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Carros | testes
Chevrolet Prisma Maxx
Outubro 2006

Chevrolet Prisma Maxx

Quero ser Vectra: Com virtudes próprias, o Prisma se esforça para não ser reconhecido como um Celta sedã.

Por Adriano Griecco | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Todo mês, num prédio conhecido como Centro Tecnológico, localizado no centro de São Caetano do Sul (SP), acontece uma reunião do estadomaior da General Motors do Brasil.O comitê executivo, formado pelo presidente e diretores das principais áreas da corporação, se reúne para discutir rumos e futuros lançamentos. No edifício, que não por acaso tem vidros espelhados, ficam as áreas de design, manufatura e engenharia.Numa tarde de setembro de 2003, a pauta da reunião era o projeto de um sedã, derivado do Celta. As premissas: "design excitante" e motor econômico, que desse ao carro desempenho condizente com suas linhas.

Ali começava a nascer o Prisma.Dado o sinal verde, os comandados de Carlos Barba, chefe do design, começaram a trabalhar. Em menos de três meses, 50 desenhos foram feitos. Destes, três foram selecionados e transformados em modelos matemáticos por meio de avançados softwares - a lguém já ouviu falar no UniGraphics? Num local conhecido como Sala Virtual de Design, ao qual pouquíssimos crachás dão acesso, alguns membros do tal comitê observavam as propostas, com óculos especiais para analisar em três dimensões.Em seguida, foram montados modelos em clay (massa de argila, própria para moldar), para que a decisão final pudesse ser tomada.

Na prática

Uma vez definido o carro, em dezembro de 2004, foi a vez da engenharia e da manufatura desenvolverem a carroceria, também utilizando softwares. Aliás, o uso de simuladores virtuais está de tal maneira incorporado aos projetos que a GM tem um campo de provas virtual, que "realiza" em minutos testes de durabilidade que precisariam, segundo a fábrica, de seis meses para serem feitos. Esses recursos estão encolhendo o desenvolvimento de um carro, que já foi de 36 meses. Hoje, a marca trabalha com 24 meses para veículos novos. O Prisma, que é variação de um modelo, foi executado em 18 meses.

Ainda assim, nada como a vida real. Um teste de vedação de poeira e de chuva não pode ser feito virtualmente. Pequenos problemas também são solucionados. No caso do Prisma, certas peças plásticas do painel produziam ruído quando o carro era colocado em situações extremas. No total, 40 protótipos participaram dos testes - incluindo os de crash-test. Juntos, parte deles rodou 700 000 quilômetros no campo de provas, em Indaiatuba (SP).

Tanta quilometragem teve motivação extra: o desenvolvimento do motor 1.4 bicombustível, que exigiu atenção especial. Com a joint-venture entre Fiat e GM,a montadora contava com o 1.4 Fire sob o capô de seus carros. Finda a parceria, ela acelerou o projeto do, agora, 1.4 EconoFlex. O nome faz parte de uma estratégia para se distanciar da imagem de beberrões que colou nos Flexpower, por conta dos novos Vectra. A julgar pela numerologia, o motor impressiona: dos 85 cavalos do 1.4 a gasolina, o flex passou para 89 com gasolina e 97 com álcool.

Na pista, olho nos instrumentos. O carro chega aos 100 km/h em 11,3 segundos com álcool no tanque. Com gasolina, o número é 6 décimos de segundo mais alto. O Polo Sedan, medido nesta edição, cravou 12,3 segundos no mesmo teste, apesar de ter motor de 1,6 litro (vale dizer que as medições foram feitas em dias e locais diferentes). Também não custa lembrar que o Prisma testado era um modelo pré-série, devidamente revisado e monitorado pela engenharia da montadora.A exemplo do Celta, as três primeiras marchas são curtas, o que torna o carro ágil no trânsito. As outras, em compensação, são longas. Ainda assim o carro obteve números razoáveis nas retomadas em quarta e quinta marcha, quando ele precisa de 14,8 segundos para ir de 80 a 120 km/h. Mas, na prática e carregado, o sedã deve solicitar boa dose de cautela e paciência nas ultrapassagens.

O marcador de combustível também tem o que dizer. Com gasolina e na estrada, o Prisma faz 14,3 km/l, animando os que vão precisar do carro para deslocamentos interurbanos. Na cidade, o rendimento não é tão bom e ocarro faz 7,6 km/l. Com álcool, a situação piora. São 5,7 km/l na cidade e 9,7 na estrada.Um Celta 1.4, a gasolina, tinha melhores números de consumo que o Prisma.Tudo bem, são 35 quilos a menos nas costas, mas tem a mesma área frontal do sedã e um Cx pior: 0,40, contra 0,31.

No interior, pouca coisa mudou.As linhas são as mesmas encontradas em um Celta, mas a GM utilizou um plástico menos rugoso no painel - que herdou os aros prata nas saídas de ar da versão Super. Trocou também o tecido do revestimento das portas, que receberam frisos de plástico, e acrescentou um porta-objetos próximo ao freio de mão. Mas o espaço continua o mesmo, já que o entreeixos de 2,44 metros não mudou.

Mania de Vectra

Na dianteira, o visual que lembra o Vectra foi mantido.Assim como no Celta, o Prisma também possui entradas espalhadas pela carroceria para facilitar o acesso de ferramentas e baixar o custo de um conserto. As modificações começam na coluna C, após a porta traseira.Com 4,13 metros de comprimento, o sedã é 33 centímetros maior, todos eles dedicados ao porta-malas, que leva 439 litros: um número bastante razoável,melhor que o de Corolla e Civic, sedãs de categoria maior que têm, respectivamente, 437 e 340 litros.As lanternas lembram as do Vectra, trazendo identidade ao sedã.

A GM mexeu também na suspensão. Molas na dianteira e na traseira foram trocadas, por motivos diferentes.Na traseira, o conjunto mais firme se justifica pelos quilos a mais na conta do peso e também pela vocação para carregar peso extra - por isso mesmo a GM aumentou em 1 centímetro sua altura em relação ao solo. Na dianteira, o motivo foi outro: manter o nível de estabilidade,mesmo com o motor mais forte.Na prática,você vai estar a bordo de um Celta,mesmo com a traseira extra.A direção continua assumidamente familiar e a carroceria inclina-se em respeitosa reverência diante de curvas mais fechadas. A GM ainda não fala em preço. O que se sabe é que o carro vai ocupar uma vaga entre o Classic 1.0 e o Corsa Sedan 1.8. Quem pensar em algo em torno de 34 000 reais não estará fazendo uma má aposta. Com a chegada do modelo, o Corsa Sedan 1.0 deve morrer.

A GM nega, mas afirma que, se o carro tiver uma boa queda em vendas, não há por que mantê-lo no mercado.O inverso pode ser aplicado ao Prisma 1.0.A GM também nega a existência do carro. E alega que a procura por motores maiores que os 1.0 tem melhorado. Mas também não descarta a possibilidade de produzi-lo, se perceber uma brecha no mercado.A única certeza que a montadora dá é a de que o Prisma 1.4 começa a ser vendido após o Salão do Automóvel em duas versões: a básica Joy e a top Maxx.


"A",de GM

O fato de o carro não se chamar Celta Sedan tem a ver com a intenção da GM de desvincular o Prisma da imagem de popular. O nome surgiu em pesquisas e segue uma espécie de cultura, herdada da Opel alemã, na qual os nomes dos carros devem ter duas ou três sílabas e terminar com a letra "a". É assim com Zafira, Astra, Calibra, Corsa, Montana, Celta, Meriva, Omega, Monza, Suprema, Opala, Tigra e Ascona. Existem exceções, claro, como Chevette e Kadett.


Por dentro do motor

O 1.4 EconoFlex é baseado no "antigo" Família I, que empurrava o Celta com 85 cavalos. Peças como bloco, virabrequim e bielas não sofreram alteração. Para aumentar a taxa de compressão de, 8 para 12,4:1, a cabeça do pistão foi retrabalhada. Já o cabeçote foi aperfeiçoado em bancadas de fluxo, e o comando de válvulas ganhou balancins roletados e novos tuchos, mais leves. A fórmula visa diminuir o atrito entre as partes e as perdas mecânicas. Adicione-se uma nova injeção e pronto: são mais 4 cavalos no plantel. Com álcool, a potência salta para 97. O sistema de escape também mudou. Os coletores são tubulares e melhoraram o fluxo de gases. Outra alteração é a posição do catalisador, ligado "em série" com os coletores. A intenção é que ele atinja a temperatura de funcionamento (500 ºC internos) mais rapidamente. Com isso, o motor polui menos na chamada fase fria. A modificação pode revelar interesse nas exportações para países com legislação de emissões mais severa que a nossa. Com o catalisador dentro do cofre, a ventoinha do radiador foi deslocada para a direita. O sistema de refrigeração foi revisto e ganhou um radiador mais largo. Por fim, a marca instalou o reservatório de gasolina para a partida a frio (de tampa vermelha).


PRISMA - R$36.000
O sedã agrada pelo design e desempenho. O preço é estimado para a versão top.

Suspensão
A GM trocou molas e amortecedores por outros mais rígidos. Mas o conjunto não acompanha a esportividade do visual.
Avaliação: bom

Ao volante
Tirando a nova padronagem de tecido nas portas, o interior é o do Celta. Incluindo o espaço para os passageiros.
Avaliação: bom

Carroceria
As linhas têm harmonia e o nível de ruídoestrutural (vindo do atrito e das torções da carroceria) é baixo.
Avaliação: muito bom

Motor e câmbio
Os números de pista empolgam. Menos os de consumo. Por isso, seu motor até poderia se chamar Flexpower.
Avaliação: muito bom

Mercado
Vem para ficar entre o Classic e o Corsa Sedan. Deve acabar com a versão 1.0 do Corsa e roubar alguns clientes do Classic. Seus rivais serão Fiat Siena e Fiesta Sedan.
Avaliação: bom


Ficha técnica

Bolso

O valor é estimado para a versão top. A de entrada deve custar algo próximo dos 34.000 reais.
Preço do carro: 36.000 reais
Garantia: 1 sem limite de km
Número de concessionárias: 535
Consumo cidade (km/l) (A/G): 5,7 / 7,6
Consumo estrada (km/l) (A/G): 9,7 / 14,3
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 47,8 / 683


Conforto

Vidros, travas e alarme não são mais opcionais. São acessórios instalados em concessionária. Além deles, a GM oferece o sensor de estacionamento.
Ar-condicionado/direção hidráulica: o / s
Pára-choques pintados/pintura metálica: s / o
CD player/comandos no volante: o / -
Vidros/travas elétricos: o / o
Espelhos com controle interno/vidros verdes: s / s
Banco traseiro rebatível (60/40): -
Abertura interna do porta-malas/relógio digital: s / s
Câmbio automático/rodas de liga leve: - / o

Segurança

O Prisma fica devendo nesse quesito. Além da pequena oferta de equipamentos, não foi bem nos testes de frenagem.
ABS/BAS/EBD: - / - / -
Controle de tração/estabilidade: - / -
Airbags (frontais/laterais/cabeça): - / - / -
Encosto de cabeça traseiro /cinto de 3 pontos para 5º passageiro: s / -
Barras de proteção lateral: s

Desempenho

É outro integrante da família VHC. Como o de 1 litro, o nível de ruído é alto e incomoda em rotações elevadas.
0-100 km/h (s) (A/G): 11,3 / 11,9
0-1000 m (s) (A/G): 32,7 / 33,6
3ª 40 a 80 km/h (s) (A/G): 7,4 / 7,5
4ª 60 a 100 km/h (s) (A/G): 9,8 / 10,2
5ª 80 a 120 km/h (s) (A/G): 14,8 / 16,2
Velocidade máxima (km/h): 178
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 80,2 / 31,1 / 18,4
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 43,2 / 74,0
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 64,0 / 70,4
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 96,3

Ficha técnica
Motor/posição: dianteiro / transversal
Construção/cilindrada (cm3): 4 cilindros / 1 389
Diâmetro/curso (mm): 77,6 / 73,4
Taxa de compressão: 12,4
Potência (cv a rpm) (A/G): 97 / 89 a 6 200
Torque (mkgf a rpm) (A/G): 12,4 / 12,8 a 3200
Câmbio (tipo/marchas/tração): manual / 5 / dianteira
Direção (tipo/nº voltas) mecânica: / 2 3/4 voltas
Suspensão dianteira: McPherson
Suspensão traseira: semi-independente
Freio (tipo/dianteiro/traseiro): hidráulico / disco / tambor
Pneus: 175/65 R14

Dimensões
Comprimento/entreeixos (cm): 413 / 244
Altura/largura (cm): 146 / 164
Porta-malas (litros): 439
Peso (kg): 905
Peso/potência (kg/cv) (A/G): 9,3 / 10,2
Peso/torque (kg/mkgf) (A/G): 70,7 / 73,0
Diâmetro de giro (m): 9,9

Os rivais

- Ford Fiesta Sedan: Tem visual acertado e motor 1.6 Flex. Com isso, abocanhou uma boa fatia desse mercado.

- Fiat Siena ELX 1.4: Por enquanto, é o líder do mercado. Deve mudar em breve, já em 2007.


Veredicto

Chega para ocupar a lacuna entre o Classic, que tem na relação custo/benefício um ponto forte, e o Corsa Sedan - destinado a um público mais conservador. Tem bom porta-malas, visual cativante e motor condizente com o que há no mercado. Se tiver bom preço, pode cumprir - e bem - seu papel.





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