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Troller T4
Julho 2006

Troller T4

Ele quer ocupar a vaga aberta pela aposentadoria do Bandeirante

Por Cacá Clauset / Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O Troller nasceu em 1994 em uma oficina de Horizonte, na periferia de Fortaleza, Ceará. E foi batizado com um nome que não sugere valentia: Troller vem de Troll. Para os noruegueses que acreditam em duendes, é um gnomo que gosta de se esconder atrás das árvores e é amigo de quem caminha pelos bosques. O jipe ganhou prestígio quando passou a disputar provas internacionais. Em 2000, quatro deles concluíram o Rali Paris-Dacar, considerada a mais seletiva maratona de resistência do mundo. Em 2001, o único jipe que participou do Dacar chegou em segundo na categoria diesel. E logo em seguida a equipe levantou, na categoria protótipos diesel do Mundial de Rali Off-road, um campeonato inédito para o país. As participações internacionais credenciaram o Troller e tracionaram as vendas. A produção saltou das 40 unidades/ano iniciais para as 1000 unidades vendidas em 2001. E, diz o fabricante, alguns investidores internacionais têm mandado propostas para montar o jipe em CKD ou pedidos de compra. Para este ano, a previsão é montar 1900 veículos.

De exótico fora-de-série, passou a ser cobiçado pelos praticantes do fora-de-estrada, que, com a aposentadoria do Toyota Bandeirante, ficaram sem opção de um jipe para percursos mais radicais e preço nem tanto - o Land Rover Defender mais barato, o 90 SW, custa 56531 reais, 23% a mais que um Troller com capota de vinil. Cópia do Jeep Wrangler, que por seu lado foi inspirado nos Willys, a versão 2002 do Troller T4 traz poucas mudanças estéticas (a mais importante é a inclusão da porta traseira). Mas tem melhorias que o deixaram com mais desenvoltura nos terrenos acidentados.

Apesar da origem simpática do nome, de meigo ele não tem nada. A suspensão dos Troller "civis" não tem a sofisticação dos amortecedores duplos para cada roda usados nos jipes de competição, mas ganhou eficiência com a adoção das barras Panhard em apoio ao conjunto de eixo rígido com tensores longitudinais. O sistema Panhard, conhecido por ter equipado, entre outros modelos, os Chevette, consiste em um tirante transversal que evita os deslocamentos do eixo rígido e reduz o balanço lateral da carroceria. O curso da suspensão, um dos pontos críticos das versões anteriores, foi aumentado. E, a partir de agora, todos os modelos passam a contar com eixo traseiro flutuante com bloqueio hidráulico. Usado em veículos pesados, o eixo flutuante evita que a roda caia em caso de quebra da ponta de eixo, enquanto o bloqueio hidráulico transfere a força desperdiçada por uma das rodas que esteja patinando para outras apoiadas em terreno firme.

No sistema de tração, o trivial simples: roda livre acionada por meio de borboletas nos cubos das rodas dianteiras, método considerado mais confiável pelos praticantes do 4x4. O único requinte da transmissão é o botão giratório no painel que seleciona eletricamente os modos 4x2, 4x4 e 4x4 reduzida. Os ângulos de ataque de 56 graus e de saída de 47 graus são ótimas credenciais para o fora-de-estrada (como comparação, um Defender tem 50 graus no ataque e 52 graus na saída), apoiadas pela capacidade de vencer inclinações laterais de até 45 graus e de travessias de até 80 centímetros de profundidade. Para movimentar os 1630 quilos de peso do jipe em terrenos pesados, os mais de 32 kgfm de força do motor MWM 2.8 turbodiesel (também usado na Chevrolet S10) dão conta do recado. A Troller abandonou os motores 2.0 a gasolina que equipavam as primeiras unidades do jipe quando percebeu que a maior procura era pelo diesel.

Outra constatação é que a maioria dos compradores nunca usou os recursos fora-de-estrada do jipe. "Os clientes exigem um veículo em condições de enfrentar terrenos impossíveis, mas acabam mesmo rodando no asfalto", diz Cláudia Magalhães, diretora de Marca da Troller. Não é o melhor negócio pagar cerca de 46000 reais (preço da versão básica com capota de vinil) para não aproveitar o que há de melhor no jipe - justamente a capacidade de circular fora do asfalto. A embreagem e o câmbio têm acionamento pesado, os bancos de couro são duros e as manobras são difíceis, por causa do grande diâmetro de giro. O acabamento é característico de um fora-de-série: as peças plásticas têm rebarbas e os encaixes evidenciam vãos irregulares. Muitos dos comandos são tirados de carros de linha - o quadro de instrumentos é comum ao Gol e o acionamento da ventilação é do Ka. Em segurança, fica devendo as barras de proteção lateral, ABS e airbag, embora conte com cinto de três pontos e santantônio integrado ao chassi. O acesso não é dos mais fáceis, porque o jipe é alto. E o espaço para os ombros é apertado. Quem viaja atrás sofre com a rigidez da suspensão.

Veículos fora-de-estrada são resistentes, mas também precisam de apoio. É o obstáculo que a Troller ainda precisa transpor: são apenas quatro revendas no país e 28 pontos de assistência. O fabricante reconhece que é pouco. E promete fechar 2002 com 14 revendas.

> Avaliação

Ficha técnica

Motor
Dianteiro, longitudinal, 4 cilindros, turbodiesel
Cilindrada - 2 800cm3
Diâmetro x curso - 93 x 103 mm
Taxa de compresão - 19:1
Potência - 114 cv a 3 200 rpm
Potência específica - 41 cv/litro
Torque - 33,4 kgfm a 1800 rpm

Câmbio
Manual de 5 marchas, tração 4x4

Carroceria
Resina de poliéster reforçada com fibra de vidro, 5 lugares
Tanque - 72 litros
Porta-malas - 104 litros
Peso - 1 630 kg
Peso x potência - 14,3 kg/cv
Ângulo de entrada - 56 graus
Ângulo de saída - 47 graus

Suspensão
Eixo rígido com barras tensoras longitudinais e barra Panhard, molas helicoidais

Freios
Discos ventilados (dianteira) e sólidos (traseira)


Direção
Hidráulica, com esferas recirculantes

Rodas e pneus
Liga leve, 7x15, 225/75 R15

Principais equipamentos de série
Travas, vidros e espelhos elétricos, ar-condicionado, rodas de liga, faróis auxiliares, engate traseiro

Preço (estimado)
R$ 54 960,00





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