Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados da semana no site Quatro Rodas
  • Up
  • Onix
  • Duster
  • HB 20
  • Novo Ka
  • Corolla
  • Civic
  • Golf
  • Focus
  • New Fiesta
  • | A-Z |
Newsletter
Assine a Newsletter QUATRO RODAS
PUBLICIDADE
Carros | testes
BMW 118i Top
Agosto 2009

BMW 118i Top

O novo hatch alemão encurta a distância entre o terreno e a estratosfera

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A cor é preta, com detalhes de metal fosco. Dois vincos fortes, longitudinais, alongam o corpo e dirigem as atenções para o centro, onde fica o logotipo redondo, azul e branco. Com 7 centímetros de comprimento e 2 de largura, é pouco maior que um isqueiro Zippo. Estou falando da chave da BMW, um cartucho capaz de abrir portas – as do carro, naturalmente, e muitas outras. Ter uma dessas na palma da mão era privilégio de gente capaz de pagar valores de seis dígitos, de 118 000 reais (o hatch 120i Top) a 570 000 reais (o esportivo M6). Mas agora a chave- cartucho da BMW está ao alcance do lado de cá do mundo. Por 95 000 reais, o novo 118i Top custa menos que o Honda Civic Si.

Carros de grife por preço abaixo de 100 000 reais não são novidade em nossas ruas. Mas, por 96 900 reais, o B170 é uma minivan com tração dianteira – não exatamente o Mercedes que as pessoas sonham ter. Por 96 088 reais, o Audi A3 Sportback tem presença, mas não desempenho (o motor 1.6 rende apenas 102 cv). O Volvo C30 automático de 90 950 reais tem estilo e anda bem (são 145 cv), mas talvez você não considere a marca sueca tão prestigiada assim.

O BMW 118i Top é mais que uma chave vistosa para largar em cima da mesa do bar. O carro tem presença, a mais ousada combinação de estilo radical e produção em larga escala que a era Chris Bangle criou. Seu impacto no Brasil continua preservado, depois de quatro anos do lançamento, porque as 2 000 unidades vendidas não o tornaram figurinha fácil. Talvez o i30 seja confundido com o Série 1, como sugere a propaganda. Mas, se você chegar dirigindo o BMW legítimo, ninguém vai pensar que é Hyundai.

Talvez as rodas pudessem ser maiores que essas, de aro 16, mas dá para trocar – e, afinal, a BMW tinha que deixar alguma coisa para as versões mais caras. Não espere por faróis azulados, com xenônio ou outros que-tais. Brilho branco à noite, apenas na placa traseira iluminada por leds. Os faróis do 118i Top são convencionais de dupla parábola, mas acendem sozinhos. É simples, mas é BMW.

Ar-condicionado tem acionamento manual, e não adianta alimentar expectativas sobre aquela tampa no alto do painel. Onde o BMW 130i tem uma tela escamoteável de cristal líquido (que mostra, entre outras coisas, vídeos e gráficos para ajudar nas manobras de estacionamento), o 118i tem um portatrecos. E não tem sensor de estacionamento. É por sua conta preservar os para-choques – e atenção: graças à linha de cintura alta e às colunas fortes, a visibilidade não é assim tão panorâmica. Dirige-se envolvido pela carroceria, mais perto do chão.

Os bancos têm detalhes de couro e uma larga faixa de tecido sintético no meio. Pode ser assim por economia, mas roupas que misturam tecidos estão na moda, então o resultado não haverá de incomodar. Os ajustes tradicionais (altura, distância e inclinação) são manuais, mas, como estamos num BMW, há também ajuste para o comprimento do assento (a extremidade é móvel) e há regulagem (elétrica) dos ombros. Ele abraça forte. O volante pequeno ocupa as mãos e o pedal do acelerador é plantado no chão. Aperto o botão Start no painel, puxo o câmbio automático Steptronic para trás e dou pedal.

E lá se vão 11,4 segundos até o ponteiro chegar aos 100 km/h. Meio lento, não? E justo num BMW, que preza tanto o desempenho... Para falar a verdade, esperava que fosse pior. O 118i tem 136 cv e andou junto de seu irmão 120i Top, que tem 156 cv e é 23 000 reais mais caro. Os dois usam o mesmo quatro-cilindros de 2 litros, só muda a calibração. Faz algum tempo que os nomes dos carros da BMW (e os da Mercedes também) não têm mais relação com o tamanho do motor. Os 18,4 mkgf de torque do 118i aparecem também em situações intermediárias, de pé mais leve, pois o câmbio automático tem seis marchas e o sistema Valvetronic faz as 16 válvulas abrirem e fecharem em momentos e amplitudes diferentes. De qualquer jeito, o 118i não é carro para disparar na reta. Mas é bem capaz de buscar nas curvas...

A lista de equipamentos de luxo do 118i pode não ser tão extensa, mas a ficha técnica é coisa riquíssima, fiel seguidora das leis de Newton. A suspensão é multilink na frente e atrás (para manter as rodas sempre neutras em relação ao chão), com braços de alumínio (de menor inércia, para reagirem rápido) e uma ponte de aço ligando as torres de amortecedor dianteiras (para evitar que torções da carroceria mudem a geometria da suspensão). O motor é dianteiro, como convém a um carro de passeio, mas fica entre os eixos. Com tração traseira, a divisão de peso é de 50-50, metade na frente, metade atrás. Não é um carro duro e nervoso, mas é extremamente equilibrado. O 118i não economizou no que a BMW tem de mais importante.

O volante pequeno tem o peso da responsabilidade: quer mesmo fazer isso? Porque, para onde você apontar o carro, ele vai. E os freios são absurdamente precisos. O pedal não é duro, não é pesado, não tem nada de especialmente esportivo. É apenas mais evoluído, dá a impressão de que um carro comum, como o Palio, terá um desses na linha 2030. Pena não ter os 265 cv da versão 130i Sport, que permitem ajustar a curva no pedal de acelerador, despachando potência e deixando as rodas de trás espalharem. Mas isso já é a impressão de quem andou em outros BMW e sente falta de uma coisa ou outra. Para quem vem de carros comuns – e essa deve ser a situação da maioria dos compradores –, a chave-cartucho do 118i abre as portas para um mundo novo e cativante. Um mundo que agora está mais próximo.

 



DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Não há nada parecido com ele abaixo de 100 000 reais: é preciso e justo sem ser duro.
★★★★★

MOTOR E CÂMBIO
Empurra com constância, mas o motor 2.0 sente o esforço ao carregar a carroceria de 1 375 kg no ritmo que se espera de um BMW.
★★★

CARROCERIA
Seu estilo não prima pela leveza, mas tem personalidade – apesar do tempo de vida e das cópias da concorrência.
★★★★

VIDA A BORDO
Há menos luxo do que se espera nessa faixa de preço, sem banco de couro, ar digital ou sensor de estacionamento. E é apertado: tem tamanho de Golf e espaço, atrás e no portamalas, digno de Polo.
★★★

SEGURANÇA
Não há economia: seis airbags, controles de tração e estabilidade, carroceria digna de 5 estrelas no EuroNCap e ótima dirigibilidade.
★★★★

SEU BOLSO
BMW a preço de carro nacional. Mas preparese: valor de seguro e custos de manutenção estão à altura do prestígio da marca.
★★★★ 



OS RIVAIS

Audi A3 Sportback 1.6

 


Tem estilo e tem status, mas 102 cv serão mesmo suficientes? Por 96 088 reais

Volvo C30 2.0 aut.


A versão 2.0 (145 cv) ganhou opção de câmbio automático de 6 marchas, por 90 950 reais.

 



VEREDICTO

O 118i é um carro de bom custo-benefício mesmo diante de rivais que não têm uma lasca de seu prestígio. Perde-se desempenho e luxo, mas não chega a ser um carro lento nem passa sensação de pobreza. Belo BMW para iniciantes.





» FOTOS


Publicidade