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Carros | Impressoes ao dirigir
Renault Symbol
Fevereiro 2009

Renault Symbol

O novo sedã tem plataforma de Clio, cara de Sandero, dimensões de Logan e equipamentos à la Megane

Por Péricles Malheiros | Fotos: Christian Castanho
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Temos de reconhecer: diante da Argentina, nem sempre somos os primeiros. Pois desta vez, entre o último Natal e o Ano Novo, nossos hermanos tiveram a primazia de conhecer o Renault Symbol, modelo que substituirá o Clio Sedan. Tivemos que nos deslocar até Buenos Aires para adiantar a novidade. Com apenas 4 421 unidades emplacadas em 2008, o Clio Sedan já apresentava visíveis sinais de exaustão – em janeiro, foram 880 registros, contra pífios 240 em dezembro.

>> CLIQUE E ASSISTA AO VÍDEO COM O RENAULT SYMBOL

Nenhum pedido de bis deverá ser ouvido, mas também não haverá motivo para choro, até porque há muito de Clio Sedan no Symbol. A começar pela plataforma, com idênticos 247 cm de entre-eixos. No comprimento, deu uma espichada: 426 contra 415 cm. Nada que tenha deixado a cabine ou o porta-malas sensivelmente maiores – este, aliás, tem volume interno de 506 litros, 4 a menos que o de seu antecessor. Mais que uma identidade da marca, o interior traz uma forte sensação de déjà-vu: forrações de porta, alavancas de comando na coluna de direção e rádio são idênticos aos que já vinham sendo utilizados. O painel, sim, é novo, com volumes e linhas discretas, mas sem ser careta. Silencioso, causou boa impressão mesmo ao trafegarmos sobre piso acidentado. Uma luz de leitura direcional – semelhante à encontrada nos aviões – dá um pouco mais de requinte para quem vai na frente. O porta-copos no console, à frente da alavanca do câmbio, não poderia ser pior: a base aquece, é apertado, disputa espaço com o cinzeiro e é de difícil acesso. O jeito é se refrescar com o eficiente ar-condicionado digital. O sistema passou por uma prova de fogo: no dia em que as fotos desta matéria foram feitas, os termômetros de Buenos Aires apontavam nada menos que 42 ºC.

No processo de ressurreição, o carro evoluiu em ergonomia: finalmente, a Renault colocou os botões dos vidros e retrovisores elétricos ao alcance das mãos do motorista, junto ao apoio de braço, na porta – bem, se insistissem na posição antiga, os porta-copos ficariam ainda piores. A versão avaliada, Luxe, é a topo-de-linha, com motor 1.6 16V a gasolina. Repetindo a estratégia adotada na dupla Logan/Sandero, virá para cá também o 1.6 8V. Ambos são fabricados em São José dos Pinhais (PR), mas o Symbol é produzido em Córdoba, na Argentina, aposentando a linha onde era feito o Clio Sedan. A principal diferença do nosso carro está na central eletrônica, que é flex. No decorrer de nossa avaliação, o Symbol mostrou-se bem parecido com o veterano que ele aposentou. No limite das curvas, tende a escapar de frente, voltando sem sustos para as mãos do motorista ao se aliviar o acelerador.

No material internacional de divulgação, a Renault afirma que teve especial atenção com o nível de ruído, aplicando materiais fonoabsorventes em várias partes da carroceria. De fato, o Symbol mostrou-se silencioso. Em frenagens mais bruscas, parou equilibrado, sem se desviar da trajetória – mérito do ABS. Apesar do ajuste de altura, o banco deixa o condutor em posição elevada, mesmo na posição mais baixa – o volante de direção só tem regulagem vertical. O vidro traseiro é bastante bolhudo, mas não o suficiente para distorcer a imagem, como ocorre no Clio hatch.


O logotipo Renault também abre o porta-malas

De trás para a frente
Durante as fotos, eis que encosta um Clio Sedan. Era o motorista argentino Miguel Angel Vila, que usa seu carro para transporte de passageiros – uma espécie de táxi clandestino, muito comum em Buenos Aires. Convidei-o a conhecer o Symbol, abrindo as portas dianteiras. Miguel nem ligou, foi direto ver o porta-malas. Depois, se acomodou no banco traseiro. “Sedã deve ser analisado de trás para a frente. Falo isso porque costumo usar a capacidade máxima do carro, com quatro passageiros e bagagem”, afirmou ao olhar para o painel (sem muita empolgação) por entre os bancos dianteiros. Dando uma volta ao redor do carro, Miguel fez cara de quem gostou. A frente, com faróis grandes, no estilo dos que equipam o Sandero, e a traseira, com a tampa do porta-malas multifacetada, agradaram, bem como as lanternas que invadem a lateral e se fundem harmoniosamente ao parachoque. No perfil, a coluna C com uma pequena área envidraçada não foi suficiente para ganhar um comentário sequer de Miguel.

Para imaginar como será a vida do Symbol no Brasil, consultamos um vendedor com seis anos de experiência vendendo Renault em São Paulo (ele só concordou em falar se preservássemos seu sobrenome). Renato explica: “Ele vem para assumir um espaço entre realidade e sonho, ou seja, Logan e Mégane. Não vamos mais ver potenciais compradores indo para a concessionária concorrente porque não gostam do design do Logan, mas também não querem, ou não podem, investir num Mégane. Há tempos, o Clio Sedan deixou de ser esse degrau entre eles”.

O maior desafio de Renato pode estar nos números. O Symbol tem só 1 cm a mais que o Logan no comprimento (426 contra 425 cm), mas perde em entre-eixos (247 contra 263) e porta-malas (506 contra 510 litros). Lógico que o desenho e o acabamento podem fazer a diferença, mas a Renault corre o risco de ter que, em breve, retirar de campo as versões 1.6 do Logan. Isso o deixaria com o papel definitivo de sedã de entrada e evitaria uma briga doméstica de preços com o caçula Symbol, que deverá fazer sua estreia custando de 36 000 a 44 000 reais. Depois do tango, o Symbol vai entrar no ritmo de samba, mas a Renault e seus revendedores daqui é que precisarão de jogo de cintura para convencer o consumidor das qualidades “emocionais” do carro, como design e equipamentos, diante do racional Logan.


O uso de cromados dá um ar de requinte ao sedã compacto

 


SYMBOL

 

36 000 reais
Preço estimado da versão básica, chegando a 44 000 reais - o que deve evitar a briga em casa com o Logan.

 


VEREDICTO

 

Infinitamente mais atual que o Clio, o Symbol não deve canibalizar vendas do Mégane. Pode atrair alguns interessados em versões top do Logan 1.6 e, claro, nos modelos da concorrência.





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