
Como a política da empresa permanece a mesma, o carro que você vê nas fotos pertence a um leitor que, apaixonado pela picape (já é sua terceira L200), nos emprestou o carro para o teste, com a condição de que ele pudesse acompanhar os procedimentos de perto. É um modelo 2007 do mais recente lançamento da marca, a L200 Outdoor, criada para substituir a extinta versão Sport, que saiu do mercado em meados de 2006. Ela existe apenas com cabine dupla, tração 4x4 e duas opções de acabamento, a GLS e a top de linha, a HPE, que é vendida com câmbio manual ou - como no modelo avaliado por nós - automático de quatro velocidades.
Evolução
Ela briga em uma fatia do mercado que representa mais de 95% das picapes médias comercializadas aqui (a configuração cabine dupla, 4x4, com motor diesel). A Outdoor HPE automática é a mais barata entre suas semelhantes - custa 94 990 reais. Suas rivais são a Ranger XLT Limited, que custa 98 749 reais e não oferece o câmbio automático, e a Toyota Hilux SRV, que sai por 106 000 reais. Para fechar, há a S10 Executive, por 102 000 reais, e a Nissan Frontier, por 100 900 reais. Diante dos números, é bom olhar para o que elas trazem de série, e nesse aspecto a L200 é completa. Vem com ABS, duplo airbag, trio elétrico e direção hidráulica. Só não tem o piloto automático - que no caso da versão avaliada foi instalado como acessório na concessionária.
O nome Outdoor é mais que justificado. Vindas das pistas de rali, as modificações feitas ao longo da vida da L200 não negam suas raízes na terra. Dali vieram melhorias no motor e na suspensão, que chegou a utilizar oito amortecedores em algumas versões. Nesta L200, o nome serve também para designar alguns itens exclusivos no visual. Externamente, as mudanças começam com uma pintura diferenciada, conferindo-lhe aspecto mais agressivo. A moldura dos faróis e das lanternas traseiras ganhou a cor grafite, a mesma que está nos pára-choques dianteiro e traseiro, nas abas dos pára-lamas e no friso lateral. Mas há alterações no design também: nova tomada de ar sobre o capô e nova tela na grade do radiador. Para completar, as rodas aro 16 têm desenho exclusivo.
No interior, a Mitsubishi não conseguiu apagar as marcas da idade da L200. O painel ainda mantém traços quadrados e antigos. As novidades da Outdoor são o novo tecido do revestimento dos bancos - nossa versão tinha bancos de couro, colocados em concessionária - e CD player com MP3. O entreeixos, de apenas 2,9 metros, continua o mesmo e, comparada às rivais (uma Ranger tem 3,2 metros), a L200 tem uma das cabines mais apertadas para quem anda no banco traseiro. O acabamento também fica atrás, se comparado ao da Hilux SRV, referência no quesito, por atender um público que procura status, não aventura.
Ainda que seja o mesmo projeto desde que chegou aqui, no fim de 1992, a L200 evoluiu. Nesses 14 anos, seu motor de quatro cilindros e 2,5 litros passou dos 90 cv originais - recebendo um turbo e o intercooler, além de modificações no mapeamento da injeção - para os atuais 141 do modelo HPE (a versão GLS utiliza um motor mais fraco, com 121 cv). Com o câmbio automático de quatro marchas, a Outdoor HPE precisou de 15,6 segundos para chegar aos 100 km/h. Uma Toyota Hilux SRV, que tem motor 3.0 de 163 cv com common-rail - tecnologia não encontrada na L200 - e que também estava equipada com câmbio automático, levou 13,6 segundos em teste igual, realizado em dezembro de 2005. Também deixa a desejar no isolamento acústico. Seus números são mais altos que os da mesma Hilux automática.
Haja braço
Ao volante, a L200 não é muito diferente das rivais. Como toda picape, ela balança e pula demais e faz curva de menos. A bordo, é fácil ouvir os pneus cantando e a carroceria cedendo. Por ser a versão automática, a baixa elasticidade do motor acaba "disfarçada" pelo câmbio automático. Outro senão - mais peculiar à L200 - é a pequena capacidade de esterçamento. Manobrá-la em locais apertados pode se tornar um tortura se você estiver com pressa. A contrapartida é a robustez em pisos irregulares, comprovada pela experiência nas provas de rali de regularidade, organizadas pela própria montadora. Com 23,5 centímetros de altura em relação ao solo, a Outdoor proporciona emoção aos proprietários encarando terrenos adversos - há até um botão que bloqueia o diferencial traseiro -, atravessando riachos e até mesmo arriscando alguns saltos. Se fosse um comparativo, provavelmente a L200 não ficaria com a primeira colocação. Mas certamente ela é quem apresenta a melhor relação custo/diversão - sem esquecer a robustez - entre as picapes do nosso mercado.
OUTDOOR - R$ 94 990
A L200 é mais barata que suas rivais com mesma confi guração de cabine e equipamentos.
Suspensão
É mais voltada ao fora-de-estrada. Na cidade, a L200 pula e canta pneus em curvas fechadas.
Avaliação: bom
Ao volante
Esterça pouco, o que torna as manobras mais demoradas. O interior é bem resolvido, mas o visual é antigo.
Avaliação: bom
Carroceria
Utiliza chassi e carroceria. A versão Outdoor tem detalhes exclusivos, como a tomada de ar sobre o capô.
Avaliação: muito bom
Motor e câmbio
O conjunto não é referência no segmento. e o motor não tem common-rail.
Avaliação:bom
Mercado
Suas peças de reposição custam o mesmo que as da Hilux O seguro, em média 13000 reais, é 15% mais caro que o da Toyota.
Avaliação: bom
PASSADO 
Em seu primeiro teste, em 1992, a L200 tinha 90 cv e levou quase o dobro do tempo (29,6 segundos) para chegar aos 100 km/h. Na época, custava 41 000 dólares, o equivalente a 130 000 reais hoje.
Bolso
O consumo não pôde ser medido. Segundo seu proprietário, a média rodoviária é de 11,5 km/l.
Preço do carro (estimado): 94990 reais
Garantia: 2 anos sem limite de km
Número de concessionárias: 106
Consumo cidade (km/l) (D): n/d
Consumo estrada (km/l) (D): n/d
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 75 / n/d
Conforto
O cruise-control e os bancos de couro são opcionais oferecidos por concessionárias.
Ar-condicionado/direção hidráulica: s / s
Rodas de liga leve/pintura metálica: s / s
CD player/comandos no volante: s / -
Vidros/travas elétricos: s / s
Espelhos/teto solar elétrico: s / -
Banco traseiro rebatível 2/3 / 1/3: -
Câmbio automático/cruise-control: o / -
Computador de bordo/bancos de couro: - / o
Segurança
Mesmo com o ABS, a L200 mostrou instabilidade nos testes de frenagem. Os números foram apenas razoáveis.
ABS/BAS/EBD: s / - / -
Controle de tração/estabilidade: - / -
Airbags (frontais/laterais/cabeça): s / - / -
Encosto de cabeça/cinto de 3 pontos para 5º passageiro: - / -
Alarme/imobilizador/brake-light: s / s / s
Desempenho
0-100 km/h (s) (D): 15,6
0-1000 m (s) (D): 37,3
D 40 a 80 km/h (s) (D): 6,3
D 60 a 100 km/h (s) (D): 9,3
D 80 a 120 km/h (s) (D): 14,3
Velocidade máxima (km/h) (D): 166*
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 71 / 32 / 18,6
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 47,3 / 66,4
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 62,5 / 68,8
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 96,7
Ficha técnica
Tem tração reduzida e bloqueio do diferencial traseiro, item que impede que uma das rodas de trás gire em falso quando não está em contato com a superfície, jogando o torque para a outra.
Motor/posição: dianteiro / longitudinal
Construção/cabeçote/cilindrada (cm3): 4 cilindros em linha / 8V / 2474
Diâmetro/curso (mm): 91,1 / 95
Taxa de compressão: 21:1
Potência (cv a rpm) (A/G): 141 a 4000
Torque (mkgf a rpm): 30,6 a 2000
Câmbio (tipo/marchas/tração): automático / 4 / 4x4
Direção (tipo/nº voltas): hidráulica / 3 voltas
Suspensão dianteira: independente com braços triangulares
Suspensão traseira: eixo rígido e molas elípticas
Freios (tipo/dianteiro/traseiro): hidráulico / disco ventilado / tambor
Pneus: 265/70 R16
Dimensões
Comprimento/entreeixos (cm): 500 / 296
Altura/largura (cm): 180 / 181
Capacidade de carga (kg): 1080
Peso (kg): 1770
Peso/potência (kg/cv) (D): 12,5
Peso/torque (kg/mkgf) (D): 57,8
Diâmetro de giro (m) 12,8
OS RIVAIS
- Chevrolet S10
É a atual líder de mercado. Tem motor 2.8 com commonrail, mas em breve deve receber a versão 3.0 da International, que também estará na D-Max, sua sucessora.
- Toyota Hilux SRV
É o nome da vez. Mas só para quem usa uma picape nos grandes centros urbanos. Tem potência (163 cv) e visual e acabamento superiores aos das rivais.
- Nissan Frontier
Hoje, não ocupa posição de destaque. Mas sua versão mais recente será importada ainda no primeiro semestre.
Veredicto
Nascida para encarar as estradas da vida, ela é a picape média mais barata entre as tops nacionais. A montadora ainda organiza ralis para os proprietários "desfrutarem" melhor de seus carros. Mas ela peca no conforto e nos preços do seguro e das peças de reposição, mais altos que os das rivais.




