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Carros | Longa duração
Montana
Dezembro 2006

Montana

Montana abaixo: Decupamos a picape e descobrimos que seu maior problema não está nela

Por Marcelo Moura
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A gente adora dar opinião e fica de mãos amarradas no prêmio Os Eleitos, quando os carros são avaliados pelos próprios donos. Mas guardamos uma revanche para esta edição: chegou a hora de contar o que achamos da nossa Montana, que completou exatos 60 908 quilômetros no teste de Longa Duração. Veredicto? "Rodaria mais 60 000 quilômetros", afirma Fábio Fukuda, técnico responsável pelo desmonte e pela análise das mais de 1 500 peças. A Montana estaria apta para um segundo mandato. Mas isso não significa que o primeiro tenha sido um mar de rosas, ou que o próximo não precise de reformas.

O mais importante: ela nunca nos deixou na mão. Mas estava perto disso, revela o desmonte. "O platô de embreagem trincou em três pontos e quebraria em pouco tempo, fazendo o carro parar na rua", diz Fukuda. O disco de embreagem também estava no fim da vida. São desgastes normais para um carro de passeio - talvez a Montana, por ser uma picape, pudesse ser mais reforçada -, mas que deveriam ter sido percebidos nas revisões. "Faltou atenção das concessionárias ou mais rigor no programa de manutenção projetado pela Chevrolet. O desgaste do material da embreagem poderia ter sido percebido há, no mínimo, 15 000 quilômetros." O manual recomenda "verificar o correto funcionamento do motor e da transmissão (...)", a cada seis meses. O funcionamento, em si, continuava perfeito, e não foi alvo de reclamações no nosso diário de bordo. A embreagem gasta costuma deixar o pedal pesado, mas o esforço extra foi compensado pelo sistema de acionamento hidráulico da Montana.

Furos na rede

Problemas na suspensão dianteira também não foram bloqueados na rede autorizada. Os mancais da barra estabilizadora estavam destruídos. "O desgaste é normal, para a quilometragem do carro, e fácil de perceber. Mas é um serviço que dá muito trabalho e pouco lucro, pois são peças baratas", diz Fukuda. "E não entendo por que não trocaram a bieleta de ligação da barra estabilizadora do lado direito, também destruída. Essa é fácil de perceber e de trocar."

Mas vender peças e serviços desnecessários, isso a rede autorizada soube fazer. Já na revisão de 10 000 quilômetros, a concessionária Aba Motors incluiu no orçamento limpeza dos bicos injetores, limpeza do motor, higienização do ar-condicionado e do filtro de ar. Nada disso era previsto no manual de revisão. Queriam fazer a troca do fluido de freio, programada para o dobro daquela quilometragem. Tirados os excessos, o orçamento caiu de 544,90 reais para 137 reais. Na revisão dos 20 000 quilômetros, os orçamentos variaram de 500 a 1 600 reais. Aos 30 000 quilômetros, a autorizada Rumo Norte levou uma semana para conseguir um novo painel para a porta direita (o porta- trecos, frágil, quebrou). Além disso, cobrou 38,20 reais para trocar uma lâmpada que continuou apagada. Pagamos 14% a menos por outra na loja Mercadocar, que continua brilhando até hoje.

Recorremos mais uma vez à "livre iniciativa" na revisão de 40 000 quilômetros: como o banco do carona estava torto, a autorizada Viamar queria trocá- lo, inteiro, por 400 reais. Por menos de 100 reais, a tapeçaria paulistana Osni e Osni trocou o reclinador quebrado. Para instalar uma fechadura na tampa da caçamba, as concessionárias pediram 600 reais - quatro vezes o que se cobrava em oficinas particulares.

Economia cara

Mas numa ocasião nos arrependemos de usar o serviço independente. Pedimos para uma oficina instalar nesta Montana o protetor de caçamba (original) que estava na anterior. O preço da "economia" veio no desmonte. Exposta, a chapa enferrujaria logo. Nosso editor de arte Tarcísio Moraes ficou surpreso: "Tive uma Picape Corsa e tirei o protetor de caçamba, original, para pôr em outra. A lataria continuava perfeita".

A capota marítima chegou inteira ao fim do teste, apesar de não impedir a entrada de água e de uma das travessas ter pedido reaperto. Tivemos problemas com desalinhamento do capô e da porta do carona, mas foram resolvidos nas revisões. O adesivo preto na coluna da porta começou a descolar, foi trocado aos 40 000 quilômetros e começa a sair de novo. Estávamos curiosos sobre a durabilidade do degrau embutido nas laterais da caçamba, uma novidade da Montana. Pisamos sem dó e ele continua perfeito. E nada disso explicava o barulho irritante que vinha da frente do carro, relatado pela primeira vez no diário de bordo aos 2 247 quilômetros - foi alvo de 21 reclamações e nunca resolvido. Uma pancada leve, mas ruidosa, como bater num galão de tinta vazio. Fábio puxou a moldura de plástico do páralama dianteiro direito (que agora, sem o pára-choque, dá para ver que está solta) e perguntou: "Um barulho assim?" Era isso mesmo.

Falha de comando

O desmonte revela que outro ruído incomodaria em 10 000 quilômetros. O eixo do comando de válvulas teve desgaste precoce e precisaria ser trocado. "Não é problema de lubrificação, pois o resto do motor está perfeito. Talvez impureza no óleo ou defeito de fabricação", diz Fukuda.

Outra dúvida era sobre a resistência da suspensão traseira por barra de torção e molas helicoidais, típica de carros de passeio. A rival Fiat Strada e a ancestral Picape Corsa (que tinha capacidade de carga bem menor que a da Montana) têm feixe de molas, sistema usado por jipes e caminhões. O amortecedor traseiro esquerdo estourou, mas, em vez de desgaste, deve ter sido por causa de algum buraco na rua. Os outros amortecedores, além das quatro molas, estavam em bom estado.

Nossa Montana veio ao mundo a passeio. Pelo preço (pagamos 40 756,32 reais, quase um Honda Fit), nível de acabamento e imagem passada nas campanhas publicitárias, entendemos que sua vocação era o lazer. Ela carregou móveis e motos, mas rodou a maior parte do tempo transportando gente. Por ter espaço na cabine apenas para dois passageiros (espaço para bagagem na cabine não falta), nunca viajou para longe. Mas rodou a maior parte do percurso (62%) em estradas. Bebeu, ao todo, 3 789 litros de álcool e 2 793 de gasolina, ao custo de 12 690 reais. Gastamos 4 769 reais com cinco revisões. Segundo a agência Auto Informe, hoje uma Montana como a nossa vale 34 300 reais (devemos conseguir um pouco mais, pois a nossa tem freios ABS, airbag duplo e CD player original). Tudo somado e dividido, ela nos custou, a cada 1000 quilômetros, 286,65 reais.


HISTÓRICO
- 2247 km
Ruído na dianteira. Causa revelada só no desmonte: a moldura do páralama dianteiro esquerdo.
- 2256 km
Morreu em marcha lenta. Termostato ruim, diz a revenda, aos 57 931 km.
- 6601 km
Parafusos da capota marítima soltos. Reaperto na revisão de 20 000 km.
- 18863 km
Alarme toca sozinho. Não se repetiu.
- 21820 km
Banco do carona solto. Reclinador trocado fora da concessionária aos 40 000 km.
- 22377 km
Capô e porta desalinhados. Adesivo de coluna saindo. Reparo na revisão de 40 000 km. Volta a descolar.
- 24411 km
Cai porta-objetos da porta. Trocado na revisão. (30 000 km)
- 36290 km
Ruído na traseira. Nunca resolvido. O desmonte sugere que o amortecedor era o culpado.
- 40917 km
Ré arranhando. Ficou assim; o desmonte nada encontrou.
- 58587 km
Mau cheiro do ar-condicionado. Coisa leve. Não resolvido.

ESTRADAS DA VIDA

Ela rodou 62% em rodovias, quase sempre no Sudeste.


PRÓS
Desempenho: dá para fazer a Via Dutra quase toda em quinta marcha, pois há torque de sobra e câmbio curto (até demais). Patinou nas ladeiras de Cunha (SP) devido à tração dianteira.
Versatilidade: alguém da redação já perguntou quando ela volta do desmonte, pois tem móvel para levar. Carrega motos tão bem quanto acolhe, dentro, a bagagem de dois.
Suspensão: firme e confortável como carro esportivo. Esperávamos contrapartida no desmonte, e não veio: as peças estavam em boa forma. O bom vão livre manteve o cárter intacto.

CONTRAS
Concessionárias: não dá para aprovar orçamento por telefone e buscar no fim da tarde. O cliente precisa estar atento à necessidade dos serviços e comparar preços.
Acabamento: porta-objetos da porta e banco quebraram sem motivo. As faixas pretas nas colunas soltaram, foram trocadas e já estão saindo.
Só para maiores: ela não gosta dos pequenos. Não dá para desligar o airbag do carona e a visibilidade traseira é péssima. Se uma criança estiver atrás, não será vista.


CHECK-UP
Primeiro teste: 0 a 100 km/h em 13,1 s, consumo urbano de 8,6 km/l e rodoviário de 12,2 km/l (com gasolina) e frenagem, vindo a 80 km/h, em 31,9 m.

Último teste: Com embreagem gasta, foi 0,5 s pior no 0 a 100 km/h. Mas empatou no consumo (8,7 e 12,4 km/l) e melhorou na frenagem: 28,9 m.


FOLHA CORRIDA
Data da compra: março/2005
Preço de compra: R$ 40 756
Preço de venda: R$ 34 300
Final do teste: dez/2006
Quilometragem total: 60 908 km
Consumo total: 3 789 litros (álcool) e 2 793 litros (gasolina)
Consumo médio: 9,3 km/l

CUSTOS
Combustível: R$ 12 690
Peças: R$ 2 097
Mão-de-obra: R$ 2 672
Total: R$ 17 459
Custo/1 000 km: R$ 286,65

MAIS NÚMEROS
48 MOTORISTAS
67 VIAGENS
37 726 KM EM ESTRADAS
23 182 KM EM TRECHOS URBANOS


Ficha técnica

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 8V, gasolina/álcool, injeção multiponto
Cilindrada: 1 796 cm3
Diâmetro x curso: 80,5 x 88,2 mm
Taxa de compressão: 10,5:1
Potência: 105/109 cv a 5 400 rpm (G/A)
Potência específica: 58,5/60,7 cv/l (G/A)
Torque: 17,3/18 mkgf a 3 750 rpm (G/A)
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Carroceria: picape, 2 portas, 2 lugares
Dimensões: comprimento, 444 cm; largura, 165 cm; altura, 152 cm; entreeixos, 271 cm
Peso: 1 150 kg
Peso/potência: 11/10,6 kg/cv (G/A)
Peso/torque: 66,5/63,2 kg/mkgf (G/A)
Volumes: caçamba, 1 143 litros; combustível, 52,5 litros
Suspensão: Dianteira: McPherson. Traseira: barra de torção
Freios: disco na dianteira, tambor na traseira, com ABS
Direção: pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Pneus: 185/60, aro 15
Principais equipamentos: airbag duplo, ar-condicionado, computador de bordo, vidros, travas e retrovisores elétricos, direção hidráulica, freios ABS, alarme com controle remoto, janela corrediça, faróis de neblina, rodas de liga leve, vidros escurecidos e pára-brisa degradê, CD player, protetor de cárter
Preço: 40 756 reais (março de 2005)

Veredicto
A Montana não surpreendeu para mais nem para menos, foi um carro dentro da média. No desmonte, nos brindou com uma fonte de preocupação inesperada (o desgaste no comando de válvulas) e nos livrou de uma cisma antiga (a durabilidade da suspensão traseira). Mas não gostamos da rede autorizada, incapaz de perceber o desgaste normal de algumas peças e pródiga em nos oferecer serviços desnecessários.





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