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Carros | testes
Honda Civic EXS Flex x Honda Civic EXS
Janeiro 2007

Honda Civic EXS Flex x Honda Civic EXS

O preço da liberdade: O Civic tem o mais sofisticado sistema flex do mercado e cobra por isso. Vale a pena pagar essa conta?

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Finja que você ainda não viu as fotos. É um comparativo entre dois modelos que não cabe agora identificar. Se fossem cervejas, seriam A e B. Como são carros, tratemos de F e G. O carro G foi lançado em maio de 2006 e o F, em dezembro. O G é 2,4% mais barato (80 395 reais contra 82 405) e ganhou do F em quase todos os testes de desempenho. Os dois empatam em conforto, equipamentos, acabamento, segurança, garantia, espaço interno e em rede de assistência técnica. Qual escolher?

A dúvida pode ser resolvida na última hora, já na concessionária. Afinal, são variações do mesmo carro: F é o Civic EXS Flex e G, o Civic EXS movido a gasolina. A Honda diz que manterá o modelo monocombustível em linha, com 67% da produção, e que a preferência do mercado haverá de ajustar as quantidades. As montadoras que disseram isso, sem exceção, mataram o a gasolina poucos meses depois. "O motor bicombustível já é uma obrigação de mercado para os carros pequenos e, nos próximos anos, passará a ser dos sedãs médios também", afirma Vítor Meizikas Filho, analista de mercado da Molicar. "O mercado de usados está eufórico pelos flex, então a valorização deles em relação aos gasolina ainda não é quantificável. Mas é certo que o bicombustível será mais fácil de revender."

Tudo bem, o flex é a tendência, mas nenhuma montadora havia cobrado um acréscimo tão grande por ele. No Civic EXS, a liberdade de decidir o que usar no tanque custa 2 010 reais. Aliás, não há muito o que pensar nessa decisão. O levantamento mensal da ANP (Agência Nacional do Petróleo) feito em novembro mostra que o custo por quilômetro rodado está favorável ao álcool mesmo em estados onde ele não é tão barato, como no Acre. Ou seja, se você puder escolher um Civic para ganhar de presente, peça o Flex e fique longe das bombas de gasolina. Agora, se é você quem vai comprar...

O álcool custa menos, mas o motorista levará 24 512 quilômetros para receber de volta o dinheiro que investiu no sistema bicombustível. Isso se abastecer em São Paulo, que tem o álcool mais barato do Brasil. No Rio Grande do Sul, serão 95 714 quilômetros para retornar o investimento; em Minas Gerais, 150 000 quilômetros. E, se você não pagar o carro à vista, vai demorar ainda mais, porque os 2 010 reais serão fermentados pelos juros de financiamento. O Civic EXS Flex é econômico usando álcool (marcou 7,38 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada) e faria bonito contra o Vectra automático (com álcool) nas versões Elegance 2.0 (6,2 km/l e 8,6 km/l) ou Elite 2.4 (5,7 km/l e 7,2 km/l). Mas contra o Civic EXS a gasolina, igualmente comedido nos gastos, é difícil livrar vantagem no balanço do fim do mês.

Ponto para a gasolina

Mesmo cheio de gasolina no tanque, o Civic Flex é um carro diferente do Civic. A taxa de compressão aumentou de 9,9:1 para 11,5:1. Isso deveria aumentar a potência, mas o limite de giros do motor foi reduzido de 6 300 rpm para 6 200. O resultado é que, com álcool, o Flex tem tanto torque (17,7 mkgf) e potência (140 cv) quanto o Civic original (mas não a mesma autonomia: na estrada, são 514 quilômetros contra 680). E, usando gasolina, o motor do Flex perdeu rendimento: 138 cv e 17,5 mkgf. A Honda diz que assim encontrou a melhor relação entre desempenho e economia de combustível. Fato é que, no teste de 0 a 100 km/h, o Civic Flex perdeu do gasolina por 0,6 segundo quando usava álcool e por 1 segundo ao usar gasolina. Em economia, o EXS Flex (com gasolina) ganhou por pouco do EXS em consumo urbano (10 km/l contra 9,8) e perdeu no ciclo rodoviário: 13 km/l contra 13,6.

Há duas explicações para a superioridade do modelo a gasolina: ao começo do teste, ele tinha 9 027 quilômetros rodados, contra apenas 865 do Flex. E ele tem as vantagens da especialização. O Flex precisa queimar, em variadas proporções, a mistura de dois combustíveis de características diferentes (veja quadro abaixo). Parte desse desafio é vencido pela eletrônica atual, mas a taxa de compressão, diferente para motores a álcool ou a gasolina, é fixa - e a Honda, a exemplo de outras montadoras, escolheu um valor intermediário. Como esse valor é baixo para o álcool, não se aproveita toda a energia que ele tem a oferecer - ocasionando aumento de consumo e poluição. Ao mesmo tempo, a taxa é alta para a gasolina, e isso eleva o risco de detonação. Para evitá-la, a central eletrônica atrasa o ponto de ignição. Com menos tempo para acontecer, a queima da gasolina torna-se menos eficiente. Em outras palavras: tendência ao aumento de consumo e de poluição e ao depósito de resíduos de carbonização no motor.

Você sabe o que está queimando?

O conceito de carros multicombustíveis é antigo, mas viveu restrito a veículos militares que não sabem o que vão encontrar no próximo posto (caso dos caminhões REO capazes de queimar óleo diesel, gasolina ou mesmo lubrificante). Os modelos que americanos e suecos vendem como flexfuel são algo diferentes do nosso. Bebem álcool e gasolina, mas são combustíveis de qualidade mais controlada, em combinações que fogem menos à natureza do motor. E lembre que o do Civic foi desenvolvido, desde o primeiro parafuso, para beber gasolina. Seu sistema bicombustível é uma adaptação. Por melhor que tenha sido feita.

O Civic traz novidades ao mundo dos bicombustíveis. Ainda não foi dessa vez que aposentaram o reservatório de partida a frio, mas agora ele fica alojado entre o pára-lama dianteiro direito e a cabine, protegido por um casulo de aço com 5 milímetros de espessura. Seu abastecimento é feito por um bocal no pára-lama, igual ao de um tanque comum, e assim algum frentista distraído pode acabar enchendo de álcool; de qualquer jeito, passa a impressão de ser mais seguro que o tanquinho dentro do cofre do motor (embora não tenhamos nenhum registro de acidente que desabone a reputação deste). Ao contrário dos outros bicombustíveis, não há risco de a gasolina da partida a frio envelhecer. Por mais quente que seja o dia, o carro está programado para consumir alguns mililitros. E, antes de o reservatório de 700 mililitros esvaziar, uma luz de alerta (presente em outros carros flex, mas é raridade) acenderá no painel. Ela, mais a alavanquinha de abertura do bocal extra, são as únicas diferenças dentro da cabine a identificar o melhor carro bicombustível já testado por nós. O Civic EXS Flex é muito bom mas, pelo preço de hoje, há pelo menos um carro melhor no mercado. É o Civic EXS movido a gasolina.


CIVIC FLEX - R$ 82 405
A tampinha no pára-lama da frente é para a gasolina da partida a frio: uma das novidades do Civic.
- 0 a 100 km/h: 12,3/12,7 (A/G)
- 40 a 80 km/h: 5,4/5,8 (A/G)
- 60 a 100 km/h: 7/7,3 (A/G)
- 100 a 120 km/h: 9,2/9,7(A/G)
- Consumo urbano: 7,4/ 10 (A/G)
- Consumo rodoviário: 10,3/ 13 (A/G)

Susupensão
Igual à da versão a gasolina, tem ótimo equilíbrio entre conforto e estabilidade. Mas bate seco ao atropelar lombadas a 40 km/h.
Avaliação: muito bom

Ao volante
Ergonomia ótima, reações de direção rápidas e o melhor câmbio automático do país, com cinco marchas e borboletas no volante.
Avaliação: muito bom

Carroceria
Ninguém tinha ido tão longe para trazer mais segurança ao flex. É, no mínimo, tão seguro quanto um bicombustível comum.
Avaliação: muito bom

Motor e câmbio
O motor não rendeu tão bem quanto na versão a gasolina, mas ainda assim seus números o colocam bem na foto com a concorrência.
Avaliação: excelente

Mercado
O Flex terá maior valor de revenda, mas está caro perto do Civic EXS.
Avaliação: muito bom


CIVIC GASOLINA - R$ 80 395
Os modelos a gasolina costumam morrer quando chega o flex. Será que o Civic EXS escapa à sina?
- 0 a 100 km/h: 11,7 (G)
- 40 a 80 km/h: 5 (G)
- 60 a 100 km/h: 6,3 (G)
- 100 a 120 km/h: 8,6 (G)
- Consumo urbano: 9,8 (G)
- Consumo rodoviário: 13,6 (G)

Susupensão
Ligeiramente mais confortável que a do Corolla, é incapaz de conter o balanço provocado pela direção, direta demais.
Avaliação: muito bom

Ao volante
O volante pequeno é um recado: o carro é feito para quem está no banco da frente, à esquerda. Reações rápidas, painel envolvente e ótima ergonomia.
Avaliação: muito bom

Carroceria
Piso quase plano para os passageiros de trás e sensação de espaço, proporcionada pelo pára-brisa inclinado. Mas o porta-malas de 340 litros é insuficiente.
Avaliação: muito bom

Motor e câmbio
O motor a gasolina andou na frente do Flex com álcool e andaria na frente do Vectra 2.4, se ele aqui estivesse. Mesmo com câmbio automático, bebe como carro popular.
Avaliação: excelente

Mercado
Na tabela de preços atual, vale mais a pena que o Civic Flex - mas seu futuro é duvidoso.
Avaliação: muito bom


Ser flexível
- A favor

O cliente fica protegido da variação de preço dos combustíveis e o próprio carro fica mais protegido contra adulterações no posto. O flex ressuscitou o álcool, um combustível mais limpo, renovável e socialmente importante, porque gera empregos no campo. (Eduardo Campos, engenheiro da Magneti Marelli)

- Contra
O álcool, ao contrário da gasolina, é subaproveitado, pois a taxa de compressão para ele não é ideal. A flexibilidade em combustível foi adotada pelos americanos nos anos 90 (e está sendo pelos europeus) como uma forma de implantar aos poucos o uso do etanol. Não precisamos desse artifício. Temos há 30 anos uma cadeia de produção e distribuição de álcool desenvolvida. (Bob Sharp, jornalista especializado)


Coquetel Flex

Mais de 4 milhões de carros flexfuel nos Estados Unidos, desde os anos 1980, podem consumir da gasolina pura ao álcool com 15% de gasolina. O motor sempre bebe pelo menos 15% do combustível para o qual foi inicialmente feito, e essa porção de gasolina basta para garantir a partida a frio em condições climáticas severas. Mesmo na gelada Suécia, que tem flexfuel (ou flexifuel) desde o fim dos anos 1990, não se fala em tanquinho de partida a frio. Fornecedores ensaiaram um lobby junto ao governo brasileiro para adicionar 15% de gasolina ao álcool, mas a conversa não foi adiante.


O futuro do flex
Bosch, Delphi e Magneti Marelli testam bicos que aquecem o álcool a 80 ºC - suficiente para partir a frio sem gasolina. Outra idéia surgiu no Congresso da SAE: aquecer o ar. "Não conduz calor tão bem, mas sua massa na câmara de combustão é cinco vezes maior", diz Danilo Buchdid, um dos autores do estudo.


Ficha técnica e teste Civic Flex

Bolso
A autonomia do Civic EXS Flex é pior mesmo ao usar gasolina: cada tanque rende 32 quilômetros menos que no Civic EXS.
Preço do carro: 82 405
Garantia: 3 anos s/ limite de km
Número de concessionárias: 84
Consumo cidade (km/l) (A/G): 7,4 / 10
Consumo estrada (km/l) (A/G): 10,3 / 13
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 50 / 648

Conforto
O pacote de equipamentos é igual nos dois carros.
Ar-condicionado/direção hidráulica: s / s
Rodas de liga leve/pintura metálica: s / o
CD player/comandos no volante: s / s
Vidros/travas elétricos: s / s
Espelhos/teto solar elétrico: s / -
Banco traseiro rebatível 2/3 / 1/3: s
Câmbio automático/cruise-control: s / s
Computador de bordo/bancos de couro: s / s

Segurança
ABS/BAS/EBD: s / - / s
Controle de tração/estabilidade: - / -
Airbags (frontais/laterais/cabeça): s / - / -
Encosto de cabeça/cinto de 3 pontos para 5º passageiro: s / s
Alarme/imobilizador/brake-light: s / s / s

Desempenho
Carro a gasolina bebe menos e anda menos, certo? Não aqui. O Civic EXS deixou para trás o EXS Flex abastecido com álcool.
0-100 km/h (s) (A/G): 12,3 / 12,7
0-1000 m (s) (A/G): 34,3 / 34,2
D 40 a 80 km/h (s) (A/G): 5,4 / 5,8
D 60 a 100 km/h (s) (A/G): 7 / 7,3
D 80 a 120 km/h (s) (A/G): 9,2 / 9,7
Velocidade máxima (km/h): n/d
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 58,4 / 26 / 14,7
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 36,2 / 70,8
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 58,3 / 65,6
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 96

Ficha técnica
No Civic EXS Flex, o torque máximo aparece em rotações bem diferentes, conforme o combustível.
Motor/posição: dianteiro / transversal
Construção/cabeçote/cilindrada (cm3): 4 cilindros / 16V / 1 799
Diâmetro/curso (mm): 81 / 87,3
Taxa de compressão: 11,5:1
Potência (cv a rpm) (A/G): 140 / 138 a 6 200

Torque (mkgf a rpm): 17,7 a 4 300 / 17,5 a 5 000
Câmbio (tipo/marchas/tração): seqüencial / 5 / dianteira
Direção (tipo/nº voltas): hidráulica / 2,8 voltas
Suspensão dianteira: McPherson
Suspensão traseira: independente, duplo A
Freios (tipo/dianteiro/traseiro): hidr. / disco / disco
Pneus: 205/55 R16

Dimensões
Comprimento/entreeixos (cm): 449 / 270
Altura/largura (cm): 145 / 175
Porta-malas (litros): 340
Peso (kg): 1260
Peso/potência (kg/cv) (A/G): 9 / 9,1
Peso/torque (kg/mkgf) (A/G): 71,2 / 72
Diâmetro de giro (m) 10,6

Ficha técnica e teste Civic

Bolso
Preço do carro: 80 395
Garantia: 3 anos s/ limite de km
Número de concessionárias: 84
Consumo cidade (km/l) (A/G): - / 9,8
Consumo estrada (km/l) (A/G): - / 13,6
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 50 / 648

Conforto
Ar-condicionado/direção hidráulica: s / s
Rodas de liga leve/pintura metálica: s / o
CD player/comandos no volante: s / s
Vidros/travas elétricos: s / s
Espelhos/teto solar elétrico: s / -
Banco traseiro rebatível 2/3 / 1/3: s
Câmbio automático/cruise-control: s / s
Computador de bordo/bancos de couro: s / s

Segurança
ABS/BAS/EBD: s / - / s
Controle de tração/estabilidade: - / -
Airbags (frontais/laterais/cabeça): s / - / -
Encosto de cabeça/cinto de 3 pontos para 5º passageiro: s / s
Alarme/imobilizador/brake-light: s / s / s

Desempenho
0-100 km/h (s) (A/G): - / 11,7
0-1000 m (s) (A/G): - / 33,4
D 40 a 80 km/h (s) (A/G): - / 5
D 60 a 100 km/h (s) (A/G): - / 6,3
D 80 a 120 km/h (s) (A/G): - / 8,6
Velocidade máxima (km/h): 189
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 61,8 / 27,9 / 15,8
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 38,9 / 69,2
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 66,3 / 67,9
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 96

Ficha técnica
Motor/posição: dianteiro / transversal
Construção/cabeçote/cilindrada (cm3): 4 cilindros / 16V / 1 799
Diâmetro/curso (mm): 81 / 87,3
Taxa de compressão: 9,9:1
Potência (cv a rpm) (A/G): - / 140 a 6 300

Torque (mkgf a rpm): - / 17,7 a 4 300
Câmbio (tipo/marchas/tração): seqüencial / 5 / dianteira
Direção (tipo/nº voltas): hidráulica / 2,8 voltas
Suspensão dianteira: McPherson
Suspensão traseira: independente, duplo A
Freios (tipo/dianteiro/traseiro): hidr. / disco / disco
Pneus: 205/55 R16

Dimensões
Comprimento/entreeixos (cm): 449 / 270
Altura/largura (cm): 145 / 175
Porta-malas (litros): 340
Peso (kg): 1260
Peso/potência (kg/cv) (A/G): - / 9
Peso/torque (kg/mkgf) (A/G): - / 71,2
Diâmetro de giro (m) 10,6

Veredicto
O Civic EXS Flex é econômico e traz o mais elaborado sistema bicombustível do mercado. Só que a inovação custa tão caro que vale a pena ficar com o Civic EXS tradicional. Mesmo sabendo que as versões a gasolina não têm sobrevivido à chegada dos modelos flex.





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