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Carros | Impressoes ao dirigir
Ford Fiesta 1.6 Trend
Fevereiro 2007

Ford Fiesta 1.6 Trend

Troca de olhares: Os faróis entregam o que o Fiesta tem de novo por fora, mas não revelam o que se passa por dentro

Por Marcelo Moura | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

O Fiesta Street tinha quatro saídas de ventilação diferentes uma da outra. Não havia ganho de escala, mas eram charmosas. O volante pequeno e encorpado combinava com o ótimo acerto de suspensão e freios - bom de curva como ele, nessa faixa, só o irmão Ka. Os verbos estão no passado porque ele saiu de linha em junho, sem anúncio formal. Não deixou saudades na Ford. O Street era ótimo, mas o público não chegava a saber. Suas duas gerações (conhecidas como Tristonho e Gatinho) eram como a Bridget Jones do filme: como era feinha, ninguém convidava para sair. Sem a primeira aproximação, não descobriam como ela era divertida e amável, mais que a maioria das outras.

Em 2002 veio o novo Fiesta hatch. Não fazia curvas como o Street mas, ainda assim, era melhor que a concorrência. Tinha mais espaço que o anterior - e como era bonito. Desde então, ele foi capaz de seduzir cerca de 275000 pessoas. Algumas reprovaram o padrão de acabamento (que não honrava o antecessor), mas não a ponto de pôr fim à relação. Nos últimos quatro anos, o rostinho bonito foi aprimorando seus pontos fracos. A Ford, que cogitava arrumar as malas para deixar o país, virou exemplo de sucesso. E aprendeu que nos dias de hoje, antes de aprender culinária marroquina, precisa cuidar da forma física. É o que está fazendo agora.

O Fiesta achou que estava com uns quilinhos a mais (Onde? Para nós, continua com tudo em cima) e partiu para o bisturi. Ficou com a nova cara da marca, apresentada em 2005 pelo carro-conceito Iosis. Sai o estilo "New Edge", de arcos e quinas (o Focus é sua melhor tradução), e entra o "Kinetic". "É como se o carro estivesse se mexendo, mesmo parado", diz João Marcos Ramos, gerente de design da Ford. O que se move, na verdade, são seus olhos: da grade para o refletor do farol mais ao centro, deste para o refletor seguinte, dali para o pisca e do pisca ao vinco do capô. "É um encadeamento de formas que não existia no modelo anterior", diz Ramos. É ver para crer. E não digam que o Fiesta só pensa em beleza: ele ganhou autonomia (ao aumentar o tanque de combustível de 45 para 54 litros), silêncio (com a nova forração acústica) e segurança (ao adotar faróis de dupla parábola, que iluminam mais).

Se você quer aprender o que é o Kinetic, a linha Fiesta não será a melhor apostila. Espere pelo sucessor do Ka, este sim um desenho que partiu do zero. O novo Fiesta é como a Catedral da Sé de Lisboa, que é meio barroca, meio gótica, de acordo com quem a construiu ao longo de dois séculos. Na frente mudaram faróis, pára-choque, grade, capô e pára-lamas. Tirando isso, o sedã continua fiel ao New Edge. "Podíamos ser mais radicais ao aplicar os conceitos do Kinetic na dianteira, mas queríamos manter o equilíbrio com as formas da traseira", afirma Ramos.

O Fiesta hatch pelo menos trocou o pára-choque de trás. Um ressalto na parte de baixo, semelhante ao de modelos aventureiros, sugere robustez. Pára-choque e material absorvedor de impacto viraram peças separadas, de modo que, se uma estragar, não precisa trocar as duas. As lanternas continuam no alto da coluna, a salvo de pequenas batidas, mas em novo estilo. Tomara que o plástico dessas não deforme como o do modelo anterior (pode reparar: a régua que divide as luzes de ré e pisca é horizontal, mas vai abaulando com o tempo). O redesenho é o segundo trabalho do renascido centro de estilo da Ford no Brasil (o primeiro foi o Fiesta Sedan) e distancia o nosso carro do europeu, que ainda não mudou.

Evolução interior
Dentro, fico com a definição do colega Paulo Campo Grande: "parece um rádio mini-system". Formas saltadas, cortes angulosos, a cor (quase) preta com detalhes prata. Como no Mégane, velocímetro e conta-giros (de série em todas as versões) moram em casas separadas. O time de design da Ford gostou tanto dos novos ponteiros que pôs mais dois no painel, para temperatura do motor e nível de combustível. Segundo a empresa, os relógios analógicos são mais fáceis de ler. Dissera o mesmo, em 2002, a favor dos mostradores digitais.

Na parte de cima do painel, o plástico ficou mais escuro e ganhou nova textura, que sugere mais suavidade ao toque (apenas sugere, o material é o mesmo). Na metade de baixo, as versões de luxo adotam a cor cinza-claro, indicação de requinte também usada por Clio e Palio. O forro do teto foi escurecido, para resistir melhor à sujeira. Um porta-objetos nasceu no alto do painel e aquele à esquerda do volante ganhou ranhuras, para perder o aspecto descuidado. Não se compara aos porta-objetos do Polo, com tapetinhos de borracha - trata-se de um carro mais caro -, mas um dia o Fiesta chega lá. Num ponto, já chegou.

O leitor precisa ir à concessionária experimentar as novas saídas de ventilação. São de plástico bem cortado, com encaixe perfeito. Gire o aro prateado, para apontar o difusor em outra direção, e sinta o deslizar suave da peça. Sério: ela pertence a um nível de acabamento inédito nos carros da fábrica de Camaçari (BA), digno do finado modelo Street, o A plástica não tirou espaço do cofre do motor que nos deixa otimistas.

Quem sabe um dia o controle remoto não passa a vir integrado à chave, como no Street? Ele continua um penduricalho a batucar na coluna de direção. Também sonhamos com apoio para o pé esquerdo.

O ajuste de altura do volante já chegou ao modelo de exportação e virá para o nosso em pouco tempo, mas o resto não muda tão cedo. Fora as unidades pré-série, como as da reportagem, o Fiesta de cara nova será registrado como modelo 2008. Adiantar o ano ajuda a diferenciar do carro antigo e dá valor de revenda ao Fiesta, na comparação com os C3, Clio e Corsa, ainda modelo 2007. A Ford sabe que tempo, assim como beleza, significa dinheiro.


QUEM VÊ CARA... JÁ VIU TUDO

Eis a nova dianteira do Fiesta Sedan. Cabine e tanque de combustível são iguais aos do novo hatch. A traseira não mudou, é aquela que você conhece desde 2004. "Como a idéia era renovar a família inteira sem investir tanto, concentramos nossa atenção na frente", diz Lucíola Almeida, gerente de produto da Ford. Ela não fala em dinheiro mas afirma que, nos padrões da empresa, a renovação da linha Fiesta foi uma "reforma média", numa escala de pequena, média, grande e completa.


Ficha técnica

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 8V, álcool/gasolina, injeção multiponto
Cilindrada: 1 598 cm3
Diâmetro x curso: 82,1 x 75,5 mm
Taxa de compressão: 12,3:1
Potência: 111/105 cv a 5 500 rpm
Potência específica: 68,8/ 65,7 cv/l
Torque: 15,8/14,8 mkgf a 4 200 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Carroceria: hatchback, 4 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 390 cm; largura, 176 cm; altura, 149 cm; entreeixos, 249 cm
Peso: 1 100 kg
Peso/potência: 9,9/10,5 kg/cv
Peso/torque: 69,6/74,3 kg/mkgf
Volumes: porta-malas, 305 litros; combustível, 54 litros
Suspensão: Dianteira: McPherson, com barra estabilizadora. Traseira: barra de torção, com barra estabilizadora
Freios: disco ventilado na dianteira, tambor na traseira
Direção: pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Pneus: 175/65, aro 14
Principais equipamentos de série: ar-condicionado

Preço: R$ 48 930 - O hatch vai de 29 990 (1.0 básico) a 48 930 reais (1.6 Trend) e o sedã, de 31 880 a 50 670 reais

Veredicto
Tudo muito bom, mas vale esperar um mês para conhecer o resultado de outra plástica: a do Palio.





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