
No que diz respeito ao desempenho, a 612 supera a 456 GT. Segundo a fábrica, a 456 faz de 0 a 100 km/h em 5,2 segundos e atinge 300 km/h de velocidade, enquanto a 612 acelera de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos e chega aos 320 km/h.
O motor é o mesmo da Ferrari 575 Maranello, com algumas modificações. De acordo com o engenheiro Dario Sacco, responsável pelo desenvolvimento do V12, houve mudanças no gerenciamento eletrônico, ligeiro aumento da taxa de compressão (de 11:1 para 11,2:1) e troca dos coletores de admissão e escape. Essas partes foram redesenhadas para facilitar o fluxo de gases.
Com o rádio em seu devido lugar (no console e desligado), o V12 de 5748 cm3 produz o som metálico característico das Ferrari e empurra o carro com a força de Hércules. Pisando forte, o motorista precisa se segurar ao volante e firmar o pescoço, porque a cada troca de marcha ele é empurrado para trás, como se recebesse um impulso inesperado. Nessa hora, se ainda havia alguma dúvida sobre o temperamento dessa Ferrari de luxo, a 612 revela sua alma esportiva.
Mas quem decide como a 612 deve se comportar é o motorista. Ela pode satisfazer tanto quem só quer desfilar, ouvindo música e apreciando a paisagem, quanto aqueles que gostariam de vê-la em um autódromo. Segundo a fábrica, em 90% dos casos a 612 será equipada com o novo câmbio F-1A, igual ao da versão avaliada. Esse sistema permite o uso nos modos automático ou manual, com as trocas feitas por meio de alavancas localizadas junto ao volante. De acordo com a Ferrari, esse sistema é mais rápido que o F-1 presente nos outros modelos da marca, graças à sua maior capacidade de processamento.
Os 10% dos clientes que devem optar pelo câmbio manual não querem saber de mais concessões para o conforto, além das que a fábrica já fez. Mas, no caso dos outros 90%, o que vai separar o bon vivant do piloto estará ao alcance da mão direita. Mais precisamente, depende apenas de um toque com o polegar, em uma tecla que fica no lado direito do volante, identificada com a palavra Sport. Existem ainda outras três teclas no volante, que servem para ligar e desligar o controle de estabilidade (CST), acionar o computador de bordo (Mode) e selecionar as informações apresentadas no mostrador luminoso do painel (Disp).
Quando a opção Sport está desligada, o câmbio e a suspensão da Ferrari 612 privilegiam o conforto. As trocas de marcha ocorrem de forma suave e sem pressa e a suspensão fica macia, como a de um sedã Mercedes-Benz Classe C, por exemplo. Com o modo Sport acionado (aparece uma luz indicadora no painel), a 612 se transforma em um carro de corrida. O câmbio fica impaciente. Se está no modo automático, realiza trocas freqüentes. No manual, implora para que o motorista se agite. Nos dois casos não existe suavidade nas operações. Sempre que necessário, o sistema se encarrega de fazer o punta-taco (provocando um ronco que não tem preço). Essa manobra consiste em elevar o giro do motor antes das reduções para evitar danos mecânicos (nos sistemas convencionais, deve ser feita pelo motorista, pisando no freio e no acelerador ao mesmo tempo). Se, ao se aproximar de um semáforo, o motorista se esquecer de reduzir as marchas, o sistema assume o controle. Mas nas acelerações ele não interfere. Deixa o giro crescer até o corte do motor, que ocorre em 7250 rpm.
A suspensão, por sua vez, também se comporta de forma diferente no modo Sport. Os amortecedores, que têm sua rigidez controlada eletronicamente, tornam-se mais firmes, endurecendo o conjunto de suspensão formado por braços duplos triangulares, nos dois eixos.
Durante nosso test drive, com essa calibragem esportiva, a 612 demonstrou um comportamento bastante neutro em curvas. A divisão de peso entre os eixos é quase perfeita - 46% na dianteira e 54% na traseira - e os pneus Pirelli PZero Corsa (245/45 ZR18, na frente, e 285/40 ZR19, atrás) também ajudam. Quando eu já estava apoiando o joelho na lateral do console, para não sair do banco, o carro ainda descrevia a trajetória com a mesma precisão dos movimentos de um mestre de tai chi chuan. Os freios poderiam ter respostas mais imediatas, como os do Porsche Carrera GT, para aumentar a confiança do motorista no carro.
O sistema de som da marca Bose só foi avaliado no final do test drive, já no caminho de volta para a fábrica da Ferrari. A reprodução é de qualidade. A plenos pulmões, não há distorções e é possível reconhecer cada um dos instrumentos executados na gravação. Além do rádio, tínhamos a bordo música para todos os gostos, de Pavarotti a Jamiroquai. Mas nem mesmo a impecável qualidade de reprodução digital supera uma apresentação ao vivo - no caso, a do V12.
Motor
Dianteiro, longitudinal, V12, 48 válvulas
Cilindrada: 5748 cm3
Diâmetro x curso: 89 x 77 mm
Taxa de compressão: 11,2:1
Potência: 540 cv a 7200 rpm
Torque: 60 mkgf a 5250 rpm
Câmbio
Automático tipo F-1, 6 marchas, tração traseira e diferencial autoblocante
I - 13,2:1; II - 9,1:1; III - 6,5:1; IV - 4,9:1; V - 3,9:1; VI - 3,2; Ré 9,9
Carroceria
Alumínio
Dimensões:
Comprimento, 490 cm; largura, 196 cm; altura, 134 cm; entre-eixos, 295 cm
Peso: 1840 kg
Peso/potência: 3,4 kg/cv
Peso/torque: 31,2 kg/mkgf
Volumes:
Porta-malas, 240 l;
tanque de combustível, 108 l
Suspensão
Independente, tipo double whishbone, nos dois eixos, com braços de alumínio e amortecedores com rigidez controlada eletronicamente
Freios
Discos ventilados nas quatro rodas, com ABS e CST
Direção
Hidráulica, do tipo pinhão e cremalheira
Rodas e pneus
Rodas de alumínio, aro 18 na dianteira e 19 na traseira;
Pirelli PZero Corsa 245/45 ZR18 (diant.) e 285/40 ZR 19 (tras.)
Principais equipamentos de série
Ar-condicionado com ajuste independente esquerda/direita, airbags de duplo estágio, computador de bordo, trio-elétrico, sistema de som Bose com rádio, CD player e sistema de navegação por satélite, sensor de chuva, sensor de pressão dos pneus, Isofix, sistema Easy-entry e faróis de xenônio
Preço
220000 euros (na Itália)




