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Carros | Impressoes ao dirigir
Tropical F-Maxx
Março 2008

Tropical F-Maxx

A picape montada sobre chassi de caminhão, e que pesa o equivalente a sete Mille, é de parar o trânsito

Por MARCELO MOURA | FOTOS MARCO DE BARI
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Quem vê primeiro são homens de 40 anos. Executivos que estão de passagem pelo calçadão, indo almoçar. Esticam o olhar, mas seguem andando. Depois são os rapazes de 20, estudantes e auxiliares de escritório sem tanta pressa naquela quinta-feira. Esses param. Sacam o telefone do bolso e começam a fotografar de longe. Estudos dizem que Curitiba é apenas a oitava capital do país em celulares per capita, mas começo a ter minhas dúvidas. Todos na cidade parecem ter um aparelhinho com câmera. "Preciso dar uns oito passos para trás para enquadrar esse carro!", diz um rapaz de camisa listrada e calça jeans, tentando abrir espaço naquilo que virou um burburinho de umas 30 pessoas. Agora, que estão perto, já conseguem enxergar através do vidro fumê e ver que tem alguém no banco do motorista. Um rapaz com fone de ouvido branco pede para eu baixar a janela. "Esse dá para usar na Guerra do Iraque, né?" Talvez. Um senhor de boina xadrez abre a porta do carona. "Bom dia. Eu sou italiano. Quanto custa?" Trezentos e cinqüenta mil reais do jeito que está: com três tetos solares, quatro telas de DVD embutidas nos apoios de cabeça... Olho para trás, a fim de mostrar a geladeira no console central, e percebo que não preciso apresentar mais nada. Uma senhora e dois meninos experimentam a terceira fileira de bancos por conta própria. Na descida, o garoto pisa no acabamento cromado que fica entre os degraus. "Presta atenção, tem um adesivo dizendo que é para não pisar", diz uma moça nova, enquanto vai abrindo a porta do meio para entrar também. Lá fora, já são mais de 100 curiosos - uns para ver o carro, outros para ver o que é capaz de juntar tanta gente na rua das Flores, no centro da cidade. Seguranças dentro do carro-forte encostam suas câmeras na janela, para conseguir fotografar através do vidro blindado. O homem com óculos de lentes amarelas pede ajuda para sair da cadeira de rodas e subir no carro. Uma freira de vestimenta cinza passa 12 minutos assistindo àquele culto, em respeitosa distância.

Uma Ferrari F40 chamaria mais atenção? Se você estiver olhando quando ela passar, sim. A diferença é que a Tropical F-Maxx invade seu campo de visão. Com 7,50 metros de comprimento, é 95 centímetros mais longa que a americana International 7 300 CXT, registrada no Guinness Book como a maior picape fabricada em série no mundo. Mas a F-Maxx é feita apenas sob encomenda (a Tropical Cabines, do Paraná, promete entregar em 90 dias) e não é exatamente uma picape. A base é um F-12 000, caminhão de médio porte que a Ford tirou de linha em 2005. Dele, ficam o pára-brisa, as portas dianteiras, pára-brisa e chassi. A carroceria de fibra de vidro é como a usada nas transformações de F-250, mas virou cabine tripla para preencher os 5,95 metros de distância entre eixos. A caçamba, também de F-250, foi alongada em 30 centímetros e alargada com pára-lamas salientes. A frente ganhou a grade e o pára-choque da F-650 americana (fonte de inspiração da F-Maxx) e faróis de Dodge RAM. Não bastasse o tamanho, a cara dela intimida. Parece um pitbull gigante.

A F-Maxx em Curitiba virou assunto na rádio e no jornal, além de cenário para a repórter da TV. A picape tem o dom de transformar seu motorista num Romário em dia de milésimo gol. Mas não é um show car, apesar dos adesivos e da pintura metálica que, conforme a luz, muda de azul para verde. É bem construída, sem improvisos, e está à venda como se fosse um carro de passeio. Se é assim, assim vamos usar.

Você não demora a entender por que o carro tem, pendurados no pára-brisa, dois sistemas de navegação por GPS funcionando ao mesmo tempo. Acertar o caminho é importante, numa picape que não pode esbarrar em nada - porque ela não raspa nem encosta, simplesmente esmaga. É um elefante numa loja de cristais. Surpreendentemente, o diâmetro de giro é de razoáveis 15 metros (uma Hilux dá meia-volta em 12,4 metros). Aonde um carro comum vai, ela vai também - até no drive-thru do McDonald's. Quem manobrou nessa hora foi o representante da Tropical, que tinha mais intimidade com o carro e, afinal, era quem pagaria o prejuízo. É necessário desligar o motor para entender a moça que anota o pedido e esticar bastante o braço para alcançar o McLanche. De um guichê ao outro, levamos 17 minutos. Uns dez foram para atender aos pedidos de fotografia.

A carroceria nem sempre cabe na faixa da pista e a caixa de direção com esferas recirculantes não tem folga - tem férias. Mas o tamanho que atrapalha é o mesmo que ajuda. Se você tiver medo de esmagar um colega de trânsito, lembre que os outros motoristas sentirão verdadeiro pânico. No fim, qualquer avenida brasileira ganha um ar sueco de civilidade. Só fui fechado uma vez, por uma SpaceFox. O que nos leva à segunda parte desse impressões ao dirigir: freios.

A F-Maxx nasce de um F-12 000 e é apegada às origens... O freio foi projetado para brecar o caminhão carregado, então acaba segurando com motivação excessiva a picape de "só" 5 600 quilos, o equivalente a sete Fiat Mille. O pedal vira um botão de ligadesliga, mas quem já dirigiu Palio se acostuma. É gostoso bombar o freio para ouvir o suspiro, enquanto espera o sinal abrir. Não importa o visual de carrinho Matchbox ou os bancos de couro, você está guiando um caminhão de mudança.

O normal é arrancar em segunda marcha, mas a rigor ela só não sai direito em quinta. A primeira e as cinco reduzidas tiraram a sorte grande e não vão trabalhar para o resto da vida. A embreagem nem é tão pesada, lembra um Santana, mas cansa porque você troca de marcha a cada 20 km/h. O motor Cummins seis-cilindros é ajustado para o trabalho, e entrega potência máxima a meros 2 600 giros.

Dificuldade de manobrar na cidade, embreagem pesada, freio temperamental... Nada muito diferente do que você enfrentaria se escolhesse curtir a vida adoidado numa Ferrari F40, sendo que na F-Maxx você leva seis amigos (antigos ou arrumados na hora). Falta prazer ao dirigir? Sem dúvida, mas sobram outros prazeres. E pequenas economias, como pagar um tíquete de estacionamento e usar duas vagas.


A MAIORAL


A 7300 CXT faz o Hummer H1 parecer ecológico. Ela pode puxar 20 toneladas, mas só leva quatro pessoas e tem consumo de 3 km/l. De óleo diesel. Na estrada. É considerada pelo Guinness Book a maior picape por ser feita em série e poder ser dirigida com habilitação comum. Comum?!


F-MAXX - R$ 350 000
É o preço do Ford F-12 000 (que saiu de linha, só existe usado) equipado e transformado como a das fotos

VEREDICTO
É mais dócil do que parece, mas não dá para criar em apartamento - é animal grande, precisa de espaço. Como carro dos outros, sensacional.





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