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Carros | Comparativos
QQ x Celta x Clio x Gol x Ka x Mille
Março 2011

QQ x Celta x Clio x Gol x Ka x Mille

Na estreia, o QQ enfrenta as opções nacionais de entrada do mercado

Por Péricles Malheiros | Fotos: Marco de Bari e Christian Castanho
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TAMANHO DA LETRA  

Uma nova leva de marcas chinesas desembarca no Brasil. Chery e JAC são as primeiras dessa segunda onda e já anunciaram disposição de se estabelecer como fabricantes locais. O Chery QQ está longe de representar uma proposta inovadora, mas oferece um excelente pacote de equipamentos aliado a um preço baixo, o que o qualifica a disputar este comparativo com rivais tão bem estabelecidos.

Produtos chineses carregam a fama de serem frágeis, o que no mundo dos carros tem a ver com segurança. Nesse quesito, a mesma névoa encobre todos os modelos aqui comparados, afinal nenhum deles passou por um crash-test recente. Em 2006, a revista russa Autoreview encomendou uma avaliação do QQ no padrão do EuroNCap e o resultado foi desastroso. A Chery do Brasil diz que reforços estruturais e novos materiais foram adotados. O QQ, que não foi reavaliado no mesmo padrão de teste, e os seus concorrentes gozam, então, do benefício da dúvida, na prática, uma grande interrogação para o consumidor.

Com a chegada do QQ marcada para o início de abril, decidimos antecipar o embate com Celta, Clio, Gol G4, Ka e Mille. O chinês recebe, a seguir, uma apresentação de duas páginas. Em seguida, encara seus pares. Alguns modelos foram cedidos em versões completas e com quatro portas, mas os dados se referem às opções mais simples de cada carro.



O agente QQ
Ele vem com munição: seu plano é furar a barreira e entrar por baixo

Se os rivais do QQ são conhecidos do público, o chinês é novidade absoluta e, por isso, pede uma apresentação antes do comparativo. O carro fotografado foi usado para homologação e apresentava detalhes diferentes dos que estarão no pacote definitivo. As rodas de liga darão lugar a peças de aço, com calotas, e o banco traseiro terá apoios de cabeça (fixos) para atender a nossa legislação. A marca também avisa que o revestimento cor creme será trocado por um cinza - boa notícia, pois o atual faz qualquer sujeira saltar aos olhos. "A qualidade das forrações de tecido também será melhor", diz Luis Curi, presidente da Chery no Brasil, que reconheceu as falhas de acabamento apontadas em nosso primeiro contato com o QQ, em novembro de 2010.

A compra de um QQ tem, por ora, um tom forte de aposta. A marca é nova, o carro tem defeitos a sanar e a rede é pequena (70 revendas). Mas há sinais de que a Chery está no caminho certo. Peças de troca periódica, como filtros (Tecfil), palhetas e velas (ambas Bosch), já foram nacionalizadas e serão oferecidas nas oficinas na estreia, prevista para a segunda semana de abril. Curi anuncia ainda que os pneus chineses serão trocados por outros, fabricados aqui: "Estamos em contato com três grandes fabricantes locais". Longe de ser referência em termos de dirigibilidade, o QQ proporciona experiência ao volante similar à de um Mille, principalmente em curvas e sobre piso irregular. Só Clio e Celta são capazes de dar alguma emoção ao volante. A marca estima vender 1 000 unidades mensais no primeiro semestre, fechando o ano com 2 000 unidades/mês. Como as comparações são inevitáveis (e necessárias), é chegada a hora de o QQ mostrar a que veio perante seus pares



6º Ford Ka

Ford Ka e VW Gol repetiram a lanterna do comparativo de carros 1.0 publicado em abril de 2010, mas desta vez se apresentam em posição invertida. Não que o Ka tenha caído, foi o Gol que melhorou - o texto ao lado explicará o porquê.

A análise que determina a posição de chegada no comparativo vai além dos critérios técnicos, mas a inferioridade do Ka nos resultados dos testes dinâmicos é evidente. O Ka anda menos e bebe mais que todo mundo, e isso é um pecado capital num segmento em que a eficiência (a relação entre desempenho e consumo) é tão valorizada. Com aceleração de 0 a 100 km/h em 16,6 segundos, retomadas de velocidade (de 40 a 80, 60 a 100 e 80 a 120 km/h) em 10,3, 17,4 e 32,4 segundos e consumo (urbano e rodoviário) de 7,4 e 10,6 km/l, o Ka não brilhou nos números de pista. No entanto, ele pode não ser vigoroso, mas oferece boa dirigibilidade, com suspensão bem acertada e direção com respostas diretas.

Não raro, um popular cumpre o papel de único carro da casa e, nessa condição, o fato de o Ka ser o único do comparativo a não ter opção de quatro portas representa outra desvantagem. Ainda assim, o modelo tem seus atributos. O acabamento da cabine, mesmo sendo simples, é de boa qualidade, com peças plásticas bem encaixadas. A boa construção do Ka foi comprovada pela unidade desmontada após 60 000 km de testes no Longa Duração, em junho de 2010.

Se nos custos de revisão e na cesta de peças o Ka está na média, no seguro ele é o exemplo a ser seguido. Segundo a Corretora Nova Feabri, sua apólice sai por 922 reais, menos que a metade do que é cobrado para proteger um Gol (1 915 reais).



5º VW Gol Ecomotion

Em abril de 2010, o comparativo de populares anunciava a chegada da versão Ecomotion do Gol 1.0 para maio. E foi uma grata surpresa levar a novidade para a pista de testes logo na edição seguinte: na comparação com o Gol G4 "normal", o consumo urbano melhorou de 7,5 para 9,2 km/l e o rodoviário, de 10,9 para 12,9 km/l. Para atingir números tão expressivos, a Volkswagen deu ao Ecomotion pneus de baixa resistência à rolagem, alterou o mapeamento da central eletrônica e alongou a relação de diferencial. A contrapartida está no comprometimento da dirigibilidade. Os novos pneus trabalham com elevada pressão (39 libras na dianteira e 32 na traseira, contra as 27 dos pneus convencionais), e, para evitar que eles acarretassem um andar saltitante e desconfortável (quanto mais pressurizados, menos suave é o rodar), a engenharia da marca "soltou" a suspensão, aplicando amortecedores com menos carga. No fim, a dupla formada por pneus duros e suspensão macia tirou do G4 boa parte do seu apetite por curvas, que agora são contornadas com elevada tendência a escapadas de frente.

O Gol Ecomotion é focado em economia até na decoração interior. O painel é do antigo Fox, sem conta-giros e com um minúsculo display digital que reúne termômetro de motor, hodômetro e um econômetro para auxiliar o motorista a encontrar a forma de condução menos gastadora. No porta-malas, o revestimento não vai além de um fino carpete no fundo, com laterais em lataria aparente. O ápice da economia está na ausência de apoios de cabeça no banco traseiro. O "luxo" de série no Gol se restringe ao banco do motorista com regulagem de altura.



4º Fiat Mille Economy

No mundo dos 1.0, ninguém tem mais rugas que o Mille. Nem mais expertise. Status é importante em qualquer segmento, e está aí algo que o velho Mille não consegue entregar há muito tempo. Nisso, até um Clio vai melhor. Por outro lado, está no preço a maior prova de que o Mille fala com fluência o idioma do comprador de popular. O preço praticado, segundo a Agência AutoInforme, é de 22 000 reais - menor até que o do QQ, que por ser estreante não deverá ter desconto. Na tabela, o Mille caiu de 24 020 para 23 220 reais, manobra necessária para a chegada da versão duas portas do novo Uno, que começa em 26 490 reais.

Com o passar do tempo, o "pai dos 1.0" ficou mais condescendente nos itens de série, mas está longe de ser um mão-aberta. Na versão mais simples, os retrovisores externos são "digitais": o ajuste é feito tocando a superfície do espelho - os comandos internos são opcionais, assim como os apoios de cabeça do banco traseiro. Exagero? Não para um carro que nasceu sem tampa no porta-luvas e retrovisor direito.

Para deixá-lo mais econômico, a Fiat neutralizou a geometria da suspensão dianteira, deixando a direção leve demais no primeiro quarto de esterçamento do volante. Na estrada, com velocidade mais elevada, a condução é cansativa. Já nas manobras, quando é preciso virar todo o volante, o peso da direção é excessivo. A direção hidráulica, opcional, resolve o problema, mas só está disponível em pacotes a partir de 2 904 reais. Sustentar um Mille não fere o bolso. Ele é o nacional com cesta de peças e revisões mais em conta do comparativo. Só é preciso se preparar para o seguro, 1 883 reais, o segundo mais caro da turma.



3º Chery QQ

Chinês estreante, o QQ (e a Chery) ainda tem que percorrer um longo caminho para conquistar a confiança do público. Mas o poder de atração do seu pacote de equipamentos é incontestável, com direito a ABS e airbag duplo. O QQ tem ainda acionamento elétrico de travas (a distância, pela chave, que também ativa o alarme), vidros (inclusive na traseira) e retrovisores, além de sensor de estacionamento com alerta visual e sonoro, som com CD, MP3 e USB, ar-condicionado e direção hidráulica. Limpador traseiro, ajuste elétrico dos faróis e regulador de luminosidade do painel (digital) também farão a alegria de quem gosta de ser mimado pelo carro que tem na garagem. Banco do motorista e cintos dianteiros, porém, não têm regulagem de altura.

As dimensões do QQ são modestas. Com 3,55 metros de comprimento, ele tem 14 cm menos que o Mille, o segundo menor da turma. Ainda assim, o chinês tem somente 2 cm a menos de entre-eixos (2,34 contra 2,36 metros). Infelizmente, a Chery não informou as medidas internas do QQ, mas dá para cravar que sua cabine oferece espaço similar à do Celta. Como não há milagre, o QQ tem porta-malas muito pequeno, de 190 litros - 100 a menos que o do Uno, o equivalente a uma mala grande.

O hatch chinês entregou números de pista compatíveis com o motor 1.1 16V a gasolina de 68 cv (veja fichas na pág. 56). Uma fonte ligada à fábrica revela que esse motor chegará com a cilindrada reduzida para 1 litro e sistema flex no segundo trimestre de 2012. Não fosse essa expectativa de mudança - o que geralmente se traduz em depreciação elevada -, o QQ poderia ter se dado ainda melhor no comparativo.



2º Renault Clio Campus

A Renault aumentou a garantia do Clio de um ano para três. Racional, o consumidor de carros populares logo detectou as vantagens da mudança e as vendas voltaram a crescer - da trupe aqui reunida, só o QQ tem o mesmo prazo de garantia. Some a isso a vantagem de um bom atendimento da rede - sempre destaque em Os Eleitos - e preço de peças e revisões na média do segmento. O seguro também não é dos mais caros e há uma boa diferença entre o preço de tabela (26 150 reais) e o praticado (23990 reais). Mas, ao contrário do Celta (que acaba de receber um face-lift) e do QQ (lançamento no Brasil), o Clio carece de novidade. Fontes ligadas à Renault revelam que o Clio será substituído em 2012 por um modelo desenvolvido localmente. Outro informante conta que a data de estreia é "móvel" e depende do fôlego de vendas do Clio: "Enquanto continuar em alta, não há por que aposentá-lo".

As virtudes do Renault estão mais ligadas à qualidade de construção que a seu pacote de equipamentos. As superfícies são agradáveis ao toque, os bancos dianteiros têm suas armações laterais ocultas por capas plásticas e guias no topo do encosto do banco mantêm as fivelas dos cintos laterais traseiros (retráteis) longe das portas, evitando barulho. Conta-giros, limpador traseiro, apoios de cabeça no banco traseiro e iluminação do porta-malas são distribuídos nos pacotes de equipamentos "principais", como ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos e alarme. Airbags, que um dia foram de série no Clio, hoje não figuram nem na lista de opcionais, assim como o ABS.



1º GM Celta LS

As mudanças da linha 2012 do Celta devem ser vistas apenas como uma atualização. Por fora, a principal alteração está na grade com a barra horizontal e a gravata dourada sozinha, sem a proteção do círculo cromado utilizado até então. O resultado é uma dianteira no mesmo estilo de Captiva Agile e Malibu. Os faróis têm moldura interna escura em todas as versões. As siglas também estão alinhadas com a nomenclatura global: LS para o modelo de entrada e LT para a topo de linha.

O quadro de instrumentos (que incorpora conta-giros de série) apresenta grafismo mais jovial e iluminação Ice Blue (azulada) - outra característica que visa a padronização entre os carros da marca. Reclamação conhecida de quem teve Celta, o volante também foi trocado e agora a peça tem melhor empunhadura. Não se iluda com o visual da unidade cedida para as fotos: ela é uma LT completa e com diversos acessórios de personalização.

Sem grandes destaques na pista, o Celta foi bem na análise de sua capacidade técnica exatamente pela regularidade. Em dirigibilidade, ele perde para o Clio por não ter uma comunicação de volante tão direta com o piloto - o Renault é o único a contar com rodas aro 14 e pneus 175/65 R14. Mas tem um conjunto mecânico eficiente, com boa combinação de desempenho e consumo.

A cesta de peças do Celta é a mais cara. Ele também tem o conjunto de revisões mais caro, mas nada que o deixe muito longe da média. Para compensar, o custo de seguro é baixo - só perde para o do Mille. A vitória do Celta sobre o Clio foi muito apertada: foi decisivo o fato de um ser recém-remodelado e o outro estar pronto para a aposentadoria.



VEREDICTO

Os motores são pequenos, mas a disputa entre os populares é grande. A liderança do Celta sobre o Clio foi por uma vantagem mínima, como a do QQ sobre o Mille. Mais atrás, houve espaço até para inversão de posições em relação ao comparativo de abril de 2010, com o Gol ultrapassando o Ka.


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