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Carros | Impressões ao dirigir
Mercedes-Benz SLS AMG Roadster
Novembro 2011

Mercedes-Benz SLS AMG Roadster

Na versão conversível, o esportivo perde a sedução das portas asas-de-gaivota, mas voa em contato com o céu

Por Fernando Valeika de Barros | fotos: Andreas Lindlahr
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TAMANHO DA LETRA  

Não é de hoje que os conversíveis especiais feitos pela Mercedes-Benz são máquinas capazes de virar a cabeça: em agosto passado, durante o leilão organizado pela casa RM, em Monterrey, Estados Unidos, um raro Mercedes 540 K Spezial, feito em 1937, foi a leilão. Preço inicial: 4 milhões de dólares. Foi arrematado por 9,68 milhões de dólares, novo recorde mundial para uma máquina adornada com o símbolo da estrela de três pontas. O último exemplar dessa estirpe, o SLS AMG Roadster, vale 252600 euros (567000 reais) na Europa. Muito menos do que a quantia desembolsada pelo clássico na Califórnia. Mas quer saber? Com 74 anos de tradição e tecnologia a seu serviço, o recém-chegado tem carisma e desempenho que podem transformá-lo num clássico do futuro.

Por trás de suas formas modernas e exuberantes, mas que resgatam alguns elementos de modelos clássicos, como o 300 SLS de 1957 (repare nas aberturas laterais e no longo capô com vincos), o novo SLS AMG exibe numerous poderosos de desempenho. Equipado com motor V8 biturbo, com 6,2 litros e 571 cv de potência, ele exibe números superlativos quando o assunto é performance. Acelera de 0 a 100 km/h em apenas 3,8 segundos e crava 317 km/h de velocidade máxima, segundo a fábrica. É uma marca frequentemente alcançada pelos alemães Michael Schumacher e Nico Rosberg durante os GPs nos carros da equipe Mercedes de F-1, mas não por muitos automóveis de série na face da Terra.

Claro que essa velocidade não pode ser atingida em uma rodovia do sul da França, onde tivemos a oportunidade de avaliá-lo. Mas ele tem mais qualidades para mostrar, a começar pelo forte urro que o motor emite à menor pressão no acelerador e pelo equilíbrio e aderência impressionantes nas curvas. "Decidimos incorporar nesse modelo um desenho de suspensão semelhante aos carros da F-1, com braço duplo", disse à QUATRO RODAS o alemão Tobias Moers, diretor-geral da AMG, a divisão da Mercedes que concebeu o novo SLS. Como nos carros de competição, os quatro freios a disco são de cerâmica e há um pacote de controles eletrônicos prontos para vigiar - e corrigir - o comportamento das rodas em caso de perda de aderência.

Em alta velocidade, na autoestrada, mesmo com a capota abaixada, dá para conversar e ouvir música, como em um automóvel normal, sem o irritante efeito do vento para atrapalhar. "Para aprimorar a aerodinâmica, esse carro foi esculpido em túnel de vento", diz Moers. As formas, que incluem o para-brisa mais inclinado e o longo capô, derivam da versão cupê, mas com duas diferenças. A primeira é a capota feita de tecido ("Para mantê-lo um peso-leve à altura do seu nome", segundo Moers). Ela pode ser baixada ou levantada em 11 segundos - e a até 50 km/h. A segunda diferença, porém, vai incomodar muita gente: no conversível, as portas abandonam o estilo asa-de-gaivota herdado dos esportivos da Mercedes dos anos 50. Assim, parte do charme do SLS cupê se perdeu nesta nova versão.

Quando o assunto é performance, porém, as duas máquinas empatam. Conversível e cupê foram equivalents nas medições feitas nos nossos testes nos autódromos de Hockenheim e Nürburgring. O que é uma proeza para o sem-teto, que é 45 kg mais pesado. Equipado com câmbio automatizado de dupla embreagem, o esportivo se mostra divertido e obediente no circuito, devido às rápidas trocas de marchas (são sete ao todo) feitas por meio das borboletas logo atrás do volante. Dependendo do gosto de quem dirige, um toque no botão no console recalibra a suspensão em três níveis: confortável, esportiva e ultraesportiva, mudando a rigidez dos amortecedores, além de alterar o mapeamento do motor. Tudo isso é ótimo em estradas. Em ruas e espaços apertados, no entanto, o que ajuda mesmo são as câmeras e sensors anticolisão, que se mostraram muito úteis para manobrar o SLS nas vagas - são 4,63 metros de comprimento e 1,93 de largura.

Por dentro, o padrão é de um típico Mercedes AMG, com couro de primeira nos bancos e no volante de base achatada e carbono, metal ou black piano no painel e outros acabamentos, além de sistema de som Bang & Olufsen (com entradas para iPod e USB) e navegador com GPS. Na versão que avaliamos, além do ar condicionado regulável para cada um dos dois passageiros do carro, foi adicionada a função Airscarf, no qual cabeça e pescoço dos ocupantes recebem jatos de ar quente quando a capote estiver aberta em dias mais frios. Entre as muitas funções do sistema multimídia, como checar pressão dos pneus ou temperatura do óleo, dá para medir aceleração de 0 a 100 km/h, o tempo de voltas em circuito e até receber e-mails ou surfar na internet. Como o raro 540 K Spezial, de 1937, em seu tempo, o SLS AMG safra 2012 é um concentrado da melhor tecnologia disponível - e também para poucos felizardos, já que ele custará no Brasil, a partir do primeiro semestre de 2012, 469 900 dólares, ou 81 400 dólares a mais que o cupê básico.


 

VEREDICTO

Charmoso, possante, luxuoso e repleto de alta tecnologia, não há como o Roadster não encantar da mesma forma que seu antepassado, o 300 SL, encantou o mundo nos anos 50.





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