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Carros | Comparativos
Hatches médios
Março 2009

Hatches médios

A nova geração de hatches chega com um novo padrão de conforto e equipamento para a categoria

Por Marcelo Moura | Fotos: Christian Castanho
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Mais de 80% das peças que fazem o novo Citroën C4 são comuns ao C4 Pallas. Na fita métrica, apenas 14 cm separam o Focus hatch do seu irmão de três volumes. Hatches e sedãs médios são feitos com os mesmos ingredientes, mas têm sabores distintos. O porta-malas curtinho mostra que o motorista não carrega o mundo (nem a família, nem as formalidades) nas costas. Que ele ganhou dinheiro, mas continua dono do próprio nariz e escolheu um carro para chamar de seu.

Mas qual carro? Essa pergunta está ganhando interessantes alternativas. Em novembro a Ford lançou o Focus, um carro novo até para os europeus. A Hyundai já aceitava encomendas pelo i30, mas agora as vendas começam para valer. E a Citroën finalmente lança o C4, versão hatch de quatro portas do Pallas. Como prova de batismo, os três enfrentam dois líderes do mercado que não param de se mexer: Fiat Stilo, de visual retocado e câmbio Dualogic, e VW Golf 2.0, agora com motor flex e câmbio Tiptronic de seis marchas. Talvez você tenha outra pergunta, ao olhar a foto e não encontrar outros carros... O Vectra GT-X mudou pouco depois que esse comparativo foi publicado, enquanto Tiida e Impreza têm presença e ambições discretas em nosso mercado. O Peugeot 307 faria boa figura aqui. Ficou fora por ter mudado pouco recentemente e por ser um irmão do Citroën C4 com menos impacto visual e mais espaço interno. As qualidades de um estão bem representadas no outro.

nota do editor: Os preços abaixo são referentes a fevereiro de 2009 - comparativo publicado originalmente na edição de março de 2009 da QUATRO RODAS

VÍDEOS:  Clique nos links abaixo e assista:
> HYUNDAI i30
> FORD FOCUS
> CITROËN C4


FIAT STILO 1.8 DUALOGIC

R$ 53 361

Sete anos após a chegada do Stilo, o Sky Window ainda é atração para quem vê de fora (há mais de dez vídeos no YouTube) ou de dentro. O teto solar tem o triplo do tamanho dos rivais. É um espetáculo único, embora caro: 7 247 reais. Talvez dê para pagar essa extravagância com o dinheiro que sobrou. Dos cinco, o Stilo é o que menos cobra para trocar de marchas sozinho: o 1.8 Dualogic custa 53 361 reais, menos que as versões automáticas mais baratas de Golf 2.0 (56 660 reais), i30 2.0 (58 000 reais), Focus GLX 2.0 (59 270 reais) e C4 GLX 2.0 (60 800 reais).

Enquanto os rivais trazem câmbio automático, o Stilo oferece o automatizado. O Dualogic da Fiat teve boa aceitação (responde por 55% das vendas) e, para quem vem de carros com câmbio manual, proporciona o inegável conforto de trocar as marchas sozinho. No 0 a 100 km/h, o Stilo Dualogic perde 1,7 segundo em relação a seu irmão de câmbio manual. A perda do Focus automático é maior (3,1 segundos). Rapidez é importante, mas algo ainda mais fundamental a esperar de um automático: entrosamento com o motorista. Nisso, o Stilo é pior que qualquer rival.

Você está dirigindo e, de repente, o carro corta a aceleração e fica desengrenado, para a troca de marcha. Você faz isso num carro manual, mas, quando é um estranho fazendo, vira motivo de susto. Um carro automático tradicional não desengrena. Também falta refinamento ao Stilo no anda-e-para. Sabe quando você engata a primeira e vai calibrando de leve o pedal de embragem, para andar só um pouquinho? O Dualogic não tem essa manha, então o carro vai em trancos. Logo o Stilo, um campeão em manobras de estacionamento. Aperte o botão City e veja a direção (de assistência elétrica) ficar levíssima, abaixo de 40 km/h. O Fiat não perde para os rivais modernos em espaço ou conforto. Mas falta refinamento.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
O modo City deixa a direção levíssima. O Stilo é confortável, mas não prazeroso.

MOTOR E CÂMBIO
O motor é rude e o câmbio automatizado tem reações bruscas. Pelo menos é flex.

CARROCERIA
O Stilo não fica atrás dos mais jovens, em espaço e praticidade. O visual envelheceu.

VIDA A BORDO
Espaço farto para passageiros e suas tralhas. Boa oferta de mimos como sensor de estacionamento, de chuva e de escuridão.

SEGURANÇA
Airbag e ABS são opcionais. O quinto passageiro tem só cinto abdominal.

SEU BOLSO
Custa menos que os rivais, embora não venha tão equipado. Ano que vem, passará a dividir espaço com o moderno Bravo.


VOLKSWAGEN GOLF 2.0 GT

R$ 66 810

Dos carros do comparativo, o Golf foi o primeiro a chegar. Não gosto da reforma que sofreu em 2007, mas reconheço que alguns ângulos ficaram bons. De frente é um deles. Há que se reconhecer: o carro que continua em linha, 11 anos após o lançamento no Brasil, não perdeu o rigor na fabricação. Ao pessoal de trás falta espaço para a cabeça, mas meu lugar é na frente e ali sou recebido com um banco firme e boa ergonomia. O tecido dos bancos (com laterais de couro) deve ser mais barato que o de couro dos rivais, mas parece distinto. Ele vem de série nessa versão GT, 5 230 reais mais cara que o 2.0 básico. Traz decoração esportiva e algum conforto (caso do ar digital e sensor de estacionamento), mas que deixa ABS e airbags na lista de opcionais (a 2 890 reais). Por mais 5 440 reais, você leva o melhor câmbio automático do país.

O Tiptronic de seis marchas é tão bom que faz o Golf ir de 0 a 100 km/h mais rápido que o Focus (que tem 25 cv a mais). Dá ao motor uma vida que ele não tem, trocando de marcha o tempo todo. E a frequência de trocas não incomoda, porque as marchas são próximas umas das outras e porque a central, espertíssima, entende muito bem se você busca economia ou desempenho. Um exemplo disso aparece em descidas de ladeira. Esse Golf percebe que a falta de esforço do motor é motivo para reduzir marchas, ao contrário de automáticos convencionais. É o Tiptronic com respostas mais rápidas, mas você não vai precisar fazer trocas manuais. O que você quer, o câmbio entende. A suspensão continua justinha, e dirigir o Golf continua mesmo um prazer. O que era para ser uma volta no quarteirão levou umas três horas.

De volta à garagem, saí do carro satisfeito, mas olhei e presenciei uma mágica, digna de Medusa. Ao lado do novo Focus, o Golf transforma-se em pedra.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Continua um carro muito bom de dirigir. É firme, sem cansar.

MOTOR E CÂMBIO
O excelente câmbio de seis marchas faz o motor parecer bem melhor do que é.

CARROCERIA
Teto baixo, entreeixos curto e linhas retas: mesmo após a reforma, parece um carro de 11 anos.

VIDA A BORDO
Acabamento continua ótimo. Sensor de estacionamento e retrovisor que aponta para o chão, ao engatarmos a ré, garantem a manobra perfeita.

SEGURANÇA
ABS e airbag são opcionais, e o quinto passageiro não tem apoio de cabeça ou cinto de três pontos.

SEU BOLSO
Custa tanto quanto rivais mais modernos e equipados.


FORD FOCUS 2.0 GHIA

R$ 69 385

O carro mais especial deste comparativo está aqui. Para não me alongar muito na descrição da suspensão do novo Focus, basta dizer que ela é melhor que a do modelo antigo. Esqueça a teoria do cobertor curto: o carro segura firme, se você tiver pressa, sem ser duro para quem quer conforto. Melhor que o Volvo C30, que compartilha plataforma com o Focus. A nova direção eletro-hidráulica oferece três graus de assistência, a escolher no computador de bordo: normal, conforto e "desportivo" - assim mesmo, em português lusitano. O mundo todo dirige o mesmo carro.

Em muitos casos, isso é bom. Vem da Europa o estilo do acabamento do console: uma placa de acrílico transparente, impressa nos dois lados com desenhos complementares. Ela ganha efeito tridimensional, conforme corremos os olhos. E você sempre sabe onde pisa. Ao destrancar o carro, por controle remoto, um foco sob o retrovisor ilumina o chão da garagem. Abra a porta, e luzes acenderão por baixo do painel. A versão Ghia liga e desliga no botão, com a chave guardada no bolso. Apesar desses luxos, é um carro austero, se comparado ao C4. Cabe a você perceber que escureceu (e ligar o farol) ou se clareou demais (e desviar o retrovisor interno).

Mas o Focus também se faz de europeu ao adotar um estepe de emergência (com pneu 145/80 aro 16, da chinesa Maxxis) e na hora de abastecer. Por que não é bicombustível? A versão flex desse motor 2.0 está pronta e à venda desde dezembro, no Eco Sport. Como não chegou ao Focus, o cliente paga caro ao rodar com gasolina (o custo por quilômetro fica 15% acima do Golf, o mais econômico no álcool). E, quando o Focus flex chegar, levará à desvalorização dos modelos a gasolina. É a Ford fazendo força para estragar um carro de qualidades raras.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
O acerto do Focus é um raro prazer. Trava comunicação clara com o motorista.

MOTOR E CÂMBIO
O motor não é flex, e seu bom rendimento é apagado pelo câmbio sequencial de quatro marchas.

CARROCERIA
A carroceria atende às mais novas regras de segurança ao pedestre.

VIDA A BORDO
Falta sensor de chuva, de luminosidade e retrovisor eletrocrômico. Sob o apoio de braço há porta-trecos com USB e tomada 12 volts.

SEGURANÇA
Airbag duplo, ABS, cinto de três pontos e apoio de cabeça para todos, tudo de série.

SEU BOLSO
Tem três anos de garantia e, novidade até na Europa, não mudará tão cedo. Bem que poderia ser flex.


CITROËN C4 2.0 EXCLUSIVE

R$ 68 800

O C4 é cheio de perfumaria. Falamos do refil aromatizador na saída de ventilação, mas não só disso. Seus faróis acendem no controle remoto da chave. Tem tecla de atalho no volante para a recirculação do ar-condicionado, botão para escurecer os visores (e, assim, chamarem menos atenção)... Tem tanto botão que um deles serve de coringa, assume a função que você escolher. O conta-giros de barrinhas digitais tem papel estético, porque lhe falta uma faixa vermelha, e o velocímetro fica longe dos olhos do motorista em nome da simetria das formas. O C4 é carro de arquiteto, mais que de engenheiro.

Mas, por trás da forma, existe conteúdo suficiente para agradar o público. Leia os números na ficha de testes: quando o C4 parte, em linha reta, ninguém alcança (apenas no posto de combustível, pois o motor 2.0 flex da Citroën é o mais sedento da turma). Como o hatch tem entre-eixos 20 centímetros mais curto que o Pallas, ele consegue ter o mesmo comportamento firme, em pista lisa, sem recorrer a uma suspensão tão dura (que traria desconforto em ruas esburacadas). O hatch acaba sendo um carro mais ágil e de reações mais constantes. O C4 tem acerto melhor que o Pallas, mas não chega ao nível excelente do Focus.

O ponto forte é a fartura de equipamentos (uma espécie de Fiat Stilo do século 21). Por 53 800 reais, o básico GLX 1.6 tem airbag duplo, ABS e rádio com Bluetooth e comandos no volante. Por 68 800, esse Exclusive automático traz airbags laterais, além do trivial nessa faixa: bancos de couro, ar-condicionado digital e sensores de chuva, luminosidade e estacionamento. Se você ainda não achou caro o bastante, o opcional Pack Technologique (5 900 reais) traz banco com ajuste elétrico, controles de tração e estabilidade e... farol de xenônio com foco direcional, que acompanha a curva. Atração digna de vídeo no YouTube.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
É o ajuste mais firme dessa turma. Busca o prazer, mas não tem o refinamento do Focus.

MOTOR E CÂMBIO
O C4 vai a 100 km/h 3,4 s mais rápido que o Stilo e empata no consumo. Nada mau.

CARROCERIA
Capô de alumínio e para-lama de plástico são menos agressivos ao pedestre.

VIDA A BORDO
Algumas vezes a estética fica à frente da praticidade (os porta-objetos do painel, por exemplo, são todos pequenos). Mas é o melhor em mimos e sensação de liberdade.

SEGURANÇA
Quatro airbags e ABS de série. De opcional, ESP e farol direcional.

SEU BOLSO
É flex, bem equipado e pega carona nas boas vendas do Pallas. Mas tem garantia de um ano (o sedã tem três).


HYUNDAI I30 2.0

R$ 58 000

Vários equipamentos do i30 são iguais ou melhores que os do C4 Exclusive mais completo (de 74 700 reais): seis airbags, controle de estabilidade, MP3 player com disqueteira no painel, retrovisor interno eletrocrômico e externo com rebatimento elétrico... Tem cinco anos de garantia, contra três do Focus e um dos demais. Com um detalhe: o carro da Hyundai custa 58 000 reais - 46 39 reais acima do Stilo Dualogic básico, sem airbag ou ABS. Apenas teto solar e bancos de couro são cobrados à parte.

Preço baixo é fator decisivo na vitória do i30, mas há outros méritos. O acabamento é caprichoso, com peças suaves de tocar, comandos leves e arrumados com clareza. Apesar das rodas aro 17 com pneus de perfil baixo (de série, naturalmente), o i30 é confortável. Com suspensão independente nas quatro rodas, ele se mantém macio sem ser molenga em qualquer condição. O câmbio de quatro marchas é o único sem possibilidade de trocas manuais, mas elas não são tão necessárias, pois o motor 2.0 é bem esperto. A potência na condição ideal fica na média dos demais (145 cv), mas o comando de válvulas variável faz com que as situações intermediárias também sejam boas.

Compare os números de teste: o i30 levou vantagem sobre o Focus na maioria das provas, e os dois partem de fichas técnicas quase idênticas. Pena a Hyundai copiar também a falta de motor flex. O i30 é movido apenas a gasolina e, por isso, seu custo por quilômetro rodado fica cerca de 10% mais caro que o do C4 (o carro flex mais sedento do teste) abastecido com álcool. Mas é uma limitação compreensível, para um carro que vem da Coreia. O i30 é importado, enquanto seus rivais são fabricados no Mercosul. Isso costuma levar a peças mais caras, mas, enquanto as vendas não começam, é apenas um palpite. Comparando os fatos de hoje, o i30 é o melhor da turma.

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Suspensão sofisticada, voltada ao conforto. Falta harmonia com a direção, pesada, que busca a esportividade.

MOTOR E CÂMBIO
O motor (semelhante ao do Tucson) faz o i30 andar rápido como o C4. Não é flex, mas bebe menos que o Focus.

CARROCERIA
Entalhes corajosos, em painéis montados com precisão.

VIDA A BORDO
Mais espaço e mais capricho que os rivais. Com direito a luxos em extinção, como disqueteira de painel.

SEGURANÇA
O melhor. Faróis de bloco elíptico, seis airbags, controle de estabilidade e ABS vêm de série.

SEU BOLSO
Pelos equipamentos que oferece, o preço é matador. Mas é movido a gasolina e suas peças são importadas.


VEREDICTO

O Stilo continua bom em espaço e equipamentos, mas seu câmbio está bem aquém dos demais. O Golf é o oposto: tem o melhor câmbio, mas a idade pesa na falta de espaço e equipamentos. Entre C4 e Focus, é questão de gosto: o Citroën é rico em luxos. O Ford é mais enxuto, mas traz prazer ao dirigir sem igual. O i30 ganha por ser competente em tudo, muito bem equipado e barato.





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