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Carros | Longa duração
VW Polo 1.6
Abril 2004

VW Polo 1.6

Ia tudo bem até que um serviço mal feito no fim do teste prejudicou o motor

Por André Ciasca / fotos: Sérgio Chvaicer-Way of Light
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Desde que chegou à redação, em novembro de 2002, nosso VW Polo Hatch 1.6 vivia cercado de elogios. Motor, câmbio, suspensão... Tudo quase sempre demonstrando bom desempenho. Houve, é verdade, uma ou outra reclamação, principalmente sobre os barulhos internos, e um único caso mais grave com avarias na suspensão depois de uma maratona de buracos. Ainda assim, a expectativa geral era de que o carro sairia incólume do desmonte. Em muitos itens, ele foi mesmo excelente. Mas ao abrir o motor tivemos algumas surpresas desagradáveis.

A última grande viagem do carro, cruzando as regiões Centro-Oeste e Nordeste, foi o divisor de águas. Dali em diante surgiram problemas provocados pela falta de resistência de peças e pela má prestação de serviço de duas concessionárias. Alguns itens foram consertados ou trocados de imediato, como o conjunto da suspensão. Outros permaneciam na penumbra. Se o carro continuasse nas ruas, em breve eles nos obrigariam a fazer paradas de emergência para tratar do motor e da infiltração de água pelo assoalho do carro.

Durante os 60610 quilômetros e 17 meses que passou conosco, o motor 1.6 do Polo sempre instigou os motoristas a uma tocada mais agressiva. Ele não apresentou falhas nem levantou qualquer suspeita que sugerisse problemas. Apenas nos últimos dias de teste percebemos uma leve trepidação em marcha lenta e perda de rendimento em retomadas, quase imperceptível. Eram os sinais de que nem tudo estava certo.

O estranhamento começou com a medição da pressão da compressão. Enquanto três cilindros estavam com 13,79 bar de pressão, o outro tinha 11,03 bar. A pressão não era suficiente para comprimir a mistura ar-combustível de maneira tão eficiente quanto nos outros. "É uma diferença considerável, que justifica a deficiência na marcha lenta e nas retomadas", diz Fábio Fukuda, técnico da Fukuda Motorcenter e responsável pelo desmonte. Ao abrir o cabeçote, algumas respostas apareceram. A câmara de combustão do segundo cilindro estava preta, carbonizada, assim como suas válvulas e dutos de admissão e escape. Desmontando o bloco do motor, encontramos os três anéis desse cilindro travados e as bronzinas da biela danificadas. "Sinal evidente de deficiência na lubrificação e queima irregular", afirma Fukuda. Se continuasse rodando, o cilindro perderia mais pressão, aumentaria a carbonização e danificaria outras peças. Em breve teríamos formação de borra, consumo excessivo e motor falhando.

Pintou sujeira
Consultando o diário de bordo, chegamos à provável origem do problema. O carro viajava pelo Nordeste e havia acabado de passar pela última revisão de garantia, a dos 45000 quilômetros, na autorizada Pivel, em Picos, no Piauí. Pouco mais de 1500 quilômetros depois, a luz espia do óleo acendeu no painel. Interrompemos a viagem e paramos na concessionária Cristal, em Itabuna, na Bahia. A consultora Luana Brito apagou a "luzinha" do painel com ajustes eletrônicos no computador de bordo sem nem ao menos verificar o motor. "Nossa análise indica que alguma sujeira interrompeu a pressão do óleo, prejudicando a lubrificação", afirma Fukuda. "Se a concessionária do Piauí trocasse o óleo com mais cuidado e a da Bahia fizesse as devidas verificações, as chances de esse problema acontecer seriam mínimas." Só para repor as peças danificadas ao remontar o carro gastaremos 243 reais. O valor poderia superar os 5000 reais se não parássemos agora.

As outras medidas do motor - diâmetros de cilindro, de pistão, de munhão e de moente e folga entre pontas de anéis -
estavam dentro dos limites ditados pela fábrica. "Ainda levariam um bom tempo para chegar a seu limite", diz Fukuda.

O câmbio é outro responsável por bons momentos vividos ao volante do Polo. "O câmbio foi o ponto forte do carro", diz Fukuda. Embreagem, garfos e engrenagens estavam novos. A única mancha em seu currículo foi uma falha no trambulador aos 41200 quilômetros. Jorge Luiz Alves, auxiliar de testes, ficou a pé na estrada entre Uberaba e Uberlândia, em Minas Gerais. "Um parafuso do trambulador soltou e deixou a alavanca inoperante", afirma Alves. Foi a única mácula do sistema de engates, que é idêntico ao utilizado no VW Golf e no Audi A3. O platô de embreagem, chamado popularmente de "chapéu chinês", foi a única peça que apresentou alguma irregularidade. Havia uma marca de desgaste excessivo. Segundo Fábio Fukuda, a marca é resultado
de algumas "braçadas" ao volante. "Apesar dos engates precisos, teve gente que conseguiu errar na hora de trocar de marcha", ele diz. "Mas você olha as outras peças e não fala que já rodaram 60000 quilômetros."

Aquela mesma viagem pelo Nordeste - ou melhor, pelas estradas esburacadas da região - nos trouxe mais prejuízos. Ao retornar a São Paulo, já com 50500 quilômetros, o Polo nos brindava com uma batida seca e um rangido vindos da suspensão traseira. O barulho não desapareceu antes da parada na autorizada Rodac de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Pagamos 1480 reais pela substituição de molas, caixa de rolamentos, cubo da roda dianteira esquerda e quatro amortecedores. Como as peças que terminaram o teste eram novas, incluímos as defeituosas na análise do desmonte. "As peças antigas não tinham condições de rodar e ainda poderiam travar a roda e provocar um acidente grave", afirma Fukuda. Os amortecedores estavam sem pressão, um deles tinha a haste torta, o rolamento estava com a pista de rolagem avariada e o cubo, completamente torto. Para completar o quadro, o serviço não foi bem feito. A medição das peças revelou que os rolamentos estavam com folgas de até 0,10 milímetro, provocadas por falha de montagem na concessionária. É um fio de cabelo, mas o suficiente para desgastar prematuramente as peças e trazer mais problema em pouco tempo.

Apesar do problema na suspensão, todo o sistema de direção estava perfeito. Não havia nenhum terminal com o menor sinal de desgaste, bem como a coluna e a caixa de direção. Já os discos de freio, apesar de estarem com espessura dentro do limite de 19 milímetros, tinham algum empenamento, o que diminuiria seu tempo de vida. Mesmo assim foram aprovados pelo sistema de avaliação de frenagem da Napro, empresa que fabrica equipamentos de diagnose e inspeção veicular. O aparelho, homologado pelo Inmetro, apontou 67% de eficiência, dentro do padrão que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) considera como excelente. O mínimo recomendável é 55%.

Os sistemas elétricos e eletrônicos estavam intactos. Tanto chicotes quanto conectores não apresentavam sinal de desgaste ou oxidação. Mas o equipamento de diagnose revelou o registro do chamado "momento crítico" da bateria. Provavelmente alguém esqueceu faróis ou luz interna acesos e por pouco o carro não ficou sem energia.

Conta-gotas
A carroceria parecia impecável. Não havia qualquer falha na pintura, sinal de oxidação, solda ou trinca. Mas, ao desmontar o interior do carro, a última surpresa. "A forração do assoalho do passageiro dianteiro estava completamente molhada", afirma Fukuda. Só descobrimos a origem da umidade fazendo o caminho contrário da infiltração. Tiramos o forro e jogamos água no assoalho. Um fio do líquido atravessou a trinca na base do parafuso que sustenta o defletor do escape. Provavelmente foi causada por torção ou pela trepidação do carro. Do lado do motorista encontramos outra trinca na mesma posição, só que menor e ainda sem sinais de infiltração. Era questão de tempo para a água começar a brotar por ali também. E aí já seria tarde demais. "Quando a umidade fosse percebida por dentro do carro, a trinca poderia estar grande ou o assoalho em estado de oxidação avançada", diz Fábio Fukuda.

Ainda no quesito acabamento, precisamos citar as várias cartas que recebemos de leitores proprietários de Polo, reclamando dos barulhos provocados pelo acabamento interno. Com nosso carro não foi diferente. Em todas as revisões de garantia os tais ruídos internos eram relatados. Depois dos ajustes nas concessionárias, conseguíamos o silêncio desejado por alguns dias. Mas a batucada sempre voltava.

Depois de 60610 quilômetros, o Polo se mostrou econômico no consumo e nos gastos com manutenção. Sua média foi de 10,7 km/l, chegando a 14 km/l em trajetos rodoviários. Seu custo por quilômetro rodado ficou em 17 centavos. É um valor consideravelmente baixo, se comparado aos 22 centavos do Fiesta Supercharger e aos 24 do Corsa Sedan, os últimos carros desmontados (tudo em valores nominais, sem aplicar a inflação do período). Se a viagem pelo Nordeste não desse o prejuízo de 1306 reais, ficaria em 14 centavos.

"Não fossem a infiltração e a carbonização do motor, esse seria o melhor carro que já desmontamos", afirma Fábio Fukuda. O problema na suspensão, consertado durante o teste, mostrou que ele não é tão robusto e resistente para enfrentar as estradas brasileiras. Os ruídos constantes são sinais de que também faltou robustez no acabamento. Mas nos quesitos desempenho e custo/benefício não há do que reclamar.




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