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Carros | Impressões ao dirigir
Toyota Etios Liva
Agosto 2011

Toyota Etios Liva

Fomos até a Índia para conhecer o compacto que será feito no Brasil

Por Fernando Valeika de Barros | Fotos: Satyajit Dhananjayan
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TAMANHO DA LETRA  

De uns tempos para cá, quando o assunto é novidade entre automóveis, Ásia e Brasil nunca estiveram tão próximos. Índia e Tailândia passaram a indicar caminhos para nós. Hoje, na indiana Chennai e nos arredores da tailandesa Bangcoc, há linhas de produção da nova geração do Nissan Micra (que dependendo do mercado chama-se March), confirmado para estrear no Brasil como nacional ainda este ano. Meses depois, direto da Tailândia virá a inspiração para um Honda brasileiro e low-cost, o Brio. Mais para a frente, da Índia, poderá chegar um sinal de um Renault para substituir o Clio (ainda em fase de desenvolvimento, também em Chennai). Tudo isso sem falar na primeira investida da Toyota no mercado de compactos para países emergentes: o hatch Etios Liva, montado em Bangalore, no sul da Índia, que acaba de chegar às concessionárias de lá.

Quando desembarcar no Brasil, no fim de 2012 (ele será produzido na fábrica que a marca japonesa está erguendo em Sorocaba, SP), o Liva fará a Toyota japonesa dar uma guinada e tanto em sua estratégia do lado de cá do mundo. De uma marca conhecida por construir um dos mais sofisticados carros nacionais (o Corolla), com este hatch mais simples, de 3,77 metros de comprimento, ela entrará de cabeça em um segmento em que modelos como Gol, da Volks, e Palio, da Fiat, reinam há anos.

Lançado na Índia, o Liva faz parte de uma estratégia para conquistar consumidores nos mercados com forte desenvolvimento, em dobradinha com o Etios versão quatro portas. É para o cliente que busca um modelo que una o melhor de vários mundos: um projeto atual com grife de prestígio, robusto e ainda por um preço competitivo. "Esse carro foi feito para oferecer qualidade, durabilidade e confiança, por um preço acessível", disse durante o lançamento indiano, no fim de junho, o japonês Yoshimori Noritake, a quem coube comandar a gênese do Etios Liva e também da versão quatro portas. É quase inevitável que algum publicitário o chame de "o primeiro Toyota da sua vida".

Contudo, para saber se o Liva foi feito para você, não é preciso esperar até 2012, quando ele começará a sair da linha de montagem de Sorocaba. QUATRO RODAS foi conhecê-lo na Índia, em Chennai, a 350 km da moderna linha de montagem que a Toyota construiu em Bangalore. Quer saber? Do lado de fora, ele não decepciona quando o assunto é estilo. Empresta sua grade cromada de modelos de estirpe mais nobre, como o Corolla. Seguindo as tendências entre modelos japoneses, o capô e o para-choque dianteiro são talhados e repletos de reentrâncias, recurso estilístico que dá forma mais moderna ao carro e, ao mesmo tempo, ajuda na aerodinâmica. Idem para as lanternas, também em relevo.

Esse Toyota indiano não faz feio quando o assunto são equipamentos. Na sua versão topo de linha, o Liva avaliado tinha dois airbags frontais, freios a disco na frente (tambores na traseira), com ABS e controle de estabilidade (ESP). Volante revestido de couro e regulável em altura, rádio com CD player (com comandos no volante de três raios), arcondicionado, porta-trecos espalhados pelo interior, porta-luvas refrigerado, entrada USB, travamento e vidros elétricos... A versão de entrada, que não tem quase nada disso, mantém o ar-condicionado e o porta-luvas refrigerado de série.

Para atender clientes tanto nos países em que a direção é à direita, como a Índia, como naqueles em que ela fica do lado esquerdo, nosso caso, a Toyota teve uma astúcia: montou o velocímetro e o conta-giros (ambos em forma de meia-lua) no centro do painel. Os bancos são estofados com tecido bicolor e o painel e as portas possuem acabamento de plástico. Só que aí começam as diferenças: mesmo na versão VX, a topo de linha, que foi avaliada, o acabamento não mostrou ser o que normalmente se espera de um Toyota. A qualidade do plástico que reveste as portas, por exemplo, fica a dever. Deve melhorar no Liva brasileiro.

Os ocupantes dos bancos dianteiros não sofrem com espaço, mas, nenhuma surpresa, têm de regular os bancos manualmente. O volante é ajustável em altura. Como os indianos adoram beber água enquanto viajam (pudera: faz um calorão no país deles), o porta-luvas de 13 litros é refrigerado e há porta-trecos grandes o suficiente para acomodarem garrafas de 1 litro cada um. O porta-malas tem 295 litros de capacidade, metade do que pode carregar o Etios na versão quatro portas. Mas ganha versatilidade com os bancos traseiros rebatidos.

Cerca de meio metro mais curto que a versão sedã e com 9 cm a menos de entre-eixos (tem 2,46 metros), há um pouco mais de aperto para até três passageiros, que viajam atrás. Ao reduzirem a altura do túnel central e afinarem a espessura dos bancos da frente, os engenheiros da Toyota resolveram o desafio de encaixar cinco passageiros no Liva. É bem possível que as costas do motorista se queixem após as viagens mais longas.

Apesar de o Liva avaliado ter um spoiler na parte posterior do carro, na hora de acelerar ele mostrou mais sobriedade que apetite. Com 80 cv para dar conta do recado, logo nos primeiros quilômetros fica claro que ele não foi feito para despertar fortes emoções quando o assunto é desempenho. Seu motor é um pequeno 1,2 litro (construído no mesmo bloco do 1,5 cm3, codinome 3NR-FE, que equipa o Etios sedã). O resultado é um carro cuja pegada está longe de ser nervosa. Acelerar de 0 a 100 km/h nesse Toyota é algo para 11,8 segundos, de acordo com dados de fábrica. Com 3 100 rpm, o torque chega a 10,6 mkgf, portanto mais modesto até que o Mini One testado nesta edição, já preguiçoso na hora de arrancar. É indício de que, em retomadas, será obrigatório reduzir a marcha. A boa notícia é que, seguindo a melhor tradição dos modelos das marcas japonesas, os engates são precisos e macios, até mesmo quando feitos com a mão trocada (na Índia o volante dos carros fica à direita e o câmbio, do lado esquerdo).

Fica claro que a aposta do Liva foi menos em performance e mais na redução de custos e no consumo frugal de combustível, dois atributos muito bem-vindos, seja na Índia, seja no Brasil. Apesar de alguns recursos interessantes (os pistões são revestidos com molibdênio, para economizar no peso), o motor do Liva indiano - por enquanto produzido no Japão, assim como seu câmbio manual, de cinco marchas - é bem mais simples que o motor do Corolla. Para reduzir custos, a tecnologia VVT-i, utilizada no Corolla, foi descartada.

A direção, com assistência elétrica, deixou o carro esperto para manobrar pelo trânsito caótico de Chennai, cheio de motocicletas e riquixás motorizados. Quando finalmente entramos em um trecho onde deu para acelerar mais, o Liva mostrou ser estável. Apesar de mais simples que os outros Toyota no acabamento, ele conserva a boa tradição de suspensões da marca. Produzido em um país no qual, como o Brasil, há muitos buracos no asfalto, o Liva tem suspensão reforçada e altura do solo de respeitáveis 170 mm, suficiente para que ele resista bem aos solavancos do caminho.

Acima dos 120 km/h, o ruído do motor é forte e se faz sentir alguns decibéis acima do agradável. O quatro-cilindros, com 16 válvulas, é alimentado por injeção eletrônica multiponto tradicional. Encara bem uma autoestrada, mas não esconde que sua praia predileta é o trânsito urbano.

Um trunfo que o Liva usa para ganhar um pouco mais de agilidade na hora de retomar velocidade é seu peso. A versão mais equipada tem apenas 920 kg (20 kg menos que o sedã). E tudo isso tem reflexo direto na capacidade de ser eficiente no consumo. Com gasolina indiana, pura, sem adição de etanol, a performance é bem razoável: ele bebe 18,2 km/l na estrada e 13,2 km/l na cidade, segundo avaliações do instituto ARAI, da Índia.

Nas lojas indianas, o Liva custa 421 000 rúpias, na versão de entrada, e 610 000 rúpias, na topo de linha (entre 16 000 e 23 000 reais). O Liva brasileiro custará pelo menos o dobro quando, finalmente, estiver exposto nas concessionárias daqui. Dá para ver nesse ponto que os carros dos países asiáticos podem até ser parecidos, mas o custo cobrado pela mesma mercadoria depende muito do governo que manda em cada um. Como o que está no Brasil adora uma taxação alta para sustentar suas despesas altas e ineficiência administrativa, azar o nosso que, como sempre, pagaremos mais caro.



VEREDICTO

O Liva é bem equipado para sua categoria, mas pode causar estranheza para quem espera dele o padrão de acabamento de um Corolla. Sem dúvida será uma ótima opção para quem busca um modelo da marca japonesa que caiba no bolso.





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