SEU COMPARATIVO
CLASSIFICADOS
A


GUIAS ONLINE
RUAS »
RODOVIÁRIO »
Carros | Impressoes ao dirigir
Nissan Qashqai
Janeiro 2008

Nissan Qashqai

Previsto para chegar ao Brasil neste ano, o Nissan Qashqai quer conquistar fãs de jipes urbanos, mas não abre mão de clientes de Golf e Focus

Por FERNANDO VALEIKA DE BARROS, de Paris | FOTOS CLEBER BONATO
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Carro com nome esquisito e dono de um teto panorâmico de vidro e contornos de jipe urbano, o Qashqai (pronuncia-se Cach-Cai) nasceu com um desafio e tanto. Montado sobre a plataforma do Renault Mégane europeu (geração mais nova que a brasileira) e com estilo concebido no Centro de Design da Nissan na Inglaterra, ele é uma das principais armas para turbinar as vendas da montadora japonesa, que andavam em compasso morno na Europa.

Batizado com o nome de uma tribo nômade dos montes Zagros, no sudoeste do Irã, o Qashqai nasceu já cheio de responsabilidades: substituir de uma só vez o Almera (sedã e hatch), o sedã Primera e a minivan Tino, todos aposentados com sua chegada, e vender mais que os três juntos. Fazendo jus ao espírito irrequieto do antigo povo das montanhas, o objetivo do novo modelo é ser eficiente para a vida na cidade, confortável para viagens e valente nas estradas de terra. A Nissan quer, assim, transformá-lo em uma das principais estrelas de um segmento que não pára de crescer, o dos crossovers, veículos que mesclam o comportamento e o tamanho de um automóvel com a robustez e o estilo dos utilitários esportivos.

Seu porte e valentia para terrenos acidentados fazem dele um potencial concorrente para offroads compactos, como Toyota RAV-4 ou Suzuki Grand Vitara. Mas o conforto interno, o comportamento no asfalto e o bom nível de equipamentos o trazem para um ringue em que há carros urbanos, alguns campeões de venda, como o VW Golf e o Ford Focus. O novo Nissan deverá chegar ao Brasil no fim de 2008, produzido na fábrica de São José dos Pinhais (PR), com o mesmo objetivo de alavancar as vendas da marca no país. Por isso, fomos conhecê-lo de perto na França, num itinerário de 250 quilômetros pelos arredores de Paris, combinando rodovias, trânsito urbano e trilhas leves.

Filtro solar na cabeça
Visto por fora, o Qashqai parece uma versão compacta e mais moderna do Murano, montado na base do Maxima e vendido por aqui. Do lado de dentro é impossível não reparar no amplo teto envidraçado, revestido de filtro solar que bloqueia os nocivos raios UV. Achou iluminado demais? É só acionar eletronicamente o forro retrátil.

Outro destaque interno é o volante, com um bonito apoio de alumínio no centro. Sem precisar tirar as mãos, dá para acionar volume e sintonia do rádio, o telefone e o piloto automático. Um toque tecnológico é dado na hora da partida, feita sem a chave. Com um cartão com chip no bolso, as portas são destravadas automaticamente e o motor é acionado por um botão. Somado ao ar-condicionado e ao CD player de série, dá para afirmar que no que sito equipamentos esse Nissan agrada de imediato.

Além da posição de dirigir mais alta, ele herda das minivans a praticidade do interior, com diversos espaços para guardar objetos. No avantajado portaluvas de 14 litros cabem 15 latinhas de refrigerante, o console central tem espaço para oito CDs e há uma gaveta de 4 litros sob o banco do passageiro.

Os plásticos do painel são de boa qualidade, assim como os revestimentos, mas deixam uma dúvida no ar: será que eles não se transformarão em uma sinfonia barulhenta depois alguns meses na buraqueira das ruas brasileiras? Outra pedra no caminho do Qashqai é o preço que se paga por sua versatilidade. Na Europa, os quatro pneus Bridgestone Dueler que o equipam custam o equivalente a 1 500 euros, nada menos que 3 900 reais.

Esse crossover tem um espaço entreeixos generoso, de 2,63 metros, e carrega com todo conforto quatro passageiros mais espaço suficiente para um quinto um pouco mais apertado. Mesmo quem viaja no banco traseiro acomoda bem as pernas e mantém a cabeça afastada do teto. Para o motorista, há a vantagem de poder regular o volante em altura e profundidade. O porta-malas carrega 410 litros de bagagem, podendo subir para 1 500 litros ao se rebater o banco traseiro.

Para dar a partida no Qashqai, com o cartão eletrônico já no meu bolso, girei um pequeno seletor que fica no mesmo lugar da chave tradicional. Logo se ouvem os 140 cv do motor 2.0, o mais potente da família a gasolina. Há também uma versão 1.6 de 115 cv e duas a diesel, que não estarão disponíveis para os brasileiros. Na Europa pode-se escolher também o câmbio, um manual de seis marchas e outro CVT, continuamente variável. Há ainda a opção de tração nas duas rodas dianteiras ou nas quatro.

Pior que o EcoSport
Mesmo nessa versão 4x2, com câmbio manual, o modelo enfrentou estradas de terra ou trilhas mais leves sem passar nenhum sufoco durante nosso test-drive. Mas não espere demais dele no ambiente off-road, onde perderia até para um Ford EcoSport. O Qashqai tem 20 centímetros de altura do solo, ângulo de ataque de 19 graus e ângulo de saída de 30 graus - um Eco tem 22, 29 e 32, respectivamente. Mas, comparado com alguns 4x4 equivalentes, ele não faz feio na hora de acelerar. Segundo a Nissan, ele vai de 0 a 100 km/h em 10,1 segundos, melhor que o Toyota RAV4 (10,5 segundos) e o Honda CR-V (10,2). Mas é quase 1 segundo mais lento que o Golf alemão e o Focus, ambos com motorização equivalente. Seu consumo médio de 12,2 km/l de gasolina, ainda segundo a Nissan, também está longe de deixá-lo como referência no consumo quando comparado aos outros dois hatches, que são em média 15% mais econômicos.

O Qashqai mostrou uma direção com assistência elétrica firme e precisa no asfalto se comparado aos fora-de-estrada com que pretende disputar mercado, porém é menos agradável e ágil que seus concorrentes do segmento hatchback. No entanto, pesa a seu favor o câmbio manual fácil de manejar e a suspensão que reagiu bem a terrenos tão diferentes quanto asfalto úmido ou trechos de terra. A versão avaliada tinha ainda um acessório útil para um veículo desse tipo. Quando se engata a ré, uma câmera projeta imagens da traseira numa tela no meio do painel. Um alarme sonoro e visual ajuda a evitar aquelas batidinhas tão comuns e chatas durante uma baliza.

Ainda é cedo para afirmar que esse nômade será um sucesso de vendas, mas ele tem qualidades para conquistar consumidores com temperamento inquieto, que ora buscam o conforto para andar nas cidades, ora querem se aventurar fora do asfalto.


VEREDICTO

Um opção de estilo marcante para quem quer andar bem na cidade sem passar vergonha na terra.





» FOTOS


Publicidade