
O Palio cresceu 6,4 centímetros no comprimento, mas manteve seu entre-eixos. O espaço para os passageiros é semelhante ao de outros modelos do segmento, como Fiesta e Corsa. Mas a impressão que se tem ao entrar no carro é a de que o interior ficou maior. O mérito é de Giorgetto Giugiaro, responsável pelos dois redesenhos da linha Palio (em 2000 e agora). O designer traçou as linhas do painel sem elementos que "avançam" na direção dos ocupantes. De acordo com a fábrica, o "feng shui" incluiu pesquisas coordenadas por Peter Fassbender, diretor do Centro de Estilo da Fiat do Brasil, com o objetivo melhorar a vida a bordo. Para o painel, por exemplo, foram escolhidos materiais que, segundo a Fiat, são menos reflexivos. O volante, a alavanca de câmbio e a do freio de mão utilizam um tipo de plástico menos poroso e agradável ao tato. As colunas são revestidas em cores mais claras que as do painel, para aumentar a sensação de espaço. Em nome da ergonomia, os acionadores dos vidros agora estão nos puxadores das portas e mais perto dos olhos.
Algumas das modificações você não vê -- e tomara que ninguém tenha a oportunidade de experimentá-las. Foram feitas alterações estruturais para aumentar a resistência da carroceria a impactos laterais. Os pontos que receberam reforços foram a soleira da porta e a coluna do pára-brisa. Segundo cálculos da fábrica, como benefício secundário dessas mudanças, o Palio ganhou 24% a mais de rigidez torcional. Em outras palavras, a carroceria trabalha menos e permite que a suspensão permaneça mais alinhada com o piso. O preço dessa alteração é um sobrepeso de 30 quilos. Foi por isso que a Fiat recalibrou a suspensão -- que mantém o conjunto McPherson na dianteira e braços longitudinais na traseira --, recorrendo a molas mais duras e amortecedores com mais carga, para amenizar o retorno das molas.
Essa calibragem não serve de alvará para curvas mais radicais: as novas regulagens da suspensão continuam premiando o conforto. Como de costume, o Palio inclina-se em reverência às curvas mais fechadas com o mesmo desprendimento com que a frente começa a se despedir da trajetória. Não se trata de um defeito, mas sim de opção. Afinal, o Palio foi concebido para as ruas, não para as pistas. Mas, para os simpatizantes de uma condução mais adrenada, a Fiat tem a versão 1.8 HLX, com 103 cavalos e suspensão mais dura. Seu preço parte dos 27450 reais e, completo, ultrapassa inacreditáveis 46000 reais, dinheiro suficiente para comprar um Stilo 1.8 16V, com 122 cavalos -- nem tão bem equipado, é verdade.
Assim como nas curvas, o desempenho em retas não é de impressionar. No teste de aceleração, o Palio levou 17,1 segundos para partir da imobilidade e atingir os 100 km/h (com álcool, esse tempo cai para 16,7 segundos). A versão anterior cravou 16 segundos no mesmo teste. O leitor, assim como eu, deve ter estranhado o fato. A Fiat justifica a diferença de desempenho alegando que o novo Palio é mais pesado, agravado pelo fato do carro estar recheado de opcionais. O modelo testado na edição de setembro de 2002 era um protótipo despojado. Ainda que a Fiat tenha conseguido recrutar alguns cavalos a mais, eles não foram suficientes para energizar o Fiat.
Curiosidade
A fim de que pudesse trabalhar com gasolina e álcool, a taxa de compressão no novo 1.3 Flex passou de 9,5 para 11. Para isso foram utilizados pistões com um novo desenho na cabeça. Outra alteração foi o aumento no tempo de abertura das válvulas, que permite maior entrada da mistura ar/combustível. Assim apareceram mais 3 cavalos de potência para o Fire, que passou de 67 para 70 cavalos . Isso se for alimentado com gasolina. Abastecido com álcool, são 71 cavalos. Diferentemente dos outros motores da linha Palio - o 1.0, que agora tem 65 cavalos, e o 1.8 da Powertrain -, o 1.3 Flex não dispõe de acelerador eletrônico. Segundo a Fiat, quando esse motor começou a ser desenvolvido, há pouco mais de dois anos, tal tecnologia não estava pronta. Estranho, pois a linha Fire, quando foi lançada por aqui, em 2000, já vinha equipada com o sistema.
Na hora de aferir o consumo, abastecido com gasolina o Palio percorreu 8,6 km/l nas medições que simulam o ciclo urbano. Na estrada, a média chega aos 12,3 km/l. Com álcool são 6,2 km/l na cidade e 10 km/l na estrada.
A angústia para quem quer comprar a novidade é a escolha dos equipamentos. Tamanha lista de opções exige uma boa análise da relação custo/benefício. A julgar pela curiosidade despertada pelo carro em nossas andanças por São Paulo, não deverão ser poucos os que já estão fazendo as contas. Se você é um deles, consulte a relação de opcionais com preços no quadro ao lado.
Motor
Dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 8 válvulas
Cilindrada: 1242 cm3
Diâmetro x curso: 70,8 x 78,9 mm
Taxa de compressão: 11,0:1
Potência: 70 cv (gas.) e 71 cv (álc.) a 5500 rpm
Torque: 11,4 mkgf (gas.) e 11,6 mkgf (álc.) a 2250 rpm
Câmbio
Manual de 5 marchas, tração dianteira;
I. 3,91;
II. 2,24;
III. 1,52;
IV. 1,16;
V. 0,70.
Ré 3,91;
Diferencial 4,07;
Rotação do motor a 100 km/h em V - 3000 rpm
Carroceria
Dimensões: Comprimento, 383 cm;
largura, 163 cm;
altura, 144 cm;
entre-eixos, 237 cm
Peso: 975 kg
Peso/potência: 13,9 kg/cv
Peso/torque: 85,5 kg/mkgf
Volumes:
Porta-malas 290 l,
tanque de combustível, 48 l
Suspensão
Dianteira: Independente, tipo McPherson, com molas helicoidais e barra estabilizadora
Traseira: Independente, com braços oscilantes longitudinais e barra estabilizadora
Freios
Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira com ABS e EBD (opcional)
Direção
Tipo pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica (opcional); diâmetro de giro 9,8 metros; 3 voltas entre batentes
Rodas e pneus
Liga leve, aro 14; Pirelli Cinturato P4 175/65 R14
Principais equipamentos de série
Computador de bordo, conta-giros, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro
Principais equipamentos opcionais
Ar-condicionado (R$ 2700), ABS (R$ 2000), direção hidráulica (R$ 1300), duplo airbag (R$ 2000), desembaçador com ar quente (R$ 206), rádio com CD player e MP3 (R$ 1423), rodas de liga leve (R$ 718), kit com sensor de chuva e crepuscular, espelho fotocrômico e retrovisor elétrico (R$ 1230), travas e vidros dianteiros elétricos (R$ 850), vidros traseiros elétricos (R$ 700)
garantia
1 ano sem limite de quilometragem
Preço
21990 reais (básico)




