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Carros | Impressoes ao dirigir
Fiat Linea
Julho 2007

Fiat Linea

De volta ao front: O Linea, que chega no fim do ano, tem a missão de recuperar o terreno que a Fiat já teve nos tempos do Tempra no combativo território dos sedãs

Por Fernando Valeika de Barros, de Istambul | Fotos: Cleber Bonato
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Até o começo dos anos 90, a Fiat foi a grande concorrente da GM e da Volkswagen no Brasil quando o assunto eram os sedãs médios. Antes que o mercado para os importados fosse aberto por aqui, ela chegou a abocanhar uma boa fatia das vendas com o Tempra, que caiu no gosto dos consumidores. Seu sucessor, o Marea nacional, praticamente idêntico ao italiano, não chegou a ter o mesmo carisma, numa época em que a fábrica concentrava suas forças em segmentos inferiores.

Montado sobre a base do Grande Punto, o Linea é um compacto premium que acaba de ser lançado na Turquia.Sessenta mil modelos com esse nome deverão ser produzidos por ano na linha de montagem que a Fiat mantém naquele país com sua parceira local, a Tofas, em versões de motor e acabamento que custam entre 14 000 e 20 500 euros. Cerca de 25 000 desses veículos deverão ser exportados para outros países da Europa e Norte da África, como a Espanha, a Alemanha e o Marrocos. Nos próximos meses, ele será lançado em outros países emergentes onde sedãs dessa categoria são apreciados pelos consumidores locais. São mercados de grande volume como a Índia (onde o carro será montado em associação entre a Fiat e a indiana Tata), a Rússia, a China e o Brasil, aonde chegará ainda este ano montado em Minas Gerais.

Nosso Linea terá linhas idênticas às do modelo turco, porém mais sofisticação. E entrará na disputa com um objetivo ambicioso: conquistar cerca de 13% desse concorrido segmento. Para saber quanto vale a mais nova atração, fizemos uma avaliação no trânsito caótico de Istambul e em um itinerário de 800 quilômetros de estrada, combinando trechos de auto-estrada e rodovias mais sinuosas.

Os estilistas que o conceberam no Centro Stilo Fiat repetiram no Linea fórmulas que deram certo em outros campeões de venda, como o novo Bravo e o Grande Punto, que foi desenhado em conjunto com a Italdesign (leia-se com a preciosa ajuda do mestre Giorgetto Giugiaro). Os três têm belos e arrojados faróis com contornos que lembram os das esportivas Maserati e dão uma identidade visual ao trio.

Outra característica de estilo que o Linea herdou é o longo pára-brisa dianteiro e o capô inclinado e com vincos, que igualmente lhe conferem um ar mais moderno e arrojado. Também incorporou uma grade frontal opulenta. É impossível não bater os olhos nela sem lembrar os Audi da última safra. No Linea, a traseira é mais conservadora que no modelo hatch, como convém a um três-volumes, mas não antiquada.

Ele é espaçoso, com seus 4,56 metros de comprimento - 2,60 de entreeixos -, 1,73 metro de largura e 1,5 metro de altura. Na prática, significa que carrega cinco passageiros sem apertos para pernas e cabeças. No porta-malas de 500 litros cabe um bocado de bagagem (mais ainda se o encosto for rebatido).

Sem recorrer a materiais luxuosos, o painel causa boa impressão. Os instrumentos, sob fundo cinza-claro, e o console feito de plástico, imitando alumínio, fazem boa figura. Nessa versão de acabamento os bancos são regulados manualmente e revestidos de tecido claro. Mas o Linea brasileiro terá mais sofisticação no interior, como contorno cromado nos marcadores de velocidade e conta-giros. Isso não quer dizer que o carro turco seja um "pé-de-boi". A versão que avaliamos tinha de série CD player com comandos no volante (e com leitor de MP3), direção assistida eletricamente, vidros elétricos e ar-condicionado regulável ao gosto do condutor e do acompanhante.

Pelas ruas de Istambul, deu logo para perceber virtudes na direção elétrica: o carro foi ágil para driblar o trânsito conturbado da cidade e leve na hora da baliza. Nesse momento, há a ajuda dos sensores de estacionamento no pára-choque traseiro. Também tem acionamento automático dos limpadores em caso de chuva. Um dos poucos pontos fracos foi a falta de mais vigor. Na auto-estrada, os 90 cv do motor 1.3 turbodiesel tiveram um rendimento correto, mas sem brilhar. Capaz de acelerar a uma velocidade máxima de 170 km/h, este Fiat foi ótimo no quesito economia (25 quilômetros com 1 litro de combustível na estrada), mas preguiçoso quando o assunto foram o arranque de 0 a 100 km/h (13,8 segundos) e as retomadas de velocidade. Agora uma boa notícia: está confirmado que o Linea brasileiro será bem mais potente. Por aqui ele terá um novo motor 1,9 litro de 130 cv e flex. Também é certo que, como opção ao câmbio manual de cinco marchas (que tem engates fáceis), haverá o câmbio automático. Especula-se que será produzida uma versão de entrada com o 1.8 de 112 cv do Idea. Todos deverão ter acelerador by-wire, em que a conexão a partir do pedal é feita eletronicamente.

Seu temperamento deverá ser semelhante ao do carro que avaliamos em Istambul: mais para o macio que para a rigidez dos modelos esportivos. O alvo da Fiat para recuperar mercado, afinal, são clientes em busca de um carro espaçoso e bem equipado e que querem conforto ao dirigir. Em nossas mãos, o carro revelou boa estabilidade, mesmo nas estradas mais sinuosas no caminho do mar Negro. Os freios, a disco nas rodas dianteiras e a tambor nas traseiras, transmitem firmeza. Ele sai de fábrica com ABS, repartidores e dispositivos eletrônicos que tentam corrigir a trajetória nas derrapagens. Também vem com airbags frontais e laterais e cortinas de proteção.

O Linea chega ao mercado em um ótimo momento para a Fiat. Pela primeira vez, em seis anos, o balanço da montadora ficou no azul na Europa. No início de abril, a empresa anunciou um lucro de 1,2 bilhão de euros em 2006 e foi a mais bem-sucedida entre as fabricantes de automóvel no continente. Vendeu quase 2 milhões de veículos nos países europeus, um crescimento de 17% sobre 2005. O cenário também é róseo no Brasil, onde ela se mantém na liderança, e - o melhor - trabalha a pleno vapor para atender aos pedidos. Para dar espaço ao Linea, parte da produção do Siena foi até transferida para a Argentina. Nos próximos meses deverão chegar mais novidades, como o Grande Punto e, no começo de 2008, também uma nova picape produzida em parceria com a indiana Tata, mas que terá desenho externo diferenciado.

Ao fim de 800 quilômetros, o Linea mostrou mais virtudes que defeitos. Foi ágil para rodar pelo trânsito traiçoeiro de Istambul e confortável nos longos trechos de estrada. Os equipamentos que tem, mais o novo motor com 130 cv e o acabamento ainda mais sofisticado que terá no Brasil, serão bons argumentos para ele entrar num ringue em condições de disputar compradores com seus fortes concorrentes. Será mais uma ótima opção para os consumidores em um seg mento que não pára de ter novidades.


LINEA - 14 000 euros
É o preço básico do sedã na Turquia. Por aqui ele entrará no lugar do Marea, que hoje começa em 44 750 reais.

Ficha técnica

Motor: diesel, dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, com injeção direta e turbo com geometria variável e intercooler
Diâmetro x curso: 69,6 x 82,0 mm
Cilindrada: 1 248 cm3
Taxa de compressão: 17,6:1
Potência: 90 cv a 4 000 rpm
Torque: 20,4 mkgf a 1 750 rpm
Carroceria: sedã, 5 portas, 5 ocupantes
Câmbio: manual de 5 marchas
Tanque: 45 litros
Peso: 1 185 kg
Peso/potência: 13,1 kg/cv
Suspensão: Dianteira: rodas independentes, tipo McPherson com barra estabilizadora e amortecedores. Traseira: rodas semiindependentes com braços oscilantes tipo "borboleta" e amortecedores
Dimensões: comprimento, 456 cm; largura, 173 cm; altura, 149 cm; entreeixos, 260 cm; porta-malas: 500 l
Rodas e pneus: liga leve, 185/65 R15

Veredicto
A suspensão macia, o bom espaço e o design moderno podem fazer pela marca o trabalho que o Marea não conseguiu.





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