ALTERAR O TAMANHO DA LETRA
A tradição da Volkswagen no segmento de peruas é antiga. Os mais "experientes" devem se lembrar da Variant, de forte presença nas garagens das boas famílias nos anos 70. Na década seguinte foi a vez de a Parati se tornar carro oficial de jovens e casais, com ou sem filhos. Aos 24 anos, ela continua na ativa, com a excelente marca de 677000 unidades comercializadas desde o lançamento no fim de 1982 até dezembro de 2005. Mas já não tem o viço dos primeiros anos e há muito deixou de ser tão interessante e cobiçada.
A SpaceFox, que chega este mês às concessionárias, tem a responsabilidade de recuperar o prestígio da Volkswagen no segmento. Com design atualizado e projeto que mistura características de automóvel e de minivan, ela tem tudo para se sair bem, como indica este teste de estréia. O que poderia arrefecer o entusiasmo dos pretendentes é o preço. Mas, se ficar em torno dos 45000 reais, como afirmam fontes da fábrica, isso não deverá ocorrer.
A principal novidade da perua Fox está na traseira espichada. Quem previa apenas o prolongamento do teto do Fox e a adição de mais uma coluna lateral vai se admirar com o trabalho da fábrica. Assim como o Fox, a SpaceFox foi toda desenvolvida por brasileiros, embora vá ser fabricada na unidade da VW em Pacheco, na Argentina.
Design inovador A primeira surpresa é visual. Sendo o Fox um monovolume, era de se esperar que a SpaceFox saísse com o perfil de uma minivan como a Meriva, por exemplo. Mas ela tem as proporções de uma legítima perua. O departamento de design - sob a batuta de Luiz Veiga, que hoje trabalha para a VW na Alemanha - resolveu com brilho a caída do teto e a extensão das laterais. A tampa traseira tem desenho envolvente, com linhas curvas que se estendem até as laterais da carroceria, dando a impressão de que a traseira é menor. Do ponto de vista lateral, o caimento do teto vem acompanhado de um vinco na linha das maçanetas, que começa discreto a partir da metade da porta traseira e se impõe até o encontro da lanterna. Assim, ele divide a lateral e faz com que o carro pareça mais baixo do que é. Lembra a propaganda? "Fox. Você nunca viu um compacto com o teto tão alto assim."
Mas as novidades não se restringem à traseira. A SpaceFox chega com a frente igual à do Fox Exportação, com a grade em V, que a VW passou a adotar em toda a sua linha a partir da quinta geração do Golf, lançada em 2003. Breve, essa frente estará também no carro vendido aqui. Pode não parecer, mas ele já tem dois anos e meio de mercado e está prestes a receber um face-lift. Não se espante se essa novidade for apresentada no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro deste ano.
Duas versões Internamente, a SpaceFox herda também o painel do Fox Exportação, com porta-luvas e acabamento em dois tons de cinza. A melhor notícia, no entanto, é a troca do material de revestimento das portas. As placas continuam sendo de plástico, mas ganharam nova textura e são mais bonitas e agradáveis ao toque. A maçaneta que imita titânio dá um ar de sofisticação, ainda que seja só uma imitação. A SpaceFox chega em duas versões de acabamento, Plus e Comfortline. A mostrada aqui é a Comfortline equipada, que certamente vai custar bem mais que os 45000 reais previstos para a versão básica. Ela traz rodas de liga, ar-condicionado e trio elétrico de série, além de freios ABS, duplo airbag e CD player com MP3, como opcionais. A versão mais simples e barata será a Plus, em que todos esses itens são opcionais. Bancos de couro, ainda que sintético, por 45000 reais? Só se você acredita em duende...
O espaço interno é o mesmo que o do Fox. Ou seja, quatro adultos viajam com conforto. O ganho foi no porta-malas, cuja capacidade aumentou de 260 para 430 litros com o banco traseiro na posição normal, chega a 527 litros com o banco avançado e acomoda 951 litros se o assento estiver rebatido. A SpaceFox traz os mesmos porta-trecos espalhados pela cabine do Fox, com porta-copos nas laterais das portas e gaveta sob o banco do motorista e duas tomadas 12V, uma na frente e outra no porta-malas. A posição de dirigir é idêntica, assim como o painel de instrumentos. O console foi redesenhado, com a chegada do porta-luvas, mas a diferença é sutil. Saiu o porta-CDs da parte inferior e entrou um friso prateado na superior. Os botões do ar-condicionado não acompanharam a linha de exportação, que tem comandos independentes para temperatura, ventilação e saídas de ar. Em nosso Fox, as duas primeiras funções são ativadas por botões sobrepostos, de operação mais complicada. E o seletor de saída de ar tem o grafismo confuso.
Olha o nível
Outro detalhe do Fox que se repete na Space é a localização da alavanca de ajuste de altura do assento do motorista, de série nas duas versões. Como fica instalada do lado esquerdo do banco e em posição elevada, quase sempre o motorista esbarra a perna na alavanca, tirando o assento do nível ajustado anteriormente, ao entrar e sair do carro. Isso não impede que a posição de dirigir seja encontrada com facilidade. Os principais instrumentos estão à mão e a visibilidade é boa. A versão avaliada trazia o volante revestido de couro legítimo, mas o peso e o giro de três voltas entre batentes não mudaram. O câmbio também apresenta os mesmos bons engates encontrados no Fox.
Segundo a VW, a atenção dispensada ao visual da SpaceFox está no fato de o design ser a principal razão de compra entre os donos de peruas, de acordo com pesquisas de mercado. Mas não é a única. Conforto, desempenho, status, reconhecimento da marca e dirigibilidade vêm a seguir, nessa ordem.
Por conta do crescimento da carroceria e do aumento do peso na traseira (60 quilos a mais), a engenharia também teve que arregaçar as mangas e promover alterações importantes no projeto original. A primeira providência foi redimensionar a suspensão traseira. A SpaceFox recebeu o eixo traseiro do CrossFox, que tem capacidade de torção 30% maior que o do Fox, de acordo com a fábrica. "A necessidade de um eixo traseiro mais resistente é para evitar que veículos mais pesados inclinem excessivamente nas curvas", afirma o gerente de engenharia José Loureiro. Ao reforçar a suspensão traseira, porém, os engenheiros precisaram contrabalançar a dianteira, que recebeu novas cargas nas molas e nos amortecedores. A SpaceFox usa eixo de torção com braços longitudinais, na traseira, e sistema McPherson, na dianteira, que proporcionam um rodar firme, quase duro em alguns momentos. Ótimo para a dirigibilidade, nem tanto para o conforto. Em outras palavras, a SpaceFox tem mais chance de agradar o jovem, que gosta de dirigir esportivamente, que o pai de família, que deseja uma perua com rodar macio para a turma relaxar em longas viagens. Os pneus 195/55 R15, de série, também ajudam a assentar a SpaceFox. No Fox eles são 175/65 R14.
Fio de cabelo O motor é o EA 111 1.6 Total Flex, o mesmo do Fox. E, pelo menos por enquanto, a única opção disponível. Com 103 cavalos de potência e 14,5 mkgf de torque, com álcool, ele parece dar conta do recado. Na pista de testes, a SpaceFox acelerou de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos e chegou à máxima de 174 km/h, números satisfatórios para um veículo de sua categoria. Se alinhasse com um Fox, o motorista da SpaceFox precisaria da sorte do Schumacher ou então contar que o rival tivesse o azar de Barrichello. Isso porque o Fox se saiu ligeiramente melhor quando testado por nós. Ele fez 11,9 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h e 174,2 km/h na velocidade máxima (um fio de cabelo à frente, mas suficiente para receber a bandeirada). Nas medições de consumo, item importante para qualquer perfil de consumidor, outra vez a SpaceFox não fez feio. Enquanto o compacto Fox fez as médias de 9,1 km/l, na cidade, e 14,3 km/l, na estrada, com gasolina, a SpaceFox conseguiu, respectivamente, 9,0 km/l e 12,3 km/l.
Na hora de frear, a SpaceFox se saiu melhor. Vindo a 80 km/h, ela precisou de 27,6 metros para parar, enquanto o Fox gastou 28,7 metros. Para um piloto, essa vantagem poderia fazer a diferença, permitindo freadas mais dentro das curvas do circuito. Mas para um motorista comum o benefício é muito mais importante. Afinal, frear em um espaço que é 1,1 metro menor pode evitar um acidente de graves conseqüencias.
Maratona A fábrica percorreu uma maratona de testes rodando 600000 quilômetros em estradas de asfalto boas e ruins, passando por caminhos de terra e no trânsito urbano de diferentes cidades brasileiras e argentinas, nas mais variadas condições climáticas, para desenvolver a SpaceFox. Foram cinco meses de ensaios para que a perua recebesse aprovação, segundo a engenharia.
A VW estima que 60% da produção da SpaceFox seja vendida no Brasil. O restante fica com a Argentina e o México. Mas a SpaceFox poderia chegar à Europa, onde já existe o Fox. Segundo a fábrica, não existe nenhum entendimento nesse sentido. Mas tudo é uma questão de se avaliar o mercado. O Fox foi substituir o Lupo e a menor perua disponível na linha VW alemã atual é a perua Golf, bem maior que a SpaceFox, o que a torna uma opção para os segmentos inferiores.
Por aqui, a família não deve ficar só nisso. A dívida da fábrica para com o mercado daqui para a frente é no segmento de picapes. Oficialmente, a VW diz que o projeto de uma picape derivada do Fox foi arquivado. Mas como, se a Saveiro já está pedindo aposentadoria?
Tamanho é documento
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Perua ou minivan? Como a SpaceFox se propõe a oferecer o melhor dos mundos, misturando características de automóvel e de minivan, reunimos as medidas internas das opções do mercado para você comparar. Os números foram fornecidos pelos fabricantes e os destaques de cada item aparecem em negrito.
| medidas internas* |
SpaceFox |
Palio weekend |
Idea |
Meriva |
Fit |
| Dist. pernas dianteira (A) |
102 |
106 |
100 |
102 |
106 |
| Dist. pernas traseira (B) |
96 |
83 |
95 |
99 |
86 |
| Dist. lateral dianteira (C) |
134 |
134 |
140 |
138 |
134 |
| Dist. lateral traseira (D) |
133 |
131 |
136 |
137 |
128 |
| Dist. entre bancos (E) |
79 |
70 |
72 |
84 |
93 |
| Altura dianteira (F) |
99 |
98 |
101 |
102 |
100 |
| Altura traseira (G) |
97 |
96 |
99 |
99 |
96 |
| porta malas** |
Volume (mín./máx.altura vidro) (H) |
430/951 |
460/890 |
380/890 |
390/890 |
353/1321 |
| Carga (I) |
485 |
500 |
400 |
475 |
385 | * centímetros ** litros/quilos |
Palavra de especialista
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Depois de analisar as fotos da SpaceFox, o designer Robert Cumberford, editor de design da revista americana Automobile, achou-a bem resolvida. Segundo ele, o projeto não chega a ser empolgante, mas tem elementos que revelam cuidado do design no que diz respeito às linhas e aos volumes.
Pontos positivos: 1.O prolongamento do V da grade, que percorre o capô, passa pela coluna A e segue pelo teto, sugere que o carro é mais longo do que de fato é.
2. Na traseira, o aerofólio projetado para fora da área envidraçada tem bom efeito visual e faz sombra no compartimento da bagagem.
3. A forma das lanternas é mais interessante que a da Passat Variant, sua fonte de inspiração.
Pontos negativos: 4. As rodas, mesmo sendo aro 15, ficaram muito pequenas no conjunto da carroceria.
5. O prolongamento dos vidros laterais dianteiros, onde estão fixados os retrovisores, forma pontos cegos muito grandes.
6. O espaço para a placa dianteira briga com o V da grade.
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