
A nova L200 Triton, que chega às lojas este mês, não aposenta a L200 antiga, que, justiça seja feita, evoluiu consideravelmente ao longo dos anos. Mas a Triton representa um grande avanço em relação a sua antecessora. Sua construção incorpora conceitos modernos de engenharia, o que inclui um novo sistema de absorção de impactos com deformação controlada. O motor 2.5 de 141 cv da L200 HPE, alimentado por bomba de pressão, cedeu lugar ao novo 3.2 de 165 cv que conta com injeção eletrônica direta do tipo common-rail. Mais potente e econômico e mais limpo e silencioso.
Para que as duas linhas convivam em harmonia, desde o ano passado a Mitsubishi reposicionou os preços das versões da L200, preparando o terreno para a Triton. A L200 continuará com as opções L200 GL, Outdoor GLS e Outdoor HPE. A Triton terá apenas uma versão de acabamento, HPE, com três possibilidades mecânicas: motor 3.5 V6 a gasolina de 200 cv, com câmbio automático, e 3.2 diesel de quatro cilindros, com câmbio manual ou automático. A transmissão manual tem cinco marchas e a automática, quatro. O preço da versão diesel automática mostrada aqui é de 119990 reais.
O teste que fizemos com a Triton foge do padrão da revista, uma vez que não foi feito em nossa pista. Aconteceu em uma estrada deserta na região de Catalão (GO), próxima ao roteiro organizado pela fábrica para o test-drive. Mas, como seguimos nossa metodologia à risca, os resultados podem ser considerados fiéis e comparáveis. Apesar de outras condições do asfalto e das diferenças climáticas em relação ao que encontramos em Limeira, a Triton se saiu bem frente a outras picapes avaliadas por nós anteriormente. Ela acelerou de 0 a 100 km/h em 13,2 segundos - tempo bem próximo da Hilux, com 12,9 segundos, e superior aos da Frontier, da Ranger e da S10 testadas em outubro de 2005. Comparada à L200 Outdoor, colocada à prova em fevereiro deste ano, a Triton foi ainda melhor, por que a Outdoor ficou com o tempo de 15,6 segundos. Nas medições do consumo de combustível, a Triton manteve a média das rivais, com as marcas de 10,6 km/l na cidade e 15,2 km/l na estrada.
O test-drive organizado pela Mitsubishi percorreu vias pavimentadas e também estradas de terra. O roteiro passou por trilhas conhecidas na região como "o caminho do leite". São caminhos usados pelos caminhões dos produtores de leite que todas as manhãs passam recolhendo a produção. O percurso margeia as fazendas e é cheio de curvas, ladeiras e obstáculos como mata-burros e elevações que, dependendo da velocidade, podem fazer a picape decolar, como na foto que abre este teste.
Na terra, a L200 Triton demonstrou valentia e resistência. Depois de alguns saltos, ela voltou para o asfalto como se nada tivesse acontecido. Nem um ruído novo sequer. No asfalto, apesar da robustez, a Triton mais parece um automóvel de luxo. Sua direção assistida diminui o esforço e permite manobras em espaço relativamente pequeno. Seu diâmetro de giro, de 11,8 metros, é 1 metro menor que o da L200 Outdoor. A suspensão permite que a carroceria oscile para absorver melhor os impactos do terreno. Um piloto de rali diria que a calibragem do conjunto ficou macia demais. Mas para um motorista que vai usar a picape no asfalto está ideal.
O painel é completo e bem acabado, com diferentes cores e texturas e instrumentos circulares sobrepostos, como nos cobiçados Porsche 911. O couro é de série nos bancos, assim como no volante e nas alavancas da transmissão. Esqueceram apenas de cobrir o freio de mão. A cabine é maior que a da L200 Outdoor. Para quem viaja no banco traseiro, não tem comparação. Há espaço para três pessoas e as pernas não precisam ficar contraídas. A Triton tem 3 metros de entreeixos, contra 2,96 metros da L200 Outdoor. Mas, segundo a fábrica, o que permitiu melhor aproveitamento do espaço interno foi o design original da cabine, que por fora divide opiniões quanto ao gosto.
A Triton também lembra um carro de passeio nos equipamentos. Na cabine há 18 porta-trecos e sete luzes de cortesia. Todos os itens que se vêem nas fotos são de série. Do sistema de som, com entradas para iPod e USB, ao computador de bordo de dez funções (relógio, altímetro, bússola, barômetro, termômetro, calendário, dois hodômetros parciais, consumo, velocidade média e autonomia), passando pelo ar-condicionado automático. A versão diesel, por ter o motor mais barulhento que a gasolina, recebeu cuidados especiais no isolamento acústico da cabine, com a instalação de forrações internas extras e dupla vedação das portas.
O sistema de tração, chamado de Easy Select 4WD, permite a seleção mecânica de três modos: 4x2, com tração traseira, recomendado para uso urbano e rodoviário; 4x4, ideal para pistas de baixa aderência; e 4x4 reduzida, indicada para a transposição de obstáculos, tarefa auxiliada pelo diferencial traseiro de escorregamento limitado, que transfere a tração para a roda que necessita de força. Em nosso test-drive, engatamos a tração 4x4 apenas porque estava no roteiro. A picape, calçada com pneus de uso misto, se vira bem na terra mesmo com tração 4x2. O bom comportamento tanto na terra como no asfalto, somado ao design atraente, deve também fazer com que a nova L200 trafegue com desenvoltura pelo mercado e espete a concorrência, num terreno que tende a se tornar mais movediço nos próximos tempos.
MITO
A Mitsubishi diz que o nome da L200 é mitológico. As três marcas que aparecem na picape seriam referências ao tridente do deus Triton, filho de Poseidon. Mas isso não encontra respaldo nos textos clássicos. Na mitologia grega, o dono do tridente não é Triton e sim Poseidon, deus das águas que inspirou a figura de Netuno, na mitologia romana. Esse tridente é o mesmo que a italiana Maserati usa em seu emblema.
DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
O diâmetro de giro foi reduzido, o ABS é de série e a suspensão cumpre bem o papel de ter duas caras, uma para o asfalto e outra para a terra.
★★★★
MOTOR E CÂMBIO
O câmbio administra bem os 165 cv do motor. A tração 4x4 pode ser engatada com a picape em movimento.
★★★★★
CARROCERIA
O design é moderno, embora o estilo não seja uma unanimidade. A cabine é espaçosa e tem acabamento de primeira qualidade.
★★★★
VIDA A BORDO
A picape é completa e fácil de dirigir e oferece conforto para todos os ocupantes.
★★★★★
SEGURANÇA
Seu comportamento é exemplar. Apesar do centro de gravidade elevado, a Triton transmite confiança nas curvas e nas frenagens.
★★★★★
SEU BOLSO
A versão a gasolina terá vendas menores (15% do mix), mas atende a um tipo de consumidor que não tinha opção na linha da L200 anterior.
★★★★
GEOMETRIA

A RIVAL

- Toyota Hilux SRV 3.0 D aut.
A briga vai ser boa. A Triton parece feita sob medida para brigar com a Hilux. Elas estão muito próximas em preço, motorização e acabamento.
VEREDICTO
A Triton chega com preço na faixa das picapes topode- linha, mas entrega o que se espera. O acabamento é de boa qualidade, o pacote de equipamentos é completo e seu conjunto está bem adaptado para o uso misto a que se propõe. No visual, ela é mais interessante por dentro ou vista de frente




