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Carros | Impressoes ao dirigir
Ford Fiesta 1.0 Flex
Setembro 2006

Ford Fiesta 1.0 Flex

Compromisso flexível: O motor 1.0 Flex da Ford ganhou um banho de tecnologia, mas na prática ele não parece tão enxuto.

Por Paulo Campo Grande | Fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Em princípio, o comprador de carros 1.0 é o mais preocupado com economia, certo? Certo. Por isso, adquirir um modelo com motor flex é de suma importância para ele, certo? Errado. A Ford estudou o mercado e descobriu que para esse cliente a necessidade de fazer economia começa já na hora da compra. Pesa mais o preço do carro na loja que a possibilidade de, posteriormente, poder escolher rodar com álcool ou gasolina. Segundo a Ford, quem mais valoriza a opção flex é o consumidor de carros que está na faixa de preço logo acima dos 1.0. Foi com base nessa informação que a Ford decidiu apresentar o motor 1.6 Flex, em 2004, e só agora o 1.0. "Nós tínhamos que definir prioridades e essa estratégia se mostrou a mais acertada, porque não perdemos vendas - pelo contrário, continuamos avançando", afirma o gerente de marketing da Ford, Antonio Baltar Jr.

Por chegar depois das concorrentes, a Ford afirma que fez questão de aprimorar seu motor a fim de que ele fosse "o mais eficiente do mercado". Para apresentá-lo, a fábrica escalou um time de dez profissionais, incluindo pessoal de engenharia, marketing e comunicação. Segundo eles, o desafio foi fazer um motor que tivesse o melhor compromisso entre desempenho e economia com qualquer mistura de álcool e gasolina. Por isso, o trabalho se concentrou em três áreas do motor: taxa de compressão, controle da temperatura e rendimento volumétrico.

A taxa de compressão é o calcanhar-de-aquiles dos carros flex. Nessa questão, não existe acordo entre álcool e gasolina. Enquanto o álcool necessita de taxas elevadas, a gasolina, a partir da clássica relação de 10:1, apresenta o fenômeno conhecido como detonação, uma combustão fora de hora. Para extrair o melhor de cada combustível, o ideal é um motor de compressão variável, tecnologia que existe, mas que custa muito caro. A solução é encontrar a melhor forma de conviver com as desigualdades. Assim, ao elevar a taxa ao patamar de 12,8, a Ford precisou fazer uma série de alterações no motor que mantivessem a queima da gasolina sob controle. A cabeça dos pistões teve de ser redesenhada para aumentar a turbulência dentro das câmaras; o sistema de ignição foi aperfeiçoado; o controle da detonação passou a ser feito por cilindro e o sistema de refrigeração ganhou recursos como a aplicação de jatos de óleo no interior dos cilindros.

A temperatura se tornou tão crítica que, além do aprimoramento do sistema de refrigeração das câmaras, o projeto adotou uma nova válvula termostática eletrônica, no lugar da convencional mecânica, para controlar melhor a temperatura de trabalho do motor nas diferentes condições de uso, com álcool e com gasolina. Manter a temperatura próxima da ideal (97 ºC para gasolina e 103 ºC para álcool), segundo a Ford, resulta em menores perdas mecânicas por atrito, o que traz como benefícios maior desempenho, economia e durabilidade.

O terceiro grupo de mudanças foi para melhorar o fluxo dos gases na admissão e no escapamento, o que também contribui para o desempenho e a redução do consumo e das emissões de poluentes. O coletor de admissão não sofreu alterações, mas o filtro foi substituído para facilitar a captação de ar. O comando de válvulas foi inteiramente refeito, com a troca do eixo e das molas e com o aumento da abertura e do levante das válvulas. Na saída, o escapamento foi reprojetado.

Na ponta do lápis, segundo a fábrica, o conjunto de melhorias resultou em um aumento de 7% na potência e de 3% no torque, comparando o motor Flex (com gasolina) com o antecessor (que não era flexível). Na pista, iniciamos a avaliação mais criteriosa. Nas provas de desempenho, conseguimos 19,7 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h, com gasolina, e 16,8 segundos rodando com álcool. Na avaliação do consumo, as médias foram de 7 e 9,4 km/l na cidade e 9,3 e 12,3 km/l na estrada, sempre com álcool e gasolina, respectivamente. Comparando apenas os números obtidos com gasolina com os de seu antecessor, verificamos que o Fiesta 1.0 Flex foi mais lento na aceleração. O Fiesta 1.0 levou 19 segundos cravados de 0 a 100 km/h. Além disso, ele consumiu mais combustível na média rodoviária. O antecessor ficou com a média de 13,1 km/l. O novo Fiesta 1.0 Flex só foi superior no consumo urbano, onde o Fiesta 1.0 fez 9 km/l. Segundo o engenheiro-chefe de motores e transmissão Diógenes de Oliveira, o Fiesta Flex deveria ser melhor em todas as passagens de desempenho e de consumo, no entanto.

Na comparação com um rival como o Celta, que tem taxa de compressão elevada, de 12,6:1, o Fiesta também não se saiu bem. Perdeu nas provas de aceleração e de consumo rodoviário. O Celta acelerou de 0 a 100 km/h em 15,5 e 17 segundos e fez as médias de 9,7 e 13,4 km/l, com álcool e com gasolina. No consumo urbano, o Fiesta manteve a vantagem que já havia conseguido diante de seu antecessor. O Celta consumiu 6,7 e 8,3 km/l.

Na pista, o Fiesta não demonstrou a superioridade esperada em função da tecnologia introduzida em seu motor. De qualquer modo, o comprador de carros 1.0 agora tem mais essa opção no mercado. E a novidade chega com outra boa notícia: pensando nesses clientes, a Ford vai manter o preço do Fiesta inalterado. O Fiesta 1.0 Flex hatch mostrado aqui chega às lojas custando os mesmos 29320 reais cobrados pelo Fiesta 1.0 hatch.

Ficha técnica e teste

Bolso
Foi nas medições de consumo urbano que verificamos o maior benefício decorrente das mudanças no motor.
Preço do carro: 29.320 reais
Garantia: 1 ano sem limite de km
Número de concessionárias: 388
Consumo cidade: (km/l) (A/G) 7 / 9,4
Consumo estrada: (km/l) (A/G) 9,3 / 12,3
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km): 45 / 553,5

Conforto
Ar-condicionado/direção hidráulica: o / o
Pára-choques pintados/pintura metálica: s / o
CD player/comandos no volante: - / -
Vidros/travas elétricos: o / o
Espelhos controle interno/vidros verdes: s / s
Banco traseiro rebatível (60/40): s
Aviso sonoro faróis/relógio digital: s / s
Câmbio automático/rodas de liga-leve: - / -

Segurança
O pacote de equipamentos de segurança é bem básico. Além dos itens ao lado, o Fiesta conta também com cintos de segurança com ajuste de altura.
ABS/BAS/EBD: - / - / -
Controle de tração/estabilidade: - / -
Airbags (frontais/laterais/cabeça): - / - / -
Encosto de cabeça traseiro /cinto de 3 pontos para 5º passageiro: s / -
Barras de proteção lateral: s

Desempenho
0-100 km/h (s) (A/G): 16,8 / 19,7
0-1000 m (s) (A/G): 37,9 / 39,9
3ª 40 a 80 km/h (s) (A/G): 10,5 / 11,4
4ª 60 a 100 km/h (s) (A/G): 17,3 / 19,5
5ª 80 a 120 km/h (s) (A/G): 36,0 / 41,6
Velocidade máxima (km/h): 145,3
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m): 67,7 / 30 / 17,8
Ruído interno PM/RPM máx (dB): 42,1 / 68,3
Ruído interno 80/120 km/h (dB): 64,6 / 70,9
Velocidade real a 100 km/h (km/h): 93,7

Ficha técnica
De acordo com a fábrica, houve aumento de 7% na potência e de 3% no torque do motor.
Motor/posição: dianteiro /transversal
Construção/cilindrada (cm3): 4 cilindros / 999
Diâmetro/curso (mm): 68,7 / 67,4
Taxa de compressão :12,8
Potência (cv a rpm) (A/G): 73 / 71 a 6000
Torque (mkgf a rpm) (A/G): 9,28 / 9,12 a 4750
Câmbio (tipo/marchas/tração): manual / 5 / dianteira
Direção (tipo/nº voltas): mecânica / 2 3/4 voltas
Suspensão dianteira: McPherson
Suspensão traseira: eixo de torção
Freio (tipo/dianteiro/traseiro): hidráulico / disco / tambor
Pneus: 175/65 R14

Dimensões
Comprimento/entreeixos (cm): 390 / 249
Altura/largura (cm): 149 / 176
Porta-malas (litros): 305
Peso (kg): 1076
Peso/potência (kg/cv) (A/G): 115,9
Peso/torque (kg/mkgf) (A/G): 117,9
Diâmetro de giro (m): 10,3

Os rivais
- VW Gol City 1.0: Ele é mais antigo em conceito e tecnologia, mas é o líder de vendas do mercado e tem preço atraente: 26.622 reais.
-Chevrolet Celta Life: Apesar de ser menor e de oferecer menos espaço interno e acabamento mais simples, custa 25.990 reais e demonstrou melhor rendimento na pista de testes.

Veredicto
Sem aumento de preço, agora, o Fiesta oferece ao motorista a liberdade de escolher com que combustível quer rodar. Embora não tenha demonstrado melhoria de rendimento na pista, seu desempenho ficou dentro do que se pode esperar de um veículo equipado com motor 1.0.





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