
Com o dólar em baixa, alguns deles chegam a ter preços bem próximos dos de veículos similares produzidos no país. É o caso do New Beetle, oferecido por 57220 reais, beneficiado pela conjuntura do câmbio favorável e pelas vantagens do acordo comercial entre Brasil e México. Esses importados tornaram-se sonhos possíveis para um número maior de pessoas. O crescimento dessa legião estrangeira pode significar assistência mais estruturada, mais facilidade nas peças de reposição e desvalorização menos acentuada.
VW New Beetle 2.0 - R$ 57 220
Em 2006, foram 450; em 2007, 2 000. Para 2008, a VW estima vender 3 000 "Novo Fusca".
[img01] Ao preço de um modelo nacional, é possível dirigir um importado com estilo de sobra. No caso do New Beetle, além da exclusividade - por mais que venda bem, ele ainda está longe de ser um arroz-de-festa nas ruas -, ele exibe o carisma que faz com que todos se virem para olhar quando ele passa. Um dos mais bem-sucedidos projetos de releitura da indústria, mais que evocar a lembrança do bom e velho Fusca, ele tem brilho próprio e é forte candidato a se tornar um clássico. Seu design atualizado atrai pela emoção que provoca ao reeditar linhas antigas com apelo moderno evidenciado em detalhes como os faróis.
O New Beetle foi lançado em 1998 e passou por uma reestilização no fim de 2005. Desenvolvido sobre a plataforma do Golf (da quarta geração), ele herda toda a parte mecânica e elétrica do primo. Seu motor é o mesmo 2.0, que gera 116 cv, e o câmbio da versão básica é o mesmo manual de cinco marchas. No fim do ano passado, a fábrica apresentou uma opção automática de seis marchas.
Esses ingredientes comuns proporcionaram um carro bem diferente, no entanto. Quem já dirigiu o Golf talvez note algumas semelhanças quanto à elasticidade do motor, ao comportamento do câmbio, ao som do escapamento. E fica nisso, pois o New Beetle tem características próprias. Começa pela posição de dirigir. Para conseguir aquelas formas semicirculares de capô, capota e pára-choques, a fábrica criou um espaço maior entre o painel e o pára-brisas, assim como existe nas minivans. Dessa forma, o motorista viaja distante do pára-brisa. Outra particularidade é a linha de cintura baixa, contrariando a tendência, que deixa a área envidraçada abaixo do tórax das pessoas. Rapidamente, porém, o motorista se acostuma com o carro que é antes de tudo divertido ao rodar.
Na cabine cabem quatro pessoas com conforto e os saudosos se divertem encontrando elementos dos antigos Fusca, como o vasinho ao lado do volante e as alças de apoio, à frente do carona e nas laterais para os passageiros de trás. A única reclamação vai para a alavanca do câmbio muito próxima ao painel, onde é fácil esbarrar a mão.
SHOW ROOM
Preço: a partir de R$ 57 220
Versões: 2.0 manual e 2.0 automático
Equipamentos básicos: ABS, airbags, ar-condicionado, direção hidráulica, piloto automático, CD player, alarme e rodas de liga
Concessionárias: 587
Garantia: 1 ano sem limite de quilometragem
FICHA TÉCNICA
Motor: 4 cilindros, 1984 cm3, 116 cv a 5200 rpm, 17,3 mkgf a 2400 rpm
Câmbio: manual, 5 marchas
Suspensão: McPherson na frente, eixo de torção atrás
Freios: disco ventilado na frente, sólido atrás
Direção: hidráulica
Pneus: 195/65 R15
Hyundai Tucson GL 2.0 - R$ 79 900
Foi o importado mais vendido por aqui em 2007. Entre os SUV, só perdeu para EcoSport e TR4.
[img02] O utilitário esportivo merece o troféu revelação 2007, no segmento. Com 10 500 unidades comercializadas no ano passado, ele terminou como o terceiro SUV mais vendido - perdendo apenas para dois nacionais: o Ford EcoSport, em primeiro, e o Mitsubishi TR4, em segundo. O Tucson também foi responsável pela afirmação da Hyundai no mercado brasileiro, marca que até pouco tempo atrás tinha a imagem atrelada a veículos comerciais leves e carros nem sempre confiáveis.
Com seu design moderno - com linhas angulosas que o fazem parecer menor do que é -, o Tucson vem caindo nas graças do consumidor que comprava picapes e utilitários nacionais. A garantia de quatro anos, que só perde para a do rival Kia Sportage, com cinco anos, pode ser responsabilizada por boa parte desse sucesso e ajuda a espantar um dos fantasmas que assombram candidatos a proprietário de um importado, a assistência técnica.
O pacote de equipamentos de série é generoso. A versão mais barata da linha - a GL 2.0 com câmbio manual ao preço de 79 900 reais - vem com arcondicionado, direção hidráulica, volante regulável em altura, trio elétrico, banco do motorista com ajuste de altura e lombar, banco traseiro bipartido, console entre os assentos dianteiros e traseiros, faróis de neblina, alarme e vidro da porta traseira basculante, entre outros itens. O acabamento é de boa qualidade, as peças se encaixam perfeitamente e os materiais são agradáveis ao toque.
Seu motor 2.0 16V tem cabeçote de alumínio e gera 142 cv de potência e 18,4 mkgf de torque. O sistema de tração, nesta versão básica, é 4x2 - a tração 4x4 só está disponível nas versões mais caras, equipadas com motor 2.7.
Ao volante, o Tucson é um carro confortável, que apresenta rodar macio e silencioso, graças principalmente à estrutura reforçada da carroceria e à suspensão independente nas quatro rodas. Embora essa versão 2.0 não tenha sido avaliada em nossa pista, podemos afirmar que seu desempenho é compatível com o de um sedã médio, pelo que ele demonstrou na cidade. Ou seja: ele anda bem, mas não chega a impressionar.
SHOW ROOM
Preço: a partir de R$ 79 900
Versões: GL 2.0 man./aut., GLS 2.0 e GLS 2.7 V6 aut.
Equipamentos básicos: ar-condicionado, trio elétrico, banco traseiro bipartido, faróis de neblina, alarme e vidro da porta traseira basculante
Concessionárias: 56
Garantia: 4 anos sem limite de quilometragem
FICHA TÉCNICA
Motor: 4 cilindros, 16V, 1975 cm3, 142 cv a 6000 rpm, 18,7 mkgf a 4500 rpm
Câmbio: manual, 5 marchas
Suspensão: McPherson na frente, dual-link atrás
Freios: disco ventilado na frente, sólido atrás
Direção: hidráulica
Pneus: 235/60 R16
Volvo C30 2.0 - R$ 89 933
Ele aumentou 51% as vendas da Volvo no Brasil, com estilo inconfundível e boa relação custo/benefício.
[img03] Opequeno C30 é o mais novo ícone da Volvo, uma marca que, de uns dez anos para cá, tem se dedicado a aprimorar o visual de seus carros. Lançado em abril de 2007, seu sucesso mundo afora rejuvenesceu o público da marca e foi responsável por nada menos que 51% das vendas da Volvo, no Brasil, no ano que passou.
Ele é oferecido em três versões: 2.0, vendida por 89 933 reais; 2.4 automática, por 118 500 reais, e 2.5 T5, por 127 900 reais. Por menos que um Honda Civic Si, vendido a 99 500 reais, é possível levar um Volvo C30 2.0. Se o interesse é desempenho, o Honda é uma opção melhor. Mas, se o objetivo é se destacar na paisagem, fique com o C30. E olhe que ele não faz feio no trânsito. Seus 145 cv são suficientes para divertir um motorista no dia-a-dia - na Europa, há versões menos potentes equipadas com motores menores, como o 1.6 de 100 cv e o 1.8 de 125 cv. Outra vantagem desse motor 2.0 é que ele é o mesmo usado pela Ford no Focus e no EcoSport, o que reduz os custos de manutenção.
O C30 2.0 é um carro ágil nas curvas, graças a sua direção de respostas rápidas, e oferece boa posição de dirigir. O motorista se senta perfeitamente alinhado com o volante e os pedais, e o painel tem um desenho de volumes suaves que não agridem nem atrapalham a visibilidade. Alguns motoristas podem estranhar o pequeno ângulo de visão traseiro. Isso porque, em benefício do estilo, as laterais da carroceria atrapalham os retrovisores. Deve ser por isso que a Volvo criou o sistema Bliss, que avisa a aproximação de outros veículos pelas laterais - item disponível somente na versão T5.
Em teoria, a cabine oferece lugar para quatro pessoas, pois na parte de trás há dois bancos individuais. Mas, na prática, o C30 pode ser considerado um 2+2, porque há pouco espaço nessas posições.
Para a turma que cultua um objeto bem trabalhado, o console descolado do painel é uma pequena obra de arte. Mas há outros detalhes para fruição estética, como a tampa de vidro e as lanternas, na traseira. Para complementar, a fábrica oferece 14 opções de cores externas e quatro para o revestimento interno. Vale dizer que o número de autorizadas da marca sueca passou de sete para 11 pontos em 2007. Ainda é pouco, mas é um passo.
SHOW ROOM
Preço: a partir de R$ 89 933
Versões: 2.0 manual, 2.4 automático, 2.5 T5
Equipamentos básicos: airbags, imobilizador, couro, sistema de proteção contra colisões traseiras, computador de bordo, CD player, piloto automático, trio elétrico e rodas de liga leve
Concessionárias: 11
Garantia: 2 anos sem limite de quilometragem (com manutenção gratuita)
FICHA TÉCNICA
Motor: 4 cilindros, 16V, 1 999 cm3, 145 cv a 6000 rpm, 18,9 mkgf a 4500 rpm
Câmbio: manual, 5 marchas
Suspensão: McPherson na frente, multilink atrás
Freios: disco ventilado na frente, sólido atrás
Direção: eletroidráulica Pneus: 205/55 R16
Land Rover Discovery 3 4.0 V6 S - R$ 159 900
Suas vendas dispararam com a versão básica. Em 2006, a versão completa custava 211500 reais.
[img04] Até há pouco tempo, era mais fácil encontrar um membro da família real por aqui que um Discovery nas ruas. Assim como os Land Rover, de modo geral, ele era um carro raro de se ver no Brasil. Além de a operação da marca ser modesta no país, os modelos comercializados eram versões topo-de-linha, equipadas com motor V8 e todos os recursos a que tinham direito. Por isso, o volume de vendas era baixo. Na apresentação do Discovery 3, ele seguiu essa estratégia. Chegou na versão HSE, com motor V8 e recheado de equipamentos como faróis de xenônio, suspensão pneumática, gerenciador de tração Terrain Response e sistema de som Harman Kardon, entre outros itens. Mas, em janeiro de 2006, a empresa decidiu oferecer o Discovery S, que tem o básico para um veículo dessa categoria, ou seja, bancos de couro, piloto automático, câmbio "tiptronic", ABS, controle de tração, airbags, ar-condicionado e sistema de som "da casa". O preço do Discovery caiu de 237 000 para 159 900 reais, em valores atualizados. Resultado: as vendas subiram 64% em um ano.
Quem compra um Discovery S não faz nenhum sacrifício grave, abrindo mão do gerenciador de tração, do sistema de som Harman Kardon e do motor V8. Isso porque o carro mantém suas principais características inalteradas. O acabamento e o visual interno e externo não mudam. O Discovery continua sendo um SUV gostoso de dirigir, com estabilidade exemplar, apesar de seu tamanho, e conforto ao rodar. O motor 4.0 V6 de 215 cv é o bastante. Os 84 cv a mais encontrados no motor 4.4 V8 (299 cv no total) realmente não fazem falta. Mesmo mais modesto, o V6 não exige pé pesado para fazer o carro ganhar velocidade. Pelo contrário, no trânsito é recomendável pisar leve no acelerador. De acordo com a fábrica, o Discovery S faz de 0 a 100 km/h em 11,3 segundos e 180 km/h de velocidade máxima, eletronicamente limitada.
Segundo a fábrica, no total de Discovery comercializados no ano passado, a versão S foi a mais vendida, com 30% do volume. O restante foi dividido entre quatro versões - três equipadas com motor diesel e a V8, que responde por apenas 9%.
SHOW ROOM
Preço: a partir de R$ 159 900
Versões: V6 S, TD V6 S, SE e HSE; V8 HSE
Equipamentos básicos: ar-condicionado, airbags, CD player, couro, piloto automático, câmbio seqüencial, ABS, DSC e rodas de liga leve
Concessionárias: 27
Garantia: 3 anos ou 100 000 km
FICHA TÉCNICA
Motor: V6, 3 996 cm3, 215 cv a 4500 rpm, 36 mkgf a 3000 rpm
Câmbio: seqüencial, 6 marchas
Suspensão: duplo A, nos dois eixos
Freios: disco ventilado nas 4 rodas
Direção: hidráulica
Pneus: 235/70 R17
Chrysler 300C 5.7 V8 - R$ 169 000
Há exatos dois anos, ele custava 180000 reais. Sem abrir mão do conteúdo, seu preço caiu 6%.
[img05] Quando apresentou o 300C no Salão do Automóvel em São Paulo, em 2004, a estimativa da Chrysler era que o sedã chegasse ao Brasil custando cerca de 80 000 dólares, o que correspondia a mais ou menos 230 000 reais (na época, 1 dólar valia 2,90 reais). Hoje, com o dólar cotado a 1,80 real, o 300C é oferecido por 169 000 reais ou 94 000 dólares. Ou seja: apesar de ter chegado mais caro que a expectativa, em dólares, o 300C ficou mais barato em moeda nacional. E foi isso que fez com que ele caísse nas graças no mercado.
A principal razão do sucesso do 300C é a relação custo/benefício que ele oferece. O 300C é um sedã de luxo, equipado com motor V8 de 340 cv, câmbio automático, bancos de couro, ABS, airbags, faróis de xenônio, ar-condicionado dual zone, sistema de som e mais uma extensa lista de itens. Ele é o mais caro desse dossiê de importados, mas também é o que causa maior impacto aonde chega.
O 300C mede 5 metros de comprimento e é dono de um visual que chama a atenção. Seu design foi inspirado nos Chrysler dos anos 50 e 60, com suas grades dianteiras e faróis grandes e reluzentes. A linha de cintura alta e o teto baixo, somados às grandes rodas, de aro 18, lhe dão um ar provocativo. Internamente, o estilo clássico se reproduz no painel e no revestimento que imita madeira.
Ao volante, o 300C se comporta como um autêntico carrão americano. Mas, ao contrário de seus antepassados - e de muitos conterrâneos ainda vivos -, ele é surpreendentemente estável. Isso porque a suspensão, de braços triangulares na frente e multilink atrás, ajudada pelos pneus 225/60R18, mantém o sedã grudado no chão. E a direção permite controlar a trajetória com rédeas curtas.
Seu motor Hemi, com o dispositivo MDS, que corta a alimentação de cilindros quando a situação não requer o esforço dos oito em conjunto, ajuda a economizar combustível. Em nossa pista, ele não foi tão econômico quanto o Lexus avaliado nesta edição, mas arrancou elogios com médias de 6 km/l na cidade e 10 km/l na estrada. Portanto, apesar da opulência, ele se esforça para ser econômico na compra e na hora de abastecer.
SHOW ROOM
Preço: a partir de R$ 169 000
Versões: 5.7 V8, 5.7 V8 Touring e SRT8
Equipamentos básicos: ar-condicionado, ABS, airbags, couro, sistema auxiliar de estacionamento, faróis de xenônio, computador de bordo, piloto automático, teto solar, sensor de chuva, sensor de pressão dos pneus e rodas de alumínio
Concessionárias: 32
Garantia: 2 anos sem limite de quilometragem
FICHA TÉCNICA
Motor: V8, 5 654 cm3, 340 cv a 5 000 rpm, 53,5 mkgf a 4 000 rpm
Câmbio: seqüencial, 5 marchas
Suspensão: duplo A na frente, multilink atrás
Freios: disco ventilado na frente, sólido atrás
Direção: hidráulica
Pneus: 225/60 R18




