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Carros | Longa duração
Renault Logan
Dezembro 2008

Renault Logan

O sedã conquistou nosso coração, mas havia pontos de atrito de nós não conhecíamos

Por Marcelo Moura
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Se fôssemos um dono comum e tivéssemos direito a voto, também daríamos nosso elogio ao Renault Logan, tal como fizeram os donos na pesquisa Os Eleitos de 2008. O desempenho do motor 1.0 16V flex foi morno, mas isso a gente já esperava. Surpresa foi vê-lo roubando popularidade de outros modelos da frota de Longa Duração. Mesmo simples, nosso carro era rico em luxos invisíveis – alavancas leves, porta-trecos providenciais, espaço excelente e comportamento digno de zeroquilômetro. “Andei com o carro e até estranhei”, diz Fábio Fukuda, da oficina Fukuda Motorcenter, responsável pelo desmonte e pela análise das peças. Coisa rara, a suspensão chegou ao fim do teste em ótimo estado, sem folgas nas buchas ou amortecedores gastos. Rangidos de acabamento, comuns em carros de baixo custo que passaram pelo teste (o antecessor no desmonte foi o Chevrolet Prisma), quase não tivemos. A promessa de que o carro custaria (em manutenção) menos de 1 real por dia, feita nos anúncios, só não foi cumprida porque lhe demos ritmo de uso intenso: 60 705 quilômetros em 15 meses. As cinco revisões custaram, somadas, 1 120 reais. Um dos motoristas que mais viajam com os carros da revista decidiu comprar um Logan. A lembrança que temos, em 434 dias de convivência, é de muita satisfação.

Mas depois de 60 705 quilômetros veio o desmonte – e, no desmonte... Às vezes você descobre, no velório, que não conhecia aquele alguém que esteve tão próximo e por tanto tempo. Nosso Logan guardava segredos que comprometem bastante a imagem que tivemos dele em vida. Amantes? Filhos fora do casamento? Pior. O motor teve desgaste visível nos pistões e no eixo do comando de válvulas. As válvulas tinham vedação deficiente e a bomba d’água estava vazando. Esses problemas não mudaram o panorama do teste de desempenho (os números da despedida foram, naturalmente, melhores que os da estréia), as peças desgastadas ainda teriam bastante chão pela frente e ninguém ficaria a pé na estrada sem aviso prévio. Mas desgaste de motor não é mais rotina nos carros de Longa Duração. O Prisma, por exemplo, não nos trouxe tantas alegrias em vida. Mas seu motor estava dentro das especificações que a General Motors adota para os zero-quilômetro.

Foi problema isolado do nosso Logan? Pode ser. Nosso Mégane chegou ao desmonte com saúde, mas não serve como testemunha de defesa. Seu motor 1.6 16V (o K4M, comum aos Logan 1.6 8V e 1.6 16V), é parente distante do 1.0 16V do Logan (o D4D). Entre as diferenças, há uma bastante simples. “Quando você desliga o Logan 1.0 16V, o óleo escorre rapidamente para o cárter. As peças ficam untadas, apenas. Já o Mégane 1.6 16V tem uma válvula de retenção, no filtro de óleo, que retarda esse escoamento. Se você desligar o Mégane à noite, ainda haverá lubrificante banhando o cabeçote, pela manhã”, diz Fukuda. “É pouca coisa? É. Mas pode fazer diferença. Ao ligar o carro, o óleo leva centésimos de segundo para subir do cárter até o comando de válvulas.”

No desmonte também descobrimos por que, nos últimos quilômetros, o encosto do banco do motorista começou a balançar. Um ponto de solda que unia a estrutura quebrou – e isso comprometeria nossa segurança. Também não gostamos de duas economias no acabamento: o suporte do extintor é fixado por rebites (em vez de parafusos) e o assento do banco traseiro é preso por dentes encaixados a rasgos na lataria (sem buchas de plástico protegendo o contato de metal contra metal). As fixações já tinham folgas e fariam ruído em cerca de 15 000 quilômetros.

Certas vezes, o baixo custo (de produção) leva ao alto custo (de manutenção). A caixa de metal que envolve a bateria é soldada, em vez de aparafusada (como é no Clio). “Uma simples troca de embreagem levará uma hora a mais de oficina, pois o acesso fica muito mais difícil”, diz Fukuda. E as longarinas do Logan são retas, enquanto as do Clio têm uma parte sanfonada que ajuda a absorver o impacto (e o prejuízo) em batidas de frente.

Justiça seja feita: quando o Logan bateu (de leve), o conserto da concessionária AR Motors (São Paulo, SP) foi muito bom. Pela primeira vez no Longa Duração, vimos Eduardo Fernandes, consultor do Cesvi, elogiar um trabalho de funilaria: “A textura ficou muito boa, e olha que essa cor azul-metálica não é fácil de acertar”. O serviço da rede Renault esteve bem melhor que nos tempos do Mégane (que testamos de outubro de 2006 a dezembro de 2007), com preços padronizados em quatro das cinco revisões que fizemos. Ainda assim, tem como melhorar.

A concessionária Estoril (Santos, SP) tentou empurrar limpeza de bicos injetores e trocar a água do radiador. Água de radiador, num carro de 30 000 quilômetros? No Fit, a troca é aos 200 000... Pior é que essa colou, pois a ELF, fabricante do aditivo, não quis analisar uma amostra da água. E você lembra quando agendamos uma revisão do Mégane pela internet e, no dia confirmado, o concessionário disse nunca ter ouvido falar naquilo? Com o Logan, assistimos a mais confusão – sendo que, agora, o assunto era mais grave: recall (veja abaixo). E, na última revisão, a autorizada Valec (Sorocaba, SP) não trocou as pastilhas de freio. A Valec disse que tem orientação de evitar despesas desnecessárias. Mas as pastilhas estavam tão gastas que, 4 752 quilômetros depois, destruíram discos de freio que ainda estavam bons.

O recall e os freios foram falhas graves de atendimento, mas relevamos isso apegados à satisfação de dirigir um carro que se manteve enxuto como poucos que já passaram pela frota. Mas essa impressão ficou abalada no desmonte. A vida com o nosso Logan foi ótima, e a do segundo dono dele também deve ser boa. Desejamos sorte ao terceiro dono.


QUE RECALL?

A Renault anunciou recall de trava de pedal de freio na nossa primeira semana de Logan. No 0800 da Renault, pediram para irmos a uma autorizada. Fomos a três e, em vez de resposta, ouvimos pergunta: “Recall do Logan? Tem certeza?” Ligamos de novo para a Renault, e então disseram que nosso carro estava fora do grupo de risco. Mas, na revisão seguinte, fizeram o recall. Confusão com coisa séria.


RUIM

AS VÁLVULAS NÃO VEDAM

A vedação das válvulas (sobretudo as de escape) está ruim, roubando compressão do motor. Tanto que, se você puser gasolina de um lado, vaza do outro – veja a marca brilhante. Trocar as 16 válvulas e retificar suas sedes no cabeçote custa 800 reais.

PISTAS NOS PISTÕES

A área de contato dos pistões riscou. Motivo? Má lubrificação, óleo sujo ou combustível ruim. Durariam ao menos mais 60 000 km, até ter perda de compressão sensível. Os quatro custam 350 reais. Os cilindros têm desgaste leve, com ovalização e conicidade dentro da tolerância da Renault.

O EIXO FICOU LIXADO

O eixo do comando de válvulas foi riscado na parte onde ele é apoiado pelos mancais do cabeçote. A causa: má lubrificação. O eixo pediria troca em, no máximo, 60 000 km, quando faria as válvulas baterem ou poderia, ele mesmo, quebrar ao meio. O eixo custa 820 reais. Os mancais vêm junto do cabeçote, por 1 890 reais.


MUITO BOM

CARRO FORTE

O acabamento é coisa de engenheiro, não de designer. O forro de teto é preso por rebites visíveis – feio, mas eficaz. As portas não deram problema de alinhamento ou invasão de poeira. Quando batemos de leve a frente, a funilaria foi bem feita.

SEM SUSPENSE

As molas foram trocadas aos 20 000 km (solução exagerada, para eliminar um problema de ruído), mas, fora isso, a suspensão chegou intocada (e impecável) ao fim do teste. Amortecedores têm 80% da eficiência (o comum é 50%). Coisa rara: na suspensão dianteira, não houve folga em buchas ou pivôs de bandeja.


FALTOU FREIO

Não trocaram as pastilhas de freio na revisão de 50 000 km e, 4 752 km depois, o material de atrito acabou – compare a pastilha gasta com a nova, que levou o carro até o fim do teste. A pastilha gasta destruiu o disco, criando sulcos profundos – compare com o aspecto do disco novo.

BOMBA RELÓGIO

A bomba d’água estava com folga no eixo do rolamento. Já deixava vazar vapor (a poeira amarelada é aditivo de radiador cristalizado) e precisaria ser trocada em 10 000 km (custa 310 reais). Mesmo assim, o motor não teve superaquecimento.

CRISE BANCÁRIA

O balanço no encosto do banco do motorista (reclamada na última revisão, mas não resolvida) deveu-se à quebra de um ponto de solda entre um tubo de aço da estrutura e o trilho. O encosto cedia para trás e, numa colisão, poderia quebrar.


CHECK UP


PRÓS

Revisões baratas, pouca variação de preços e pouca empurroterapia. Suspensão íntegra: As molas dianteiras foram trocadas a 20 000 km (solução aparentemente exagerada para sanar um problema de ruído) mas, fora isso, não mudaram nada – e o carro encerrou o teste com rodar digno de zero-quilômetro. Acabamento: Rangidos na cabine foram raridade.

CONTRAS

Atenção à segurança. Três concessionárias não sabiam de um recall (e uma quarta fez a troca das peças, que a Renault julgava desnecessária). Na última revisão, a Valec não viu que as pastilhas de freio estavam gastas. Motor: Nosso Logan teve desgaste acentuado de pistões e comando de válvulas, má vedação das válvulas e ferrugem na bomba d’água.


RAIO DE AÇÃO


FOLHA CORRIDA

PREÇO DE COMPRA
34 480 reais (agosto de 2007)

PROPOSTA DE VENDA
26 000 reais (dezembro de 2008)

QUILOMETRAGEM TOTAL
60 691 km – 44 305 km em estradas e 16 386 km em trecho urbano;
37 motoristas

CONSUMO TOTAL
6 333,25 litros (álcool) e 50,9 litros (gasolina)

CONSUMO MÉDIO
9,3 km/l (álcool) e 6,5 km/l (gasolina)

COMBUSTÍVEL
Álcool – 8 559,65 reais (R$ 141,03/1 000 km)
Gasolina – 127,69 reais (R$ 2,10/1 000 km)

REVISÕES
10 000 km: 109 reais (Itavema, São Paulo, SP)
20 000 km: 150 reais (Armando, São Bernardo, SP)
30 000 km: 277 reais (Estoril, Santos, SP)
40 000 km: 380 reais (Ventuno Vila Guilherme, São Paulo, SP)
50 000 km: 204 reais (Valec, Sorocaba, SP)


HISTÓRICO

2 100 km: rangido no cinto de segurança
2 767 km: teste inicial
10 637 km: revisão (Itavema, São Paulo)
11 959 km: protetor de cárter solto
12 694 km: rangido na suspensão dianteira
12 694 km: barulho do escapamento batendo
19 049 km: marcador de combustível impreciso
20 893 km: revisão (Armando Veículos, São Bernardo do Campo). Recall do pedal de freio e de rótula da caixa de direção
27 843 km: palhetas do limpador gastas
11 959 km: protetor de cárter solto
30 029 km: revisão (Estoril, Santos)
35 068 km: marcador de combustível impreciso
38 197 km: partida a frio demora a funcionar
39 705 km: revisão (Ventuno, São Paulo)
39 725 km: colisão
40 222 km: funilaria (AR Motors, São Paulo)
47 593 km: fecho inferior do porta-malas solto
50 545 km: banco de motorista com folga
50 585 km: revisão (Valec, Sorocaba)
50 796 km: freio começa a ranger
55 289 km: pastilhas de freio gastas
55 361 km: tampa de combustível desnivelada
60 220 km: teste final
60 705 km: desmonte


VEREDICTO

Suspensão e acabamento passaram com louvor. Esses itens entregam a idade de um carro, então o Logan chegou a 60 000 km como novo – ótimo como nosso Honda Fit. Em custo de oficina, o Logan também se iguala aos melhores carros que já passaram pelo teste: suas revisões, somadas, custaram menos que a de 30 000 km do Punto. Mas o que seria um teste consagrador foi manchado pelo desmonte. O motor teve falhas diversas, que exigiriam manutenção cara aos 120 000 km. Carros rivais, como Prisma 1.4, ou da mesma marca, como o Mégane 1.6 16V, chegaram aos 60 000 km de motor impecável. O atendimento da rede Renault ainda não é um ponto forte, mas melhorou.





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