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Carros | testes
Chevrolet Vectra
Outubro 2005

Chevrolet Vectra

Nos mínimos detalhes: o novo Vectra chega lotado de novidades. Versão por versão, o que é bom e o que não é?

Por Paulo Campo Grande / fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Se um pessimista e um otimista se encontrassem para falar sobre o novo Vectra, que chega este mês ao mercado, a conversa poderia ser a seguinte:

- Finalmente, a GM aposentou o Vectra. Esse carro foi lançado em 1996 - diria o primeiro.

- Nossa espera foi recompensada - responderia o segundo.

- Mas ele não tem nada a ver com o europeu - insistiria o pessimista.

- E, mesmo assim, como ficou bonito!

- Também, que fábrica vai fazer um modelo de Primeiro Mundo em nosso mercado?

- Para mim, o projeto é uma grande conquista da indústria brasileira.
Eles nunca chegariam a um consenso. E você, o que acha do novo Vectra? Antes de responder, veja como ele ficou. Neste teste, avaliamos as duas versões de estréia de um modelo que surge renovado em estilo e conteúdo. Pelo menos por enquanto, terá as versões Elegance 2.0 (com opção de transmissão manual ou automática) e Elite 2.4 16V, apenas automática. Ambos os motores são flexíveis. É a terceira geração do Vectra no Brasil. Seu projeto foi inteiramente desenvolvido aqui e não tem nada a ver com a terceira geração do Vectra europeu, lançada em 2001 e reestilizada agora para a linha 2006. Na Europa, o Vectra se situa em um segmento de mercado mais sofisticado, rivalizando com VW Passat, Ford Mondeo, Peugeot 407 e Citroën C5. Embora a versão brasileira tenha dimensões semelhantes às do modelo feito na Europa, ambos com 4,6 metros de comprimento, nosso Vectra concorre em um segmento inferior, em preço e conteúdo. Aqui, além dos líderes Corolla e Civic, ele terá pela frente Ford Focus Sedan, Renault Mégane, Nissan Sentra e Fiat Marea.

Made in Brazil
A GM fez o Vectra com criatividade, competência e muitas peças de modelos de sua linha atual. O ponto de partida foi a plataforma do Astra, que cedeu o assoalho da cabine. No porta-malas, o piso veio da Zafira, assim como partes da suspensão, como buchas e amortecedores, embora o eixo do Vectra seja mais largo. Entre os equipamentos há vários componentes presentes também na Meriva, como os botões de acionamento dos faróis e as saídas do sistema de ventilação. Os motores 2.0 e 2.4, da Família II da GM, são velhos conhecidos da linha Chevrolet. O 2.0 equipava a segunda geração do Vectra no Brasil e o 2.4 era instalado no Vectra exportado para o México.

O Vectra é o primeiro carro médio que a GM desenvolve inteiramente no Brasil. Antes, as criações nacionais foram o Celta e a Meriva, esta em parceria com a Opel alemã e lançada antes no nosso mercado. Segundo o designer Carlos Barba, responsável pelo projeto, o Vectra é um autêntico Chevrolet, com tempero brasileiro. "Ele tem todas as linhas do Vectra da geração anterior, só que em outras proporções", afirma. As coincidências estão na linha de cintura mais alta e no recorte das lanternas traseiras e da tampa do porta-malas, por exemplo. O resultado final é um desenho bem equilibrado - talvez sem o impacto e a ousadia que o Vectra antigo causou ao surgir remodelado pela primeira vez em 1996, mas com elementos capazes de lhe garantir bons anos de vida. Curiosamente, como alguns executivos da própria GM reconhecem à boca pequena, o carro impressiona mais ao vivo que na TV e em fotos.

Pacotes completos O modelo prata que aparece nas fotos é um exemplar da versão Elegance. Ele custa 59990 reais e vem com ar-condicionado eletrônico, faróis de neblina, retrovisor interno eletrocrômico (que impede o ofuscamento), alarme, bancos traseiros rebatíveis e rodas de liga leve aro 16, entre outros itens de série. A unidade fotografada apresenta opcionais como CD player, volante multifuncional, airbags, cruise control e ABS, que fazem parte do pacote Elegance I e elevam o preço para 67990 reais.

O modelo preto é da versão Elite, equipado com todos os itens disponíveis. Na configuração standard, que custa 79990 reais, esse Vectra já é bem equipado. Ele vem com tudo que a versão Elegance mais completa traz, incluindo câmbio automático, mais os espelhos retrovisores externos dobráveis eletricamente e itens de acabamento como bancos de couro e moldura imitando madeira no painel. Os opcionais são poucos: banco do motorista com ajuste elétrico, rodas e pneus aro 17 e teto solar. Nesse caso, o cheque passa a ser de 84990 reais. O Civic tem preços que variam de 53650 a 70190 reais e o Corolla, de 51256 a 77057 reais.

As diferenças visuais entre as versões se resumem ao acabamento. Externamente, o Elite possui uma discreta saia lateral e suas rodas aro 17 têm desenho exclusivo.

Na cabine, muda o revestimento dos bancos: veludo navalhado no Elegance e couro no Elite. Os demais materiais são os mesmos, mas de cores diferentes. A parte superior do painel é feita do mesmo plástico empregado nos outros modelos da linha Chevrolet, que bem poderia ter sido substituído na versão top Elite. Sua aparência e textura simples destoam da sofisticação sugerida pelo ar-condicionado digital, pelos bancos de couro e pelos apliques imitando madeira.

O antigo painel de linhas horizontais, do Vectra de segunda geração, deu lugar a um cockpit mais elaborado, com o console central em destaque e os instrumentos bem visíveis atrás do volante. Um detalhe de bom gosto é o discreto ressalto sobre o visor do computador de bordo. Funciona como se fosse uma extensão ligando o vinco no centro do capô a outro na tampa do porta-malas. E o console, cuja superfície imita metal, chama atenção como uma peça moderna e bem-acabada.

No que diz respeito ao espaço interno, não há diferença entre as versões Elegance e Elite. Os bancos dianteiros têm novo formato, menos plano, que apóia melhor o corpo do motorista. Independentemente do acabamento, o Vectra oferece bastante conforto para quatro pessoas a bordo. A GM fala em cinco ocupantes. Mas o banco traseiro não foi desenhado para acomodar três. No centro, possui uma elevação mais estreita para delimitar as áreas laterais, estas sim iguais e suficientes para levar um adulto. A fábrica pode argumentar que disponibiliza cintos de segurança de três pontos na posição central, o que é digno de nota. Ainda assim o espaço é apertado e o túnel do escapamento (que foi eliminado no Civic) não ajuda em nada. O porta-malas é campeão. Com 526 litros de capacidade, ele engole o do Civic, com 402 litros, e o do Corolla, com 437.


A família vai crescer
Não é oficial, mas a GM deve lançar um Vectra mais despojado para atender a frotistas (locadoras, carros de representação) e taxistas. Seguindo a nomenclatura da linha, a nova versão seria a Comfort, que já existia para o antigo Vectra. Por ser maior, o Vectra tem mais chance de sucesso no segmento que o Astra. Também seria uma forma de combater os básicos Corolla 1.6 e Civic LX 1.7 manual. Durante a apresentação do novo Vectra, em setembro, os executivos da GM disseram várias vezes que o modelo ditaria o estilo do futuro design Chevrolet. Nos dias de hoje, ninguém faria uma nova plataforma para desenvolver apenas um carro. Uma extensão natural para quem já teve Caravan e Suprema, entre outras, seria lançar uma perua Vectra, principalmente diante dos bons resultados da Corolla Fielder. Vale lembrar que o diretor de design Carlos Barba, que está na GM do Brasil há três anos, trabalhou na Opel durante 15 anos e foi um dos responsáveis pela perua Vectra. No Brasil, a inspiração viria da perua Astra européia. O presidente da empresa, Ray Young, disse ainda que a plataforma do Vectra poderia servir também para sustentar um cupê - "o futuro Calibra" - e um utilitário esportivo. É só uma questão de tempo para essa família crescer.

Ao dirigir, a semelhança entre as versões se repete. No que diz respeito à ergonomia, o volante multifuncional com comandos de fácil manuseio merece aplausos. A vaia fica para a alavanca da seta. Quando a curva é para a esquerda, o acionamento ocorre sem dificuldade. Para a direita, tudo muda. O dedo se apóia de forma desconfortável bem na quina da haste, que tem forma angulosa. É um detalhe, mas é nessas pequenas coisas que o motorista percebe o quanto os projetistas estavam o tempo todo pensando nele ao fazer o carro.

O acerto do chassi é o ponto forte do Vectra. A direção é leve e precisa. A suspensão garante a boa dirigibilidade, sem comprometer o conforto que se espera de um sedã com pretensões de carro de luxo. No novo Vectra, a GM adotou a estrutura McPherson, montada em um subchassi na dianteira, e eixo de torção na traseira, enquanto no antigo usava sistema multilink, mais sofisticado (e mais caro) na traseira. Apesar disso, o conjunto não decepciona. Ficou bem ajustado.

Surpresas na pista
No comportamento dinâmico, o fato de uma versão ter rodas aro 16 (e pneus 205/55 R16) e outra as opcionais 17 (215/45 R17) faz toda a diferença. O número 16 é o tamanho certo para quem preza o conforto e o 17, para os que gostam de sentir as reações do veículo. Com a roda menor o Vectra anda macio e silencioso e com a outra fica mais firme. Ao passar por uma sucessão de ondulações na estrada, percebi que o Vectra com aro 16 apresenta o sobe-e-desce típico dos carrões americanos, o que não ocorre quando ele está com as rodas maiores. Como a fábrica diz que a calibragem da suspensão é a mesma nas duas versões, pode-se creditar a variação aos pneus 205/55 R16, que têm perfil mais alto. É importante dizer que não se verifica oscilação nas frenagens e arrancadas. Nas curvas, a tendência de a carroceria rolar é pequena.

Outro momento em que o tamanho das rodas e pneus teve influência foi nas frenagens. As duas unidades tinham o mesmo sistema a disco nas quatro rodas com ABS - que é opcional na Elegance -, mas pararam em espaços diferentes. Vindo a 80 km/h, as duas sempre mantiveram a linha. O Elegance precisou de 29,3 metros para frear e a Elite de 27,9 metros, duas boas marcas. Com sua banda de rodagem maior, o pneu 215/45 R17 foi o principal responsável pela diferença de 1,4 metro a favor do top de linha.

Uma surpresa veio nos testes de desempenho. Seria normal esperar que o Vectra Elite, equipado com o motor 2.4 16V, superasse o Elegance e seu 2.0 com cabeçote convencional. São 150 cavalos de potência e 23,7 mkgf de torque contra 127,6 cavalos e 19,6 mkgf (números para álcool). Ainda que pese 110 quilos a mais, o Elite tem vantagem na relação peso/potência e peso/torque (veja na pág. 71). O que decidiu a favor do Elegance foi a caixa manual, que além de ter cinco marchas, uma a mais que a automática, permitiu trocas mais rápidas. Rodando com álcool, o Vectra Elite acelerou de 0 a 100 km/h em 11,9 segundos, enquanto o Elegance fez o mesmo em 11,5 segundos. O automático só se saiu melhor nas retomadas, por razões óbvias. Ele faz as mudanças, ao passo que o manual, por uma questão de metodologia de testes, é mantido em marcha fixa.

O motor 2.4 falou mais alto na medição da velocidade máxima, quando levou o Elite a 198,5 km/h, contra os 185 km/h alcançados pelo Elegance. No consumo, rodando com gasolina, o 2.0 ficou com as médias de 7,7 km/l na cidade e 11,1 km/l na estrada. O 2.4 conseguiu 7,2 e 9,5 km/l, respectivamente. Com álcool, essa proporção se manteve, como se pode ver na ficha de teste.

A caixa automática do Vectra apresenta recursos importantes. Quem gosta de pisar fundo vai se dar bem com o modo esportivo, que troca as marchas em rotações mais elevadas. O controle de ponto-morto ajuda no conforto. Ele aciona o Neutro automaticamente quando o carro está parado com a alavanca em Drive e o motorista pressiona o pedal do freio. Há ainda o chamado modo adaptativo. Ele não é aquele que se ajusta ao estilo de dirigir do motorista. No Vectra, ele reconhece quanto o carro está carregado ou em uma subida e passa a mudar as marchas em rotações mais altas, aumentando sua eficiência.

Outra inovação que a GM apresenta com o lançamento do Vectra é o novo sistema de rastreamento de veículos por radiofreqüência, o ChevyStar, que permite a localização em caso de furto ou roubo. O sistema poderá ser instalado nas concessionárias e tem o custo de 999 reais por um ano de cobertura.

Se você leu até aqui, espero que já tenha condições de responder à pergunta do início do texto. Como todo carro, o novo Vectra não é perfeito. Neste caso, porém, tem condições de agradar um comprador de seu segmento. Seja ele otimista ou pessimista

Enquanto isso, a concorrência se prepara

Renault Mégane
Com estréia prevista para março de 2006, o Mégane (acima) terá motores 1.6 Flex e 2.0, este com opção de transmissão manual e automática. Entre as inovações, virá com um cartão magnético que substitui as chaves.

Fiat Marea
A principal arma do Marea é seu preço, de 46450 reais, na versão 1.6 SX. Para 2007, prepara um modelo completamente remodelado (veja Segredo, na página 44).

Toyota Corolla
Em 2005, ele quase não mudou. Para o ano que vem, ainda menos. Líder com folga, a Toyota não tem planos de alterações profundas no curto prazo.

VW Bora
Em novembro, a VW promete baixar o preço do modelo vendido hoje. No ano que vem, pode surgir a nova geração, com o nome Jetta (abaixo), servindo de opção mais cara.


Ford Focus Sedan

Já ganhou uma nova geração na Europa, mas por aqui segue com a primeira, que tem qualidades e recebeu este ano novo motor 2.0 16V Duratec. O motor flex chega só em 2007, na versão 1.6.

Honda Civic
A oitava geração do Civic já está saindo do forno, na Europa e nos Estados Unidos, e chega por aqui em 2006. Além do design renovado, haverá um novo motor 1.8 de 140 cavalos, em substituição ao atual 1.7 de 115 cavalos.

Nissan Sentra
Ele vem da fábrica da Nissan em Águas Calientes, no México. Assim como os rivais, vai ganhar uma nova geração, cujo lançamento está previsto para meados de 2006, no México.


Elite 2.4 16V
SUSPENSÃO
A suspensão do Vectra trabalha sempre muito bem, colaborando para a dirigibilidade, sem comprometer o conforto.
EXCELENTE
AO VOLANTE
A direção é rápida e leve e a visibilidade não tem nenhum ponto grave que comprometa a segurança.
MUITO BOM
CARROCERIA
O que diferencia os modelos são detalhes de estilo. O espaço interno, para pessoas e bagagem, é maior que o dos concorrentes.
MUITO BOM

POWERTRAIN
A transmissão automática faz o Vectra equipado com motor 2.4 andar junto com o 2.0 manual. E não existe a opção manual para o 2.4.
BOM

MERCADO
A versão top custa mais que os modelos da concorrência nacional. Ela se torna mais atraente em relação aos importados de mesmo porte, como o VW Passat.
BOM

Elegance 2.0V
SUSPENSÃO
Equipado com rodas
e pneus de aro 16, o Vectra fica mais confortável ao rodar que a versão com rodas 17, com comportamento
mais esportivo.
EXCELENTE
AO VOLANTE
O interior da versão Elegance é mais simples, mas não faz feio diante dos principais rivais e em comparação com o top Elite.
MUITO BOM
CARROCERIA
O nível de ruído mecânico, por torção e aerodinâmico é reduzido. O motor 2.0 é mais silencioso que o 2.4 16V.
MUITO BOM

POWERTRAIN
O desempenho desta versão não é arrebatador. Bom para o dia-a-dia do trânsito. Já chega com a versatilidade do sistema FlexPower.
BOM

MERCADO
A versão Elegance deve ser a mais vendida do mix. O preço é interessante para um modelo de sua categoria.
MUITO BOM

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