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Carros | testes
Ford Fusion SEL 2.3 16V
Maio 2006

Ford Fusion SEL 2.3 16V

O Ford Fusion chega ao Brasil com a mira apontada para o Vectra mais caro. Suas armas: preço, espaço, qualidade e silêncio

Por Marcelo Moura / fotos: Christian Castanho
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O garçom da Mercearia São Pedro, em São Paulo, e o atendente do pedágio na rodovia dos Bandeirantes me perguntaram a mesma coisa: "É o Vectra?" Ao ouvir que não, reagiram do mesmo jeito: "Desculpa, não queria ofender". Ofendido, eu? Nem pensar. Se eles confundiram com o Vectra Elite (2.4 16V, 150 cavalos), eu estou no lucro, porque este Ford Fusion SEL (2.3 16V, 162 cavalos) é mais barato. Custa precisamente 79990 reais, contra 84159 reais do rival da Chevrolet. Milagres do dólar em baixa, do mercado aquecido e do acordo de livre comércio entre Brasil e México. O Fusion é feito em Hermosillo e entra no lugar do belga Mondeo, que está perto de mudar na Europa, é cotado em euros, não é beneficiado por acordos de comércio e nunca fez sucesso no Brasil. Portanto, o carro é novo e a estratégia de vendas também: "Queremos encher o mercado de Fusion", diz Antônio Baltar Júnior, gerente de marketing da Ford.

Nos Estados Unidos, o discurso é mais ou menos o mesmo. A Ford tenta reviver os tempos do Taurus, que era o sedã mais vendido do país, até que desbundou em 1996 (naquele modelo de faróis ovais, tivemos alguns por aqui) e perdeu mercado para os japoneses Camry e Accord. De janeiro a março deste ano, o Fusion ficou longe do objetivo: está em 18º lugar entre os carros de passeio, atrás até de produtos de nicho, como PT Cruiser e Mustang, e do próprio Taurus. O Fusion foi lançado em agosto passado e inaugura a vistosa grade cromada, que deve ser a nova cara da Ford americana até o fim da década. Engraçado, essas três lâminas paralelas me lembram alguma coisa... Claro! Lembram o Gillette Mach3, aquele barbeador de plástico que promete um barbear insuperável. Além de render a piada, a analogia é útil para entender o carro. Não que o Fusion seja descartável, só o tempo dirá, mas ele tenta combinar - nos Estados Unidos e aqui - requinte e custo baixo. Mais coerente com o nosso mercado que o Mondeo, que é um carro refinado no projeto e modesto em espaço e equipamentos. Segundo a Ford, o Fusion conhece o Brasil desde quando era um rabisco no papel. "Nossas exigências de vão livre e capacidade de entrar em alagamentos sem aspirar água foram levadas em conta desde o início do projeto, há três anos", afirma Jorge Abdalla, gerente de chassi da Ford. O estilo rico em cromados, inspirado no carro-conceito 427, é americano. Mas não deve ficar mal por aqui.

Na largura, uma larga diferença
O Fusion tenta parecer pesadão, com pára-choques volumosos, linha de cintura alta, janelas laterais pequenas e lanternas traseiras cromadas. Parte disso é efeito estilístico, parte é tamanho mesmo. A carroceria é 21 centímetros mais longa e 11 centímetros mais larga que o Vectra. Superioridade do lado de fora que se traduz em espaço interno. Os bancos dianteiros ficam mais afastados, com um largo e útil console no meio, onde no Vectra cabe pouco mais que um celular. Atrás, temos mais 9 centímetros para os ombros e 4 para as pernas (nas demais medidas, os dois modelos se equivalem). Os bancos de couro têm uma estilosa costura cinza-claro para combinar com o cromado de grade, faróis e lanternas, mas não se esqueça da filosofia do barbeador: o couro das portas é imitação (de borracha), parte do painel é de plástico duro e o acabamento do relógio analógico não resiste ao olhar mais atento. Tudo somado, o aspecto geral é bom, mais bem-acabado que o Vectra e mais equipado que o Accord (outro mexicano que chega com preço convidativo, a partir de 86190 reais). Fora o teto solar (que custa 4900 reais e rouba bastante espaço da cabeça), tudo é de série: rodas aro 17, ar-condicionado digital, airbags frontais e laterais, computador de bordo (que informa consumo, nível do fluido de freio e bússola) e CD/MP3 player para seis discos. Os comandos do rádio estão no volante, assim como os do piloto automático e os do... ar-condicionado. São oito botões iguais, pequenos e amontoados nos dois lados do volante. É preciso olhar antes de apertar e, por isso, eles perdem o sentido.

Em certas coisas, o Fusion não parece um carro americano - até por ser derivado do Mazda 6, um projeto japonês. O painel não tenta imitar madeira e, mais importante, a suspensão é muito bem calibrada. Atrás, temos multilink. Na frente, o sistema short-long arm (dois braços em "A", de tamanhos diferentes, sobrepostos), receita tradicional também usada no Explorer. Tradicional, mas... surpresa! O Fusion chega a ser mais gostoso de dirigir que o Mondeo, um rei da estrada que é duro demais na rua. O novo modelo amortece os impactos sem anestesiar, não ginga em curvas fechadas nem fica leve em alta velocidade. Os freios são razoáveis e a direção hidráulica tem o peso certo, proporcional à responsabilidade de levar um carro desse tamanho, com família a bordo. Mas vamos aos pecados: a direção poderia ser mais direta e as rodas, virar mais - o diâmetro de giro de 12,2 metros significa tempo perdido em manobras de estacionamento. Para comparar, o Vectra dá meia-volta em 10,9 metros.

O motor é quase conhecido nosso: o Duratec 2.0 usado nos Focus e no EcoSport, com o curso dos pistões aumentado até ele virar 2,3 litros. Tem coletor de admissão de geometria variável mas, como em qualquer carro desse porte (são 1432 quilos), o quatro-cilindros sofre quando é exigido a fundo. O Fusion andou atrás do Vectra 2.4 testado em outubro, abastecido com álcool, e perdeu por pouco quando os dois usam gasolina. Mas o modelo da Ford é mais econômico, tem maior autonomia e é bem mais silencioso. Méritos do isolamento acústico e do câmbio automático de cinco marchas, com quarta e quinta bem longas. Bem que poderia ter uma tecla Sport, no lugar da obscura posição "L", que baixa as marchas e não sobe de volta.

Um dia sem mexicanos
"Carros importados do México são uma aposta de risco, sujeitos a alta do dólar e falta de peças." Como as pessoas da Ford que me disseram isso no mês passado (sobre a Dodge RAM, na apresentação da F-250) não eram exatamente as mesmas que estavam à mesa agora, achei por bem perguntar se o discurso continua valendo. Sobretudo diante do Vectra - um carro brasileiro, com volume de vendas assegurado pela versão 2.0 e motor derivado do Monza. "Estamos vendendo tanto EcoSport e Fiesta no México que somos obrigados a trazer muitas peças em troca", diz Abdalla. "Alguns componentes do Fusion já estão aqui, pois o motor Duratec é usado no Focus e no EcoSport." E, se você quebrar a lanterna traseira, sem problemas. As lojas de tuning brasileiras devem ter coisa bem parecida no estoque.


Fusion - R$ 79990 - O substituto do Mondeo é mais barato, exclusivo e espaçoso que o Vectra 2.4, sem abrir mão de equipamentos. O motor é familiar ao do Focus.

SUSPENSÃO - Surpresa, num carro feito para americanos: a carroceria rola pouco, inclina pouco e, quando faz isso, faz de maneira suave. A suspensão absorve bem os trancos da rua e não deixa a carroceria flutuar em alta velocidade.

AO VOLANTE - Balizas e vagas apertadas não são o forte do Fusion. Os comandos do console são simples, o contrário das teclas de atalho no volante.

CARROCERIA - Porta-malas grande e de fácil acesso, bom isolamento acústico, estilo que chama atenção e espaço paraos passageiros. Mas não escolha o teto solar antes de entrar num carro assim equipado: ele rouba bastante espaço da cabeça.

MOTOR E CÂMBIO - O motor certo para um carro desse porte é o V6. Mas, entre os rivais de quatro cilindros, o Fusion é dos mais rápidos. Ficaria melhor se o câmbio de cinco marchas fosse amigável. Além da posição "Drive", temos apenas a "L". Boa para fazer curvas no limite, ruim no dia-a-dia. Bem o contrário do que este carro familiar precisa.

MERCADO - Não deve ter peças baratas e facilidade de revenda como o Vectra. Mas vem para brigar, coisa que o Mondeo nunca chegou a fazer.

Ficha técnica e teste

Ford Fusion SEL 2.3 16V

Bolso
Preço do carro - 79990
Garantia - 3 anos sem limite de km
Número de concessionár