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Carros | testes
Fiesta Sedan Trend 1.6 flex
Setembro 2004

Fiesta Sedan Trend 1.6 flex

A versão sedã surge com mais espaço para bagagem e motor bicombustível. Mas é mais chegado no etílico

Por Adriano Grieco | fotos Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Quando a Ford decidiu produzir a família Fiesta em Camaçari, na Bahia, estabeleceu que o EcoSport, na época conhecido como Amazon, inauguraria a fábrica - a picape Courier foi utilizada apenas como teste da linha de montagem e treinamento de pessoal. De acordo com o planejamento da Ford, o Eco teria três irmãos: um hatch, um sedã e uma picape, nessa ordem. Mas a necessidade de um novo modelo no segmento dos compactos fez a montadora rever seus planos. Em 1999, ela optou por concentrar esforços no desenvolvimento do hatch, colocando o utilitário em segundo plano. Em junho de 2002 chegou o Fiesta e, sete meses mais tarde, o EcoSport.

A mudança no cronograma atrasou o desenvolvimento do Fiesta Sedan. Apesar de sua gestação datar de 2001, segundo a Ford, ele só saiu do forno agora. Foi ultrapassado até pela versão 4x4 do EcoSport. Em compensação, o penúltimo (ainda falta a picape, lembra-se?) será o primeiro: o sedã tem a primazia de estrear o motor 1.6 Zetec Rocam Flex, que trabalha tanto com álcool quanto com gasolina.

Antes de andar no carro, vale dar uma volta ao redor dele. Na dianteira, o sedã traz as mesmas linhas do hatch. Aliás, as diferenças entre os dois modelos só começam depois das portas de trás. Ao olhar para a traseira é impossível não se lembrar do Mondeo ou do Focus. As lanternas, triangulares com um círculo no meio e a luz de ré no centro, e os vincos da tampa traseira são traços familiares. Se as linhas discretas do Fiesta não chegam a chamar atenção nas ruas, a harmonia delas faz um bom conjunto.

Os 30 centímetros a mais que o sedã ganhou no comprimento - num total de 4,20 metros - foram todos aplicados à traseira e ao porta-malas, que tem capacidade para 478 litros (mais 9 litros sob o tapete). Comparado aos rivais, mesmo sendo maior em comprimento, o Fiesta perde em porta-malas. Clio Sedan e Siena têm, respectivamente 510 e 500 litros (dados das fábricas). O acesso ao compartimento é semelhante nos três modelos, mas o Fiesta leva vantagem por ter dobradiça escamoteável, que não invade a área de carga do porta-malas. O espaço para a bagagem acrescentou ao sedã mais 20 quilos de peso em relação ao hatch. O sobrepeso, incluindo a eventual carga no porta-malas, exigiu mudanças na suspensão. A Ford utilizou molas helicoidais 1 centímetro mais altas e alterou os amortecedores, tornando o conjunto mais rígido tanto na dianteira, onde foi mantido o conjunto McPherson, montado em um quadro auxiliar, quanto na traseira.

Ao volante do Sedan, não fica dúvida de que você está a bordo de um Fiesta. Menos pelo interior, que apresenta poucas novidades, como veremos à frente, e mais pelas tradicionais boas respostas ao volante. Assim como no hatch, há bom entendimento entre motor, câmbio, direção e suspensão. A posição da alavanca de câmbio, mais elevada, encurta o caminho à direção. Em compensação, a distância entre as marchas é longa demais.

A grande novidade na linha 2005 do Fiesta é o motor 1.6 Flex. Ele utiliza como base o Zetec Rocam, com alterações (veja quadro na página seguinte) para trabalhar tanto com álcool, combustível que lhe proporciona 111 cavalos, quanto com gasolina (105,2 cavalos). Apesar de se tratar de um bicombustível, a Ford diz ter feito uma opção preferencial pelo álcool, baseada em pesquisas com consumidores. A proposta era a de um motor que conseguisse tirar a máxima eficiência desse combustível - daí a elevada taxa de compressão de 12,3:1 - sem comprometer o desempenho com gasolina. O novo motor também trouxe alterações na transmissão. As relações de marchas foram mantidas, mas com o ganho de potência a relação do diferencial passou de 4,25 para 4,06:1.

Como era de se esperar, o Fiesta abastecido com álcool se saiu melhor e no teste de aceleração precisou de 11,4 segundos para chegar aos 100 km/h. Com gasolina, o tempo subiu para 12 segundos. No restante dos testes e no uso cotidiano, a eficiência do álcool também ficou comprovada. Boa notícia para os 95% dos proprietários de carros bicombustíveis, que preferem o combustível derivado da cana-de-açúcar, segundo a Ford. Mas é no consumo - e, por conseqüência, na autonomia - que a gasolina dá o troco. Aí o Sedan faz 8,6 km/l na cidade. Com álcool, a média cai para 6,8 km/l. Na estrada a vantagem é ainda maior: 14,0 km/l contra os 10,2 km/l com álcool. Vale lembrar que o tanque do Fiesta tem apenas 45 litros.

Só mesmo um craque no jogo dos sete erros vai ser capaz de "matar" as novidades no interior do Fiesta. Ao contrário do que previmos - que a Ford poderia melhorar o acabamento do carro (Segredo, edição de agosto) -, as duas novas versões, First e Trend, esta última testada por nós, mantêm o mesmo padrão encontrado no hatch. O acabamento parece pobre para quem pretende brigar com Corsa e Polo Sedan. O painel continua sendo uma peça única de plástico, mesmo material que reveste boa parte das portas, e o Sedan estréia apenas uma padronagem no tecido dos bancos, aros cinza no conta-giros e no velocímetro, a abertura interna do porta-malas (opcional) e um novo forro do teto. O entre-eixos, de 2,48 metros, é o mesmo do hatch. Para aumentar a sensação de conforto de quem viaja atrás, a Ford utilizou espuma mais macia nos bancos. No teste do espaço para as pernas, ele é semelhante a concorrentes como Siena e Clio Sedan.

A idéia da Ford é que o Fiesta chegue com gás para afrontar o Fiat Siena, o atual líder. A estratégia é situar o preço da versão First, a de entrada, em torno dos 30000 reais - preço equivalente ao do Corsa Sedan. O Siena HLX, o top de linha da Fiat, tem preço de 31990 reais e vem bem equipado de série. Em relação ao Fiesta Sedan, a Ford afirma que ainda está definindo a gama de equipamentos do carro. Vale ressaltar que a versão de entrada do Fiesta vai ter os frisos e os espelhos retrovisores na cor preta, enquanto o Siena HLX, além de contar com esses itens na cor da carroceria, ainda oferece a grade dianteira cromada e uma extensa gama de opcionais.
Tarda mas não falha

Novo pistão: queima mais homogênea e rápida
No lançamento do Fiesta hatch, em 2002, a Ford apresentou um protótipo bicombustível desenvolvido com a Visteon. No entanto, foi a Magnetti Marelli quem desenvolveu o sistema agora apresentado. Ao constatar a preferência dos donos de carros bicombustíveis pelo álcool, a Ford focou o projeto no interesse da maioria. A taxa de compressão passou de 9,5:1 para 12,3:1. Para isso foram desenvolvidos pistões com um relevo na parte superior. A altura do cabeçote foi reduzida em 1 milímetro. Com essas modificações, a potência subiu dos 98 cavalos do motor 1.6 a gasolina para 105,2 no flex. E saltou para 111 cavalos só com álcool no tanque. Para que a receita não desandasse, havia o desafio de neutralizar a tendência de autodetonação quando o motor estivesse bebendo gasolina. Foi necessário utilizar um controle de detonação ativo. Comandado pela central do motor, que identifica a detonação por cilindro e atua no avanço da ignição separadamente, o sistema inibe o fenômeno conhecido como "batida de pino". Mas a solução não é inédita: o sistema também existe no motor Fire desde 2000 e no Powertrain. O uso do álcool somado à taxa de compressão mais alta elevaria consideravelmente a temperatura do motor. Para aplacar a febre, as galerias de arrefecimento foram aumentadas e a central eletrônica passou a gerenciar o termômetro. Com um sensor fazendo dupla com uma válvula termostática eletrônica, o motor pode trabalhar numa faixa de temperatura que vai de 97 graus (quando estiver apenas com gasolina no tanque) a 103 graus (com álcool). No caso de mistura, o dispositivo vai determinar a temperatura adequada entre os dois parâmetros.


> Avaliação

Ficha técnica

Motor
Dianteiro, transversal, 4 cilindros, 8 válvulas
Cilindrada: 1598 cm3
Diâmetro x curso: 82,1 x 75,5 mm
Taxa de compressão: 12,3:1
Potência: 105,2 cv (G)/ 111 cv (A) a 5500 rpm
Torque: 14,8 mkgf (G)/ 15,8 mkgf (A) a 4200 rpm

Câmbio
Manual de 5 marchas, tração dianteira
I. 3,58; II. 1,93; III. 1,28; IV. 0,95. Ré, 3,62; Diferencial, 4,06;
Rotação do motor a 100 km/h em 5ª - 2500 rpm

Carroceria
Sedã, 4 portas, 4 lugares
Dimensões:
Comprimento, 420 cm; largura, 176 cm; altura, 149 cm; entre-eixos, 249 cm
Peso: 1128 kg
Peso/potência: 10,7 kg/cv (G)/ 10,2 kg/cv (A)
Peso/torque: 76,2 kg/mkgf (G)/ 71,4 kg/mkgf (A)
Volumes:
Porta-malas, 478 l; tanque de combustível, 45 l

Suspensão
Molas helicoidais e amortecedores pressurizados
Dianteira: Independente, tipo McPherson, com barra estabilizadora
Traseira: Semi-independente, com barra estabilizadora

Freios
Discos, na dianteira, e sólidos, na traseira, com ABS (opcional)

Direção
Hidráulica, do tipo pinhão e cremalheira;
diâmetro de giro 10,2 metros;
3,5 voltas entre batentes

Rodas e pneus
Liga leve, aro 14; Pirelli Cinturato P4 175/65 R14

Principais equipamentos de série
Não disponível

Principais equipamentos opcionais
Não disponível

garantia
1 ano sem limite de quilometragem

Preço
30000 reais
(estimado para a versão básica)






» FOTOS


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