Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados da semana no site Quatro Rodas
  • HB 20
  • Novo Prisma
  • HB20S
  • 208
  • Onix
  • EcoSport
  • Civic
  • Etios
  • Santana
  • Gol
  • | Carros A-Z |
Newsletter
Assine a Newsletter QUATRO RODAS
PUBLICIDADE
Carros | testes
VW SpaceFox: a cauda da raposa
Março 2006

VW SpaceFox: a cauda da raposa

A perua chega com munição para ocupar o tradicional espaço das peruas compactas VW

Por Paulo Campo Grande / fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A tradição da Volkswagen no segmento de peruas é antiga. Os mais "experientes" devem se lembrar da Variant, de forte presença nas garagens das boas famílias nos anos 70. Na década seguinte foi a vez de a Parati se tornar carro oficial de jovens e casais, com ou sem filhos. Aos 24 anos, ela continua na ativa, com a excelente marca de 677000 unidades comercializadas desde o lançamento no fim de 1982 até dezembro de 2005. Mas já não tem o viço dos primeiros anos e há muito deixou de ser tão interessante e cobiçada.

A SpaceFox, que chega este mês às concessionárias, tem a responsabilidade de recuperar o prestígio da Volkswagen no segmento. Com design atualizado e projeto que mistura características de automóvel e de minivan, ela tem tudo para se sair bem, como indica este teste de estréia. O que poderia arrefecer o entusiasmo dos pretendentes é o preço. Mas, se ficar em torno dos 45000 reais, como afirmam fontes da fábrica, isso não deverá ocorrer.

A principal novidade da perua Fox está na traseira espichada. Quem previa apenas o prolongamento do teto do Fox e a adição de mais uma coluna lateral vai se admirar com o trabalho da fábrica. Assim como o Fox, a SpaceFox foi toda desenvolvida por brasileiros, embora vá ser fabricada na unidade da VW em Pacheco, na Argentina.

Design inovador A primeira surpresa é visual. Sendo o Fox um monovolume, era de se esperar que a SpaceFox saísse com o perfil de uma minivan como a Meriva, por exemplo. Mas ela tem as proporções de uma legítima perua. O departamento de design - sob a batuta de Luiz Veiga, que hoje trabalha para a VW na Alemanha - resolveu com brilho a caída do teto e a extensão das laterais. A tampa traseira tem desenho envolvente, com linhas curvas que se estendem até as laterais da carroceria, dando a impressão de que a traseira é menor. Do ponto de vista lateral, o caimento do teto vem acompanhado de um vinco na linha das maçanetas, que começa discreto a partir da metade da porta traseira e se impõe até o encontro da lanterna. Assim, ele divide a lateral e faz com que o carro pareça mais baixo do que é. Lembra a propaganda? "Fox. Você nunca viu um compacto com o teto tão alto assim."

Mas as novidades não se restringem à traseira. A SpaceFox chega com a frente igual à do Fox Exportação, com a grade em V, que a VW passou a adotar em toda a sua linha a partir da quinta geração do Golf, lançada em 2003. Breve, essa frente estará também no carro vendido aqui. Pode não parecer, mas ele já tem dois anos e meio de mercado e está prestes a receber um face-lift. Não se espante se essa novidade for apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro deste ano.

Duas versões Internamente, a SpaceFox herda também o painel do Fox Exportação, com porta-luvas e acabamento em dois tons de cinza. A melhor notícia, no entanto, é a troca do material de revestimento das portas. As placas continuam sendo de plástico, mas ganharam nova textura e são mais bonitas e agradáveis ao toque. A maçaneta que imita titânio dá um ar de sofisticação, ainda que seja só uma imitação. A SpaceFox chega em duas versões de acabamento, Plus e Comfortline. A mostrada aqui é a Comfortline equipada, que certamente vai custar bem mais que os 45000 reais previstos para a versão básica. Ela traz rodas de liga, ar-condicionado e trio elétrico de série, além de freios ABS, duplo airbag e CD player com MP3, como opcionais. A versão mais simples e barata será a Plus, em que todos esses itens são opcionais. Bancos de couro, ainda que sintético, por 45000 reais? Só se você acredita em duende...

O espaço interno é o mesmo que o do Fox. Ou seja, quatro adultos viajam com conforto. O ganho foi no porta-malas, cuja capacidade aumentou de 260 para 430 litros com o banco traseiro na posição normal, chega a 527 litros com o banco avançado e acomoda 951 litros se o assento estiver rebatido. A SpaceFox traz os mesmos porta-trecos espalhados pela cabine do Fox, com porta-copos nas laterais das portas e gaveta sob o banco do motorista e duas tomadas 12V, uma na frente e outra no porta-malas. A posição de dirigir é idêntica, assim como o painel de instrumentos. O console foi redesenhado, com a chegada do porta-luvas, mas a diferença é sutil. Saiu o porta-CDs da parte inferior e entrou um friso prateado na superior. Os botões do ar-condicionado não acompanharam a linha de exportação, que tem comandos independentes para temperatura, ventilação e saídas de ar. Em nosso Fox, as duas primeiras funções são ativadas por botões sobrepostos, de operação mais complicada. E o seletor de saída de ar tem o grafismo confuso.

Olha o nível

Outro detalhe do Fox que se repete na Space é a localização da alavanca de ajuste de altura do assento do motorista, de série nas duas versões. Como fica instalada do lado esquerdo do banco e em posição elevada, quase sempre o motorista esbarra a perna na alavanca, tirando o assento do nível ajustado anteriormente, ao entrar e sair do carro. Isso não impede que a posição de dirigir seja encontrada com facilidade. Os principais instrumentos estão à mão e a visibilidade é boa. A versão avaliada trazia o volante revestido de couro legítimo, mas o peso e o giro de três voltas entre batentes não mudaram. O câmbio também apresenta os mesmos bons engates encontrados no Fox.

Segundo a VW, a atenção dispensada ao visual da SpaceFox está no fato de o design ser a principal razão de compra entre os donos de peruas, de acordo com pesquisas de mercado. Mas não é a única. Conforto, desempenho, status, reconhecimento da marca e dirigibilidade vêm a seguir, nessa ordem.

Por conta do crescimento da carroceria e do aumento do peso na traseira (60 quilos a mais), a engenharia também teve que arregaçar as mangas e promover alterações importantes no projeto original. A primeira providência foi redimensionar a suspensão traseira. A SpaceFox recebeu o eixo traseiro do CrossFox, que tem capacidade de torção 30% maior que o do Fox, de acordo com a fábrica. "A necessidade de um eixo traseiro mais resistente é para evitar que veículos mais pesados inclinem excessivamente nas curvas", afirma o gerente de engenharia José Loureiro. Ao reforçar a suspensão traseira, porém, os engenheiros precisaram contrabalançar a dianteira, que recebeu novas cargas nas molas e nos amortecedores. A SpaceFox usa eixo de torção com braços longitudinais, na traseira, e sistema McPherson, na dianteira, que proporcionam um rodar firme, quase duro em alguns momentos. Ótimo para a dirigibilidade, nem tanto para o conforto. Em outras palavras, a SpaceFox tem mais chance de agradar o jovem, que gosta de dirigir esportivamente, que o pai de família, que deseja uma perua com rodar macio para a turma relaxar em longas viagens. Os pneus 195/55 R15, de série, também ajudam a assentar a SpaceFox. No Fox eles são 175/65 R14.

Fio de cabelo O motor é o EA 111 1.6 Total Flex, o mesmo do Fox. E, pelo menos por enquanto, a única opção disponível. Com 103 cavalos de potência e 14,5 mkgf de torque, com álcool, ele parece dar conta do recado. Na pista de testes, a SpaceFox acelerou de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos e chegou à máxima de 174 km/h, números satisfatórios para um veículo de sua categoria. Se alinhasse com um Fox, o motorista da SpaceFox precisaria da sorte do Schumacher ou então contar que o rival tivesse o azar de Barrichello. Isso porque o Fox se saiu ligeiramente melhor quando testado por nós. Ele fez 11,9 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h e 174,2 km/h na velocidade máxima (um fio de cabelo à frente, mas suficiente para receber a bandeirada). Nas medições de consumo, item importante para qualquer perfil de consumidor, outra vez a SpaceFox não fez feio. Enquanto o compacto Fox fez as médias de 9,1 km/l, na cidade, e 14,3 km/l, na estrada, com gasolina, a SpaceFox conseguiu, respectivamente, 9,0 km/l e 12,3 km/l.

Na hora de frear, a SpaceFox se saiu melhor. Vindo a 80 km/h, ela precisou de 27,6 metros para parar, enquanto o Fox gastou 28,7 metros. Para um piloto, essa vantagem poderia fazer a diferença, permitindo freadas mais dentro das curvas do circuito. Mas para um motorista comum o benefício é muito mais importante. Afinal, frear em um espaço que é 1,1 metro menor pode evitar um acidente de graves conseqüencias.

Maratona A fábrica percorreu uma maratona de testes rodando 600000 quilômetros em estradas de asfalto boas e ruins, passando por caminhos de terra e no trânsito urbano de diferentes cidades brasileiras e argentinas, nas mais variadas condições climáticas, para desenvolver a SpaceFox. Foram cinco meses de ensaios para que a perua recebesse aprovação, segundo a engenharia.
A VW estima que 60% da produção da SpaceFox seja vendida no Brasil. O restante fica com a Argentina e o México. Mas a SpaceFox poderia chegar à Europa, onde já existe o Fox. Segundo a fábrica, não existe nenhum entendimento nesse sentido. Mas tudo é uma questão de se avaliar o mercado. O Fox foi substituir o Lupo e a menor perua disponível na linha VW alemã atual é a perua Golf, bem maior que a SpaceFox, o que a torna uma opção para os segmentos inferiores.

Por aqui, a família não deve ficar só nisso. A dívida da fábrica para com o mercado daqui para a frente é no segmento de picapes. Oficialmente, a VW diz que o projeto de uma picape derivada do Fox foi arquivado. Mas como, se a Saveiro já está pedindo aposentadoria?

Tamanho é documento
Perua ou minivan? Como a SpaceFox se propõe a oferecer o melhor dos mundos, misturando características de automóvel e de minivan, reunimos as medidas internas das opções do mercado para você comparar. Os números foram fornecidos pelos fabricantes e os destaques de cada item aparecem em negrito.

medidas internas* SpaceFox Palio
weekend
Idea Meriva Fit
Dist. pernas dianteira (A) 102 106 100 102 106
Dist. pernas traseira (B) 96 83 95 99 86
Dist. lateral dianteira (C) 134 134 140 138 134
Dist. lateral traseira (D) 133 131 136 137 128
Dist. entre bancos (E) 79 70 72 84 93
Altura dianteira (F) 99 98 101 102 100
Altura traseira (G) 97 96 99 99 96

porta malas**
Volume
(mín./máx.altura vidro) (H)
430/951 460/890 380/890 390/890 353/1321
Carga (I) 485 500 400 475 385
* centímetros ** litros/quilos

Palavra de especialista

Depois de analisar as fotos da SpaceFox, o designer Robert Cumberford, editor de design da revista americana Automobile, achou-a bem resolvida. Segundo ele, o projeto não chega a ser empolgante, mas tem elementos que revelam cuidado do design no que diz respeito às linhas e aos volumes.

Pontos positivos
:
1.O prolongamento do V da grade, que percorre o capô, passa pela coluna A e segue pelo teto, sugere que o carro é mais longo do que de fato é.

2. Na traseira, o aerofólio projetado para fora da área envidraçada tem bom efeito visual e faz sombra no compartimento da bagagem.

3. A forma das lanternas é mais interessante que a da Passat Variant, sua fonte de inspiração.

Pontos negativos:
4. As rodas, mesmo sendo aro 15, ficaram muito pequenas no conjunto da carroceria.

5. O prolongamento dos vidros laterais dianteiros, onde estão fixados os retrovisores, forma pontos cegos muito grandes.

6. O espaço para a placa dianteira briga com o V da grade.





» FOTOS


Publicidade