Seu comparativo
TOP 10 QR
Os carros mais procurados da semana no site Quatro Rodas
  • Novo Corolla
  • Up
  • Logan
  • HB 20
  • Prisma
  • Novo Ka
  • Golf VII
  • Focus
  • Tracker
  • New Fiesta
  • | A-Z |
Newsletter
Assine a Newsletter QUATRO RODAS
PUBLICIDADE
Carros | Impressoes ao dirigir
Hyundai ix35
Outubro 2009

Hyundai ix35

Fomos até a Coreia para conhecer a nova geração do Tucson, que chega ao Brasil em 2010

Por Fernando Valeika de Barros | Fotos: Cleber Bonato
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Antes de puxarem o pano branco que cobria o Tucson ix, a nova geração apresentada no Salão de Frankfurt, na Alemanha, já havia um exemplar por aqui. Uma das raras unidades pré-série foi trazida da Coreia do Sul para São Paulo de avião. Entre transporte e eventos, o investimento bate nos 200 000 dólares. É para fazer, o quanto antes, a série de clínicas que servirá para orientar detalhes como preço e propaganda. O esforço dá a medida da importância que o Brasil passou a ter para a Hyundai e do papel que o novo modelo tem nesse plano. Nós também não esperamos o lançamento. Tomamos o avião no caminho contrário e avaliamos, na Coreia, o novo Tucson.

Aliás, Tucson não. No Brasil ele será chamado apenas de “ix35”, como na Europa. É para não confundir com o Tucson atual, que deixa de ser vendido pela Hyundai coreana mas será montado no Brasil. O nome é outro e faz sentido que seja mesmo. O alemão Thomas Bürkle, chefe de estilo da Hyundai, teve como missão sacudir o antecessor até que sobrasse pouco. “Nossa missão era clara: criar um carro nômade, capaz de encarar um mundo de contrastes”, afirma. Para chegar lá, o alemão e sua equipe trataram de transformá-lo menos em um devorador de trilhas pelo mato e mais em um carro capaz de encarar com conforto e agilidade a selva urbana. “Em vez de linhas retas e massudas, nossa resposta foi um carro com traços fluidos e que seja ao mesmo tempo mais refinado. Ele tem um desenho muito mais esportivo.”

Foi uma ruptura e tanto: sai de cena o carro em forma de caixa, entra em ação um modelo com silhueta mais curvilínea e frente mais marcante, com faróis de desenho mais moderno e uma grade hexagonal ladeada por faróis em forma de elipse e em relevo, já revelados no protótipo Genus, em 2006, e este ano no ix-onic, carro-conceito revelado no Salão de Genebra. “Esta será a nova assinatura dos modelos da nossa montadora”, diz Bürkle. Na traseira, sua caneta bolou curvas e duas largas lanternas também em forma de elipse. As rodas de liga leve de dez raios completam a cirurgia que transformou o tradicional Tucson em um modelo mais avançado. Sinal dos tempos, no estande da Hyundai no Salão de Frankfurt, flagrei vários funcionários de montadoras europeias fotografando o ix35 com seus telefones celulares. “É um sintoma de que podemos nos tornar uma referência no segmento”, disse Bürkle.

Com 4,40 m de comprimento, o ix35 cresceu 8,5 cm em relação ao Tucson. Ficou mais fácil cumprir um dos principais requisitos do projeto: melhorar o espaço para pernas e cabeças dos ocupantes. Minha cabeça ficou a pouco mais de 10 cm de roçar o teto e, mesmo quando me instalo na parte traseira, não sinto sensação de claustrofobia. Pode-se dizer que a missão foi cumprida e que dá para cinco adultos, dos grandes, se acomodarem sem aperto dentro do ix35.

Este novo Hyundai caprichou no acabamento. Seus bancos são macios, de couro. Podem ser regulados em distância, altura e ângulo de reclinagem. Combinam bem com os detalhes de plástico imitando metal no volante e no console. Sem tirar as mãos dele, consigo acionar os comandos de rádio, piloto automático e telefone celular, instalados na direção. O quadro de instrumentos, com fundo de tom azulado, foi inspirado no sedã Genesis. As portas são revestidas de couro, assim como o apoio do câmbio. O rádio fica integrado ao sistema de navegação. Há um amplo porta-trecos no console central e outros espaços para objetos nas portas. Iluminado é um bom adjetivo para descrever o ix35 por dentro. O carro tem dois e não apenas um teto solar, de modo que os passageiros instalados no banco traseiro podem acionar o seu.

Tomo contato com o ix35 na Coreia. Regulo o volante em altura e distância da coluna de direção. Assim que aciono o botão Start-Stop, arranco com ele para um restrito percurso. Logo dá para ver que se trata de um carro agradável para dirigir. Movido a diesel, com 184 cv, o motor 2 litros com 16 válvulas é silencioso, mas valente, com um torque de 40 mkgf. Acionado por câmbio automático, com seis marchas e engates progressivos, é gostoso de acelerar. Segundo dados de fábrica, arranca de 0 a 100 km/h em 7,8 s (2 décimos mais veloz que o Tucson) e é meio segundo mais rápido que o antecessor na reaceleração de 60 a 100 km/h, que realiza em 4 segundos. De quebra, consome 12,2% a menos, com média de 10 km/l.

Para ajudar quem dirige a gastar menos, há um dispositivo localizado entre o velocímetro e o contagiros, chamado ECO. Dependendo do estilo de direção, ele se ilumina de verde a vermelho em função da economia e propicia uma redução de cerca de 15%.

Seu motor é novo em folha, desenvolvido por uma equipe de 150 pessoas durante três anos e meio. Traz bossas como sistema Stop-Start, em que o motor desliga quando o carro para, durante o tempo de um sinal vermelho. Basta pisar no acelerador para que volte a funcionar. Haverá ainda uma versão diesel de 136 cv e uma a gasolina (166 cv).

Quem quiser colocá-lo nas trilhas não ficará a pé. Há bloqueio de diferencial e sistema eletrônico de ajuda para descidas, útil para caminhos enlameados e traiçoeiros. Boa distância do solo e protetor de cárter também serão de boa valia na hora de encarar caminhos mais acidentados. No asfalto, a suspensão McPherson nas rodas da frente, com braços múltiplos atrás e amortecedores a gás, tornam o ix35 confortável como um sedã. De espírito cosmopolita, para rodar na cidade ele conta com o sensor de estacionamento, útil para manobrá-lo.

E será que este carro ganhará cidadania brasileira um dia? Ao menos no curto prazo, não. Ele chegará como importado numa faixa de preço próxima à do Santa Fe (que está mudando e subirá de preço também), ao passo que o Tucson continuará a ser montado aqui enquanto a Hyundai coreana se dispuser a fabricar as peças. Mas os próprios coreanos com quem conversamos em Seul e Frankfurt deixam a porta entreaberta para um ix35 à brasileira.

Leia também:
> Nos EUA, Hyundai lança novo Tucson a US$ 19 790 



MADE IN ANÁPOLIS

 



O Tucson atual vende tanto (2621 unidades em agosto, mais que Vectra, Golf e Focus) que irá sobreviver no Brasil. A Hyundai coreana mandará itens como motor e carroceria (em regime CKD). Eles serão montados na linha da Caoa em Anápolis (GO) a partir de dezembro. Dono do grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade diz que, até o fim de 2010, o índice de nacionalização chegará a 67%. Parte do ferramental foi refeito, dando margem a retoques de estilo (rascunhos da Hyundai nunca levados adiante). Coisa leve, que não fará o Tucson atual perder valor – nem será capaz de tornar o Tucson brasileiro a última palavra em estilo. O objetivo é bater o EcoSport, e isso irá guiar a estratégia de preço e engenharia. “Qual é o motivo de o Eco vender mais que o nosso?”, diz o presidente da Caoa. “Estamos estudando o flex, mas não pode comprometer a garantia de cinco anos. Quanto ao motor 1.6, não creio que vá para a frente. Nosso carro é mais pesado. Vamos manter o 2.7 [V6], mas a quantidade vai depender da demanda.” Também depende de demanda o segundo objetivo do Tucson brasileiro: ganhar o mundo. “Pelo meu feeling, podemos fechar com América Latina e depois Europa”, diz. “Só não devemos vender na própria Ásia.” (MARCELO MOURA)

 



VEREDICTO

Tirar o “Tucson” do nome não é mero truque de marketing – o ix35 é mesmo outro carro. Se vier para cá equipado como o modelo avaliado, pode dar as cartas na briga com RAV4, Captiva e CR-V.

 





» FOTOS


Publicidade