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Renault Grand Scénic Dynamique
Fevereiro 2008

Renault Grand Scénic Dynamique

A Grand Scénic vem da França e traz dois lugares a mais para inaugurar a concorrência com a Zafira

Por Adriano Griecco | Fotos Christian Castanho
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Não é de hoje que o segmento das minivans vive de aplicações de botox. Primeiro veio a Scénic reestilizada em 2004. Depois a Zafira, em 2005, e, no ano passado, a Picasso. A falta de maiores novidades em contraste com o número de lançamentos de peruas e sedãs médios, que disputam a mesma faixa de preço, relegou à lanterna a participação das minivans no reino dos automóveis: elas responderam por mero 1,31% do mercado em 2007, segundo dados da Fenabrave. Agora a Renault volta a inaugurar um ciclo, o das chamadas "Grand Minivans". Acaba de desembarcar por aqui a Grand Scénic, que será seguida da Grand C4 Picasso - que chega até julho deste ano. Mas não se iluda. De grande, mesmo, só o nome. Em tamanho elas não chegam a ser 20 centímetros maiores que uma Zafira, a única minivan a oferecer sete lugares por aqui.

Importada da França - ela é montada na fábrica de Douai -, a Grand Scénic chega apenas na versão Dynamique, ao preço de 87 990 reais. O carro que você vê nas fotos tem dois opcionais exclusivos - o teto solar duplo e os bancos de couro - que elevam o custo para 94 590 reais. A idéia da Renault é que o modelo mais simples roube clientes da Zafira Elite automática, que custa quase a mesma coisa. Como atrativos, a Grand Scénic oferece seis airbags, direção e trio elétrico, ar-condicionado digital e uma garantia de três anos de fábrica. Apesar dos bons argumentos, a Renault adota um discurso modesto e estima as vendas em cerca de 100 carros por mês.

As linhas da Grand Scénic são as mesmas da Scénic II européia, a irmã menor que está uma geração à frente da nossa e já sofreu sua primeira reestilização, em 2006. Vincos salientes e lanternas angulosas ditam o estilo. O visual é agradável e não chega a ser surpreendente, talvez por ter um quê de familiar: a frente lembra a do nosso Clio. No total, a minivan tem 4,5 metros de comprimento e é 24 centímetros mais longa que a Scénic européia - e apenas 16,4 se comparada a nossa Zafira.

O interior, o grande beneficiado nessa história, dividiu opiniões na redação. Mas foi unânime a impressão de que o painel central digital, com números azuis e pequenos, tem péssima visualização. Já a posição de dirigir - que conta com regulagem de altura e profundidade do banco e do volante - é menos vertical que a da nossa Scénic, se aproxima mais à de um sedã ou uma perua. Um grande porta-trecos entre os bancos dianteiros é um alívio para mãos carregadas. É chegar, jogar a tralha lá e esquecer. Quem já dirigiu um Mégane nacional vai se familiarizar com os comandos dessa minivan. Os botões do ar digital são os mesmos que equipam o sedã e a perua. O freio de mão, com acionamento elétrico, é novidade e pode embaraçar motoristas de primeira viagem na Grand Scénic: combina um puxador em forma de "T" com um botão ao centro, que fica à esquerda do volante.

Assim como na Scénic que você conhece, os bancos são escamoteáveis e têm regulagens independentes. O aproveitamento do espaço interno está entre os trunfos do carro. Os assentos da segunda fileira possuem encosto reclinável e regulagem longitudinal. Ainda há a opção de se transformar o banco do meio dessa fileira em uma mesa, além das mesas retráteis instaladas no encosto dos bancos situados à sua frente. Mas o mais forte argumento de vendas para ocupar o terreno do inimigo são os sete lugares. Assim como na Zafira, há uma terceira fileira de bancos, que se encaixam no assoalho caso a família precise dos 550 litros do porta-malas. Rebatendo a última e retirando a segunda fileira de bancos, a capacidade do porta-malas salta para 1 960 litros.

Peças nacionais
Com todo esse tamanho - e 1 460 quilos na balança - a Grand Scénic será vendida aqui com opção única de motor, o 2.0 16V de 138 cv, acompanhado de um câmbio automático seqüencial, de quatro marchas. É o mesmo conjunto do Mégane Sedan e da Grand Tour. E nesse caso isso soa bem - pois a Scénic compartilha componentes nacionais com tais carros, barateando sua manutenção. Na pista, o desempenho da Grand Scénic fez jus ao título de familiar. Ela precisou de 14,7 segundos para chegar aos 100 km/h. Uma Zafira, também equipada com motor 2.0, câmbio automático e rodando com álcool, foi 0,8 segundo mais rápida no mesmo teste. Nas retomadas, as duas andaram de forma parecida, ainda que a Zafira tenha levado pequena vantagem.

Ao volante, abstraindo-se o painel digital, não há nada para se estranhar. Pelo contrário. A Grand Scénic vem completa, trazendo os comandos do rádio na coluna de direção. A alavanca de câmbio é elevada e próxima do motorista, o que facilita no caso de você querer trocar as marchas manualmente, no modo seqüencial. A visibilidade é boa para qualquer lado e, para quem teve que dirigir as picapes de cabine dupla no dossiê desta edição, manobrar a Grand Scénic não foi problema. Quem se arriscar a sair de uma Scénic para uma Grand certamente também não vai encontrar maiores dificuldades.


DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Tem comportamento familiar, mais macio. Não espere grandes emoções ao volante.
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MOTOR E CÂMBIO
Utililiza o conjunto mecânico do Mégane. Mas é mais pesado e sente isso com a família a bordo.
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CARROCERIA
O visual é sóbrio, com linhas vincadas. Não chama atenção, mas agrada.
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VIDA A BORDO
Tem bom espaço interno. Mas com sete lugares falta portamalas. O acabamento é bom e tudo fica à mão.
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SEGURANÇA
Tem seis airbags, ABS e BAS. E o carro levou cinco estrelas no Euro NCAP.
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SEU BOLSO
A garantia de três anos anima. O fato de compartilhar peças com modelos nacionais também. A lista de itens de série, idem. Já o preço...
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A RIVAL


Chevrolet Zafira
É a líder de mercado e a única a oferecer sete lugares. Tem na relação custo/benefício e no motor bicombustível fortes argumentos de venda.

VEREDICTO
Vem completa de série, tem bom espaço e acabamento. Mas chega em uma faixa de preço acima da do segmento das minivans. Por ser mais cara, a estimativa de vendas é baixa. Portanto não espere que ela vá fazer da Renault a líder do segmento.





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