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Carros | Impressoes ao dirigir
TAC Stark
Julho 2009

TAC Stark

Um dos mais aguardados lançamentos do segmento fora-de-estrada no Brasil traz valentia de sobra

Por Paulo Campo Grande | Fotos: Ricardo Rollo
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Na edição 2009 do Quatro Rodas Experience, os fãs de 4x4 puderam, finalmente, conhecer um dos mais aguardados lançamentos fora-de-estrada, o TAC Stark. Apresentado de forma estática nas duas últimas edições do Salão do Automóvel de São Paulo, ele subiu e desceu rampas, venceu atoleiros e passou por terrenos acidentados, no circuito off-road montado no Autódromo de Interlagos. As três unidades mostradas no evento eram protótipos e até o início das vendas, que deve acontecer até o final do ano, o modelo ainda receberá ajustes técnicos e visuais. Mas a TAC já anunciou que seu preço vai ficar em torno de 95 000 reais, tendo como principal concorrente o Troller T4.

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Após dirigir o Stark, posso dizer que gostei do que vi. Além de valentia de sobra para acelerar no plano e transpor obstáculos, o jipe se revelou um veículo fácil de manobrar e surpreendentemente confortável. Ele não teve dificuldades para subir rampas e dispensou a reduzida para atravessar um tanque de lama. Nas curvas mais rápidas, o jipe se mantém sob controle, embora a carroceria incline bastante. Mas esse problema será resolvido com a adição de uma barra estabilizadora na suspensão, que a fábrica está providenciando.

Ainda que o acabamento interno não seja definitivo, observando-se o cockpit com instrumentos, console e porta-luvas (estes já prontos), nota-se que o conjunto foge ao padrão dos modelos de produção em pequena escala. Ele em nada lembra um “Frankenstein”, ou seja, não vampiriza partes vindas de diferentes linhas. Os componentes reconhecíveis à primeira vista são o volante, as saídas de ar e os botões no console central, da linha Fiat. Mas a fábrica ainda vai substituir componentes e materiais e reposicionar o painel para aumentar o espaço na cabine. O que mais me agradou a bordo, porém, foram a posição de dirigir, a direção leve e o comportamento confortável da suspensão. Com diâmetro de giro de 11,2 m, o Stark é tão fácil de manobrar quanto um sedã como o Vectra, por exemplo, com diâmetro de giro de 10,9 m.

O design já é conhecido. E as mudanças que virão serão pequenas, como a elevação da tampa do motor, o que vai aumentar a grade dianteira e deixar o jipe com ar mais agressivo. Serão os últimos retoques no projeto idealizado anos antes da primeira aparição.

A ideia de fazer o Stark surgiu em 2001, quando a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) lançou um programa de incentivo a projetos, com o objetivo de dar visibilidade a sua indústria de autopeças. Foi nessa época que o engenheiro Adolfo Cesar dos Santos, hoje presidente da fábrica, se juntou a quatro empresários para encarar o desafio de fazer um jipe. Nenhum dos sócios tinha experiência profissional na indústria automobilística, mas a paixão por carros é comum a todos. Santos, que é jipeiro nas horas vagas, trazia no currículo a construção artesanal de um jipe, ajudado pelo cunhado. A fonte de inspiração para esse projeto caseiro foi o carro-conceito da Ford chamado EX (veja ao lado), que até hoje não passou da fase de protótipo mas já incorporava conceitos adotados no Stark, como o chassi tubular, que pesa pouco e garante elevada rigidez, e a suspensão independente nas quatro rodas. O Stark usa estruturas do tipo duplo A, nos dois eixos, com dois amortecedores por roda.

A empresa TAC (Tecnologia Automotiva Catarinense) só nasceu formalmente em outubro de 2004. “Gastamos dois anos tentando entender o funcionamento de pequenas montadoras, estudando os erros e os acertos das iniciativas que nos antecederam desde GT Malzoni, Puma, MP Lafer e todas as outras que você imaginar, incluindo empresas constituídas nos Estados Unidos e na Europa”, afirma Santos. Os sócios chegaram à conclusão de que era necessário fazer um grande investimento no projeto, contornando o desenvolvimento empírico e a produção artesanal. Assim, o Stark nasceu rodeado de cuidados, desde a elaboração criteriosa de um plano de negócios até a utilização de tecnologia de simulação para o desenvolvimento (como modelos matemáticos, análise virtual de protótipos e elementos finitos para o dimensionamento dos componentes), passando pela escolha de fornecedores renomados. Na primeira fase de projeto, a TAC contratou empresas como Questto Design, Multicorpos Engenharia e Netz Engenharia. E a lista dos fornecedores atual inclui FPT Fiat Powertrain Technologies (motor), Eaton (caixa de transmissão), BorgWarner (caixa de transferência), Dana (transmissão), TRW (cintos de segurança) e Pirelli (pneus), entre outros.

O trabalho começou fluindo bem, mas houve momentos em que os sócios pensaram que não ia dar certo. Uma dessas ocasiões foi quando eles ainda estavam configurando o carro. O programa já estava adiantado e ainda não havia fornecedor da caixa de direção. Na última tentativa de conseguir um equipamento que atendesse aos requisitos previstos, Santos foi recebido pelo fornecedor com desconfiança: “Quero dizer que não acredito no seu projeto e que você tem 15 minutos para me convencer do contrário”, disse o executivo da empresa. Mas funcionou. Uma semana depois, o Stark já tinha sua caixa de direção.

No Salão do Automóvel de 2006, o Stark estava praticamente pronto, mas ainda parecia um sonho para seus criadores. “Não esperávamos despertar tanto interesse”, afirma Santos. Foi nessa época que a TAC iniciou o contato com a Fiat, que resultou na troca do primeiro motor do Stark, na época a gasolina, para o atual, movido a diesel, fornecido pela FPT.

A novidade obrigou a TAC a redesenhar inteiramente o carro. E a adiar o lançamento. Com a troca de motor, também a transmissão foi substituída, obrigando a mudança na localização de vários componentes.

O Stark é um jipe na essência. A carroceria é do tipo 2+2, com duas portas e porta-malas minúsculo. O vão livre é de 30 cm, no meio, e os ângulos de ataque e saída são de 49 e 44 graus. O motor 2.3 diesel, com turbo e intercooler, gera 127 cv a 3 600 rpm e 30,6 mkgf a 1 800 rpm. E a tração é integral, com opções de uso 4x2, 4x4 e 4x4 reduzida e engates mecânicos.

A unidade avaliada estava com pneus off-road, mas as que vão chegar ao mercado terão pneus de uso misto, 70% asfalto e 30% terra. Segundo Santos, cerca de 96% dos proprietários do Stark vão usá-lo no ambiente urbano e apenas 4% vão encarar a terra. Mas 100% dos clientes consideram importante ter um jipe autêntico, robusto e como todo o aparato off-road. Por isso, segundo a fábrica, a reduzida do Stark tem força suficiente para rebocar um caminhão com o freio puxado e conta com relações de marchas que permitem rodar à velocidade constante de 3 km/h, o que é um requisito para os ralis de regularidade. Durante o test-drive, me surpreendi com a força do Stark. Você já dirigiu um trator? Eu não. Mas acredito que o jipe se parece com um trator quando está com a reduzida engatada. O nome Stark, aliás, significa forte em alemão.

Para quem vai usar o jipe no dia a dia, a TAC preparou um pacote de equipamentos para tornar a vida a bordo mais agradável. A lista inclui direção hidráulica, ar-condicionado, vidros elétricos, volante com ajuste de altura e tomada 12V, entre outros itens.

O lançamento oficial do Stark acontece no mês que vem, com a entrega dos primeiros 25 veículos vendidos durante sua segunda aparição no Salão do Automóvel, em 2008. A comercialização dessas unidades foi a forma que a TAC encontrou de demonstrar que o carro sairia do papel. Demorou, mas saiu.

 

EX

O jipe-conceito da Ford tinha os painéis da carroceria removíveis feitos de alumínio e interior de material lavável. Seu motor era V6 4.0 turbointercooler de 375 cv a gasolina. Tinha ângulo de ataque de 520 e de saída de 900. 


VEREDICTO

O projeto foi feito de forma bastante criteriosa e o resultado deve agradar a quem gosta de jipes.

 





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