
Eles estão ali para mostrar que, no Logan, banco traseiro é lugar nobre. São 142 centímetros de espaço para os ombros, 9 a mais que no Fiesta (segundo mais largo) e 15 a mais que no Prisma. Com 510 litros, o porta-malas também é o maior (tem 71 litros a mais que o do Chevrolet), mas é o menos versátil, pois o banco traseiro é fixo. Melhor ter os 500 litros do Siena ou os 471 do Fiesta e poder chegar a 1000, com o encosto reclinado.
A economia no acabamento está na simplicidade das peças, não na qualidade do material. As peças da cabine estão firmes e o plástico do painel não arranharia mesmo se um gato caminhasse por cima. Mas há dois lugares onde a falta de capricho é cortante: a articulação do reclinador dos bancos tem uma chapa de metal fina e descoberta e, no fundo do porta-malas, parafusos pontudos esperam pela sua bagagem. A outra falha é o puxador de porta, difícil de pegar.
Vinha para o trabalho feliz com o Logan. Anda tão rápido quanto um Civic. Para um carro popular, parece bem plantado no chão. Os pneus 185/65 R15 (de série) ajudam, mas o mérito é mesmo do entreeixos, bem maior que o da concorrência, e do projeto de chassi recente, derivado do novo Clio europeu. Não é tão bom notar que as barrinhas do marcador digital de combustível se apagam com pressa: ao ritmo de 6,9 km/l de álcool na cidade, o Logan gasta bem mais que Fiesta e Prisma.
O passeio ia bem, até chegar ao prédio da Abril. Os seguranças que ficam na cancela sempre pedem para abrir a janela. Com o Logan também, mas a mímica mudou: punho fechado e cotovelo flexionado. Gesto de girar a maçaneta. "Alto lá, ele tem vidro elétrico!", protestei. Não importa. Mesmo se tivesse bancos de couro, teria cara de carro com manivela. O estilo fora de moda nos leva a outra preocupação: será que o Logan vai vender bem? Porque, se não vender, o valor de revenda cai. Nesse mercado faz muita diferença, e seus rivais não têm do que reclamar. Prisma ou Siena, sozinhos, vendem mais que a soma de todos os modelos da Renault. A montadora parece disposta a mudar o cenário. Deu três anos de garantia e baixou os preços de peças para garantir um ótimo índice no teste de reparabilidade do Cesvi: 13, quando o melhor é 10. Se o racionalista Logan fosse uma pessoa, ele não compraria um Logan 1.6 16V por impulso. Esperaria alguns meses antes de tomar a decisão, até o ritmo de vendas se consolidar. É um bom conselho. Mas, no que dependia de si mesma, a Renault entregou o melhor conjunto.
LOGAN - R$ 39 790*
* Preço da versão com ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos e travas elétricas
DIREÇÃO, FREIO E SUSPENSÃO
O motorista sente que está num carro maior, menos sensível a ventos laterais e irregularidades do chão.
★★★★
MOTOR E CÂMBIO
O motor 1.6 16V é dos melhores do país, elástico e suave. Anda rápido, mas não foi especialmente econômico.
★★★★
CARROCERIA
Nascido para custar pouco, com dobras simples, frestas grandes e vidros mais planos que o normal. Compensa com as dimensões generosas.
★★★★
VIDA A BORDO
Cabem três pessoas no banco de trás, e só isso já é uma novidade e tanto. O espaço entre os bancos é mal aproveitado e o encosto traseiro não rebate, mas temos apoios de cabeça para os cinco e porta-revistas de série.
★★★★★
SEGURANÇA
Só ele traz de série três apoios de cabeça atrás e pneus 185/65 R15. Mas o melhor: ele é o único a oferecer airbag duplo a preço acessível.
★★★★
SEU BOLSO
Três anos de garantia, política agressiva de preço de peças (que explica o ótimo resultado no teste do Cesvi) e um produto que entrega um valor (espaço interno) de segmento superior.
★★★★
>> 1º lugar Logan
>> Tabela comparativa e veredicto




