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Carros | testes
Volkswagen Golf 1.6 Sportline
Abril 2007

Volkswagen Golf 1.6 Sportline

De volta ao jogo: Depois de nove anos, a VW muda a cara do Golf e adota a bem-sucedida estratégia do Polo para melhorar suas vendas

Por Adriano Griecco | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Se você já assistiu à campanha publicitáriae você já assistiu à campanha publicitária do novo Polo na televisão, viu a Volks bater no peito e afirmar que o mundo inteiro dirige o mesmo carro. Seja no Brasil, seja na Europa, o carro é o mesmo. Com o Golf, a campanha não poderá seguir a mesma linha. O nosso Golf, que acaba de ser reestilizado, permanece na quarta geração do modelo. Os europeus já rodam há tempos com a quinta e a próxima é esperada para daqui a dois anos. Essa distância talvez não tenha tanto peso assim. Para começar, o entusiasmo com que o público recebeu a quinta geração foi poucos graus acima de glacial. O carro chegou com credenciais e preço que o consumidor não esperava - tanto é que a Volks deu marcha à ré em alguns pontos (a suspensão, por exemplo, trocou o alumínio pelo aço, mais barato) para melhorar o desempenho nas vendas do Golf europeu.

Por aqui a publicidade deve falar em um item sempre elogiado no Golf: a dirigibilidade. Tanto é que o astro dos filmes publicitários será o esportivo GTI e não a versão 1.6 que você vê nas fotos. E, nesse capítulo, vale o dito em inglês: "No news, good news" (sem novidades, boas notícias). A Volkswagen não mexeu na mecânica. Na edição de fevereiro de 2004 eu mesmo escrevi: "Se você aprecia uma condução mais esportiva, o Golf pode ser o seu número. Sua estabilidade merece aplausos em pé. Todo motorista deveria dirigir um de tempos em tempos para ajustar seus parâmetros sobre o que é boa dirigibilidade". E, de lá para cá, ninguém no segmento dos médios evoluiu a ponto de incomodar o Golf - ainda que o Focus esteja em um nível bem próximo ao do rival.

O visual que você vê nas fotos foi definido há dois anos e três meses. Mesmo tendo sido inteiramente desenhado por aqui, a matriz teve influência no desenvolvimento das linhas. Quando a versão do que seria o novo Golf ficou pronta, os designers brasileiros levaram as ilustrações para a Alemanha. Uma fonte da fábrica afirma que a matriz achou o carro parecido demais com a quinta geração do Golf europeu e não gostou. O caminho seguido foi utilizar linhas - como as do párachoque dianteiro - que o conceito Tiguan apresentou no Salão de Los Angeles em janeiro passado e que podem estar nos próximos VW. Por isso, a filial brasileira não se cansa de dizer que nosso Golf está à frente dos outros em termos de design.

Baixinho e gordinho
A intenção foi deixar o carro aparentemente mais largo e baixo e aumentar a sensação de estabilidade visual. Os faróis, que eram considerados pelo público brasileiro o ponto mais marcante do Golf, ganharam nova expressão, ficaram mais agressivos. Antes, eram emoldurados pela lataria, ou seja, você conseguia ver onde eles acabavam ao olhar o carro de frente. Os novos terminam nas laterais. Como não se vê onde acabam, a impressão é de que o Golf cresceu. A receita "parábola pequena no meio, parábola grande na ponta, com pisca na meia-lua de baixo" é a mesma do Polo. Grade, pára-lamas e capô dianteiro também foram redesenhados.

Na lateral ninguém põe a mão. A Volks argumenta que é uma silhueta muito forte. "O que fizemos foi inclinar a dianteira, para dar sensação de velocidade", afirma Gerson Barone, chefe de design da VW Brasil. Além disso, o vidro traseiro cresceu, para aliviar a espessura da coluna C e para colaborar com a amplitude lateral que a Volks quer estampar no Golf. Agora o vidro é envolvente, como acontece no Polo e no Gol.

A mítica associação entre carro e avião também faz parte do arsenal da marca na apresentação do novo VW. O pessoal de design afirma que a inspiração aeronáutica aparece nas lanternas traseiras, que sugerem turbinas de caças. Elas parecem utilizar led, mas são de lâmpada comum, refletida por prismas, como no Civic. Seja como for, o efeito é bom. Completam as modificações no visual novas rodas e os espelhos retrovisores, que passaram a incorporar as luzes de indicação lateral. E também ficaram do mesmo tamanho. Antes, eram assimétricos, com o da direita menor. Segundo a Volks, isso era alvo de reclamações.

No interior, a Volks mexeu pouco: os relógios do painel mantiveram a posição de sempre, mas ganharam um aro inclinado ao redor de velocímetro e do conta-giros, para dar noção de tridimensionalidade. A grafia dos instrumentos é nova e mantém a iluminação azul. A versão avaliada por nós tinha bancos de couro com duas cores - bege e cinza - que também poderão ser vistas no GTI, mas em posições invertidas. O resto é igual. A boa ergonomia e o bom acabamento continuam lá.

Mecanicamente, como dissemos, não há novidades neste Golf (o GTI, como você pode ler no comparativo com o Civic Si, sofreu pequenas alterações). Nem no sistema de arrefecimento. A chamada "área em elevação", que são as partes do radiador que você consegue enxergar olhando o carro de frente, é praticamente a mesma do anterior. Como não houve acréscimo de peso significativo (apenas 40 quilos), a Volks não precisou alterar a suspensão - e manteve as mesmas molas e amortecedores do anterior. As relações de marcha também não foram trocadas. Em outras palavras, ele continua com o mesmo conjunto bem acertado. É um carro que tem a direção direta e a suspensão firme. É do tipo que aceita provocações por parte do motorista, balança pouco e não retribui de forma brusca.

Dreno fechado
O motor é o 1.6 flex que estreou em maio passado. Manteve os 101 cv com gasolina e tem 103 no álcool. Na pista, não houve melhora. Pelo contrário. Comparado ao nosso último teste com o Golf (realizado em fevereiro de 2004), o novo piorou quase 1 segundo no teste de aceleração, onde levou 14,2 segundos para chegar aos 100 km/h. Com álcool, o tempo cai para 13,3. Pelo menos os engates dos câmbio são macios e agradam no uso cotidiano. É possível trocar as marchas do Golf utilizando apenas o dedo indicador. Nas retomadas, os números também pioraram. Mas vale dizer: além das condições climáticas diferentes, este Golf estava com apenas 67 quilômetros rodados. Pelo menos os números de consumo melhoraram. Na cidade o Golf faz 8,1 e 9,9 km/l, com álcool e gasolina. Na estrada são 10,4 e 14,1 km/l.

A Volks não fala em preço, mas dá pistas. Deve seguir a mesma receita que levantou as vendas do Polo. Mudar o visual, agregar equipamentos e, pelo menos por enquanto, não mexer na tabela. Em outras palavras, a versão 1.6 básica deve custar algo em torno de 49 000 reais. A partir de agora, todos os Golf devem sair de fábrica com ar-condicionado, direção hidráulica e sensor de estacionamento. Com essa estratégia, a marca quer reverter a posição incômoda do Golf no mercado, que está atrás do Chevrolet Astra e do Peugeot 307.

Um dos maiores drenos de venda do modelo no passado era o preço do seguro. Em alguns casos, chegava a bater em 6 000 reais. Desde o ano passado, a Volks passou a oferecer o rastreador por satélite de série no modelo. A partir daí, o índice de recuperação do carro em roubos e furtos subiu para algo próximo dos 100%, o que fez com que as seguradoras diminuíssem o preço do seguro. Com o novo Golf, a história continua e, no primeiro ano de vida, seu seguro pode custar cerca de 1 500 reais, dependendo do perfil do usuário.


FÃ-CLUBE

Antes de ter seus fi lmes publicitários veiculados, a VW já quer vender o novo Golf. Vai selecionar 3 000 clientes - que compraram três Golf ou mais - e convidá-los para conhecer o novo Golf dentro da fábrica, com a chance de reservar uma unidade. Seja o 1.6, seja o 2.0 ou o GTI.


GOLF 1.6 - R$ 49 000


Esse deve ser o do Golf mais barato do nosso mercado. A Volks não quer mexer no preço.

Direção, freio e suspensão
Ao lado do Focus, agrada pelo bom acerto da suspensão. A direção é leve, mas oferece boa dose de firmeza.
Avaliação: excelente

Motor e câmbio
Os engates são exemplares. O motor 1.6 mostrou bons números de consumo, mas foi razoável em desempenho.
Avaliação: muito bom

Carroceria
As linhas ficaram atuais e têm elementos que também aparecerão nos futuros VW.
Avaliação: muito bom

Vida a bordo
O acabamento continua bom, assim como o espaço interno. As linhas do painel, no entanto, começam a ficar cansadas.
Avaliação: muito bom

Segurança
Tem uma lista razoável de opcionais, como ABS e duplo airbag. Controle de tração e estabilidade, só no GTI.
Avaliação: muito bom

Seu bolso
A Volks mantém a boa nota se não mexer no preço. O Golf sai de fábrica com rastreador. Com isso, o valor do seguro é reduzido.
Avaliação: muito bom


Ficha técnica

Bolso
A Volks não fala em preço. Este valor é estimado para a versão 1.6 básica. O Golf tem garantia de 3 anos para motor e câmbio.
Preço do carro (estimado): 49 000
Garantia: 1 ano sem limite de km
Número de concessionárias: 635
Consumo cidade (km/l) (A/G): 8,1 / 9,9
Consumo estrada (km/l) (A/G): 10,4 / 14,1
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 55 / 775,5

Conforto
Todas as versões do Golf terão de série direção hidráulica, ar-condicionado e sensor de estacionamento.
Ar-condicionado/direção hidráulica: s / s
Rodas de liga leve/pintura metálica: o / o
CD player/comandos no volante: o / -
Vidros/travas elétricos: s / s
Espelhos/teto solar elétrico: s / o
Banco traseiro rebatível 2/3 / 1/3: s / -
Câmbio automático/cruise-control: - / -
Computador de bordo/bancos de couro: s / -

Segurança
ABS/BAS/EBD: o / - / o
Controle de tração/estabilidade: - / -
Airbags (frontais/laterais/cabeça): o / - / -
Encosto de cabeça/cinto de 3 pontos para 5º passageiro: s / -
Alarme/imobilizador/brake-light: s / s / s

Desempenho
O Golf não tem revestimento antiruído no capô. Em rotação máxima, o nível de ruído cresceu 6,4 dB em relação ao anterior, medido em 2004.
0-100 km/h (s) (A/G): 13,3 / 14,2
0-1000 m (s) (A/G): 35,0 / 36,1
3ª 40 a 80 km/h (s) (A/G): 8,2 / 8,7
4ª 60 a 100 km/h (s) (A/G): 12,2 / 13,4
5ª 80 a 120 km/h (s) (A/G): 19,4 / 22,0
Velocidade máxima (km/h) (A): 188*
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 59,3 / 26,2 / 15,3
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 36,7 / 76,2
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 60,2 / 65,2
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 93,5

Ficha técnica
Motor/posição: dianteiro / transversal
Construção/cabeçote/cilindrada (cm3): 4 cilindros em linha / 8V / 1 599
Diâmetro/curso (mm): 76,5 / 87
Taxa de compressão: 10,8:1
Potência (cv a rpm) (A/G): 103 / 101 a 5 750
Torque (mkgf a rpm): 14,5 / 14,3 a 3 250
Câmbio (tipo/marchas/tração): manual / 5 / dianteira
Direção (tipo/nº voltas): hidráulica / 3
Suspensão dianteira: independente tipo McPherson
Suspensão traseira: interdependente com braço longitudinal
Freios (tipo/dianteiro/traseiro): hidráulico / disco ventilado / tambor
Pneus: 205/55 R16

Dimensões
Comprimento/entreeixos (cm): 420 / 251
Altura/largura (cm): 146 / 173
Porta-malas (litros): 330
Peso (kg): 1 213
Peso/potência (kg/cv) (A/G): 11,8 / 12
Peso/torque (kg/mkgf) (A/G): 83,6 / 84,8
Diâmetro de giro (m): 11

OS RIVAIS
- Chevrolet Astra
Reina sozinho no mercado. Além da boa aceitação, tem as chamadas versões Advantage, que, como diz o nome, trazem boa vantagem na relação custo/benefício.
- Peugeot 307
A montadora investiu no 307 argentino e o carro está tão atual quanto o europeu. Seus pontos fortes são o visual e a eletrônica embarcada.
- Fiat Stilo
Morreu na Europa para dar lugar ao Bravo. Aqui, deve continuar por mais algum tempo. A linha 2008 deve trazer novidades no visual.

Veredicto
Se a VW realmente confirmar sua estratégia (agregar equipamentos, mudar o visual e não mexer no preço), o Golf deve incomodar novamente os rivais. Segundo a fábrica, seu seguro é o mais baixo entre os pares do segmento. Qualidades há muito tempo ele já provou que tem.





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