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Carros | Longa duração
Peugeot 307
Maio 2006

Peugeot 307

Sob a pele do leão -- Problemas com o câmbio e com a rede autorizada marcaram os 60 000 km do nosso Peugeot 307

Por Adriano Griecco / fotos: Sérgio Chvaicer/Way of Light
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Carros de marcas francesas nunca gozaram de boa reputação por aqui. Não é raro ouvir alguém dizendo que esses modelos quebram com mais facilidade ou que têm suspensão muito dura. Agora, depois de 63418 quilômetros rodados, tentaremos verificar se há algum traço de verdade nessa lenda. O escolhido, comprado em novembro de 2004 e o primeiro Peugeot da história da revista, foi o 307, que, além de estar conquistando espaço no mercado, reúne na versão 2.0 Rallye boa dose de tecnologia a um preço, digamos, acessível.

Logo no início de sua estada conosco, uma desagradável surpresa. A autorizada nos entregou o carro sem o manual do proprietário. A Peugeot afirmava ter o material em estoque - já que ele é impresso aqui. Na época, constatamos em duas outras revendas que o livreto estava realmente em falta. Além disso, em seu batismo, o 307 nos alertou para um problema que perduraria durante toda nossa convivência com o carro: o câmbio. Segundo o auxiliar de testes Jorge Luiz Alves, na aceleração as saídas poderiam ser mais rápidas. "Ele dá um solavanco que chega a incomodar", afirmou Jorge. O fato seria comprovado mais tarde por outros membros da redação, que relatavam "certa preguiça" do 307 na hora de despertar.

E tanto continuou nos incomodando que, depois de idas e vindas a autorizadas para solucionar a apatia do carro nas saídas, a própria Peugeot entrou na história. Segundo a fábrica, era a primeira reclamação quanto a demora nas respostas do câmbio automático. Os técnicos da Peugeot reconheceram o problema, mas não encontraram a solução. Internado para uma série de exames, o carro ficou uma semana longe da nossa garagem. A avaria foi até comunicada à matriz francesa, mas as causas não foram desvendadas. Depois de uma varredura no sistema elétrico e da reinicialização na central eletrônica que controla o câmbio, a Peugeot decidiu trocar a transmissão aos 15000 quilômetros e enviá-la para o laboratório da fábrica. Mas o problema continuou. Nem nós nem a montadora sabíamos qual era a origem do defeito.

E esse fato ficou comprovado no último teste do modelo, quando engenheiros da montadora chegaram até a trocar as velas do carro - que já haviam sido substituídas aos 22000 quilômetros -, pensando que o problema pudesse ser falta de torque do motor. O desempenho melhorou no último teste e a falha no câmbio parecia ter sido amenizada, o que foi constatado pelo nosso editor Paulo Campo Grande, mas continuou com alguma demora nas saídas e retomadas, como observou Fábio Fukuda, nosso consultor técnico e o responsável pelo desmonte. Depois de andar no 307 durante alguns dias, ele partiu para a oficina.

Onde foi parar o óleo? - Na hora de abrir o câmbio, a primeira surpresa. Em vez dos 6 litros de óleo que deveriam estar trabalhando no sistema, saíram apenas 4. "Como o câmbio é selado, a caixa não deveria ter perdido nem uma gota de fluido", explica Fukuda. Segundo ele, a falta de óleo poderia ser uma das causas na lentidão nas saídas, pois o sistema demoraria um pouco mais para ser acionado. Um provável vazamento está descartado justamente pelo fato de a caixa de transmissão ser selada. A causa mais provável apontada por Fukuda seria uma falha da concessionária que montou o segundo câmbio, que poderia não ter colocado a quantidade correta do fluido.

Mesmo com os problemas no câmbio, o Peugeot sempre ocupou a vaga de queridinho aqui da redação. Além do conforto de um automático, o modelo oferecia mimos que faziam a alegria dos motoristas, como sensores de chuva e de faróis, controles do rádio na coluna de direção, retrovisores que se recolhiam aos travar as portas e ar-condicionado digital. Mesmo com tanta tecnologia embarcada, o carro não apresentou problemas nessa área e funcionou bem durante todo o teste. No desmonte, esses equipamentos foram checados e aprovados com louvor, sem indícios de falha.

O conforto a bordo foi um dos pontos que fizeram o Peugeot rodar em nossas mãos e ser um dos modelos mais disputados da nossa frota. Além de ir para a Bahia com o designer Tarcísio Moraes, o Peugeot voltou à sua terra natal, a Argentina, para completar os últimos quilômetros antes do desmonte. Na companhia do repórter da revista Viagem e Turismo Ciro Pessoa e do fotógrafo Waldo Lao Fuentes, o 307 rodou 5000 quilômetros. Além disso, foi um incansável perseguidor de segredos, nas mãos do assistente de teste Jorge Luiz Alves. Entre as terras desbravadas estavam cidades como Teresina, no Piauí, palco da caçada ao Volkswagen SpaceFox, e São José dos Pinhais, no Paraná, onde pegamos uma leva de modelos da Renault.

Com tantas viagens, algumas por estradas mal pavimentadas, a suspensão do Peugeot foi colocada à prova - e saiu-se melhor do que esperávamos. Segundo Fukuda, as buchas das bandejas dianteiras e os pivôs apresentaram desgaste compatível com a quilometragem, apesar de terem sido castigadas nas estradinhas de terra da Bahia. Os rolamentos do cubo de roda também estavam bons. A única exceção foram os amortecedores: os dois dianteiros já denotavam cansaço, com perda de pressão, mas ainda dentro do limite. No entanto o amortecedor direito apresentou sinais de vazamento, o que não deveria ter acontecido.

Os pneus também sofreram bastante. Ao fim dos 60000 quilômetros, os quatro terão de ser substituídos por estarem no limite - durante a vida do Peugeot, dois deles foram trocados por apresentarem bolhas e rasgos na lateral, impossibilitando qualquer conserto -, mas ainda assim estão dentro do que se espera para essa quilometragem. A única ocorrência relevante na suspensão foi a troca das molas aos 43000 quilômetros. Como havia excesso de trepidação, a concessionária fez a substituição por peças mais rígidas e de menor curso. A explicação é que trata-se de uma alternativa da fábrica para resolver imprevistos na tropicalização. Oficialmente a Peugeot nega a versão, que foi confirmada por mais duas concessionárias na época.

No sistema de direção, constatamos alguns problemas. As barras axiais estavam gastas e com folga excessiva, gerando pequenos ruídos. O mesmo foi visto no pivô que liga a barra esquerda ao cubo de roda. Outro foco de barulho estava na caixa da direção. Um de seus três pontos de fixação estava totalmente rompido e com a bucha danificada, causando vibração. O motivo é fadiga de material e excesso de vibração, segundo Fukuda.

Trocas precoces - Ainda faltava abrir o motor 2.0 16V de 138 cavalos. Acabamos visitando oficinas da marca algumas vezes, por uma série de falhas na injeção e panes elétricas - uma delas nas mãos do editor da revista Nitro, Felipe Barcellos. Entre ajustes e regulagens - como a do sensor de fase -, o motor passou por uma substituição prematura das velas - feita duas vezes, aos 20000 e aos 60000 quilômetros. A outra ocorrência ligada ao motor veio de um agente externo. Numa estrada de terra em Caraívas (BA), uma pancada um pouco mais forte inutilizou o protetor de cárter, que, perfurado, não foi capaz de poupar seu protegido. Em determinado momento o cárter se rompeu, mas o vazamento de óleo só foi notado em São Paulo. Nessa história, foi-se também o coxim do motor.

No desmonte, a carbonização das 16 válvulas e dos pistões estava compatível com a quilometragem e com a qualidade de nosso combustível. Tanto a compressão dos cilindros quanto as folgas de virabrequim estavam dentro dos valores estipulados pela fábrica. Apenas as folgas entre os munhões e as bronzinas de mancal do virabrequim e as medidas entre os moentes e as bronzinas das bielas estavam pouco acima do valores tolerados. Mas nada que comprometesse o bom funcionamento do motor, segundo Fukuda.

Todo carro equipado com câmbio automático não tem a ajuda do freio-motor. E quem sofre mais na hora de parar é o sistema de freio. Isso ficou comprovado na análise final. Os discos dianteiros estão apenas 0,5 milímetro acima da espessura mínima definida pela fábrica. Ou seja, precisam ser trocados, assim como as pastilhas dianteiras. Na traseira a situação estava um pouco melhor, com espessura 1 milímetro acima do tolerado, com mais algumas centenas de quilômetros pela frente. Na parte eletrônica, o ABS não apresentou problemas. Nem em sua "vida útil" nem no desmonte.

Exaustivamente desmontada e analisada, a carroceria do Peugeot não apresentou problemas quanto à vedação, como marcas de infiltração de água ou poeira. No interior, bancos, revestimentos das portas e painéis ainda se encontravam em bom estado e com níveis de ruído aceitáveis para a quilometragem. A exceção era a porta traseira direita, que tinha alguns acabamentos soltos e fechadura ligeiramente desregulada.

Em 14 meses conosco, nosso Peugeot permaneceu dois deles internado em concessionárias. Ora por fatalidades, como os dois pára-brisas que trincaram por causa de pedras, ora por problemas mais sérios, como o do câmbio automático. Em alguns casos, a rede da marca decepcionou. Numa dessas vezes, ficamos esperando 12 dias para a substituição de duas simples velas do motor. Outra foi quando trocamos o câmbio, ainda no período de garantia de fábrica. Houve ainda outra visita à autorizada em que pedimos para fazer um alinhamento de direção, que foi esquecido. Isso sem falar na entrega do carro sem o manual do proprietário.

Na conclusão, o 307 agradou quem sempre esteve ao volante, com seu conforto e recursos eletrônicos, mas incomodou com a dor de cabeça que se tornou o câmbio automático, as panes elétricas no motor e os problemas com as visitas a concessionárias.


BALANÇO FINAL

Data da compra - dez/2004
Preço de compra - R$ 61000
Preço de venda - R$ 49500
Final do teste - abr/2006
Quilometragem total - 63428
Consumo total - 6380 litros
Consumo médio - 9,9 km/l
Consumo de óleo - 16 litros

CUSTOS

Combustível - R$ 15450
Óleo - R$ 340
Peças - R$ 5870
Mão-de-obra - R$ 1740
Total - R$ 23400
Custo/km - R$ 0,37

MAIS NÚMEROS

28 Motoristas
17 Viagens
35004 KM em estradas
27620 KM em trechos urbanos

A manutenção do 307 ficou cara pelos pára-brisas quebrados e pelos constantes aumentos no preço da gasolina. O custo por quilômetro rodado do Stilo, que foi desmontado em janeiro de 2005, foi de 0,26 reais. Já o do Peugeot foi de 0,37.

HISTÓRICO
13829 Km - Acendimento automático não funciona
15159 Km - Ainda na garantia, a Peugeot resolveu trocar o câmbio
43416 Km - Pane no motor e substituição das molas dianteiras
51700 Km - Na Bahia, o designer Tarcisio Moraes danificou o cárter

Ficha técnica

PEUGEOT 307 RALLYE

Motor: dianteiro, transversal, 4 cilindros em linha, 16V, gasolina, injeção multiponto
Cilindrada: 1997 cm3
Diâmetro x curso: 85 x 88 mm
Taxa de compressão: 10,8:1
Potência: 138 cv a 6000 rpm
Potência específica: 69,1 cv/l
Torque: 19,4 mkgf a 4100 rpm
Câmbio: automático de 4 marchas, tração dianteira
Carroceria: hatch, 4 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 420 cm; largura, 174 cm; altura, 151 cm; entreeixos, 261 cm
Peso: 1355 kg
Peso/potência: 9,8 kg/cv
Peso/torque: 69,8 kg/mkgf
Volumes: porta-malas, 340 litros; combustível, 60 litros
Suspensão: Dianteira: independente, McPherson, com barra estabilizadora
Traseira: barra de torção, com barra estabilizadora
Freios: disco ventilado nas 4 rodas, com ABS
Direção: hidráulica, tipo pinhão e cremalheira
Pneus: 195/65 R15
Principais equipamentos de série: ar-condicionado, airbag, computador de bordo, ABS, câmbio automático com Tiptronic, direção hidráulica, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, espelhos escamoteáveis eletricamente





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