
Muito já se falou sobre interatividade a bordo dos carros, mas esse Lexus foi o primeiro a me servir antes mesmo de eu me sentar ao volante. E suas amabilidades vão bem além de saber recepcionar com atenções especiais. O LS460L ajusta a iluminação do painel, em função da luminosidade externa, e fecha temporariamente as entradas de ar da cabine, quando a qualidade do ar externo está ruim (isso ocorre, por exemplo, quando você se aproxima de um caminhão que solta muita fumaça pelo escapamento).
O LS460L é a quintessência da sofisticação de uma marca que nasceu para isso. Quando o modelo foi lançado, em setembro de 2006, apresentou equipamentos até então inéditos na indústria. Seu câmbio automático é o primeiro de oito marchas e seu motor VVTi-E, o primeiro V8 com duplo comando de válvulas variável elétrico.Toda a proatividade demonstrada no início do teste foi possível graças a um verdadeiro centro de processamento de dados chamado VDIM (Vehicle Dynamics Integrated Management, ou Gerenciamento Integrado da Dinâmica do Veículo), que controla não só o motor como também todos os outros sistemas do carro, como transmissão, freios, direção e sistemas de segurança como o de proteção contra colisões traseiras. É por meio do VDIM que o sistema de direção altera sua relação quando o controle de estabilidade prevê que o motorista vai precisar de respostas mais rápidas, por exemplo.
Entre os dispositivos que possibilitam ao motorista escolher o comportamento desejado, o destaque é o câmbio que pode funcionar no modo standard (com mudanças em momentos padronizados pela fábrica, com prioridade para o consumo), snow (para situações de baixa aderência) e power (que é um modo adaptativo com foco no desempenho). Em outros países, a suspensão pneumática também admite diferentes calibragens (Normal, Comfort e Sport). No entanto, a "nossa" suspensão mecânica está longe de deixar alguém frustrado. Com estruturas do tipo multilink, na frente e atrás, o LS460L rodou com suavidade pelas ruas de São Paulo sem abrir mão da estabilidade, nas curvas e nas desacelerações acentuadas. Além disso, apesar de seu tamanho (515 centímetros de comprimento e 309 centímetros de entreeixos) e da pequena altura do solo (15,5 centímetros), o sedã passou por valetas e quebra-molas sem raspar.
À prova de som
Lá fora, o Lexus é apresentado em duas versões de carroceria: longa (LS460L) e curta (LS460). Esta mede 503 centímetros no comprimento e 297 centímetros no entreeixos. A Toyota optou por trazer apenas a longa para o Brasil, por considerá- la a versão mais adequada para a imagem de sofisticação que quer fixar no país, onde a marca ainda é pouco conhecida. Seu preço é de 422 273 reais.
Ao ver o espaço na parte traseira (há 93 centímetros para as pernas e 143 para os ombros) e os itens de conforto - como bancos individuais elétricos e reclináveis, com aquecimento e ventilação, portacopos no console entre os assentos, espelhos, luzes de leitura e controles independentes de ar-condicionado -, o motorista fica tentado a passar o volante a outro para desfrutar a comodidade a bordo. Mas a dianteira é igualmente convidativa. O volante concentra os comandos do sistema de som, do ar-condicionado e do computador de bordo. Para ajustes mais detalhados, existe uma tela de cristal líquido, com função touch-screen, que é a mesma usada para projetar as imagens do aparelho de DVD e da câmera, localizada na traseira, que auxilia as manobras de estacionamento. Todos os itens são de série. Mas o revestimento do painel é imitação de madeira.
O sistema de som, desenvolvido pela japonesa acabamento superior. Pioneer com alto-falantes da americana Mark Levinson, reproduz em alta-fidelidade e é ajudado pelo perfeito isolamento da cabine. O Lexus é um dos carros mais silenciosos já avaliados por nós. Em pontomorto, pela primeira vez em nossas medições, não conseguimos registrar a intensidade sonora de um veículo porque o ruído ficou abaixo da escala de nosso instrumento, que começa em 34 dB (A).
As surpresas que tivemos ao longo do caminho entre a redação e a pista de testes continuaram ao longo da avaliação. Não esperávamos, por exemplo, que um carrão com 1 945 quilos de peso acelerasse de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos. A velocidade máxima, de 247,9 km/h, era até esperada, uma vez que o V8 tem respeitáveis 347 cv. Mas o que dizer das médias de consumo? Antes de terminar o parágrafo: quanto você daria para ele na cidade, uns 3 km/l? E na estrada, 8 km/l? Pois bem, o LS460L conseguiu as médias de 6,6 km/l na cidade e 12 km/l na estrada.
Ao fim do dia, passei a olhar o Lexus com outros olhos. Não mais como apenas um grande sedã de luxo, mas como um modelo com a capacidade se surpreender quando provocado. Até o design, que me pareceu a princípio excessivamente sóbrio, ganhou certa agressividade com o friso cromado que contorna os vidros e a dupla saída de escapamento.
Com um perfil assim, o grande dilema do proprietário é decidir qual dos assentos ocupar. Aceita um palpite? Dê férias longas para o Jarbas...
COMO SURGIU
Quando criou a divisão Lexus, em 1983, o presidente da Toyota, Eiji Toyoda, incumbiu seus auxiliares de construírem "o melhor carro de luxo do mundo". O resultado foi o LS400, lançado em 1989, que logo virou referência no segmento, deliberadamente calcado no Mercedes-Benz Classe S, da época. Para esta nova geração, que é a quarta, o atual presidente da empresa, Moritaka Yoshida, reuniu não só seus funcionários mas também os fornecedores da fábrica e ordenou que eles fizessem "tudo o que fossem capazes em um carro".
OBRA-PRIMA EM V

O V8 do LS460L é o que todo motor gostaria de ser. Ele é feito de alumínio, tem quatro válvulas por cilindro e duplo comando de válvulas variável (com sistema de monitoramento acústico para equalizar a queima entre os cilindros) eletricamente acionado. A vantagem do comando de válvulas VVTi-E (elétrico) sobre o VVTi (hidráulico), como o que equipa o Corolla, é que seu acionamento independe do motor. Dessa forma, ele começa a trabalhar assim que o motorista dá a partida, enquanto o outro não funciona quando o motor ainda está frio ou em rotações abaixo de 1 000 rpm. Para mercados com gasolina de qualidade inferior, como o nosso, o sistema de injeção do LS460L é convencional, com um injetor por cilindro no coletor de admissão. Mas em outros países o V8 conta com um novo sistema com dois injetores por cilindro, um no coletor e outro na câmara de combustão, o que lhe rende 33 cv extras. A potência sobe O computador de bordo (visor no centro e no alto) tem 6 funções. A partida é sem chave Poltronas reclináveis e 1 metro para esticar as pernas de 347 para 380 cv.
DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Tudo funciona tão bem que o motorista logo se acostuma com o carro, e seus 5,15 metros de comprimento, e dirige com total confiança.[img01]
MOTOR E CÂMBIO
Na teoria, motor e câmbio são exemplos do que há de mais moderno. Na prática, eles comprovam isso. [img02]
CARROCERIA
O visual é sóbrio com um toque esportivo. A rigidez torcional é elevada e o isolamento acústico, exemplar. [img03]
VIDA A BORDO
Para quem dirige, a versão de chassi curto deve ser mais divertida. E o acabamento, com imitação de madeira, fica aquém do padrão do segmento de luxo. [img04]
SEGURANÇA
O projeto vai além dos obrigatórios airbags, ABS e ESP. [img05]
SEU BOLSO
É econômico, tem garantia de três anos e preço competitivo. [img06]
OS RIVAIS

- Mercedes-Benz S 63 L AMG
Tem motor V8 de 525 cv, preparado, chassi longo e suspensão inteligente. Custa 540 000 reais.
- BMW 750i
Seu V8 vem com 367 cv e o chassi é curto. Seu preço é de 490 000 reais. Tem acabamento superior.
VEREDICTO
O LS460L é um carro que beira a perfeição. Mas não é tão sofisticado no acabamento quanto os rivais alemães. Para compensar, seu preço é menor que o da concorrência. Mas a Toyota deveria trazer a versão de chassi curto, para quem quer dirigir o próprio carro, sem excesso de espaço ocioso na traseira.





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