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Alfa Romeo 159 e Spider
Dezembro 2007

Alfa Romeo 159 e Spider

Independência sulina: Grupo gaúcho passa a importar os Alfa Romeo, marca abandonada pela Fiat no Brasil

Por Paulo Campo Grande | fotos: Marco de Bari
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Depois de um longo tempo sem dar a devida atenção à marca, a Fiat vê agora seus carros serem vendidos por um importador independente. Um grupo de empresários e fãs da marca italiana resolveu arregaçar as mangas e trazer eles próprios os Alfa Romeo.

A empresa Cia. Zaluski, de Porto Alegre (RS), importa os Alfa da Argentina, graças a um acordo que fechou com a filial da Alfa Romeo daquele país. Os modelos mostrados aqui, o sedã 159 e o Spider, foram os primeiros a chegar. E, até o fim deste mês, a importadora deve receber outros, como o hatch 147 e o cupê Brera. "A idéia é oferecer a linha toda", afirma o diretor de engenharia Mario Guglielmi. O 159 está à venda por 168 000 reais e o Spider, por 198 000 reais, ambos com o mesmo motor 2.2 de quatro cilindros, câmbio manual e pacotes completos de equipamentos, o que inclui sistema de som Bose, ar-condicionado, airbags para os joelhos e sistemas de segurança com ABS e ESP.

Apesar das semelhanças visuais na dianteira, Alfa 159 e Alfa Spider possuem plataformas distintas e foram desenhados por mãos diferentes. O 159 saiu do estúdio Giugiaro e o Spider é uma criação do Pininfarina (embora o conversível seja derivado do cupê Brera, que também nasceu nas pranchetas do designer Giorgetto Giugiaro). O Centro Stile Alfa Romeo participou dos projetos na concepção dos interiores das cabines, que ficaram muito parecidos. As premissas da marca foram seguidas à risca, como atesta o posicionamento dos comandos e dos instrumentos, voltados para o motorista. As diferenças entre os dois carros se limitam, basicamente, ao grafismo dos instrumentos, às cores do revestimento e ao formato dos bancos.

Nós dirigimos os dois modelos no mesmo dia. O test-drive foi no autódromo de Tarumã, em Viamão, na Grande Porto Alegre, um local que não poderia ser mais apropriado para uma marca de sangue quente. Pudemos sentir o cuore sportivo pulsar nos 3 016 metros de pista, com nove curvas, no sentido anti-horário. Ficou bem clara a opção dos italianos pela esportividade.

Mesma cartilha
O 159, apesar de ser um sedã de luxo, insinua uma tocada mais agressiva. Ele tem acabamento esmerado e bancos de couro confortáveis e roda com suavidade. Mas há uma certa dose de cumplicidade na suspensão que permite que o motorista entenda exatamente o que está ocorrendo entre o carro e a estrada. O motorista não esquece que está a bordo de um sedã, mas sente-se à vontade para acelerar e se divertir como se estivesse ao volante de um esportivo. O primeiro sedã de luxo que me vem à mente como objeto de comparação com o 159 é o BMW Série 3, embora o DNA desse modelo alemão seja diferente. Seu design é sóbrio, a manufatura, precisa e a construção, sólida.

O Spider segue a cartilha do 159, no que diz respeito ao acabamento de luxo - uma evolução, se lembrarmos os Spider dos anos 60 e 70, nos quais a simplicidade era uma das características. O conversível também incorpora os mesmos sistemas de direção, suspensão, freios e parte elétrica do sedã. Mas seu comportamento é ainda mais esportivo. Em primeiro lugar porque todos os sistemas foram recalibrados, para deixá-lo mais firme. Ao contrário do sedã, o Spider é um carro de lazer 24 horas por dia. Ele também é menor, tem entreeixos mais curto, o que o torna mais rápido nas manobras. E as rodas e pneus são diferentes: 215/55 R16, no 159, e 225/50 R17, no Spider. Dessa forma, o conversível, apesar de confortável, é um carro para ser dirigido com mais disposição e abertura para as sensações de conduzir um veículo. A ausência da capota (ainda que a de lona esteja fechada) transforma completamente o carro e a percepção do ambiente por parte do motorista. A carroceria, apesar de não contar com a estrutura do teto, tem elevada rigidez, o que torna o carro mais confortável e obediente.

O sistema de direção dos Alfa é hidráulico, com relação de 12,7:1 e duas voltas e um quarto entre batentes. Os freios são a disco, nas quatro rodas. E a suspensão é o que a Alfa chama de "quadrilátero alto" (um duplo A, com apoios laterais e transversais, quando o "normal" seria ter somente apoios laterais), na dianteira, e multilink, na traseira.

Os fãs da Alfa Romeo com certeza já ouviram falar do motor 2.2 JTS. Ele tem, entre outros atributos, cabeçote multiválvulas de alumínio, coletores de admissão variáveis e duplo comando de válvulas variável, na admissão e no escape (doppio variatore). Gera 185 cv de potência de 23,4 mkgf de torque. Mas sua fama, principalmente entre nós brasileiros, se deve a seu sistema de injeção direta de combustível, o qual não convive bem com a elevada quantidade de enxofre que existe em nossa gasolina. Tanto que os poucos Alfa 147 que vieram para o Brasil, em 2005 e 2006, foram equipados com um motor mais antigo, o Twin Spark, com injeção eletrônica nos coletores. A Volkswagen e a Audi, que comercializam motores desse tipo no Brasil, fizeram mudanças no sistema de alimentação. No caso do Passat, a injeção perdeu uma função (na dosagem do combustível). Os Alfa trazidos agora, pelo importador independente, não passaram por adaptações. Mas, segundo o engenheiro Mario Guglielmi, não haverá problemas desde que o proprietário do veículo use gasolina Podium, da Petrobras. Essa gasolina tem uma concentração reduzida de enxofre - menos de 30 ppm (partes por milhão), contra as cerca de 700 ppm de enxofre encontradas nas gasolinas comum e aditivada.

Outra dificuldade que os compradores poderão enfrentar será a manutenção. Guglielmi afirma que está recebendo todo o equipamento necessário para a preparação dos carros que chegam e também para a posterior manutenção. Mas, em um primeiro momento, essa estrutura só vai existir em Porto Alegre. "Estamos estudando como atender os clientes de outros lugares", diz o engenheiro, que reconhece a importância dessa assistência pós-venda. Enquanto isso não acontece, se necessário, o proprietário de um Alfa, em outras cidades, terá que recorrer a oficinas multimarcas, que é o que todo dono de um carro trazido por importadores independentes faz. De qualquer modo, os fãs da Alfa Romeo já não estão mais na saudade.


O NOME


Os primeiros conversíveis feitos pela Alfa Romeo eram carros de competição identificados por números que passaram a ser conhecidos como "speeder" (velocista), nos Estados Unidos. Os italianos, porém, ouviam "spider", e assim o nome foi adotado pela fábrica.





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