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Carros | Longa duração
Fiat Punto
Setembro 2009

Fiat Punto

Ele chegou aos 60 mil quilômetros em boa forma e só não foi melhor por falta de atenção da rede autorizada

Por Péricles Malheiros
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Nosso Punto ELX 1.4 estreou no Longa Duração em dezembro de 2007. Recémlançado à época, vendia 3 600 unidades por mês, um fôlego de atleta comparado à média atual de 2 000, menos que Sandero e Astra. Pagamos 46 887 reais e esperamos quatro meses por ele – hoje, com os mesmos equipamentos, um modelo 2010 sai por 47 448 reais. Em julho, simulamos a venda do carro no mercado de usados: as propostas variaram entre 27 000 e 32 000 reais.

Logo após o “teatro da venda”, o carro seguiu para a pista, em Limeira (SP). A perda de fôlego no mercado felizmente não se repetiu no desempenho. Entre os testes inicial e final, nosso Punto acumulou mais do que quilometragem ao longo de quase dois anos de convívio. A experiência deixou o carro mais solto, com registro de melhora em todas as provas de aceleração e retomada (veja o quadro comparativo na pág. 106). Em contrapartida, o consumo médio aumentou, indicando que= havia algo errado com o motor. O desmonte revelaria a razão de tamanho apetite.

Entre o nascimento e a aposentadoria, nosso Punto não teve vida fácil. Rodou por 39 cidades e seis estados, pilotado por 43 diferentes motoristas. Nosso colaborador Felipe Carneiro deu uma esticada de São Paulo a Florianópolis (SC), em fevereiro de 2008, e após 2 000 km disse: “O teste inaugural em Limeira mostrou que o Punto é mais lento que um Celta 1.0. Mas posso dizer que, nas curvas fechadas da BR-116 e nos altos e baixos da serra que separa o leste do sul da ilha de Florianópolis, o motor 1.4 se virou bem. Pena que a conta no posto pareça salgada como a água da praia do Rosa”.

Porém, quando Osmar Lazarini, especialista em tecnologia do Portal Exame, tentou dialogar com o hatch, a conversa não foi tão amigável assim. O sistema de interação Blue&Me se mostrou confuso na função de viva-voz de celular. Na edição de agosto de 2008, publicamos: “Em vez de cantar o número de quem ligou no esquema nove-um-trêsdois, diz noventa e um milhões, trinta e dois mil...”. Osmar comentou na época: “Assim, não reconheço nem o telefone da minha casa”.

Aos 60 806 km, nosso Punto encostou na Fukuda Motorcenter, oficina responsável pelo desmonte. Reforçamos a necessidade de dar atenção especial à investigação da origem do consumo exagerado e do comportamento um tanto “violento” nas arrancadas: às vezes, o carro saía aos trancos, como um cavalo bravo, característica que começou a ser notada por volta dos 40 000 km e foi se agravando até o fim.

Nosso consultor Fábio Fukuda não precisou de muito tempo para desvendar os segredos do veterano Punto. “Um dos coxins do motor está seriamente comprometido, com o elemento elástico rompido. Era ele o responsável pelas dificuldades nas saídas com o carro”, afirma Fukuda. “Se caísse nas mãos de uma oficina despreparada, poderiam acabar empurrando uma nova embreagem, pois o comportamento nas arrancadas é muito semelhante ao de um conjunto desgastado.”

O restante do desmonte prova que Fukuda não foi cruel ao cogitar a hipótese de o Punto ser maltratado numa autorizada Fiat. Depois de funcionar o motor até que atingisse a temperatura ideal de trabalho, as medições iniciaram. Pressão de óleo e combustível estavam dentro das especificações. Nos cilindros do motor, porém, surgiram os primeiros indícios de que algo não ia bem. A Fiat não leva em consideração o valor nominal da pressão nos cilindros, mas sim as eventuais diferenças registradas entre eles – apesar de a montadora não divulgar sequer um percentual, o mercado de reparação considera como limite uma margem de até 20%. A média de três medições apontou para 196,6, 113,3, 180 e, de novo, 180 psi nos cilindros 1, 2, 3 e 4, respectivamente. Fukuda diz: “Bom seria se todos estivessem como o cilindro 1, que se mostrou com saúde plena. Mas a medição de 113,3 psi no 2 deixou claro que algo impedia a compressão ideal. Nos cilindros 3 e 4 a perda de pressão foi moderada, mas com o tempo a situação certamente se agravaria.”

A resposta para esse problema estava no cabeçote. Com a desmontagem, as válvulas foram retiradas e analisadas com cuidado. As de admissão dos cilindros 2, 3 e 4 apresentavam considerável acúmulo de carbonização, sobretudo a do 2. “Cada válvula tem um retentor para impedir que o óleo escorra pela haste. É possível que eles tenham perdido a eficiência por trabalharem em contato com lubrificante que ou foi contaminado por combustível adulterado ou está muito desgastado. Este é um dos grandes problemas de revisões muito espaçadas. No Punto, elas ocorrem a cada 15000 km. Considero arriscado esperar tanto assim para efetuar a troca de óleo”, afirma Fukuda.

Apetite voraz
Tanto o problema do coxim quebrado quanto o dos retentores de válvulas poderiam ter sido detectados se houvesse uma investigação criteriosa após nossas reclamações registradas ao deixar o carro para as revisões. O nível desigual de pressão nos cilindros era o responsável pela elevação no consumo. O aumento de apetite é uma notícia pior ainda para um carro cujo tanque comporta apenas 48 litros de combustível. Depois de ouvir muita reclamação (nossa e de outros consumidores) a respeito da baixa autonomia, a Fiat adotou um tanque de 60 litros na linha 2009, conforme publicado na seção Longa Duração de setembro de 2008.

Os problemas do cabeçote, felizmente, não afetaram o bloco. A parede dos cilindros e os pistões intactos, sem riscos e rigorosamente dentro das especificações da Fiat, comprovam a boa qualidade geral do motor – à exceção, claro, do “vazamento” que surgiu no cilindro 2.

Na mesma proporção em que criticou a desatenção da rede autorizada, Fukuda elogiou a construção geral do veículo: “Fazia tempo que não desmontava um carro tão bem construído. Os painéis não se deformaram, as presilhas estavam bem presas e tensionadas e os encaixes, alinhados. E não houve economia na aplicação de materiais de isolamento acústico e térmico”. Boa notícia para um modelo que nasceu com muitos problemas de acabamento, como tampa do bocal de combustível com dificuldade de travamento e para-choque dianteiro que dilatava em dias de calor, deixando um vão de quase 1 cm em relação ao farol – males que acometeram não apenas o nosso Punto, chegando a ser tema do Autodefesa de fevereiro de 2008. Por duas vezes trocamos a coifa da alavanca de câmbio, que insistia em sair do lugar depois de algum tempo de uso.

Por falar em câmbio, seu ótimo estado de conservação também impressionou nosso consultor. Engrenagens das marchas intactas, garfos com pontos de contato com as luvas impecáveis e anéis sincronizadores com ranhuras internas perfeitas arrancaram de Fukuda o elogio que todo carro de Longa Duração gostaria de receber: “Parece peça de carro zero-quilômetro”. O risco de as peças terem sido substituídas em alguma revisão não existe, pois marcamos diversas partes do carro no início do teste. E todas elas estavam lá.

O conjunto de suspensão também foi aprovado, mas acabou entregando outro desleixo das concessionárias. Ao iniciar a desmontagem das rodas, notamos um desgaste irregular dos pneus, sinal de falta de alinhamento e balanceamento. Fukuda também nos deu uma bronca: “A calibragem estava errada e isso também acelera o desgaste irregular dos pneus”. Ficaremos mais atentos. Uma folga na barra axial direita (que liga a caixa de direção ao terminal de direção) era a causa de um barulho constante – defeito reclamado nas concessionárias durante as revisões de 30 000 e 45 000 km.

Aprovado com poucas ressalvas após severos 60 000 km, o Punto mostrou que tem qualidade de construção e mecânica confiável para voltar a ter fôlego de vendas quando a próxima geração, remodelada, estrear – a previsão é que isso ocorra no primeiro semestre de 2010. Para isso, porém, precisará contar com uma rede autorizada mais atenta aos pedidos e reclamações de seus clientes.



MUITO BOM

CORPO FECHADO

 


Bem isolada contra pó, água e ruído, a carroceria merece elogios. As guarnições terminaram o teste intactas, bem encaixadas e livres de sinais de ressecamento. A aplicação de mantas atrás do painel de instrumentos, bem como de feltro e carpete com face inferior asfáltica, são cuidados que deram resultados positivos. Por dentro dos para-lamas dianteiros há blocos de espuma para travar a peça e impedir a invasão de ruídos na cabine. Se você tem um Punto, cuidado com rampas de prédio: uma raspada mais forte com o para-choque dianteiro pode condenar as duas colunas metálicas que sustentam a capa.

TRANSMISSÃO DE CONFIANÇA

 
O tempo e os 60 000 km não passaram para o câmbio do nosso Punto. A desmontagem revelou peças em estado de novas. Nos garfos seletores de marcha, mesmo os pontos de atrito com as luvas estão intactos, assim como a face interna fresada dos anéis sincronizadores. Sem ruídos e com todas as partes em ótimo estado, a embreagem poderia encarar, no mínimo, mais 10 000 km.

SEM FOLGA


Cada pistão tem três anéis: um de compressão e dois raspadores. Todos estavam com folga dentro da tolerância. Daí a razão de as saias de pistão e as paredes de cilindros estarem quase sem riscos



RUIM

MÁS VIBRAÇÕES

 


Coxins existem para melhorar a dirigibilidade e evitar que as vibrações geradas pelo motor invadam a carroceria. Com a borracha partida, um deles passou a se movimentar além da conta, a ponto de deixar marcas profundas no suporte. Cumprindo mal o seu papel, fazia o Punto trepidar a cada saída. Os primeiros relatos se iniciaram por volta dos 40 000 km.

DEPÓSITO DE ÓLEO


As bases das válvulas de escape terminaram o teste com depósito de óleo visivelmente úmido, de tão intenso. Culpa dos retentores, que deixavam escorrer lubrificante pela haste. A piora no consumo de combustível verificado entre os testes inicial e final está diretamente ligada a essa falha.

CONTAMINAÇÃO


Visto de baixo para cima, o cabeçote mostra sinais evidentes de que o óleo que escorreu pelas válvulas chegou a contaminar a câmara de combustão. O caso mais grave está na câmara do cilindro 2. 

 



REGULAR

RADIOTERAPIA

 


Desde os 10 000 km, as molduras do ar-condicionado e do rádio não casavam. No desmonte, descobrimos que a culpada era a gaveta de metal que fixa o rádio ao painel, que impedia a acomodação perfeita dos equipamentos.

APAGANDO AS VELAS


O jogo de velas foi trocado na revisão dos 30000 km, seguindo recomendação da Fiat. Aos 60000, mostravam desgaste acentuado nos eletrodos e pequeno acúmulo de carvão. De fato, já era hora de este jogo dar lugar a um novo. 

 



RAIO DE AÇÃO

 

 

CHECK-UP

 

 


 

PRÓS

Câmbio: De longe, o componente mais elogiado do carro. Chegou ao fim do teste praticamente novo, nem sentiu os 60 000 km.
Carroceria: Bem isolada, deixou ruídos, pó, água e calor no lugar certo: do lado de fora.
Sistema elétrico: No desmonte, notamos que os conectores e terminais são bem protegidos. Isso aumenta a confiabilidade.

CONTRAS

Concessionárias: Não há sala de espera com ar-condicionado e água gelada que refresque a cabeça de consumidor que reclama e não é ouvido.
Acabamento: No geral, o Punto se mostrou bem montado, mas vacilou em alguns detalhes. Coifa de câmbio, moldura do painel, acabamento do retrovisor externo e para-sol foram trocados. 

 



HISTÓRICO

1 207 km Acabamento do cinto do motorista solto
7 262 km Chave não abre a porta do motorista; acabamento do retrovisor esquerdo solto; tampa do tanque não fecha direito
7 276 km Vazamento de óleo do câmbio
10 782 km Colisão
10 812 km Vedação de porta soltando
11 442 km Tampa do controle do ar está desnivelada
13 983 km Moldura do console está solta
16 400 km Lâmpada de cortesia está queimada
24 275 km Borracha do retrovisor esquerdo está solta
31 176 km Coifa do câmbio está solta e há folga no banco
36 998 km Barulho na suspensão dianteira e traseira
44 127 km Direção desalinhada
44 399 km Marcador de combustível desregulado
55 177 km Luz de reserva do tanque de combustível acende sem necessidade

FOLHA CORRIDA

PREÇO DE COMPRA
46 887 reais (após quatro meses de espera, o carro chegou em dezembro de 2007)

PROPOSTA DE VENDA
30 500 reais (julho de 2009)

QUILOMETRAGEM TOTAL
60 806 km: 42 315 km em estradas e 18 491 km em trecho urbano

CONSUMO TOTAL
7 401,41 litros (álcool) e 58,37 litros (gasolina)

CONSUMO MÉDIO
8,1 km/l (álcool) e 7,9 km/l (gasolina)

COMBUSTÍVEL
Álcool: 10 661,23 reais (R$ 176,67/1 000 km)
Gasolina: 103,84 reais (R$ 225,74/1 000 km)

REVISÕES
15 000 km:
396,27 reais (Auguri, Osasco)
30 000 km: 387 reais (Etrusca, Cotia)
45 000 km: 327 reais (Sinal, São Bernardo do Campo)

 

 



VEREDICTO

Após passar pelas mãos de 43 motoristas e rodar por 39 cidades brasileiras, o Punto encarou o desmonte e dele saiu aprovado. Os problemas mecânicos detectados poderiam aparecer mesmo se as revisões fossem menos espaçadas, mas é imperdoável um carro zero-quilômetro perder parte de sua saúde porque as reclamações registradas nas revisões foram ignoradas pelas autorizadas. Com bom compromisso entre conforto e estabilidade, foi um de nossos modelos mais requisitados para viagens. Sem problemas que abalassem sua confiabilidade, o Punto foi um bom companheiro.

 

 






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