
A ambição do grupo Hyundai/Kia parece não ter limites. O consórcio já alcançou um lugar entre os cinco maiores fabricantes mundiais de automóveis, as vendas vão batendo recorde atrás de recorde nos últimos anos e nem mesmo os momentos de crise em alguns dos mais importantes mercados impediram as duas marcas de crescer. E se há um setor do mercado onde é vital estar bem representado nesse cenário é o dos compactos, cuja polivalência vai do primeiro carro do estudante ao único automóvel da família. Mas nesse segmento a Kia faltava evoluir. Justamente para substituir a versão que andava ultrapassada na Europa (e nunca vendeu bem) é que surge o novo Rio, a ser lançado lá no fim de 2011 e que deve aportar em terras brasileiras em 2012, com status de compacto premium.
Além da configuração hatch de quatro portas, já existente, está estreando nesta geração uma variante mais esportiva, de duas portas. Do aspecto sem graça e ultrapassado do modelo anterior passamos para um design bem mais agressivo (assinado por Peter Schreyer, ex-designer da Audi), que ganha a nova grade da família de todos os atuais Kia e uma lateral de fortes vincos à moda do Elantra.
Outra mudança evidente se deu nas medidas: o comprimento foi esticado em quase 6 cm, todos colocados na distância entre-eixos (que ficou 7 cm maior), além de a largura também ter crescido 2,5 cm. A prioridade dada ao aumento do espaço para pernas atrás acabou limitando a ampliação do porta-malas, que tem 288 litros - apenas 18 litros mais que antes.
Dentro do cabine, percebe-se que a visibilidade não está entre os atributos do novo Rio, tanto para os ocupantes traseiros (a linha de cintura ascendente não ajuda) como para os da frente, que se sentirão muito baixos e com pouca visão para a estrada se tiverem menos de 1,70 metro. O motorista pode ajustar a altura do banco e a coluna de direção em altura e profundidade, mas vai sofrer nas balizas devido às grandes colunas traseiras - por isso é recomendável pensar em adquirir a câmara de ré, que é vendida como opcional.
O quadro de instrumentos tem aspecto clássico, mas a Kia insiste nos caracteres vermelhos na tela digital ao centro do velocímetro, o que piora a leitura e dá um visual mais barato. Os materiais do painel são quase todos rígidos - diferentemente do que ocorre com concorrentes diretos como o Polo e o New Fiesta Hatch -, mas o conjunto aparenta solidez.
A oferta de motorizações na Europa é variada (são quatro opções, além de três caixas de câmbio), mas o destaque são os dois modelos a gasolina: 1.2 de 85 cv e 1.4 de 109 cv, de quatro cilindros, ambos com ajuste variável das válvulas na admissão e no escape. Os dois motores já estão à venda no México, de onde devem vir os carros para o Brasil. A boa notícia é que a Kia garantiu que o Rio vendido por aqui já chegará flex. Percebe- se logo que são motores modernos, devido à suavidade de funcionamento e, no caso do 1.4 (que pode ter um câmbio manual de seis marchas ou automático de quatro), com resposta rápida acima de 1800 rpm. O 1.2 é mais lento e obrigará a um uso mais intensivo do relativamente suave e preciso câmbio de cinco marchas.
O acerto da suspensão - McPherson à frente e barra de torção atrás - satisfaz no geral, ainda que pudesse ser um pouco mais suave, já que o centro de gravidade do Rio não chega a representar desafios à estabilidade em curvas. Vale lembrar que os pneus quase esportivos também não ajudaram muito. Os carros avaliados no lançamento mundial, em Lisboa, tinham pneus de 195 a 205 mm de largura, em rodas aro 16 e 17, que prejudicaram um pouco o conforto, passando mais vibrações do que seria desejável.
A direção elétrica mostra-se uma pluma nas manobras em trânsito urbano, mas poderia ser um pouco mais rápida e precisa no caso do motor 1.4 a gasolina, que tem pegada mais esportiva. O pedal do freio requer ainda alguma adaptação ao uso, por ser um pouco "esponjoso", mas no geral o carro mostra-se seguro e estável nas frenagens. O que merece elogios mesmo é seu nível de segurança: desde a versão mais simples ele já conta com duplo airbag, airbags laterais, freios ABS com EBD e BAS, controle de estabilidade (ESP) e cinto de três pontos com pré-tensionamento para todos os ocupantes.
Se mantiver o nível de equipamentos de série e um preço competitivo frente aos concorrentes do mercado local (estamos falando de Volkswagen Polo, Fiat Punto e Ford New Fiesta Hatch), o Kia Rio tem tudo para fazer do Brasil sua praia no segmento dos hatches premium.
VEREDICTO
Bonito, espaçoso, bem equipado e previsto para ganhar motor flex, o Kia Rio só precisa de um preço compatível com os da concorrência para repetir o sucesso de outros coreanos no mercado brasileiro.




