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Carros | testes
Toyota Corolla Fielder 1.8 16V Automática
Junho 2004

Toyota Corolla Fielder 1.8 16V Automática

A Fielder é um Corolla na medida para conquistar quem tem excesso de bagagem

Por Paulo Campo Grande / Foto Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O sucesso das minivans como novo carro de família criou algumas previsões catastrofistas para o lado das peruas. Não foram poucos os que enxergaram nuvens negras sobre o futuro delas. Os que acreditavam nessa hipótese partiam do princípio que, como carro familiar, as minivans entregam bem mais. A chegada da Corolla Fielder é um bom sinal de que aqueles analistas podiam não estar errados, mas redondamente enganados. A Toyota ouviu os consumidores e afirma que, apesar do furor causado pelas minivans, há grande interesse dos consumidores pelas peruas. Uma outra pesquisa - essa da Fiat, que se prepara para lançar a minivan Idea no Brasil - revelou que existem expectativas diferentes entre os compradores de minivans e de peruas. Os primeiros buscam espaço na cabine, enquanto os compradores de peruas desejam maior porta-malas. É por isso que a Fiat nem sonha em acabar com a Palio Weekend, líder de mercado, quando a Idea chegar.

Não fosse o preço - 56040 reais, na versão com câmbio manual, e 59950 reais, na automática -, a Fielder teria tudo para se tornar a "namoradinha" do Brasil, posto que já pertenceu à Parati. O Corolla sedã 1.8 XEi automático custa quase 5000 reais mais barato, mais exatamente 55316 reais. E a Marea Weekend 1.8 16V SX (manual) sai por 46920 reais. Nos dias em que estivemos com a Fielder, presenciamos vários galanteios. Mas o assédio esfriava quando o assunto era preço.

Entretanto, ela chega ao mercado nascida em berço esplêndido. Trilha o caminho aberto e pavimentado pelo Corolla sedã, que desde que foi lançado, em 2002, é um sucesso de vendas, com fama de carro que dá pouca manutenção. A Fielder tem a mesma plataforma e compartilha motor, câmbio e a maioria dos demais componentes com o sedã.

A perua é apresentada em apenas uma versão de acabamento, baseada no padrão XEi do Corolla. O motor é o 1.8 VVTi e há duas opções de câmbio, automático e manual. Do pára-choque dianteiro até o eixo traseiro, a perua é praticamente igual ao sedã. Os sinais particulares são os faróis, que têm máscara escura ao redor dos refletores, os instrumentos, com novo grafismo, e os bancos, revestidos com tecido de padronagem exclusiva.

Do batente da porta traseira para trás, a Fielder é um carro completamente novo. Ao contrário do que se imagina, a perua é 8 centímetros mais curta que o sedã. O encolhimento se deve ao estilo. A idéia era dar um ar mais compacto e esportivo à perua, "evitando o risco de transformá-la numa barca", nos dizeres de uma fonte da fábrica. Em compensação, com a adição do rack no teto, a perua ficou 5 centímetros mais alta. As demais medidas, como entre-eixos, são iguais.

A vigia traseira acompanha o desenho dos vidros das portas. As lanternas são triangulares, divididas horizontalmente e sem os elementos redondos característicos do sedã. E a porta traseira ostenta um aerofólio com brake-light. Por dentro, o banco de trás possui encosto bipartido, que pode ser rebatido total ou parcialmente e, além disso, reclina até 20 graus. No centro do encosto há um descansa-braço, com dois porta-copos.

O assoalho plano do porta-malas e a ampla porta traseira que invade parte do pára-choque facilitam a entrada de carga. Sob o piso do bagageiro existem três divisões para pequenos objetos e, nas laterais, dois porta-trecos. Estepe, triângulo, macaco e chave de roda ficam abaixo desses compartimentos. Sendo mais curta que o sedã, não surpreende que o porta-malas da Fielder também seja menor. Na perua cabem 411 litros, contra 437 do Corolla - medidas fornecidas pela fábrica. Contra-senso? Sim, em termos. A Toyota diz que essa medição só utilizou a parte coberta do porta-malas da perua. A cobertura fica na altura dos bancos. Em caso de necessidade, o motorista pode transportar volumes até a altura do teto. A legislação abona essa prática desde que o veículo possua retrovisores externos dos dois lados. Se essa área não for suficiente, existe a possibilidade de rebater o banco traseiro. A fábrica não mediu a capacidade com os bancos fora do layout padrão. Mas pode-se esperar pelo menos o dobro do espaço.

Para um motorista comum, ao volante da Fielder fica quase impossível encontrar diferenças no comportamento entre ela e o Corolla sedã. Apesar de ser 120 quilos mais pesada, seu desempenho ficou próximo do conseguido pelo sedã (avaliado em agosto de 2002). Na prova de aceleração de 0 a 100 km/h, a perua fez o tempo de 12,7 segundos, enquanto o sedã foi apenas um décimo de segundo mais rápido. Na retomada de velocidade de 40 a 80 km/h, em Drive, ambos precisaram de 5,2 segundos. E no consumo a perua obteve as médias de 8,6 km/l na cidade e 12,9 km/l na estrada, contra 9 km/l e 13,4 km/l do sedã, respectivamente.

O conjunto de motor e câmbio igual ao do sedã garantiu o mesmo bom desempenho para a Fielder. O motor 1.8 VVTi conta com a ajuda do comando de válvulas variável, que oferece melhores respostas que o sistema convencional. E o câmbio automático de quatro marchas, com overdrive, ficou bem dimensionado. Mas a Fielder merecia maior atualização técnica. O rendimento melhoraria e a perua ficaria ainda mais agradável de dirigir com a adoção do acelerador eletrônico. Além de acelerações mais progressivas, o dispositivo traria economia de combustível e redução das emissões. E, em relação ao câmbio, um sistema mais inteligente, que fizesse reduções e tivesse a opção das trocas manuais, seria uma boa opção. O acelerador drive-by-wire já equipa carros de segmentos inferiores desde 2002. E o câmbio seqüencial é cada vez mais comum em modelos recém-lançados, como o Peugeot 307 (veja na página 65).

Apesar da semelhança no desempenho, a Fielder tem suas próprias características. Roda com o mesmo conforto, mas sua carroceria oscila menos nas curvas. Segundo a fábrica, isso ocorre em função da maior rigidez da suspensão traseira, recalibrada para suportar o peso superior da perua. No limite, a Fielder tende a sair de frente. Mas sua atitude é bastante previsível. E a Fielder é fácil de ser controlada, mesmo com uma direção bem desmultiplicada. São 3,5 voltas entre os batentes.

Se os movimentos laterais da carroceria diminuíram e a perua ficou mais na mão do motorista nas curvas, o mesmo não se pode dizer das oscilações nas arrancadas - quando a Fielder empina a frente - e nas frenagens - quando mergulha. Esse balanço é um pouco incômodo, mas não compromete a estabilidade do carro. Em nossos testes de frenagem, a Fielder parou sempre em linha reta. O ABS atua de forma eficiente e sem trancos no pedal, e fez com que a Fielder parasse em espaços menores que o Corolla. Vindo a 80 km/h, ela precisou de 28,5 metros para parar. Em agosto de 2002, o sedã gastou 30 metros. Em caso de acidente, qualquer metro de diferença pode salvar vidas.

Em matéria de segurança, a Fielder sai de fábrica bem equipada. Além dos freios ABS com EBD, ela traz duplo airbag, barras de proteção laterais e travamento automático das portas, de série. Os cintos de segurança são de três pontos, exceto para quem viaja na posição central, no banco traseiro, que é subabdominal. Entre os itens de conforto, o pacote de série inclui ar-condicionado, trio elétrico e rádio com CD player.

Em resumo, a receita é a mesma do Corolla sedã. A Fielder é um produto confiável, de boa qualidade e baixa manutenção. Sem luxo, mas com conforto e bom acabamento. Bem-vinda seja. Vida longa às peruas!

Do carro, fez-se a perua

Desenvolver uma versão de carroceria diferente para um mesmo veículo pode consumir quase o tempo de um projeto inteiramente novo. Ainda que a Fielder use a mesma plataforma e demais partes do Corolla, a Toyota do Japão precisou de dois anos para desenvolver a perua. Ou seja, quase dois terços do prazo que costuma gastar para criar um modelo novo. Em muitos aspectos, o desenvolvimento começa do zero. De acordo com o engenheiro japonês Soichiro Okudaira, responsável por todos os modelos derivados da plataforma Corolla, houve três grandes áreas em que a Fielder necessitou de atenção especial.

O fato de a cabine ser maior mudou completamente o veículo no que diz respeito a aerodinâmica, rigidez da carroceria e nível de ruído. Segundo Okudaira, o coeficiente de penetração aerodinâmica (Cx) de 0,31 é bem próximo ao do sedã, de 0,30. Para chegar a esse resultado, foi preciso instalar o aerofólio na tampa traseira da perua e defletores na parte inferior do chassi e rebaixar a linha do teto o máximo possível. "Isso porque o arrasto aerodinâmico é maior nela", afirma. Em relação à rigidez torcional, a plataforma recebeu barras transversais na traseira, para compensar a perda da estrutura mais resistente do sedã. E, no que diz respeito ao isolamento acústico, a perua ganhou melhor revestimento no piso e na tampa traseira, zonas de maior ressonância.

> Avaliação

Ficha técnica

Motor
Dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas
Cilindrada: 1794 cm3
Diâmetro x curso: 79 x 91,5 mm
Taxa de compressão: 10,0:1
Potência: 136 cv a 6000 rpm
Torque: 17,5 mkgf a 4200 rpm

Câmbio
Automático de 4 marchas, tração dianteira
I. 3,64; II. 2,00; III. 1,29; IV. 0,89. Ré 2,97; Diferencial 2,96;
Rotação do motor a 100 km/h em 5ª - 2500 rpm

Carroceria
Dimensões:
Comprimento, 445 cm; largura, 170 cm; altura, 153 cm; entre-eixos, 260 cm
Peso: 1250 kg
Peso/potência: 9,2 kg/cv
Peso/torque: 71,4 kg/mkgf
Volumes:
Porta-malas, 411 l; tanque de combustível, 55 l

Suspensão
Barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores pressurizados
Dianteira: Independente, tipo McPherson
Traseira: Eixo de torção

Freios
Discos ventilados, na dianteira, e sólidos, na traseira, com ABS e EBD

Direção
Hidráulica, do tipo pinhão e cremalheira; diâmetro de giro 10,2 metros; 3,5 voltas entre batentes

Rodas e pneus
Liga leve, aro 15; Bridgestone Potenza 195/60 R15

Principais equipamentos de série
Duplo airbag, alarme com controle remoto, ar-condicionado, aerofólio com brake-light, banco do motorista com regulagem de altura, coluna de direção ajustável em altura, comando interno de abertura do porta-malas e tampa do tanque de combustível, rádio com CD player, trio elétrico e travamento automático das portas

Principais equipamentos opcionais
Não tem

garantia
3 anos sem limite de quilometragem

Preço
59950 reais





» FOTOS


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