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Carros | Impressoes ao dirigir
Renault Sandero Privilège 1.6 16V
Dezembro 2007

Renault Sandero Privilège 1.6 16V

À francesa com molho picante: O Sandero não repete vidros, lataria nem maçanetas do Logan. Só os retrovisores

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Um carro nasce na escolha de tamanho e posição de rodas e pára-brisa. Isso praticamente decide o espaço interno, as dimensões da carroceria e a proposta do modelo. Pois o Renault Sandero tem argumentos técnicos para dizer que é muito mais que um Logan de traseira encolhida: seu pára-brisa é mais inclinado e o entreeixos, 4 centímetros menor. O retrovisor esquerdo do Sandero é o direito montado ao contrário, como no sedã, mas o resto - vidros, lanternas, faróis, lataria e pára-choques - é diferente. O discurso também. Enquanto o Logan é carro para casados, o Sandero quer seduzir quem aparecer na rua.

Para entender a diferença, o departamento de marketing da Renault criou dois personagens com nome e fotografia. O Logan é feito para o João Henrique, um homem de 45 anos sem nível universitário. Tem três filhos (de 3, 4 e 12 anos) e sua esposa é dona-de-casa. No fim de semana, pega filme na locadora. Só na concessionária ele encontraria o Paulo Freitas, um rapaz de 33 anos que assiste a filmes no cinema e também vai ao teatro. Vai com a namorada - que é quase noiva, algo que ele tenta evitar. Enquanto o João pode ser de qualquer lugar, o Paulo mora necessariamente em Moema, bairro jovem e emergente de São Paulo. Comprou o apartamento com o dinheiro que ganha na empresa, uma multinacional. "Passamos os últimos meses jantando em Moema para entender esse cliente", diz Bruno Hohmann, gerente de marketing da Renault.

Cebola com molho
O Sandero aposenta o Clio 1.6. É menor que o Logan e tem as mesmas versões (1.0 16V, 1.6 8V e essa 1.6 16V), mas vai ficar ligeiramente acima na tabela de preços (o sedã vai de 28 590 a 40990 reais). Achou caro? O quilo de cebola custa 1,50 real no supermercado, mas as pessoas pagam 20,50 reais pelo Blooming Onion prato feito de uma cebola comum devidamente empanada, aberta em forma de flor e acompanhada de molho picante. Só indo jantar no Outback de Moema, em São Paulo, para entender.

O Sandero é um Logan com molho picante. A carroceria ganhou dobras e vincos com a única de função de desenhar a carroceria com reflexos conforme bate a luz. Dobras perto da grade alongam o desenho dos faróis. Outras duas em V, perto do pára-brisa, sugerem um ressalto de capô e, nas laterais, temos uma versão de baixo custo do estilo BMW. É parte da brincadeira nem todas as formas aparecerem ao mesmo tempo, por isso convido o leitor a ver o carro de perto. Ao vivo, ele fica mais agressivo e imponente. Não achei lindo, mas muita gente se rendeu a ele. E que desperta curiosidade, não tenha dúvida.

Além de ser um jeito de aumentar a margem de lucro, a pimenta é importante na receita do sucesso do Sandero. "Mostramos à matriz que o Brasil é diferente de China, Romênia ou África do Sul. Aqui, beleza é fundamental", afirma Cássio Pagliarini, diretor de marketing. No começo do projeto, em 2002, uma leva de franceses da matriz veio ao nosso Salão do Automóvel entender o mercado. "As novidades eram Fiesta, Corsa e Fox, carros simples mas com desenho sofisticado", diz Hohmann. Por causa do estilo, o Sandero tem entreeixos de 2,59 metros, 4 centímetros mais curto que o do Logan, diferente dos outros carros derivados da plataforma do Clio europeu. "Perdemos ganho de escala, mas ficou mais bonito", diz Pagliarini.

Bandeja suja
O Sandero foi desenvolvido na França e será vendido na Europa, mas teve a América do Sul como prioridade. Isso explica a escolha do nome Sandero, palavra que parece espanhol mas, na verdade, não tem significado (diferente de sendero, que significa trilha). Como sul-americanos, nós da redação agradecemos a deferência. Mas achamos o nome Sandero feio. Proponho uma troca: vocês mantêm a tradição francesa no batismo (sempre gostamos de Clio, Scénic e Mégane) e a eliminam para sempre no jeito de guardar o estepe. Ao contrário dos franceses, brasileiro odeia a bandeja por baixo do carro. Tirar a roda por ali é demorado (um perigo, em estradas ermas) e estraga o carro (porque a ferramenta bate na lataria quando você gira o parafuso para baixar ou subir a bandeja). O estepe estará certamente imundo, provavelmente vazio (pois é difícil calibrar) e talvez não esteja (porque alguém roubou). E está para nascer o suporte que não faça barulho. Por que não seguiram o exemplo do Logan, nome francês e estepe dentro do porta-malas?

Em motores, freios, parte elétrica, refrigeração (e garantia de três anos), a mecânica do Sandero é igual à do sedã. A suspensão traseira mudou para não mudar, com molas recalibradas para repetir o comportamento do Logan, 23 centímetros mais longo e 55 quilos mais pesado. Tão parecido que o hatch nem rodou tanto em testes de durabilidade. "Não foram centenas de quilômetros, como é de costume", diz Pagliarini. "Apenas o suficiente para testar vedação de carroceria e confirmar os resultados encontrados nos testes de simulação virtual." A mecânica é a mesma, mas o entreeixos menor é suficiente para dar alguma agressividade ao Sandero. Você mexe o volante e ele responde mais rapidamente. Coisa pouca. A sensação de estar num Logan com molho virá, mesmo, na decoração do interior.

O painel do Sandero tem um aplique de plástico cinza-claro que forma um largo sorriso. Mais arredondado que no Logan, o aplique prateado no console central avança sobre as saídas de ventilação. Um olhar atento mostra que a prancha do painel é nova - lisa na parte de cima, onde o sedã tem um degrau. A cobertura dos instrumentos também perdeu os vincos. Os relógios são brancos, com aros cromados, e o painel de porta dianteiro ganhou um puxador em forma de travessa (na porta de trás e na versão mais barata do Sandero, continua aquele buraco desconfortável de encaixar os dedos, usado no sedã). As mudanças não tiram a sensação de estar num Logan. Mas trazem sabor, e isso faz diferença.

E o Sandero lembra o Logan no que ele tem de melhor: espaço interno. As fotos de divulgação com fundo neutro, sem nenhuma referência em volta, fazem o Sandero parecer um carro pequeno, como o Celta. A proporção entre as formas é mais ou menos essa, mas o Sandero é como um Celta gigante, com comprimento de Peugeot 206 SW, altura de Fox, entreeixos de Stilo e largura de Golf. Você precisa ver ao lado de outros carros - de preferência, de seus concorrentes diretos.





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