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Carros | Impressoes ao dirigir
Fiat Strada Sporting CE 1.8
Dezembro 2009

Fiat Strada Sporting CE 1.8

A picapinha vai se multiplicando e, agora, tira onde de esportiva

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Você achou que a Strada cabine dupla, que não é espaçosa nem na caçamba nem na cabine, pudesse dar errado? Pois bem. A inusitada variação de carroceria, lançada em julho, já responde por 25% das vendas. A líder na preferência (45%) é a cabine estendida, outra aposta que a Fiat bancou sozinha. De aposta em aposta, a picape faz um sucesso estrondoso: foram 8 145 unidades no ranking mensal da Fenabrave em novembro de 2009, mais do que Montana, nova Saveiro e Courier juntas. Quase metade das vendas do Palio. Isso tudo vem à cabeça ao olhar para a Strada Sporting, que chega às lojas até o fim do ano com a previsão de vender 500 unidades por mês. A Fiat deve saber o que faz, repito para mim mesmo. Mesmo quando não parece.

>> Veja a 'nova' Strada Sporting, lançada em dezembro de 2010

A Strada tem suspensão traseira com eixo rígido e molas parabólicas, como os caminhões. É um sistema robusto, mas que não traz dirigibilidade tão boa. O movimento em uma roda afeta mais diretamente o da outra e há menos condições de ajuste de dureza ao longo do curso da mola, comparado ao sistema de barra de torção e molas helicoidais usado por Saveiro e Montana. Nas versões de trabalho, Fire e Working, a mola parabólica é ideal. Nas aventureiras, Trekking e Adventure, é adequada. Mas numa versão esportiva? Bom, os muscle-cars americanos usavam...

E assim descobrimos um padrinho espiritual para a Strada Sporting: o Dodge Charger. Volante grande, suspensão não muito refinada e força bruta. Não temos V8, longe disso, mas o motor 1.8 Família I é o melhor em sua faixa de mercado no quesito pegada: o torque máximo de 18,5 mkgf é maior que o do Civic de 140 cv, e aparece mais cedo, a 2 800 giros. O mapeamento de injeção eletrônica é igual ao do Palio 1.8R, e isso garante 1 cv a mais em relação à Strada Trekking que serviu de base para o desenvolvimento. De verdade, a maior diferença do “motor esportivo” é a capa de plástico vermelho. De câmbio curto e carroceria leve, a Strada Sporting arranca cavando o asfalto. Faz o corpo balançar – um pouco pelo coice, outro tanto pela falta de apoio. Temos cintos de segurança vermelhos e tecido aerado, mas, por baixo dos panos, é um Palio. Bancos altos, fofos e pouco envolventes.

Travado
Nem há muito tempo para apreciar o novo grafismo do painel, o ponteiro do conta-giros bate logo no limite, pedindo marcha. A alavanca do câmbio é comprida, o pomo é grande e o engate é claro. Perco velocidade à toa, mas isso ajuda a aumentar o coice do motor com a entrada da segunda marcha. A Strada tem pegada. Mas as marchas vão entrando: terceira, quarta, ainda há bastante reta pela frente e o motor já se deu por satisfeito. Este 1.8 8V empolga na saída, mas perde o gás pouco depois. Tem 115 cv, nada de muito especial.

Mas depois da reta vem uma curva fechada. Que bom. A Fiat apresentou o modelo num circuitinho travado, e é esse o melhor cenário para a Strada Sporting: diversão de baixa e média velocidades. Você joga a direção para desequilibrar a carroceria e depois vem acelerando torto na curva. No asfalto liso, não há sustos. Comparada à Trekking, a carroceria ficou 15 mm mais baixa e a suspensão, que já era firme, foi endurecida em 10%. É muita ambição querer equilíbrio de esportivo num carro preparado para andar de caçamba cheia ou vazia, mas, para diminuir a diferença entre as duas condições extremas (e poder usar os pneus de passeio), a Fiat baixou o limite de carga de 685 para 500 kg. A distribuição de massas nem é tão desequilibrada (60% do peso fica sobre o eixo dianteiro, como num hatch), mas convém pedir os freios ABS, opcionais. Controles de tração e estabilidade seriam bem-vindos, mas isso ela não tem.

A Fiat não fechou preços para a Strada Sporting, mas diz que ficará entre as versões Trekking 1.8 (hoje a 36 980 reais) e Adventure Locker (44 850 reais), todas com cabine estendida. O rádio é opcional, mas ela vem equipada com ar, direção, vidros, travas, computador de bordo e protetor de caçamba. Além, claro, da indumentária esportiva: rodas de liga leve (inclusive no estepe), volante de couro com ajuste de altura e faróis de cara preta. Essa cor amarelo Indianápolis (assim como o vermelho Modena) veio do Palio 1.8 R, do qual a Strada Sporting aproveita quase tudo.

O kit “aerodinâmico” é exclusivo dessa picape. Exclusivo mesmo: é quase uma maquete do modelo definitivo, com falhas de encaixe nas peças e respingos de pintura típicos de um modelo que ainda é présérie. Embora seja atraente como está, minha Strada Sporting passaria por um banho de loja antes de ficar pronta. Trocaria as rodas pelas de aro 17 do Stilo Blackmotion, com pneus 215/50. Tentaria usar bancos e volante do Punto. Compraria um console superior da Strada Adventure e trocaria a bússola e os inclinômetros por três reloginhos Autometer.

 



VEREDICTO

Não espere arrojo da versão Sporting. Apesar de brava, a Strada é, por projeto, um carro avesso a esportividades. Mas é divertida e chamativa, sem grandes investimentos.

 





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