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Carros | Longa duração
Fiat Stilo 1.8 16v
Janeiro 2005

Fiat Stilo 1.8 16v

O que acontecia por dentro do nosso Stilo enquanto ele rodava 60000 quilômetros

Por Adriano Griecco / fotos: Sérgio Chivaicer
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Bem que a seção Longa Duração poderia adaptar o lema dos Guias Quatro Rodas: "A gente vai antes para você ir melhor". No nosso caso seria "a gente usa antes para você comprar melhor". É verdade que desde o desmonte da Variant, o primeiro carro a ser analisado por QUATRO RODAS peça a peça, muita coisa mudou. E para melhor. Hoje, são raros os casos de problemas graves ou de desgaste excessivo com 60 000 quilômetros rodados. Então, qual o sentido de rodar tanto tempo com um carro? A resposta é simples e é basicamente a mesma que vale para todo relacionamento longo: convivência.

Será que o carro vai manter seu comportamento discreto e silencioso? E sua aparência, continuará a mesma com o passar do tempo? Como ele é recebido nas concessionárias? Será que ele é frugal na manutenção? Será que os serviços executados são de qualidade? Essas perguntas são respondidas ao longo do teste e o veredicto sai na análise das peças após o desmonte. Assim tem sido desde quando publicamos o resultado do primeiro Longa Duração, em maio de 1973. Agora é a vez do Fiat Stilo, que teve o mais tumultuado começo de nossa série de testes.

O Stilo que você vê desmontado é o segundo de nossa frota. O primeiro foi por água abaixo aos 6000 quilômetros, quando o fotógrafo Reinaldo Rollo decidiu registrar o carro às margens do rio Parnaíba, em Floriano (PI). Depois de estacioná-lo no alto de uma ladeira, ele viu o carro descer e afundar no rio.

Um novo Stilo substituiu o acidentado. Dessa vez, com o Sky Window - uma das grandes atrações do carro. Vamos confessar: não botávamos muita fé na durabilidade do atraente teto móvel com cinco lâminas. Colocávamos sob suspeita sua capacidade de permanecer em silêncio e manter a água do lado de fora da cabine. E o fato é que o teto solar apresentou um único problema, aos 30413 quilômetros. A essa altura seu forro se recusava a fechar e superaqueceu os neurônios do diretor de arte Bruno D'Angelo.

O problema foi resolvido com a reprogramação da central eletrônica, na concessionária Nuova em Limeira, interior de São Paulo. No mais, uma atuação exemplar. Na edição de julho passado, a repórter Carol Lima submeteu o Stilo a uma ducha forçada durante dois minutos. Nenhuma gota de água entrou.

Até aquela quilometragem, as ocorrências com o Stilo se limitavam à quebra do cabo de acionamento das marchas, que se rompeu e deixou a alavanca inoperante (o defeito foi atribuído a um problema de fabricação), aos rangidos das portas e às avarias do alarme - a luz indicadora no painel teimava em permanecer acesa. Na época, deixamos o Stilo na autorizada Ventuno, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, e durante a avaliação descobriram que o problema estava na peça que funciona como antena, recebendo os sinais do controle remoto e acionando as travas das portas.

Como a concessionária não tinha a peça em estoque, esperamos cinco dias para receber o Stilo de volta. Porém a luz-espia do alarme teimou em acender mais algumas vezes. Segundo Fábio Fukuda, nosso consultor técnico e responsável pelo desmonte e análise das peças, o motivo estava na central do alarme, que indicava cinco avarias, entre elas problemas com as luzes indicadoras de direção.

Dotado de sistemas como computador de bordo, alarme, direção, vidros e travas elétricos, aumentavam as chances de panes elétricas. Mas, com exceção das avarias do alarme, esses equipamentos não apresentaram problemas durante todo o teste.

Os bancos e os revestimentos das portas estavam em bom estado. Segundo Fukuda, "as partes móveis no interior do veículo estavam bem fixadas e sem deformações". Mas no desmonte descobrimos um "carinho" extra da fábrica. Algumas partes móveis, como a tampa do porta-luvas, receberam uma forração de espuma para diminuir os ruídos. Sob o painel, o conector do airbag tinha marcas de remoção, já que foi preso à estrutura do painel, para não bater, e teve sua aba lateral quebrada. Em nenhum momento solicitamos um serviço desse tipo.

Durante os 23 meses de convivência, o Stilo foi bem requisitado na redação. Além de ter o charme do Sky Window, ele era o modelo mais potente entre os outros carros de Longa Duração de sua "turma". Esses ingredientes atraíram aqueles que gostam de pisar um pouco mais forte no acelerador. Essa relação ficou comprovada nas análises da suspensão e dos freios e, claro, das rodas e pneus.

A suspensão se comportou bem durante todo o teste. Na desmontagem, no entanto, as buchas posteriores das bandejas apresentaram desgaste acentuado - a do lado direito estava mais prejudicada.

Encontramos uma prova de uso de um regime mais severo imposto à suspensão nos pneus. Duas bolhas internas indicavam que o carro sofreu por causa dos buracos. Na caravana em direção a Curitiba, ocasião em que acompanhou os carrões de luxo (setembro de 2004), ele encarou a BR-116. A poucos quilômetros da capital paranaense, nas mãos do assistente Silvio Gioia, ele sofreu avarias em dois pneus e em uma roda, ao fazer um pouso forçado em um buraco. Molas e amortecedores ainda estariam aptos a encarar mais alguns quilômetros. Já as bandejas serão substituídas, a um custo de 294 reais cada uma.

Com as pastilhas de freio trocadas na revisão dos 45000 quilômetros, o Stilo não apresentou problemas em seu último teste e obteve médias melhores que as do primeiro. Mas a prova de que os freios foram bastante requisitados durante a estadia com o Stilo veio na espessura do disco de freio dianteiro menor que o mínimo tolerado pela fábrica - 20,15 e 20,18 milímetros, contra 20,2. Como não oferecem mais retífica, terão que ser substituídos, acrescentando mais 305 reais em nossa conta.

No decorrer dos 60952 quilômetros, não tivemos nem sinal de fumaça de problema com o motor. Nada. Quando abrimos seu "andar superior", a confirmação de que estava tudo em ordem. Cabeçote, comando e válvulas tinham apenas resíduos de carbonização, "condizentes com a quilometragem", segundo Fukuda. A compressão dos cilindros estava nos níveis estipulados pela Fiat e em valores bem próximos nas quatro câmaras de combustão. Pistões e bielas não apresentaram desgaste significativo.

O que nos causou surpresa, no entanto, foi a parte inferior do motor, onde encontramos uma folga axial do virabrequim acima do previsto pela fábrica - o padrão é de 0,12 a 0,25 milímetro, e nosso Stilo apresentou 0,45 milímetro de folga. O semi-anel posterior de encosto do virabrequim - onde ele vai apoiado no bloco do motor - também apresentou desgaste excessivo e estava abaixo das medidas.

Essa folga é uma espécie de "jogo" longitudinal no eixo. Segundo nosso consultor Fábio Fukuda, o problema iria provocar o desgaste prematuro de bronzinas de mancais e bielas, causando ruídos no motor e comprometendo sua durabilidade.

Segundo Carlos Henrique Ferreira, engenheiro da Fiat, o problema teria sido causado pelo fato de se andar com o pé apoiado na embreagem. Ao analisarmos as peças, constatamos que disco e platô não apresentaram sinais de que a embreagem do veículo tivesse sido utilizada de forma incorreta. Segundo Fukuda, só resta a hipótese de que a causa para a folga do virabrequim esteja no semi-anel de encosto, que pode ter saído de fábrica com folga excessiva.

Quase no fim de sua vida útil por aqui, quando estava realizando seu último teste nas mãos do auxiliar Jorge Luiz Alves, o Stilo sofreu uma avaria no câmbio e precisou ter sua carcaça substituída. Por isso, incluímos a antiga na avaliação final. Internamente, o câmbio estava inteiro: engrenagens, rolamentos, anéis sincronizadores e eixos encontravam-se em perfeito estado e apresentavam pouco desgaste, para a quilometragem do veículo. Fica a ressalva de que a carcaça antiga tinha vestígios de cola diferente da que é utilizada pela fábrica - de cor verde. Isso indica que o câmbio foi aberto em algum momento do teste, sem o nosso conhecimento, por alguma autorizada Fiat. Aparentemente, nenhuma peça foi substituída.

Enquanto esteve conosco, o Stilo nos proporcionou bons e tranqüilos momentos. Bem, há que se descontar o período de adaptação por que passaram todos os seus motoristas. É que a frente raspava em lombadas ou valetas - e não foram poucos os condutores que reclamaram. Ao todo, 31 pessoas assumiram o volante do Stilo, rodando, na maioria das vezes, na cidade. Nesse cenário, não faltaram pequenos esbarrões no trânsito e como resultado tivemos amassados nos pára-lamas e avarias nos pára-choques, tudo consertado em concessionárias. O Fiat freqüentou apenas quatro estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Diferente do primeiro Stilo, um desbravador que desapareceu no auge de sua juventude.

Diário de Bordo

Se comparado ao nosso último Longa Duração, o Stilo viajou bem menos. O Volkswagen Polo passeou por nada menos que 11 estados, contra apenas quatro do Fiat. E, rodando mais na cidade, nosso Stilo fez uma média inferior de consumo, mas razoável para o seu segmento: 9,8 km/l. O aumento no preço dos combustíveis pesou na diferença entre os dois no custo por quilômetro rodado - que foi de 0,26 real no Stilo e 0,17 real no Polo.

15175 km - Uma avaria no alarme fazia a luz-espia acender
21459 km - Uma batida vitimou o espelho retrovisor e o pára-lama
25186 km - O cabo de acionamento do câmbio se rompeu
31094 km - O forro do Sky Window travou e permaneceu aberto por dois dias
40154 km - Uma pedra trincou o vidro dianteiro, que foi trocado em seguida
50958 km - Numa viagem, uma roda e dois pneus sofreram avarias
55019 km - O ar-condicionado parou de funcionar
60336 km - A carcaça da caixa de câmbio se rompeu durante um teste

FOLHA CORRIDA
Data de compra: janeiro de 2003
Preço de compra: 48300 reais
Preço de venda: 44712 reais*
Fim do teste: novembro de 2004

Quilometragem total: 60952 km
Consumo total: 6118 litros
Consumo médio: 9,8 km/l
Óleo: 20 litros

CUSTOS

Combustível: 12710 reais
Óleo: 185 reais
Peças: 3124 reais
Mão de obra: 2247 reais
Total: 18266 reais
Custo/Km: 0,26 reais

MAIS NÚMEROS

31 motoristas
6 viagens
40705 km em estradas
20247 km em trechos urbanos





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