Essa mesma idéia também pode ser aplicada neste comparativo. Colocamos lado a lado o novo Ford EcoSport, equipado com câmbio automático, e o Chevrolet Tracker, que só existe com a tração 4x4. A partir daí, já dá para imaginar os dois "perfis de investidor" que temos aqui. Um é mais conservador e até gosta de uma aventura, mas seu ambiente é mesmo a "segurança" proporcionada pelo asfalto. O outro é mais aventureiro e procura caminhos menos previsíveis, com possibilidades de maiores ganhos em emoção.
Antes de analisar os carros, vale um esclarecimento. O Tracker é comercializado em versão única, com câmbio manual e tração 4x4, que custa 58 990 reais. Como preço é, na grande maioria das vezes, nossa base de comparação, optamos pelo EcoSport XLS automático, que custa 60 890 reais, para este confronto. Infelizmente, a Ford não tinha o modelo para teste. O carro que você vê nas fotos é um XLT. A mais que o XLS ele tem pára-choques da cor do carro, rodas de liga leve e som MP3. E custa 64 480 reais. Em qualquer um dos três,você vai estar bem servido em termos de equipamentos. Airbag duplo, ABS com EBD, ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico são itens comuns. O Tracker tem a mais que o EcoSport o teto solar e a tração 4x4, com acionamento mecânico. O Ford responde com o câmbio automático.
O visual deles é distinto. Contraditoriamente, o Eco evoca um design mais atual e jovem, voltado para um público aventureiro. O Tracker tem linhas mais arredondadas e datadas (seu projeto é de 1997), ainda que as lanternas traseiras com refleto res cromados sejam uma tentativa de atualizá-lo. O mesmo vale para o interior. O visual no Tracker faz o EcoSport parecer mais moderno e mais bemacabado. Os comandos deslizantes do ar-condicionado do Chevrolet contrastam com os botões giratórios que ligam o equipamento no Ford. E se, por um lado, notamos uma melhora no tratamento interno do EcoSport, no Tracker foi o oposto. Do jipinho que estreou no Brasil em 2001, algo mudou. A GM passou a utilizar plástico duro no volante e o tecido que reveste parte das portas é de qualidade inferior.
No braço
O espaço é semelhante - com 2,49 metros de entreeixos, o Ford tem 1 centímetro a mais que o rival. O porta-malas é apertado, com 292 litros no Eco e 275 no Tracker. Mas as portas traseiras, que se abrem lateralmente, permitem bom acesso.
Ao volante, os dois carros guardam diferenças. E são elas que falam mais alto na hora de definir o perfil do "investidor". Enquanto o Eco oferece conforto com o câmbio automático, o Tracker exige esforço do motorista para manusear a alavanca de câmbio e o volante. Em curvas, o Tracker se comporta melhor, inclinando menos que o Eco. No que cabe à suspensão, o Ford não esconde sua opção pelo conforto e no fora-de-estrada, o câmbio automático não ajuda. Fica difícil, por exemplo, usar o freio-motor numa ladeira de terra. Você vai ter que apelar para o pedal do freio e controlar o carro no braço. O Tracker, nesse aspecto, rende mais: com tração 4x4, incluindo a reduzida, ele vence os obstáculos do fora-de-estrada facilmente.
Obrigado, câmbio
Das ruas (e estradas de terra), a disputa foi para a pista. O Eco reafirmou a vocação urbana. Com câmbio automático, foi mais rápido em aceleração, levando 11,7 segundos para chegar aos 100 km/h. O Tracker, com câmbio manual, foi 1,7 segundo pior. Apesar de utilizarem motores 2.0 16V, o Ford é 10 cv mais potente. Vale dizer que os testes foram feitos em locais distintos: o Tracker foi medido no campo de provas da GM, com o equipamento da montadora, e o Eco em Limeira, com o nosso.
Nas retomadas, a briga é injusta. Com o câmbio do Eco realizando o kick-down, ficou fácil para ele superar o Tracker. O Ford também levou a melhor em todos os testes de consumo e de frenagem (chegou a parar 9,3 metros antes do Tracker na frenagem de 120 km/h a 0). Vale lembrar que o EcoSport automático teve o sistema de freio revisado e melhorado em relação ao manual, pelo fato de o motorista não ter o freio-motor à disposição.
Diante do exposto, vou assumir o papel de analista de "investimento". Na frieza da análise, o vencedor deste comparativo é o Eco. Se você for comprar um destes para usar na cidade, é ele quem vai tornar sua vida mais fácil. Não custa lembrar que a versão indicada é a 2.0 XLS, 3 620 reais mais em conta que a XLT. Além de andar bem e consumir menos, ele oferece interior amigável e a conveniência do câmbio automático. Mas, se seu perfil é mais "agressivo", a superioridade do Tracker nos caminhos menos convencionais é inquestionável. Para quem gosta de aventura, ele é melhor aposta na hora de enfrentar a terra.
ECOSPORT - R$ 64 480
A versão XLT é a top. A concorrente direta do Tracker é a XLS automática, apenas 800 reais mais cara.
SUSPENSÃO
A Ford deixou o conjunto mais duro. Mas a suspensão ainda é mais macia que a do Tracker.
Avaliação: bom
AO VOLANTE
A posição elevada de dirigir agrada. Os materiais utilizados no acabamento superam os do Tracker.
Avaliação: muito bom
CARROCERIA
As linhas entusiasmam mais que as do Tracker. Além disso, seu projeto é mais novo (2003).
Avaliação:muitobom
MOTOR E CÂMBIO
O câmbio não é recheado de tecnologia, mas o Eco venceu nos testes de desempenho e ainda bebeu menos.
Avaliação: muito bom
MERCADO
É um sucesso desde seu lançamento. A versão automática deve conquistar novos adeptos para o Eco e dificultar a vida do Tracker por aqui.
Avaliação: muito bom
TRACKER - R$ 58 990
O Tracker vem embalado pelo sucesso de vendas do Eco. É o jipe 4x4 mais barato do mercado.
SUSPENSÃO
Além de mais robusto, o jipe agrada em curvas e no fora-de-estrada.
Avaliação: muito bom
AO VOLANTE
O visual é datado. Assim como no Eco, os comandos ficam bem distribuídos.
Avaliação: bom
CARROCERIA
Seu projeto é antigo, assim como suas linhas. O Tracker utiliza chassi, em vez de monobloco.
Avaliação: bom
MOTOR E CÂMBIO
Anda razoavelmente bem, mas não foi páreo para o Eco nos testes.
Avaliação: bom
MERCADO
A relação custo/ benefício é um atrativo. O Tracker só será comercializado (e assistido) em 36 revendas da marca.
Avaliação: bom
>> Tabela comparativa e veredicto




