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Carros | Impressoes ao dirigir
Daewoo Lacetti
Janeiro 2009

Daewoo Lacetti

Fomos até o outro lado do mundo para andar naquele que pode ser o sucessor do Vectra

Por Marcelo Moura, de Seul, Coréia do Sul | Fotos: Cleber Bonato
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Convido o leitor a assistir à prova de abertura do WTCC, o campeonato mundial de carros de turismo, marcada para 8 de março, no Autódromo de Curitiba (PR). Você não gosta de corridas? Melhor ainda. Desligado da luta de posições, vai sobrar mais tempo para prestar atenção no Chevrolet Cruze, que vai estrear nas mãos dos pilotos Nicola Larini, Rob Huff e Alain Menu. Aliás, você não será o único por ali com segundas intenções. Para a General Motors, o importante não é (apenas) competir. É dar ao mundo a primeira impressão do sedã no qual ela aposta sua sobrevivência. O Cruze será vendido em mais de 130 países, em todos os continentes, com fabricação nos Estados Unidos (em 2010), Rússia (2009) e... no Brasil. A linha de montagem de São José dos Campos (SP) passará por uma reforma estimada em 500 milhões de dólares, para começar a produção na virada do ano. No autódromo de Curitiba e nas concessionárias da Europa, a corrida de recuperação da Chevrolet começa em março. Mas os carros já começaram a nascer na linha de montagem da Daewoo, na Coreia do Sul, com o nome Lacetti Premiere.

É nele que a gente faz nossa volta de apresentação. Pessoalmente, o Lacetti (ou o Cruze, o que muda é basicamente a grade dianteira) é maior do que nas fotos. Não sei se vocês também tiveram essa impressão na primeira vez que viram o Renault Sandero, mas o motivo é semelhante. É que o sedã é grande para todos os lados. O capô é mais alto que o normal, para atender às novas exigências europeias e americanas de segurança ao pedestre, e por razões de estilo. Em alguns ângulos, fica com cara de monstro raivoso de desenho japonês. Em outros (como esses, captados pelo fotógrafo Cleber Bonato), fica muito bonito.

Com vincos e arcos de paralama bem definidos, a carroceria parece um tecido repuxado, como se fosse um carro de manequim G usando roupas tamanho M – o que, em alguns pontos, não deixa de ser verdade. O bom gosto em detalhes como o encontro dos faróis dianteiros com os piscas, ou a continuidade entre a curva do teto e as lanternas traseiras, é coisa de gente grande. O resultado saboroso disfarça o fato de que o Lacetti foi preparado com ingredientes baratos. Apesar de bonitos, os faróis usam parábola simples – e lembrar que nosso Astra usa ótimos projetores de bloco elíptico desde 2003...

Criar um estilo interessante sem estourar o orçamento é coisa típica de países emergentes, e foi isso que aconteceu. Na divisão internacional de tarefas para o projeto GMX071, a Daewoo entrou com o design (logo os coreanos, que até poucos meses atrás só faziam carros feios) e os alemães da Opel entraram com a mecânica.

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Questão de espaço O Lacetti usa uma variação da plataforma Delta, do Astra europeu – que, por sua vez, é evolução da plataforma T, usada pelos nossos Vectra e Zafira. Ou seja, a Chevrolet brasileira não terá muito trabalho para apresentar o Lacetti (com o nome que ele tiver) como legítimo sucessor do Vectra. Os dois têm realmente o mesmo sangue. De ponta a ponta, o Daewoo tem 460 centímetros, 2 a menos que o Vectra. Nenhum problema nisso, ainda assim ele é maior que Honda Civic e Toyota Corolla. O Lacetti cresceu em relação ao Vectra onde era mais desejável, na largura (em 6centímetros) e na altura (4 centímetros). Ficou mais proporcional? Sim. Mais espaçoso? Também. Os bancos dianteiros do Lacetti são mais afastados um do outro, bem melhor que no Vectra. Mas talvez você nem repare isso, encantado que estará com o visual da cabine. Talvez com os aros cromados do quadro de instrumentos ou com a luz azulesverdeada. Quem sabe com o revestimento que vem das portas e continua na parte de cima do painel.

Na Coreia, são cinco cores à disposição: couro sintético cinza-escuro (este) ou marrom-avermelhado (o mais bacana), ou então tecido cinza-claro, cinza-escuro ou azul. Repare também na parte preta do painel. Ela parece borracha macia, com aparência convidativa e superfície nada brilhosa. Mas não, é plástico duro mesmo, apenas tiveram cuidado extra na fabricação. Os painéis do Civic e do C4 Pallas também impressionam, mas para isso eles lançam mão de radicalismos – e, portanto, ficam marcados como modelos jovens. Você não gostaria de encontrar o painel desses dois em carros da categoria de cima. Já o painel do Lacetti... Se o Fusion não tem um vistoso assim, azar o da Ford.

Nem precisavam pôr aquelas saídas de ventilação redondas no painel, para lembrar que esse sedã foi criado pela turma que fez o Captiva, o melhor Chevrolet à venda em nossas concessionárias. A facilidade de usar os comandos do Lacetti é típica de carro americano. Para cada função, existe um botão grande (em vez de você precisar apertar determinada tecla por 5 segundos, numa certa sequência ou combinada a outras três). Os comandos do rádio, do computador de bordo e do ar-condicionado são agrupados separadamente. Não imagine que, para isso, a Daewoo comprometeu a beleza.

Nem pense que a simplicidade dos botões significa falta de conteúdo. Não mesmo. Essa versão completa CDX tem disqueteira para seis CDs, arcondicionado digital com sistema AQS (que não permite a entrada de ar externo, se estiver poluído), retrovisores com rebatimento elétrico, acendimento automático de faróis e sensores de estacionamento.

Existe um botão start-stop à direita do volante mas, ao contrário do que ocorre no Mégane, ele está ali para facilitar. No Lacetti, você abre portas e liga o motor sem tirar a chave-canivete do bolso. Pecados alemães Na parte Daewoo da coisa, o Lacetti é excelente. Quem não vai tão bem é a parte Opel, que trata de motores, estrutura e chassi.

A plataforma requentada do Astra europeu atrapalha o aproveitamento de espaço. O Lacetti não tem o piso plano (presente em Civic e Corolla), que traz conforto para os pés do quinto passageiro, e a alavanca de freio de mão é toda errada. Ela começa muito para trás, limitando o tamanho do apoio de braço dianteiro. Como precisa chegar até a mão do motorista, ela é longa, matando pela metade o espaço que existe entre os bancos. O Lacetti pode-ria ter porta-objetos tão generosos quanto os do Civic, mas não tem. Por falar em coisas que o Civic tem e o Lacetti não, você viu borboletas de troca de marcha atrás do volante? Não? Pois é. O destaque na mecânica do Lacetti vai para o câmbio automático de seis marchas (fora o Civic, que tem cinco velocidades, nossos sedãs médios estacionaram nas quatro). Foi graças às seis marchas que eu consegui ir de 0 a 100 km/h em cerca de 12 segundos, uma marca à altura dos concorrentes brasileiros.

Enquanto a GM não lança o motor 2.0 turbodiesel de 150 cv (agora em janeiro, na Coreia), o 1.8 16V de 140 cv (que será oferecido na Europa, em março) e o 1.4 16V turbo de 140 cv (para o mercado americano, em 2010), o Lacetti faz o que pode com um 1.6 16V, velho conhecido nosso. Com 114 cv, ele é fraco para os 1 560 kg da carroceria. Em velocidade de cruzeiro, tudo vai muito bem. A 100 km/h, a longa sexta marcha mantém o giro em mansos 1 800 rpm. Mas pense em fazer qualquer coisa(ultrapassar ou subir uma ladeira suave, que seja) e o ponteiro do conta-giros não baixa da casa dos 3 000 rpm. Deixa esse motor para lá, dificilmente será adotado no carro brasileiro. Fico feliz de saber que a caixa de marchas tira desempenho de onde nem se esperava (com o motor 1.8, deve fazer maravilhas). E que, no modo sequencial, ela corta o giro mas não muda de marcha, fica esperando você mandar. Isso é bom, para quem quer andar no limite (e, para quem não quiser, tem a posição Drive).

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Bom de buraco A suspensão usa barra de torção atrás, em lugar da multilink do Astra europeu (olha o baixo custo...). É a receita do nosso Vectra, mas gostei mais do acerto do Lacetti. Com pneus perfil 50, o Daewoo anda tão pregado ao chão quanto nosso Vectra Elite, mas parece mais preparado para passar por buracos. Precisar, parece que não precisa. Pelo menos as estradas de Incheon, cidade vizinha a Seul, são um tapete. O que eu nãoentendi é por que um carro bem acertado de suspensão, como esse, deixa passar tanta vibração para as mãos do motorista. Aliás, não gostei da direção hidráulica. E, em manobras com o carro parado, ela às vezes repuxa o volante. O meu Monza também faz isso, mas ele já é um senhor de 20 anos, com direito adquirido de fazer certas teimosias.

Trocaria o conjunto do Lacetti por uma caixa de assistência elétrica, de funcionamento mais constante, e que fosse tão leve na cidade quanto a do Corolla. Mas acho que também não preciso me preocupar com essas reclamações. A Chevrolet brasileira sabe ajustar isso e ainda tem vários meses pela frente, antes do lançamento. Você também tem, aproveite para tirar proveito. Se em 2008 você foi um dos muitos que pediram um Captiva de Natal e ficou na fila de espera (teve ágio, mesmo com o mercado em crise), em 2009 vai dar para conhecer já em março, no Autódromo de Curitiba, uma bela pedida para o Papai Noel.


LACETTI
US$ 13 600

É o preço da versão top CDX na Coreia. O básico SE, com câmbio manual e roda de aço, custa 8 900 dólares.


RENOVAÇÃO
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No Cruze de corrida, a carroceria azul, cortada por faixas brancas, segue o padrão que os carros feitos nos EUA usavam nas primeiras corridas. Além de mostrá-lo como um esportivo, afi rma que ele é um legítimo americano. Mas as faixas são assimétricas e quebradas. Assim, dentro da tradição, ele é a renovação.


RIGOR
[09]
Para o Daewoo Lacetti se transformar em Chevrolet Cruze, basta trocar de grade e colocar gravata. É assim que ele vai aparecer nas lojas europeias, em março.


ZAFIRA
[10]
A Zafi ra do Cruze estreou em Paris, em outubro, com o nome Orlando. Como o Cruze, tem a ambição de unir os povos. Possui a racionalidade que os europeus (e nós) tanto apreciam na Zafi ra, com sete lugares moduláveis e comedimento nas dimensões e no consumo. E tem estilo mais agressivo, algo que os americanos buscam nos SUVs.


ESTILO
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Decidida a criar um carro mundial (coisa que não fazia desde os anos 80, com o Monza), a General Motors escolheu como inspiração um ícone igualmente admirado por europeus e americanos: o Corvette. Dele vieram sugestões como o capô visualmente plano e rebaixado, no centro, com ombros vincados sobre os paralamas, e a ideia de que o cofre do motor deve ter o dobro do comprimento do porta-malas. Talvez algumas referências tenham se diluído a ponto de passar despercebidas, como os quatro refletores redondos na lanterna traseira. Mas, no painel, a releitura deu muito certo: os apliques de tecido colorido desenham dois arcos simétricos, para motorista e passageiro, que começam nas portas e terminam no console central.


VEREDICTO
Fora o comando de válvulas e o câmbio automático, tecnicamente é um carro que olha para os lados ou para trás. É um sedã de baixo custo, muito distante do Insignia (sucessor do Vectra europeu). Mas é espaçoso, bonito e bem empenhado em parecer especial.





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