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Carros | Comparativos
Câmbios automatizados x manuais
Abril 2008

Câmbios automatizados x manuais

Mão na marcha: As caixas automatizadas prometem boa vida sem cobrar muito. Mas isso tem seu preço

Por Adriano Griecco | fotos: Marco de Bari
Lista de matérias por data:

ALTERAR O TAMANHO DA LETRA  

Eles poderiam ser chamados de "câmbios flex". Não são automáticos nem manuais. Mas trabalham como os dois, na proporção que você quiser. Assim como os motores bicombustíveis, os câmbios automatizados têm prós e contras. Na essência, não são novidade por aqui - já apareceram nos Alfa Selespeed e nas Ferrari 355 F1. Mas é a primeira vez que as fábricas investem no seu uso em veículos de maior escala. A tecnologia desembarca simultaneamente na Chevrolet Meriva e no Fiat Stilo, batizada de Easytronic e Dualogic, respectivamente. O sistema automatizado existe desde 2000 na Europa e equipa outros modelos das duas marcas por lá. A questão é se ele vai pegar por aqui.

Esse câmbio nasceu em 1989, na Fórmula 1. Na época, a Ferrari aposentava as alavancas tradicionais de câmbio (um varão) e passava a utilizar os atuadores hidráulicos para realizar as trocas de marcha - caixa de câmbio e relações de marcha não mudavam. Na prática, o piloto apertava a borboleta atrás do volante, um sinal elétrico ia até o sistema de gerenciamento do câmbio e os tais atuadores faziam o resto.

De lá para cá, pouca coisa mudou. Nos carros da Fiat, o sistema é semelhante ao utilizado na F-1, com a caixa manual e os atuadores hidráulicos. Mas, para que o Stilo trocasse de marcha sozinho, a Fiat desenvolveu uma central eletrônica, que trabalha ligada à do motor (veja mais detalhes abaixo).

Assim como no caso do Stilo, o sistema da Meriva utiliza a caixa de câmbio da versão manual. Mantém engrenagens, relações de marcha e o conjunto de embreagem - prova, segundo a marca, da durabilidade do conjunto. A diferença para o Stilo está nos atuadores. Em lugar de um sistema hidráulico, a GM optou por motores elétricos. A justificativa, segundo a engenharia, está nas menores dimensões do conjunto, que dispensa um reservatório de fluido sob pressão. A Fiat contra-argumenta, creditando sua escolha à maior durabilidade do conjunto hidráulico - não dá para dizer se Rubens Barrichello, nos tempos de Ferrari, concordaria com a justificativa.

Na teoria, os sistemas querem vender comodidade. Os fabricantes afirmam oferecer o conforto de um câmbio automático e a esportividade de um manual a preço mais acessível. No quesito preço, é meia-verdade. O Dualogic sai por 2500 reais. Um câmbio automático, normalmente, custaria 4000 reais. O Stilo ainda oferece as borboletas atrás do volante, por 800 reais. Ocorre que as mesmas só comparecem acompanhadas de airbag e ABS, um pacote que custa 2900 reais. O Dualogic, completo, sairia por 6200 reais. Aí a vantagem acaba. No caso da Meriva, o câmbio só existe na versão Premium, vendida a 54 314 reais. Ou seja, o câmbio só vem na versão topo-de-linha.

Ao volante, as diferenças entre um câmbio automatizado e um automático são percebidas de imediato. Os trancos nas trocas de marcha são a antítese da suavidade das mudanças dos automáticos de última geração, isso sem falar na delicadeza de um câmbio CVT. Ao se aliviar o pé nas passagens, a pancada até diminui, mas não some. Outra diferença em relação a um automático está no gerenciamento eletrônico das trocas. Tanto no Stilo quanto na Meriva, o câmbio automatizado muitas vezes demonstra indecisão. Ao afundar o pé no acelerador, na manobra conhecida como kickdown, ele não sabe se reduz uma ou duas marchas. Para piorar, após a redução, já coloca outra, criando certo embaraço para o motorista.

Impressionismo à parte, levamos duas versões de cada carro - manual e automatizada - para nossa pista de testes, em Limeira (SP). Respeitamos até as medidas de rodas e pneus, para não interferir no desempenho. Não houve surpresa. Na prova de aceleração, as manuais foram mais rápidas. Nos automatizados, fizemos duas medições: com o câmbio seqüencial, trocando as marchas na alavanca (nas borboletas, no caso do Stilo) e no modo automatizado.

O Stilo manual completou o teste em 13,7 segundos. Trocando as marchas do Dualogic nas borboletas, o tempo sobe para 14,4. No modo automatizado, ele leva 15,3 segundos para chegar aos 100 km/h. Na Meriva, a história é semelhante, mas a versão automatizada se mostrou mais esperta que a do Stilo. A manual, mais rápida, levou 13,1 segundos no teste. Trocando as marchas da Easytronic na alavanca, o tempo subia para 13,6. No modo automatizado, a Meriva precisou de apenas 13,8 segundos. Nas retomadas, os automatizados, que reduziam uma marcha, venceram, assim como no consumo urbano. Nesse quesito, as versões automatizadas foram superiores.

A questão é simples. Se você procura a comodidade de não ter de trocar marchas nos deslocamentos urbanos, os automatizados vão servir para você. Se você preza uma condução mais refinada ou uma tocada mais esportiva, economize a diferença de preço e fique com a versão manual.


STILO

DUALOGIC
Aceleração: 15,3/14,4* s
Retomada 40 a 80 km/h: 6,8 s
Retomada 60 a 100 km/h: 8,6 s
Retomada 80 a 120 km/h: 11,6 s
Consumo urbano: 6,5 km/l
Consumo rodoviário: 9,0 km/l

*trocas no modo seqüencial

MANUAL
Aceleração:13,7 s
Retomada 40 a 80 km/h: 8,1 s
Retomada 60 a 100 km/h:11,7 s
Retomada 80 a 120 km/h:19,9 s
Consumo urbano: 6,3 km/l
Consumo rodoviário: 9,0 km/l

MERIVA

EASYTRONIC
Aceleração: 13,8/13,6* s
Retomada 40 a 80 km/h:5,7 s
Retomada 60 a 100 km/h:7,9 s
Retomada 80 a 120 km/h: 10,9 s
Consumo urbano:7,1 km/l
Consumo rodoviário: 9,3 km/l

*trocas no modo seqüencial

MANUAL
Aceleração:13,1 s
Retomada 40 a 80 km/h:7,8 s
Retomada 60 a 100 km/h:11,7 s
Retomada 80 a 120 km/h:18,0 s
Consumo urbano: 6,8 km/l
Consumo rodoviário: 9,5 km/l ,


MODA NOVA

Os câmbios automatizados são novidade em veículos de grande escala. Na Europa, existem desde 2000. O da GM, desenvolvido pela Luk, estreou no Corsa. O da Fiat, desenvolvido pela Magneti Marelli, começou no Stilo Abarth e hoje equipa Punto, Idea, Stilo e Lancia Musa, entre outros. Ainda é segredo, mas Linea e Punto deverão ter a opção Dualogic


COMO FUNCIONA

[box05] A grande novidade dos câmbios automatizados não é o câmbio. Caixa de marchas, engrenagens e relações são iguais nas versões manuais e automatizadas, segundo os fabricantes. O que muda é o mecanismo que faz as trocas de marcha. Em vez do trambulador comum e suas partes mecânicas, os automatizados utilizam atuadores. Na prática, quando o carro vai trocar de marcha, um atuador aciona a embreagem, outro seleciona e outro engata a marcha. A diferença entre Dualogic e Easytronic está no modo de funcionamento dos atuadores. Na Fiat, eles são hidráulicos. Há um (1) reservatório de óleo em alta pressão que, quando necessário, envia fluido para os (2) atuadores, fazendo com que eles acionem embreagem e câmbio e executem a troca de marcha. O sistema todo é comandado por uma central eletrônica que fica em contato permanente com a centralina do carro. Na Meriva, os atuadores são elétricos. São motores que também são acionados por uma central eletrônica - que gerencia as trocas de marcha no modo automático. A vantagem desse sistema é ser mais compacto, por não ter o tal reservatório extra para o fluido sob pressão. Outra diferença entre os dois sistemas está na origem. O da Magneti Marelli, que equipa os Fiat, é fabricado por aqui. O sistema da General Motors, feito pela Luk, é importado da Alemanha. Nos dois casos, as fábricas recebem o equipamento montado de seus fornecedores.





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