
O acabamento se mostrou superior à minha expectativa. Os bancos são revestidos por um veludo que me fez lembrar o Ford Escort Ghia. Se você não é dessa época, repare nas fotos e veja como eles parecem confortáveis e de boa qualidade. E são. O mesmo tecido foi aplicado nas laterais das portas. O painel de duas cores também agradou, tanto pelos materiais quanto pela confecção e encaixe das peças. A única reprovação vai para o volante, feito de plástico duro. As colunas da cabine têm revestimento plástico até o teto e no porta-malas há plástico nas laterais.
A chave, com comando de abertura de portas à distância, é igual à do Gol. Até o esforço para girá-la no contato é o mesmo. A posição de dirigir é boa e a área envidraçada permite enxergar bem. Quando o motor começa a trabalhar, é fácil perceber sua aspereza e a carência de isolamento acústico. É pisar no acelerador para ouvir o som da transmissão chegando à cabine. O câmbio tem engates metálicos. Tanto para quem ouve quanto para quem aciona a alavanca.
Com 880 quilos, o QQ pega bom impulso no plano. Nas subidas, seu fôlego mostra os limites do motor de pouco mais de 1 litro. Ainda mais se o arcondicionado estiver ligado. Segundo a fábrica, ele acelera de 0 a 100 km/h em 20 segundos. Para o consumo, a Chery divulga a média de 20 km/l, em velocidade constante de 90 km/h. Nada mau. Como no tanque cabem 20 litros, a autonomia é de 400 quilômetros.
A direção hidráulica torna fáceis as manobras. O QQ mede 3,55 metros de comprimento. E os freios - com discos na frente e tambores atrás - cumprem bem sua tarefa, sem demonstrar cansaço. A suspensão poderia ser mais macia. Com estrutura McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, a suspensão do QQ é sensível às irregularidades do piso e reverbera cada emenda do asfalto para volante, bancos e pedais. Em uma viagem mais longa, esses tremores devem cansar o motorista. Os pneus estreitos não ajudam no conforto. Mas, se fossem mais largos, prejudicariam o desempenho. O QQ tem pneus 155/65 R13, na frente, e 165/65 R13, atrás.
Pelo que entrega, o QQ é um carro interessante para usar no dia-a-dia, como condução, e tem chance de sucesso no Brasil, principalmente se custar tão barato quanto um Fiat Uno.
CHERY
A empresa nasceu em 1997, fazendo autopeças. Em 1999, conseguiu licença da Seat para produzir o Toledo na China. A produção só começou em 2001, depois da associação à Shangai (parceira chinesa da VW). Hoje, ela tem uma linha ampla de veículos. Em 2005, segundo o site da empresa, vendeu 189 000 carros, sendo 10% para a exportação.
Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 1 051 cm3
Potência: 52 cv a 5 200 rpm
Torque: 8,5 mkgf a 3 000 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Suspensão: Dianteira: tipo McPherson. Traseira: eixo de torção
Direção: pinhão e cremalheira
Freios: hidráulicos, disco na frente e tambor atrás
Dimensões: comprimento, 355 cm; largura, 151 cm; altura, 149 cm; entreeixos, 235 cm
Peso: 880 kg
Tanque de combustível: 20 litros
Rodas e pneus: aço; 155/65 R13 na frente e 165/65 R13 atrás
Principais equipamentos de série: ar-condicionado, abertura interna do porta-malas e do tanque, conta-giros
Principais itens opcionais: direção hidráulica, ABS, teto solar
Preço: 21 000 reais (básico), 24 000 reais (completo)
Veredicto
É uma interessante opção urbana, mas vai enfrentar a falta de tradição - e da rede - da marca.




