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Carros | testes
Chery Tiggo, Face e 'A3'
Setembro 2009

Chery Tiggo, Face e 'A3'

Levamos a segunda onda de imigrantes chineses para a pista

Por Paulo Campo Grande | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A chinesa Chery está colocando suas rodas no Brasil. O primeiro modelo a desembarcar é o utilitário esportivo Tiggo, mas até o fim do ano devem chegar o compacto Face e o hatch médio – que ainda não tem nome no Brasil –, provisoriamente chamado de A3, como é vendido na China. A Chery diz que vai fazer um concurso cultural para batizar o carro no Brasil. Depois virá o subcompacto QQ. Os Chery representam a segunda onda dos chineses em nosso mercado. Não deverá ter o impacto de um tsunami, mas deve elevar o nível da maré para bem acima da marolinha provocada pela chegada das pioneiras Chana e Effa, há pouco mais de um ano.

A Chery tem planos ambiciosos. Na estreia, a empresa já anuncia uma rede de 27 concessionárias com show room e oficina, distribuídas por 13 estados brasileiros, com planos de chegar a 55 revendas até o fim do ano. E avisa: se atingir os volumes de venda que estima, ou seja, 10 000 unidades este ano e 30 000 em 2010, o próximo passo será a construção de uma fábrica no país.

Para saber o que vem por aí, nós surfamos na nova onda. Testamos os três carros que já estão no Brasil. O Tiggo é importado do Uruguai, onde é montado a partir de peças produzidas na China. O Face e o “A3” vêm prontos da China.

Bem equipados
O Tiggo é um utilitário esportivo, para cinco pessoas, motor 2.0 de 135 cv e tração 4x2. Ele quer disputar a preferência dos consumidores do Ford EcoSport ao preço de 49 900 reais – o EcoSport 2.0 Freestyle sai por 60 675 reais. O Face é um veículo compacto, para quatro pessoas, equipado com motor 1.3 16V de 83 cv, que no Brasil se encaixa no segmento dos populares, vendido por 29 900 reais. E o “A3” é um hatch médio, que traz motor 1.6 16V de 119 cv e oferece vaga para cinco pessoas, ao preço de 42 900 reais. Ou seja: ligeiramente abaixo de modelos como Chevrolet Astra. O subcompacto QQ vai custar 22 900 reais.

Apesar de não existir uma unidade visual entre os três modelos, algo que os identifique como produtos de uma mesma marca, eles compartilham características – positivas e negativas. Entre as positivas, podem-se destacar os cuidados com o visual. O Tiggo, por exemplo, conta com apliques prateados no volante e no console e mostradores com fundo branco. O Face, que foi desenhado pelo estúdio italiano Bertone, é o que tem maior número de ornamentos, como o visor de cristal líquido instalado no centro do velocímetro, com relógio e hodômetro, e maçanetas internas embutidas nos frisos de decoração das portas. Seus bancos de tecido amarelo e cinza lembram o padrão descontraído do Renault Twingo. O “A3”, por sua vez, é o dono do design mais trabalhado, principalmente na parte externa. A maçaneta da porta traseira embutida na altura da coluna não é a última novidade da indústria – equipou o Alfa Romeo 156 e está presente na Peugeot 207 SW –, mas garante um ar de sofisticação ao hatch, assim como as lanternas traseiras a la Maserati Gran Turismo. Internamente, todos têm colunas revestidas com plástico e o teto é de tecido, no Face e no “A3”, e de feltro, no Tiggo.

Os três também são bem equipados. Por questões de logística, a Chery prefere oferecer carros completos, com pacotes de equipamentos fechados, a ter diferentes níveis de opcionais que resultariam em processos produtivos mais complicados. Assim, o Tiggo sai de fábrica com duplo airbag, arcondicionado, trio elétrico, ABS e EBD, rodas de liga leve, bancos traseiros bipartidos, reclináveis e rebatíveis e CD player com leitor de MP3. Tudo item de série. No Face é possível encontrar equipamentos como comandos de abertura interna do porta-malas e do tanque de combustível, sensor de estacionamento com alerta luminoso e sonoro, trio elétrico, duplo airbag, rack, ABS e rodas de liga leve. E no “A3” há airbags, rodas de liga leve, arcondicionado e ABS, entre outros itens.

Entre os aspectos negativos, o mais recorrente é a baixa qualidade na confecção das peças. No “A3” havia rebarbas no para-choque traseiro, que é de plástico, na parte em que a peça faz a extensão do para-lama. No Face, a peça de má qualidade é a grelha, aquela parte no alto do capô. E no Tiggo havia defeitos no corte da chapa do teto. Nos três carros, havia falhas nas costuras dos bancos.

No que diz respeito à montagem, também encontramos problemas de alinhamento das partes da carroceria. O “A3” apresentava o capô e as portas desalinhados. E o Tiggo se mostrou mais problemático: a tampa do porta-malas estava desalinhada e a porta lateral traseira, desnivelada. O Face, por sua vez, estava bem alinhado, encaixado e com os vãos entre portas e capô uniformes. Por comparação, dos três modelos, o Face seria o único que passaria em um controle de qualidade das fábricas nacionais, embora por aqui também existam peças com rebarbas e mal encaixadas.

Em relação aos componentes, os chineses reúnem peças com diferentes níveis de qualidade. Em alguns casos, são componentes fabricados por fornecedores de classe mundial; em outros, simplesmente não há identificação do fabricante. No Tiggo, por exemplo, todo o conjunto de ignição – cabos e bobina – é Bosch. As correias são da marca Gates, que também é sinônimo de confiabilidade. Mas as lâmpadas dos indicadores de direção têm procedência desconhecida e são originalmente lâmpadas brancas cujo vidro foi pintado de amarelo. A borracha que veda a união do teto com as laterais da carroceria é presa por uma fita dupla-face, que no carro de teste já estava solta.

Duas estrelas
A consultoria americana JD Power fez um estudo sobre a indústria chinesa que avalia o nível de qualidade dos veículos produzidos no país. A pesquisa considerou itens como motor e câmbio, equipamentos, design e conjunto. Na média de pontos, modelos da Chery, como o Tiggo, mereceram apenas duas estrelas em cinco possíveis (a tabela completa está no site da JD Power, no link www.jdpower.com/corporate/china/en/ratings/details.aspx?studyId=032).

Nas provas feitas na pista de testes, novamente, o trio da Chery apresentou altos e baixos. Nas medições de consumo, eles se saíram bem. O Tiggo ficou com as médias de 8,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada. O Face conseguiu fazer 11,7 e 17,1 km/l, respectivamente. E o “A3”, 9,1 e 13,5 km/l. Lembre que eles não são flex e, portanto, essas marcas se referem ao consumo com gasolina.

Nos testes de aceleração houve um problema com o Tiggo. Na quarta vez que arrancou, ouviu-se um barulho metálico e o utilitário perdeu a tração. A fábrica enviou outro carro para teste e dias depois nos comunicou que a falha ocorreu em razão da “ruptura de dois dentes da engrenagem do conjunto de planetária e satélite ocasionada por esforço exagerado”. Segundo a empresa, esse esforço teria ocorrido durante uma sessão de fotos com o Tiggo em situações off-road, no dia anterior ao teste da revista. Vale afirmar que o Tiggo não foi o primeiro carro a ter problemas técnicos na pista de testes nem deverá ser o último. Mas, de acordo com o mecânico Fábio Fukuda, da oficina Fukuda Motorcenter, a engrenagem mencionada pela fábrica é um componente que deve ter alta resistência para suportar as forças geradas pela transmissão.

O carro substituto não apresentou defeitos. O utilitário acelerou de 0 a 100 km/h em 12,1 segundos, enquanto o Hyundai Tucson 2.0 precisou de 14 segundos para fazer o mesmo, quando avaliado. O motor do Tiggo é um pouco lento, mas no teste ele foi ajudado pelo câmbio, bem escalonado.

O Face, que tem motor 1.3 16V, ficou dentro do esperado, com o tempo de 14,2 segundos de 0 a 100 km/h. Ele foi pior que o Chevrolet Corsa 1.4, que acelera em 11,8 segundos, mas fez exatamente o mesmo tempo do Fiat Palio 1.4. O pior foi o “A3”, que precisou de 14,7 segundos, enquanto o Renault Sandero 1.6 16V gastou 12,2 segundos. E, no seu caso, o motor fraco não contou com a ajuda do câmbio. De segunda para terceira, o conta-giros mostrava que o grio caía 2 000 rpm.

Na hora de frear, a situação se inverteu. O “A3” parou bem, com seu freio a disco nas quatro rodas. Vindo a 80 km/h, precisou de 25,6 metros para parar. O Face foi hesitante e percorreu 27,3 metros antes de frear. E o Tiggo parou em 30,5 metros.

Perguntamos para a Chery sobre o desempenho de seus modelos nos testes de colisão, necessários para a homologação dos carros em nosso mercado. A empresa afirmou que seus carros foram aprovados em ensaios do instituto certificador inglês VCA, o “A3” com a nota máxima de cinco estrelas e os demais, Tiggo e Face, com quatro estrelas.

Confiança afiançada
Ao longo da avaliação, os três se revelaram confortáveis. Até mesmo o Face, com sua suspensão mais dura – fundamental para manter a estabilidade, uma vez que ele tem uma carroceria monovolume relativamente alta. No “A3”, o destaque vai para a direção leve. No Tiggo, aplausos para o bom isolamento acústico e para a suspensão traseira multilink, que não é robusta mas se mostrou eficiente.

Em resumo, os Chery representam uma considerável evolução em relação aos primeiros chineses que chegaram no Brasil. Mas ainda requerem cuidados para alcançar o padrão de modelos nacionais, em especial o dos japoneses produzidos aqui. A Chery sabe disso, mas quer se fazer merecedora de confiança. Por isso, diz que vai dar três anos de garantia em sua linha e que contratou uma empresa de assistência 24 horas, para atender todos os clientes “como se fosse em caráter emergencial”. Sem dúvida, são medidas que servem como fiança àqueles que estão dispostos a surfar essa nova onda, mas não dispõem de espírito tão aventureiro.

 

 



TIGGO

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção tem a firmeza necessária e a suspensão se mostrou eficiente. Mas o Tiggo se saiu mal nas provas de frenagem.
★★★

MOTOR E CÂMBIO
O motor é fraco, mas o câmbio está bem escalonado.
★★★

CARROCERIA
Precisa melhorar a qualidade da confecção e da montagem das peças.
★★

VIDA A BORDO
A cabine tem bom espaço interno. É difícil rebater os bancos traseiros.
★★★

SEGURANÇA
Ele vem equipado com duplo airbag e freios ABS, com EBD.
★★★★

SEU BOLSO
Ele custa menos que um EcoSport e tem três anos de garantia, mas a Chery ainda precisa dizer a que veio.
★★★

 

 



FACE

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Os sistemas estão bem dimensionados para o carro.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
O desempenho ficou compatível com o dos rivais. Mas se saiu bem nas provas de consumo.
★★★★

CARROCERIA
Dos três, foi o que revelou menos problemas de acabamento.
★★★

VIDA A BORDO
Ele é completo e seu acabamento é de bom gosto.
★★★

SEGURANÇA
Vem com duplo airbag e ABS.
★★★★

SEU BOLSO
Considerando que ele é completo, seu preço é atraente.
★★★★

 

 



“A3”

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A direção é leve e a suspensão, confortável. O freio foi eficiente.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
O motor é fraco, o câmbio não ajuda e a embreagem é lenta.
★★

CARROCERIA
Chama atenção pelo visual, mas também comete falhas de acabamento.
★★★★

VIDA A BORDO
O volante só tem ajuste de altura. Na profundidade, é fixo. O pedal da embreagem fica distante dos outros.
★★★

SEGURANÇA
Tem airbag e ABS de série.
★★★★

SEU BOLSO
Seu preço não é tão competitivo frente ao Astra e às versões de entrada de Golf e Focus.
★★

 

 



VEREDICTO

Dos três carros avaliados, o Face é o que parece ser a opção mais interessante. Ele vem bem equipado, tem preço atraente e seu desempenho é compatível com sua proposta. Além disso, ele é o mais bem acabado. O Tiggo agradou pelo comportamento, mas desapontou no acabamento. O “A3”, por sua vez, tem um design bonito, mas também apresentou problemas no acabamento e teve um desempenho fraco.

 

 





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