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Carros | Comparativos
Corolla XEi 2.0 x Corolla GLi 1.8
Abril 2010

Corolla XEi 2.0 x Corolla GLi 1.8

Cartas na mesa, ou melhor, carros na pista: vale a pena comprar o Corolla com motor mais potente?

Por Péricles Malheiros | Fotos: Marco de Bari
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ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

A Toyota acaba de apresentar a linha 2011 do bem-amado Corolla, que tem no novo motor 2.0 seu grande atrativo. Não, ele não veio para aposentar o 1.8 – quem sai de cena é o 1.6 dos Corolla de entrada. Segundo a Toyota, as versões intermediárias, GLi e XEi, continuarão liderando as vendas, com uma projeção de 80% no mix total. O GLi, com seu pacote intermediário-básico de equipamentos, só existe com motor 1.8, enquanto o médio-completo XEi roda com o novo 2.0. Ao determinar motores exclusivos em função das versões de acabamento, a Toyota busca “potencializar” ainda mais o 2.0. Pois bem, 1.8 ou 2.0? Uma vez que a questão são números, vamos a eles.

A chegada do 2.0 reflete a preocupação da Toyota com o mercado, afinal sabe-se que os atuais donos de Corolla estão satisfeitos com a potência e o consumo do 1.8. “De fato, são raros os relatos de insatisfação com o desempenho. O 2 litros tem mais a ver com estratégia que com necessidade. Nossos principais concorrentes têm motores de maior cilindrada, em geral 2.0. Sabemos que os clientes atuais estão felizes, mas o novo motor vem para ajudar o Corolla a conquistar um público inédito, mais jovem”, diz Paulo Manzano, gerente de operação de vendas. Ele não assume que o Civic é o grande alvo, mas não é de hoje que circula nos corredores da Toyota a notícia de que o arquirrival estaria para receber um 2.0.

Entre suposições e planejamentos estratégicos, vamos ao que é fato: o encontro do Corolla GLi 1.8 (69 670 reais) com o Corolla XEi 2.0 (75 830 reais), ambos automáticos. Bancos de couro, faróis de neblina, retrovisores rebatíveis eletricamente e com indicador de direção, faróis com acendimento automático, airbags laterais, piloto automático e câmbio com opção de trocas sequenciais na alavanca e por borboletas atrás do volante são exclusivos do XEi. Isso não quer dizer que o GLi é básico, pelo contrário. Assim como o XEi, ele tem ar digital, direção com auxílio elétrico, comandos do computador de bordo e do rádio no volante (regulável em altura e profundidade), airbag duplo, ABS, trio elétrico, rodas de liga leve e alarme. Na análise de conteúdo, a diferença de preço entre eles, de 6 160 reais, é mais que favorável ao 2.0. O “porém” surgiu na pista.

Ansiosos por saber como seria a relação de desempenho e consumo do novo motor diante do eficiente 1.8, realizamos as provas também com os carros carregados com 280 kg de lastro distribuídos pela cabine (simulando três passageiros de 70 kg) e portamalas (como se fosse uma bagagem com outros 70 kg). Segundo a Toyota, a capacidade de carga de ambos é a mesma, 415 kg.

Vazio, o 2.0 foi 10,9% melhor que o 1.8 em aceleração de 0 a 100 km/h (10,6 contra 11,9 segundos) e 15,4% em retomada (na de 60 a 100 km/h, por exemplo, 5,8 ante 6,9 segundos). Com os carros carregados e respeitando a ordem anteriormente descrita, temos: 11,4% em aceleração (12,4/14 segundos) e 17,1% em retomada (6,8/8,2), sempre a favor do 2.0. Esses mesmos números permitem uma análise da perda de performance entre as condições vazio e carregado. No 0 a 100 km/h, o 1.8 cai 17,7% e o 2.0 17% – na retomada, 18,8% e 17,2%. Os pneus foram calibrados para cada situação e a carroceria “desceu” 4,5 cm, tomando como base o arco de roda traseiro.

O problema do 2.0 surge na hora de pagar a conta. O placar de consumo urbano ficou assim: 6,8 km/l para o 2.0 e 8,9 km/l para o 1.8 – carregados, os números foram 6,3 e 7,8. Ou seja, o Corolla 2.0 é menos eficiente que o 1.8 na relação desempenho/ consumo. O lançamento vai melhor em aceleração (10,9%) e retomada (15,9%), mas bebe muito álcool, 23,6% a mais na cidade e 21,6% na estrada.

Pendo mais para o lado dos consumidores satisfeitos com o 1.8. E, se eu fosse um “Corolleiro” animado em trocar meu usado por um modelo 2011, ficaria bastante chateado ao descobrir que o XEi agora é equipado exclusivamente com motor 2.0. Ou seja, quem quiser mais equipamentos precisa levar também um modelo mais gastador – ou correr para achar as últimas unidades do XEi 1.8 2010. Agora, se você é o jovem bem posto na vida que a Toyota está buscando, vá de Corolla 2.0. Ele está, de fato, mais divertido e empolgante, até porque oferece a troca sequencial das marchas que o 1.8 não tem. Esse admirador da direção esportiva também vai gostar da calibragem de suspensão, mais firme do que sugere o perfil comportado da carroceria. Buracos e irregularidades do asfalto são filtrados de maneira mais eficiente que no Civic, o que garante a manutenção do conforto.

O motor 2.0 (3ZR-FBE) tem variador de fase hidráulico no eixo de comando das válvulas de admissão e escape, enquanto o 1.8 (1ZZ-FBE) o tem apenas no eixo que atua nas válvulas de admissão. Também visando a uma queima mais eficiente do combustível – o que se traduz em melhor performance e consumo –, a Toyota adotou velas de irídio de corpo estreito, o que permitiu melhor posicionamento de seu eletrodo na câmara de combustão, segundo a engenharia.

Os preços dos Corolla variam de 61 890 reais (XLi 1.8 manual) a 89 160 reais (Altis 2.0 automático, que aposenta o SE-G). No afã de conquistar um público jovem, a Toyota tirou de linha seu Corolla mais equilibrado: o equipado e econômico XEi 1.8. Se ele ainda constasse da tabela, levaria fácil este confronto. Mas, como “se” não ganha jogo (nem comparativo), o GLi 1.8 vence por ter melhor custo-benefício. Será que a Toyota não está pensando nisso?

 



GLi 1.8

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
Repare na ficha técnica: carregado, o GLi 1.8 freou igual ou melhor que vazio. Isso tem uma explicação: com a carroceria com mais peso atrás, o ABS consegue aplicar mais força de frenagem nas rodas traseiras.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
Bom seria se a Toyota tivesse providenciado um câmbio sequencial para o 1.8 também. Equilibrado entre desempenho e consumo, o conjunto motriz se mostrou mais eficiente que o estreante 2.0.
★★★★

CARROCERIA
Bem construído, o Corolla passa uma notável sensação de solidez, tanto em movimento quanto num simples fechar de porta.
★★★★

VIDA A BORDO
O GLi tem o básico para a categoria, mas não enche os olhos. Isso é mérito do XEi.
★★★★

SEGURANÇA
Airbags laterais são uma exclusividade do XEi. Menos mal que ABS e airbag duplo são de série.
★★★★

SEU BOLSO
Ao colocar o consumo nessa conta, o GLi leva uma boa vantagem.
★★★★

 

 



XEi 2.0

DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
A suspensão, segundo a Toyota, recebeu molas um pouco mais duras. No dia a dia, essa mudança é quase imperceptível.
★★★★

MOTOR E CÂMBIO
A diversão proporcionada pela troca das marchas nas borboletas do volante é incontestável. O problema é o apetite voraz do novo 2.0.
★★★★

CARROCERIA
Nos grandes centros urbanos, retrovisores externos rebatíveis eletricamente são uma boa opção para estacionar em vagas apertadas e evitar a fúria de motoboys rebeldes.
★★★★

VIDA A BORDO
O couro de boa qualidade e bem costurado, aplicado também no volante e na manopla do câmbio, confere ar de requinte ao XEi.
★★★★

SEGURANÇA
Para não dizer que é perfeito, falta apenas airbag tipo cortina. A versão Altis tem até faróis de xenônio.
★★★★

SEU BOLSO
Os 6 160 reais de degrau de preço do XEi para o GLi são justos. De brinde, vai um motor que bebe o mesmo que concorrentes externos, mas é bem menos eficiente que o 1.8 do irmão caçula.
★★★

 

 



VEREDICTO

Ao colocar em prática seu plano de conquistar consumidores mais jovens, a Toyota tirou de linha o mais equilibrado dos Corolla, o XEi 1.8. Fará falta para quem admirava o consumo contido do 1.8 aliado a um pacote completo de equipamentos.

 





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