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Carros | Impressoes ao dirigir
Nissan GT-R
Junho 2008

Nissan GT-R

Depois de transformado em cult pelo game Gran Turismo e pelo cinema, o GT-R se apresenta ao mundo real na quinta geração e mostra que não está para brincadeira

Por Paulo Campo Grande, de Cascais, Portugal | Fotos: Marco de Bari
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O Nissan GT-R é uma lenda entre os superesportivos. Mas a maioria das pessoas que já fizeram o depósito para reservar um exemplar de sua mais nova versão nunca deve ter visto um GT-R de perto. O carro, que está na quinta geração, sempre foi um produto local, fabricado e vendido apenas no Japão. E só ficou conhecido mundialmente depois de aparecer em um jogo eletrônico, o Gran Turismo, da Playstation. Dos consoles para a tela foi um pulo, e o GT-R estreou no cinema em filmes como Velozes e Furiosos. Mas a própria Nissan reconhece que foi o game, com mais de 48 milhões de cópias vendidas no mundo, que popularizou o carro.

O GT-R começa a ser vendido este mês, nos Estados Unidos, com preços a partir de 69 850 dólares, e já tem toda a produção deste ano encomendada, segundo a fábrica. Em 2009, ele estréia na Europa, onde no mês passado, o primeiro na coleta de pedidos, já foram registrados 1500 compradores efetivos (o que é muito para o segmento dos esportivos). Por aqui, o GT-R só deve desembarcar em 2010 com preço que estaria na mesma faixa de um Porsche Boxster 2.7 ou seja, 240 000 reais (ou cerca de 50 000 reais mais caro que um 350Z).

A inclusão do GT-R como estrela do videogame não foi por acaso. A Sony, dona da Playstation, escolheu esse esportivo em razão do sucesso dele nas pistas de corrida do Japão. O GT-R já era herói das histórias em quadrinhos, antes de se tornar lenda digital.

A quinta geração do GT-R reafirma a tradição de alta performance, mas apresenta generosas doses de conforto, uma vez que agora terá carreira internacional. Segundo a Nissan, sua intenção foi fazer um carro para ser dirigido a qualquer momento, em qualquer lugar e por qualquer pessoa.

Em nosso test-drive, feito no Autódromo do Estoril, em Portugal, nós até notamos que o novo GT-R tem acabamento primoroso, como um modelo de luxo, e porta-malas de hatch compacto, com capacidade para 310 litros de bagagem. Mas, em um primeiro momento, o que mais nos chamou a atenção foi mesmo a aptidão esportiva. Seu lado agressivo se impõe no design com a grande entrada de ar, na dianteira, e as linhas angulosas da carroceria. Segundo o vice-presidente de design da Nissan, Shiro Nakamura, o objetivo do design foi esse mesmo, transmitir a idéia de um carro de alto desempenho capaz de atingir os 310 km/h de velocidade e de acelerar de 0 a 100 km/h em 3,5 segundos.

No interior, os bancos tipo concha, o desenho do volante e o painel envolvente criam o clima da velocidade. Na parte superior do console, há uma tela que traduz tudo o que acontece com o carro. O display desenvolvido com a ajuda do pessoal da parceira Sony mostra informações que vão da temperatura do óleo até a indicação da força g sobre o carro e da quantidade de torque distribuído para as rodas.

O mais impressionante do GT-R fica escondido, porém. O motor V6 3.8 biturbo gera 480 cv de potência a 6 800 rpm. E, assim como os Mercedes AMG, ele é montado manualmente por um engenheiro da fábrica da Nissan, em Yokohama, no Japão, em uma sala livre de pó e com temperatura controlada. O GT-R é construído sobre uma nova plataforma em que o motor vai instalado na posição central-dianteira e a transmissão (câmbio e diferencial), na traseira. Essa disposição permitiu distribuir melhor o peso do carro, para trás e para baixo, e liberou espaço para as pernas do motorista e do passageiro, na dianteira. A carroceria é feita de fibra de carbono, na dianteira, alumínio, na parte central, e aço, nos painéis da plataforma. De acordo com o engenheiro-chefe, Kazutoshi Mizuno, que nos apresentou o carro no Estoril, essa colcha de retalhos foi a melhor forma de encontrar a rigidez e o amortecimento ideais para o chassi. O resultado foi superior ao que se poderia conseguir com uma carroceria feita de um único material, diz.

Nossa primeira volta no circuito português foi no banco do passageiro, com o chefe dos pilotos da fábrica, Tochio Suzuki, ao volante. Dias antes, ele mesmo batera o recorde do GT-R na pista alemã de Nürburgring, com o tempo de 7 minutos e 29 segundos, consagrando o GT-R como o carro de produção em série mais rápido da atualidade. Suzuki conta que o GT-R nasceu no Japão, mas foi criado na Alemanha, em Nürburgring, onde passou a maior parte do tempo de seu desenvolvimento. Questiono a razão para a escolha daquele circuito. A resposta foi que a pista virou referência para as fábricas por ser um percurso de estrada transformado em autódromo que tem o traçado e os desníveis considerados ideais para o estudo do comportamento de um carro.

Terminada a sessão com Mr. Suzuki, chegou nossa vez de assumir o volante. Mas não ficamos a sós. Ao nosso lado, veio o piloto Pedro Moleiro, português que disputa provas de Turismo. Ao contrário do que pensei, ele não estava ali para frear meus ânimos, e sim para me dar dicas de como conduzir na pista até então desconhecida. Moleiro dava informações sobre os pontos de frenagem, as marchas mais adequadas para cada trecho e os momentos em que eu poderia pisar fundo. Gás a fundo, a fundo, dizia.

O GT-R é um carro que recebe bem os motoristas. A posição de dirigir é típica de esportivo (baixa e alinhada com os pedais e com o volante), mas há conforto na cabine para quem adota um estilo de dirigir mais relaxado. Os instrumentos são de fácil leitura e os comandos são encontrados de forma intuitiva pelo motorista. Depois que a adrenalina de pilotar no autódromo já estava mais baixa, pude explorar os recursos a bordo (com o som Bose) e entender por que a Nissan fala que o GT-R pode ser dirigido por qualquer pessoa, em qualquer tempo e lugar. O câmbio seqüencial de seis marchas pode ser usado no modo manual ou automático; a suspensão (duplo A na frente e multilink atrás) conta com três tipos de calibragem (Comfort, Normal e R); e o controle de estabilidade (VDC-R) pode funcionar em três níveis de assistência. No modo Normal, o controle é total. Todos os sistemas eletrônicos de chassi, como o ABS e o controle de tração, garantem a segurança atuando sobre motor e freios. Na opção R, a intervenção, se necessária, ocorre apenas na distribuição do torque para as rodas, através do sistema de tração nas quatro rodas. E no modo Off (desligado) o motorista fica apenas com o auxílio do ABS.

Com os sistemas ajustados nos padrões Comfort e Normal, o GT-R é um carro rápido, mas dócil, podendo ser dirigido no trânsito de uma cidade grande sem cansar o motorista. O motor se torna silencioso, as trocas de marcha ocorrem de maneira suave e em rotações baixas e a suspensão se comporta como a de um carro de passeio. No modo R, o GT-R fica arisco, o giro do motor cresce, as trocas de marcha ocorrem em tempos menores e a suspensão enrijece. Como no game, o GT-R se transforma em um carro de corrida, que pode ser levado ao extremo da dirigibilidade. Só que, nesse caso, o pára-brisa à frente não é uma tela de TV. É bom se lembrar disso para se sair bem no jogo em que a vida imita a arte.


MULTI-MÍDIA


Estrela dos videogames, o GT-R também faz sucesso no cinema, em sites e em revistas de história em quadrinhos. Por isso sua fama correu mundo, sem que ele saísse do Japão.


GT-R - R$ 240 000
Este é um valor estimado, tendo como referência o preço nos Estados Unidos.

VEREDICTO
Ele tem design bonito e original, refinamento técnico e anda feito um foguete. Precisa dizer mais?





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