

VEREDICTO
O XK é um autêntico Jaguar, representante de uma marca que se notabilizou por fabricar modelos com altas doses de requinte, no acabamento, e esportividade, no comportamento. Portanto, para quem está disposto a investir 450 000 reais, ele é diversão garantida e em grande estilo.





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