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Carros | Longa duração
Honda Fit LX CVT
Abril 2005

Honda Fit LX CVT

Depois de sua estada conosco, o Fit passa pelo crivo do desmonte. Já tem gente com saudades dele

Por Adriano Griecco / fotos: Sérgio Chvaicer
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Começo a achar que o título da seção deveria ser mudado. Veja o caso do Fit. Ele parece ter chegado ontem. Lembro-me vivamente de quando o assistente de fotografia Sílvio Gióia saiu da redação numa quarta-feira para buscar o Honda em uma concessionária em Porto Alegre e voltou depois de dois dias. Logo na semana seguinte, o câmbio CVT já alimentava uma animada discussão na redação. Enquanto alguns se mostravam arrebatados pelo equipamento, outros faziam cara de tédio. E a celeuma prosseguiu ao longo dos 60000 quilômetros. O câmbio nos rendeu pautas como uma comparação de consumo com uma versão manual e uma viagem à praia para medir seu comportamento nas subidas de serra. Como não poderia ser diferente, é sobre ele que recai grande parte da nossa expectativa. O desmonte, conduzido pelo nosso consultor técnico Fabio Fukuda, da oficina paulista Fukuda Motorcenter, foi a oportunidade de conhecer na intimidade o CVT.

No início de sua estada, aos 6112 quilômetros, o Fit foi convocado para um recall para substituir um duto de freio. Não fosse isso, o carro só entraria em uma concessionária por problemas aos 11772 quilômetros, quando tivemos um súbito apagão, por conta de uma bateria descarregada. Segundo duas autorizadas contatadas na época, poderia haver alguma fuga de energia. Aos 20000 quilômetros, na segunda revisão, descobrimos, escondido no porta-malas, quem estava furtando corrente: a luz interna do compartimento de bagagem não apagava quando a porta era fechada. Esse foi o único senão relacionado à parte elétrica no desmonte. Os sistemas de gerenciamento eletrônico do motor e do câmbio não apontaram falhas em suas memórias, o que poderia ser decorrente de problemas durante o teste.

Logo após a revisão, o Fit seria escalado para a segunda viagem - a primeira foi vir de Porto Alegre -, com a missão de acompanhar uma competição de arrancada de tratores. No meio do caminho, o fotógrafo Ricardo Rollo foi surpreendido por um distraído e desafortunado cachorro, que cruzou a rodovia sem perceber a presença do nosso Fit. Os danos materiais foram a ponta do pára-choque e o pára-lama dianteiro do lado esquerdo amassados. Com 30000 quilômetros, o Honda aproou rumo a Belo Horizonte para fazer sua terceira revisão, na concessionária Auto Japan. Efetuamos também os reparos na funilaria. Só agora, ao desmontarmos o carro, descobrimos que o pára-lama dianteiro não foi totalmente fixado pela concessionária. O parafuso podia ser desrosqueado apenas com a ponta dos dedos.

Depois de ficar quase 6000 quilômetros rodando na cidade de São Paulo, o Fit partiu para uma nova aventura. Levou o fotógrafo Ricardo Rollo - dessa vez como carona, para alívio dos cães moradores de beira de estrada - e o assistente de testes Jorge Luiz Alves até o Piauí. Durante o percurso, Jorge Luiz não se cansou de elogiar o desempenho da suspensão do carro: "Barulho, só o do vento batendo no carro". Além do asfalto mal conservado, o carro enfrentou cerca de 400 quilômetros de terra poeirenta. E o Fit foi aprovado no teste de vedação ao se recusar a dar carona às indesejáveis partículas de poeira.

No desmonte, ao conferirmos as conseqüências da aventura, verificamos que, apesar de a suspensão estar em bom estado, as buchas posteriores das bandejas apresentavam desgaste acentuado. Em uma delas a borracha estava trincada. No interior do Fit, a única marca do excesso de sacolejos estava no banco do motorista, que apresentou uma folga no suporte de fixação. "Isso faz com que ele tenha um pequeno movimento de inclinação nas frenagens e acelerações", afirma Fukuda. Os outros bancos, console central e painéis das portas estavam intactos, assim como o forro da carroceria. O hodômetro do Fit já beirava os 45000 quilômetros. Nesse ponto, realizamos um teste para descobrir com qual dos dois câmbios o Fit era mais econômico. O modelo com câmbio manual se saiu melhor, tanto na estrada quanto na cidade. Depois do teste, que exigiu a instalação do medidor de vazão de combustível, o filtro de ar não foi recolocado de forma correta. Como conseqüência, a borracha que liga o filtro à borboleta do acelerador ficou danificada e seus detritos ajudaram a travar a tal borboleta. Resolvido o problema, o Fit retornou à pista da TRW para seu teste de despedida. Nele, obteve as mesmas médias do primeiro teste, incluindo os números de frenagem. Mas no desmonte constatamos que os discos estavam 1,7 milímetro abaixo da especificação. O fato poderia ter sido evitado com a substituição dos discos de freio na revisão dos 50000 quilômetros, ocasião em que foram trocadas apenas as pastilhas de freio.

Ainda no último teste, como é usual acontecer, o Fit apresentou números ligeiramente melhores que os do primeiro teste, no quesito desempenho. Na inspeção feita por Fabio Fukuda, motor e câmbio estavam em excelente estado de conservação e os pistões e cilindros estavam com as medidas dentro do especificado pela Honda, assim como o virabrequim, que apresentou folga axial de 0,15 milímetro, bem abaixo do 0,45 milímetro tolerado pela fábrica. Já os pistões apresentaram excesso de carbonização na parte superior. Segundo a fábrica, o fato seria devido a gasolina de má qualidade. Como conseqüência, o anel de compressão do quarto pistão travou e o primeiro cilindro do bloco apresentava um risco superficial, causado por uma partícula de carvão.

"E o CVT?", você deve estar se perguntando. Nele, não constatamos nenhum problema. Polias, correias e engrenagens encontravam-se em perfeito estado e sem sinais de cansaço. O conjunto apresentava-se apto a encarar muito chão pela frente.

Se o desmonte do Fit, assim como toda a convivência com ele, foi marcado pela ausência de surpresas, o mesmo não se pode dizer da hora que recebemos seu orçamento. O alto preço de algumas peças nos surpreendeu. Como o conjunto de juntas e selantes do motor (que pode ser vendido separadamente), que custa 986 reais. No Chevrolet Meriva, o preço dessas peças é de 384,70 reais. No Polo 1.6, saem por 540,30 reais. A Honda garante que os preços são tabelados e que tais peças têm procura pequena dentre os clientes da marca. Outra fonte de estresse para Suely Giorgino, que controla os pagamentos da redação, será o preço pedido pelo jogo de bronzinas de mancal do Fit: 629 reais - contra 48 reais pelas mesmas peças do VW Polo. Ninguém mandou mexer com quem estava quieto.

Diário de bordo Foram 61311 quilômetros rodados por 37 motoristas em 19 meses. Fizemos 31 roteiros, viajando de Porto Alegre a Teresina. As poucas ocorrências surgiram a partir da metade do teste, quando o Fit sofreu um pequeno acidente, e no fim, quando a montagem errada da borracha do filtro de ar jogou sujeira para a borboleta, que travou e manteve o motor acelerado. Quanto aos custos, o peso fica na conta do combustível mais uma vez, já que o carro não apresentou quebras durante sua jornada. O custo por quilômetro rodado foi de 0,21 real.

FOLHA CORRIDA
Data da compra: julho DE 2003
Preço DE COMPRA: 38806 REAIS
Preço de venda: 37636 REAIS*
Final do teste: fevereiro DE 2005
Quilometragem total: 61311 KM
Consumo total: 5042,65 LITROS
Consumo médio: 12,1 km/l
Óleo: 20 litros

CUSTOS
Combustível: 10378,34 reais
Óleo: 231 reais
Peças: 2478,45 reais
Mão-de-obra: 1603,50 reais
Total: 14690 reais
Custo/km: 0,21 real

MAIS NÚMEROS
37 motoristas
31 viagens
28750 km em estradas
32561 km em trechos urbanos
6992 km - A primeira parada do Fit não foi para a revisão dos 10000 quilômetros, mas sim para um recall por possibilidade de problemas no freio.

12474 km - Da noite para o dia a bateria descarregou. Uma recarga resolveu o problema. O culpado estava escondido no porta-malas.

29972 km - Durante uma viagem, um cachorro cruzou o caminho do Fit. O resultado foi um pára-choque e o pára-lama dianteiro danificados.

59775 km - Em seu último teste, a sujeira acumulada na borboleta deixou o motor acelerado. Uma limpeza no sistema resolveu o problema.





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